O Pr. Gilson Soares dos Santos é casado com a Missionária Selma Santos, tendo três filhos: Micaelle, Álef e Michelle. É servo do Senhor Jesus Cristo, chamado com santa vocação. Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional), Campina Grande/PB; Graduado em Filosofia pela UEPB (Universidade Estadual da Paraíba); Pós-Graduando em Teologia Bíblica pelo CPAJ/Mackenzie (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper). Professor de Filosofia e Teologia Sistemática no STEC. Professor de Teologia Sistemática no STEMES, em Campina Grande - Paraíba. Pastor do Quadro de Ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (AIECB). Pastoreou a Igreja Evangélica Congregacional de Cuité/PB, durante 15 anos (1993-2008). Atualmente é Pastor Titular da Igreja Evangélica Congregacional em Areia - Paraíba.
16 de outubro de 2013
A oração da fé e a soberania de Deus
14 de outubro de 2013
Pra não dizer que não falei dos grilos
de Lua redonda
como um queijo branco
no prato do céu,
do meio do mato
uma voz ouvi,
que falava sempre:
CRI... CRI... CRI...
Vestido de noite,
perdido no escuro,
parado num canto
que não descobri,
seu corpo comprido,
de inseto elegante,
confesso não vi...
Só ouvi seu canto
na perdida sombra:
CRI... CRI... CRI...
Estava sozinho,
sem algum amigo
com quem conversasse;
então decidi:
"Com o grilo alegre
vou travar conversa".
- Ei, grilo, não temas,
que eu não sou de briga!
Creste no que eu disse?
... e o grilo, do escuro,
respondeu na hora,
como se entendesse:
CRI... CRI... CRI...
Fiquei muito alegre,
ele me entendia
e me respondia
com satisfação...
Pus-me a contar fatos
que o deixaram quieto,
prestando atenção:
"Uma vez, amigo,
veio ao mundo um homem
muito meigo e puro
perdoando a todos,
libertando escravos,
saciando pobres
e curando enfermos;
homem tão bondoso
como igual não vi..."
- Creste no que eu disse?
...Respondeu-me o grilo,
como se entendesse:
CRI... CRI... CRI...
"...Pois o tal profeta
(Ele era profeta),
como fosse humano,
dedicado e amigo,
recebeu dos homens
o pior castigo
que já conheci:
numa cruz pesada
foi crucificado,
suas mãos sangraram,
rasgadas, feridas,
sua fronte clara
foi lavada em sangue,
padeceu torturas
como nunca vi..."
- Creste no que eu disse?
...Respondeu-me o grilo,
como se entendesse:
CRI... CRI... CRI...
"...Mas, um dia, um belo
dia de domingo,
Esse homem puro,
que nenhum pecado
no mundo provou,
rompeu as cadeias
da morte gelada,
e ressuscitou...
Seu corpo, na pedra
do escuro sepulcro,
ninguém mais achou...
o nome bendito
do Ser soberano
da glória e da luz
soa como um hino,
às vezes humano,
às vezes divino,
o nome é ... JESUS...
Esse doce amigo
que sofreu assim
padeceu castigo
e morte por mim.
Para ser sincero,
devo confessar:
Ele foi ferido
para me salvar..."
- Bem, já se faz tarde,
vou dormir, amigo,
boa-noite, Grilo...
Mas, ó companheiro,
tu creste de fato
no que eu disse aqui?
... Respondeu-me o grilo,
como se entendesse:
CRI, CRI, CRI, CRI, CRI!!!
8 de outubro de 2013
O dízimo transformado em dividendos
Há empresários cristãos e recém-convertidos dando o dízimo com todo afoito, na esperança de serem bem-sucedidos nos negócios, de preferência, imediatamente. A malfadada teologia da prosperidade criou essa mentalidade mercantilista do dízimo. Outro dia, um pequeno empresário, com apenas um mês de conversão, comprou um bombom por vinte reais para ajudar a pagar a passagem de um missionário de partida para a Venezuela. No dia seguinte, algumas novas oportunidades de lucro chegaram ao seu escritório e ele e sua esposa logo relacionaram uma coisa com a outra.
Há igrejas e pastores encorajando, com sucesso, os fiéis a entregarem ofertas polpudas, prometendo-lhes as tais chuvas de bênçãos (materiais). Alguns dos ofertantes não conseguem nem sequer esconder a negociata que estão realizando com Deus. No auge da euforia, há quem doe todos os seus bens, ou quase todos, não por causa daquela devoção intensa e altruísta da viúva pobre que depositou no gazofilácio dois leptos (pequenas moedas de cobre quase sem valor), mas para poder escapar de uma falência, de uma doença terminal, de uma separação conjugal ou para abrir uma nova empresa e adquirir mais e mais bens de consumo.
Essa capacidade maligna de transformar a arte de dar em arte de receber está profanando e tornando antipática a palavra dízimo, de origem santa. A mão que se abre para ofertar é também a mão aberta para receber algo de maior valor. Isso vai totalmente de encontro àquele princípio ensinado por Jesus: “Há maior felicidade em dar do que em receber” (At 20.35).
Jesus deixou claro que o maior valor da contribuição é espiritual e não monetário. É por esta razão que ele valorizou mais as duas pequeninas moedas de “muito pouco valor” da mulher pobre do que as “grandes quantias” dos ricos (Mc 12.41-44). A legitimidade do dízimo e de qualquer oferta está na vontade de agradecer a Deus, na necessidade de adorá-lo e no privilégio de servi-lo. Daí a postura de Paulo: “Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me valerá” (1 Co 13.3).
O dízimo transformado em dividendos (parte dos lucros líquidos que cabe ao acionista de uma empresa mercantil) inverte os papéis e supervaloriza a obra em detrimento da graça. Deus assume o papel de devedor e o homem assume o papel de credor. A partir do momento em que você contribui com alguma coisa para o reino de Deus ou se nega a si mesmo algum prazer pecaminoso, Deus se torna seu devedor.
Originalmente, o dízimo era uma responsabilidade do povo de Deus. Um décimo de todas as posses e de toda a receita de todas as tribos (exceto a tribo de Levi) era destinado aos levitas como retribuição pelo trabalho religioso que realizavam. Já o dízimo dos levitas era destinado aos sacerdotes (Nm 18.21-29). Quando os dízimos não eram pagos, toda a estrutura era abalada, inclusive a assistência às viúvas, aos órfãos e aos estrangeiros (Dt 14.28-29). Além da agradável sensação do dever cumprido, os israelitas fiéis no dízimo e nas demais obrigações éticas eram, naturalmente, abençoados por Deus com fartas colheitas, das quais dependiam sua sobrevivência e seu bem-estar. Essa prosperidade não tem nada a ver com a prosperidade consumista, acentuada hoje em dia (carros importados, roupas sofisticadas, finas iguarias, viagens, os melhores teatros e casas na cidade, no campo e na praia).
1 de outubro de 2013
Alguns testes pelos quais nossa adoração deve ser provada
22 de setembro de 2013
Fé e Regeneração: Qual vem primeiro?
17 de setembro de 2013
Culto transformado em show
10 de setembro de 2013
A Graça transformada em libertinagem
A denúncia de Judas não poderia ser mais explícita: “[Certos homens] transformam a graça de nosso Deus em libertinagem e negam Jesus Cristo, nosso único Soberano e Senhor” (Jd 4). Em outras palavras: “Eles torcem a mensagem a respeito da graça do nosso Deus a fim de arranjar uma desculpa para a sua vida imoral” (NTLH). A Comunidade de Taizé prefere afirmar que certas pessoas “abusam da graça do nosso Deus para levar uma vida dissoluta”.
Esse estrago está sendo cometido por alguns intrusos que já se infiltraram sorrateiramente no meio da comunidade e agora participam de suas festas de fraternidade (Jd 12) e usam de desavergonhada bajulação (Jd 16). No decorrer da epístola, Judas chama os prostituidores da maravilhosa graça de “sonhadores” (v. 8), “rochas submersas” (v. 12), “pastores de si mesmos” (v. 12), “nuvens sem água”, “árvores de outono [mas] sem frutos, duas vezes mortas, arrancadas pela raiz” (v. 12), “ondas bravias do mar, espumando seus próprios atos vergonhosos” (v. 13) e “estrelas errantes [a caminho das] mais densas trevas” (v. 13).
O que essas “rochas submersas” estão fazendo é muito grave. Quais icebergs, que escondem 90% do seu volume debaixo do nível do mar, elas realizam um trabalho de corromper a maravilhosa graça, declarando temerariamente que, depois de termos nos tornado cristãos, “podemos andar como quisermos, sem medo da ira divina” (Jd 4, BV)
Ora, a distância entre a graça divina e a libertinagem humana é imensurável. A graça é a manifestação maior do amor, da misericórdia, da compaixão e da paciência de Deus. E a libertinagem é a manifestação maior do pecado, da provocação, da maldade e da baixeza do homem. A graça de Deus parece não ter sinônimo perfeito (nem definição plenamente satisfatória). Mas os sinônimos da libertinagem são licensiosidade, dissolução, devassidão, depravação. Remover a maravilhosa graça do seu pedestal e colocá-la na mesma prateleira da libertinagem é uma violência que precisa ser denunciada em alto e bom som.
Essa fabulosa indústria de transformação, que pretende acalmar a consciência dos vencidos pela carne e enriquecer os intrusos, os advogados do diabo, os profetas da pecaminosidade e a mídia sedenta de ibope e ouro — existe há muito tempo e transforma não apenas graça em libertinagem. As outras transformações aparecem nas demais matérias de capa.
6 de setembro de 2013
Ética e Infinito, em Emmanuel Lévinas
A filosofia de Emmanuel Lévinas (1905-1995) tem como propósito o discurso sobre a responsabilidade para com o outro ser humano. Ele procura enfatizar a não-indiferença pelo rosto do outro. Sua ética é exposta, de forma clara, em totalidade e infinito e ética infinito, uma das suas principais obras de filosofia, como “a ética da responsabilidade para com os outros”. Sua filosofia traz uma resposta para a crise de ética de sua época. Para ele, o começo da filosofia é a responsabilidade com o outro. O infinito é o outro. O termo “metafísica” encontra em Lévinas significado próprio. A metafísica de Lévinas é a ética. É nosso propósito, neste trabalho, fazermos uma leitura interpretativa da ética levinasiana, buscando entender, acima de tudo, a definição que o filósofo faz sobre o rosto do outro e da nossa responsabilidade para com o outro, que não é apenas exterioridade do rosto, mas o humano que nos torna humano.
Lévinas inicia tratando da natureza histórica da filosofia, que buscou sintetizar universalmente tudo aquilo que é significativo, reduzindo as coisas ao conceito de totalidade. Uma filosofia que exalta o sujeito, colocando-o num pedestal, e, portanto, traindo a ideia de sujeito como estar sujeito a algo ou alguém. Para ele, na história da filosofia foi difícil encontrar uma ruptura entre totalidade e infinito, e foi somente
A partir do rosto do outro, de um olhar para o rosto do outro, Emmanuel Lévinas busca construir uma nova visão de humano. Porém a exterioridade do rosto não permite que se tenha um conhecimento do outro. Não nos limitamos a ver o rosto do outro como nariz, olhos, testa, queixo, etc., Se assim o fizermos, então nos voltamos para o outro como objeto. É nesse ponto que Lévinas mostra que "o que é especificamente rosto é o que não se reduz a ele". Não importa o que possamos ver, há no rosto uma pobreza essencial, e não se pode ter um conhecimento seguro sobre o outro apenas contemplando a exterioridade do rosto, pois simplesmente o rosto pode disfarçar. Porém é o rosto que nos impede de matar. Isso faz sentido se conseguirmos ver o humano no rosto do outro. A primeira relação que temos com o rosto é uma relação de ética. A primeira palavra do rosto é "tu não matarás". De certa forma, quando nos encontramos com o outro podemos todas as coisas, inclusive matar o outro, mas não o fazemos porque o rosto do outro diz "Podes matar", mas o mesmo rosto diz "Não matarás". O rosto me leva à responsabilidade. Porque o rosto do humano corresponde ao humano. Talvez seja possível tirar a vida de um homem, porém seu rosto continuará lá.







