O Pr. Gilson Soares dos Santos é casado com a Missionária Selma Rodrigues, tendo três filhos: Micaelle, Álef e Michelle. É servo do Senhor Jesus Cristo, chamado com santa vocação. Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional), Campina Grande/PB; Graduado em Filosofia pela UEPB (Universidade Estadual da Paraíba); Pós-Graduando em Teologia Bíblica pelo CPAJ/Mackenzie (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper). Professor de Filosofia e Teologia Sistemática no STEC. Professor de Teologia Sistemática no STEMES, em Campina Grande - Paraíba. Pastor do Quadro de Ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (AIECB). Pastoreou a Igreja Evangélica Congregacional de Cuité/PB, durante 15 anos (1993-2008). Atualmente é Pastor Titular da Igreja Evangélica Congregacional em Areia - Paraíba.

13 de dezembro de 2018

Quem eram os magos que foram visitar Jesus? Comentaristas respondem


QUEM ERAM OS MAGOS QUE FORAM VISITAR JESUS? COMENTARISTAS RESPONDEM

Pr. Gilson Soares dos Santos

No Capítulo Dois do Evangelho de Mateus encontramos a história da visita dos magos a Jesus. Certamente você já ouviu dizer que eram três, que eram reis, e seus nomes eram Baltazar, Melchior e Gaspar e, por tradição, um deles era negro.

Hoje vou entrevistar alguns comentaristas do Novo Testamento (fazendo uso de seus escritos) e saber deles quem eram os magos que fizeram uma visita a Jesus.

PERGUNTA FEITA A RUSSEL NORMAN CHAMPLIN (1)

PR. GILSON SOARES: Quem eram os magos que foram visitar Jesus?

CHAMPLIN:Em termos modernos, os magos – cuja fama foi maior entre 500 A.C. e 200 D.C. – eram eruditos que se distinguiam no campo da matemática, da astronomia, da astrologia, da alquimia e da religião. Com frequência eram conselheiros de cortes reais, e um dos deveres era estudar as estrelas a fim de antecipar o nascimento de qualquer novo governante, que eventualmente ameaçasse os poderes correntes. O recém nascido surgiria como comandante de exércitos, como um mestre, como um sábio ou como um legislador? Seria ele dominado pela sabedoria beneficente de Júpiter ou pela tutela guerreira de Saturno? O estabelecimento de tal horóscopo não era tarefa para um dia só.”

PR. GILSON SOARES: Quantos eram, na verdade?

CHAMPLIN: “O registro da Bíblia não diz quantos magos vieram ver o bebê em Belém. As igrejas primitivas argumentavam sobre esse ponto. Os cristãos orientais tem uma tradição de doze sábios, cada um dos quais representaria uma das doze tribos. Alguns antigos mosaicos mostram apenas dois magos, ao passo que outros exibem sete ou mesmo onze. O numero onze teve apoiadores especiais, porquanto diz que o numero onze é um número espiritual, podendo também predizer o numero dos fiéis discípulos de Cristo. Entretanto, desde o século VI D.C., a igreja ocidental estabeleceu o numero de magos como três, que representariam ou as três raças principais ou a Trindade.”

PERGUNTA FEITA AO PROFESSOR R. V. G. TASKER (2)

PR. GILSON SOARES: Quem eram os magos que foram visitar Jesus?

TASKER: “Ao registrar a historia dos magos, o objetivo do evangelista pareceria ter sido o de mostrar que a criança, nascida da linhagem de Davi para cumprir o ideal de realeza associado com o nome do maior rei de Israel, foi reconhecida ainda na infância por representantes do mundo “não judeu” como sendo o “Rei dos Judeus” por excelência. [...] Estes astrólogos especializados, com a sua característica curiosidade cientifica, tinham visto um notável fenômeno astrológico cuja exata natureza não é revelada. Familiarizados com a crença contemporânea generalizada de que o tempo estava propício para o aparecimento de um rei que nasceria na Judeia, o qual reivindicaria homenagem universal e introduziria um reino de paz, eles partiram para tal país a fim de testar a veracidade de sua conjectura.”

PR. GILSON SOARES: Mas podemos afirmar que eram três e que eram reis?

TASKER: “Não se diz que os visitantes do Cristo nascido eram reis, embora os cristãos posteriores viessem a considera-los como tais, dando-lhes até nomes: Belquior, Gaspar e Baltasar. A Palavra “magos”, de origem persa, quase certamente significa, no presente contexto, “astrólogos”. [...] “Magos” é a tradução de “magoi”, palavra usada tanto no bom sentido de astrólogos eruditos, como no mau sentido, dos que praticavam magia. É curioso que alguns dos Pais Primitivos entenderam este texto no segundo sentido, considerando a história como símbolo do triunfo do cristianismo sobre a magia e a bruxaria.”

PERGUNTA FEITA A JOHN MACARTHUR (3)

PR. GILSON SOARES: Quem eram, e quantos eram, os magos que foram visitar Jesus?

MACARTHUR: O número de magos não é declarado. A ideia tradicional de que eram três baseia-se no número de presentes levados. Eles não eram reis, mas magos, mágicos ou astrólogos – provavelmente sábios do zoroastrismo da Pérsia, cujo conhecimento da Escritura hebraica podia ser remontado ao tempo de Daniel (Cf. Dn 5.11).

PERGUNTA FEITA A D. A. CARSON (4)

PR. GILSON SOARES: Fale-me sobre os magos que foram visitar Jesus.

CARSON:Os “magos” (magoi) não são fáceis de identificar com precisão. Diversos séculos antes, o termo era usado para uma casta sacerdotal dos medos que desfrutava de poder especial para interpretar sonhos. Daniel 1.20; 2.2; 4.7; 5.7 refere-se aos magoi no Império Babilônio. Em séculos posteriores aos tempos do Novo Testamento, o termo cobria indistintamente uma ampla variedade de homens interessados em sonhos, astrologia, mágica, livros tidos como contendo referencias misteriosas em relação ao futuro e semelhantes. Alguns magos buscavam honestamente a verdade; muitos eram patifes e charlatães. Aparentemente, esses homens foram a Belém estimulados por cálculos astrológicos. Mas é provável que tenham aumentado suas expectativas de uma figura real labutando em vários livros judeus.

PR. GILSON SOARES: Quer dizer que eram mágicos? Não eram reis?

CARSON: “A tradição de que os magos eram reis pode ser traçada até a época de Tertuliano (morto em c. 225). É provável que essa tradição tenha se desenvolvido sob a influência de passagens do Antigo Testamento que dizem que reis viriam e adorariam o Messias (cf. SI 68.29,31; 72.10,11; Is 49.7; 60.1-6).”

PR. GILSON SOARES: Podemos dizer que eram três? E quanto a seus nomes?

CARSON: “A teoria de que houve três “homens sábios” provavelmente é uma dedução a partir dos três presentes (2.11). No final do século VI, os homens sábios foram chamados de Melcon (depois Melquior), Baltasar e Gaspar. Mateus não fornece nomes. Seus magoi foram a Jerusalém (que, como Belém, tem fortes conexões davídicas [2Sm 5.5-9]), aparentemente vindos do Oriente — é provável que do leste — possivelmente da Babilônia, onde havia um assentamento judaico de tamanho considerável e que exercia considerável influência, mas possivelmente da Pérsia ou do deserto da Arábia. O local mais distante, Babilônia, pode ser sustentado pelo tempo de viagem aparentemente exigido (veja em 2.16).”

PERGUNTA FEITA A WARREN W. WIERSBE (5)

PR. GILSON SOARES: Quem eram os magos que foram visitar Jesus? Quantos eram?

WIERSBE: “Esses "magos" eram astrólogos orientais que estudavam as estrelas e tentavam entender os tempos. Eram gentios que Deus chamou especialmente para reverenciar o Rei recém-nascido. Talvez seja uma referência à estrela milagrosa da profecia de Balaão, relatada em Números 24:1-7. Não sabemos quantos eram os magos, de onde vinham ou qual era o nome deles. Nem sempre as tradições cristãs conhecidas têm fundamento bíblico.”.

PERGUNTA FEITA A D. L. MOODY - PFEIFFER (6)

PR. GILSON SOARES: Quem eram os magos que foram visitar Jesus?

MOODY:(magoi) indicava originariamente a casta sacerdotal entre os persas e babilônios (veja Daniel 2:2, 48; 4:6, 7; 5:7). Mais tarde o nome foi aplicado pelos gregos a qualquer feiticeiro ou charlatão (Atos 8:9;13:18). Mateus usa o termo no sentido bom para designar homens respeitados de uma religião oriental. É inteiramente aceitável que esses homens tivessem contato com os judeus exilados, ou com as profecias e a influência de Daniel, e assim possuíssem as profecias do V. T. relativamente ao Messias.”

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

(1)_ CHAMPLIN. Russel Norman, O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. Vol. 1. Mateus e Marcos. São Paulo: Candeia. p.273.

(2)_  TASKER, R. V. G. Mateus: Introdução e Comentário. São Paulo: Vida Nova. 2006. P.31-32.

(3)_ MACARTHUR, John. Bíblia de Estudo Macarthur. Barueri: SBB. 2010. P.1209.

(4)_ CARSON, D. A. O Comentário de Mateus. São Paulo: Shedd Publicações. 2010. P. 111-112.

(5)_ WIERSBE, Warren W.  Comentário Bíblico Wiersbe. Volume II – Novo Testamento. Santo André: Geográfica Editora. 2008. P.18.

(6)_ PFEIFFER, Charles F.  Comentário Bíblico Moody.  P.9

5 de novembro de 2018

Que ENEM é esse? Dialeto Travesti e Beijo Lésbico?


QUE ENEM É ESSE? DIALETO GAY E BEIJO LÉSBICO?

Pr. Gilson Soares dos Santos

Na postagem de hoje, quero compartilhar um post do GospelPrime sobre o ENEM 2018.

Leia aqui ou direto no site do gospelprime, no link abaixo.

ENEM: de “dialeto de travesti” a beijo lésbico de avó


Ativismo gay e ideologia de gênero em exame geram revolta em estudantes.


ENEM 2018
ENEM 2018. (Foto: Ananda Migliano/Ofotográfico/Folhapress)
Assim como aconteceu em outros anos, a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) teve fortes tons ideológicos, com questões abordando temas relacionados com ideologia de gênero. As imagens da prova de Linguagem, realizada neste domingo (4), se multiplicaram nas redes sociais, quase sempre acompanhadas de críticas aos temas.
O país vive um outro momento, após a eleição de Jair Bolsonaro. Segundo o analista político conservador Alexandre Borges, “Se o Enem fosse um mês antes, Bolsonaro levava no primeiro turno”.
As fotos e testemunhos compartilhados no Facebook dão conta que as fontes escolhidas pelos elaboradores da prova eram, na maioria, com viés político à esquerda. Isso inclui a revista Carta Capital e o site Pragmatismo Político.
O estudante Nicolas Carvalho de Oliveira apresentou o seguinte “resumo da prova”:
“1. Umas dez perguntas feministas (uma delas, a pior, proveniente da Carta Capital, sobre as 23 Miss peruanas que usaram o concurso pra lacrar) 2. Meia dúzia de perguntas de militância negra 3. Os piores e mais desconhecidos poetas brasileiros nas perguntas de Literatura (todos eles lacradores, nenhum classicista) 3. Pergunta capciosa do Sto Agostinho, de um excerto de sua obra que questiona a eternidade (não colocaram o resto)… 8. Outra sobre um dialeto que LGBTs usam) 9. Uma que é o trecho de um livro sobre uma lésbica que vê sua vó beijar sua tia (claro que essa merda de livro é brasileiro) 10. Outra contra o Gilberto Freyre 11. Um tema de redação – manipulação digital – que vai favorecer os professores amargurados com a derrota a premiarem aqueles que foram, em razoável português, explicitamente anti-Bolsonaro.”
Existem variações nas provas, por isso os números das questões são diferentes nas diversas imagens que se espalharem pela web. A maioria delas vinha acompanhada de fortes críticas ao viés ideológico.
ENEM
ENEM. (Foto: Reprodução)
A jornalista Elisa Robson, colunista do Gospel Prime, avaliou como “ridícula” a abordagem deste ano. “Fiz mestrado em Linguagens e garanto que é um estudo muito interessante relacionado com a análise de códigos como do cinema, da moda, da arquitetura e do jornalismo. Não tem nada a ver com essa bagunça de ‘dicionário de travestis’”.
Ela refere-se, especialmente, à questão que pedia que os candidatos “decodificassem” a frase: “Nhai, amapô! Não faça a loka e pague meu acué, deixe de equê se não eu puxo teu picumã!”. Em seguida, o aluno era questionado “Entendeu as palavras desta frase? Se sim, é porque você manja alguma coisa de pajubá, o ‘dialeto secreto’ dos gays e travestis”.
ENEM - Dialeto de Travesti
ENEM – Dialeto de Travesti (Foto: Reprodução)
Uma das questões que mais gerou revolta usava um trecho da crônica “Vó, a senhora é lésbica?”, que descreve uma adolescente homossexual constatando que sua avó compartilha da mesma opção sexual.
ENEM - Beijo de avó lésbica
ENEM – Beijo de avó lésbica. (Foto: Reprodução)
Havia ainda outra pergunta com defesa explícita da agenda feminista. Ela versava das candidatas à Miss Peru em 2017, que apresentaram no concurso dados de feminicídio, abuso sexual e estupro no país, ao invés de divulgar suas medidas de altura, peso, busto, cintura e quadril.

FONTE: https://noticias.gospelprime.com.br/enem-de-dialeto-de-travesti-a-beijo-lesbico-de-avo/ 

23 de outubro de 2018

Um Pequeno Estudo Sobre o Princípio Regulador do Culto


UM PEQUENO ESTUDO SOBRE O PRINCÍPIO REGULADOR DO CULTO

Pr. Gilson Soares dos Santos

Texto Bíblico Básico: Salmo 150

“1 Aleluia! Louvai a Deus no seu santuário; louvai-o no firmamento, obra do seu poder. 2 Louvai-o pelos seus poderosos feitos; louvai-o consoante a sua muita grandeza. 3 Louvai-o ao som da trombeta; louvai-o com saltério e com harpa. 4 Louvai-o com adufes e danças; louvai-o com instrumentos de cordas e com flautas. 5 Louvai-o com címbalos sonoros; louvai-o com címbalos retumbantes. 6 Todo ser que respira louve ao SENHOR. Aleluia!” (Sl 150).

INTRODUÇÃO

     O Princípio Regulador do Culto tem sido motivo de controvérsias entre o povo de Deus. Uns tem abraçado com muita alegria, outros o contestam. Para uns, ele é um instrumento necessário para regular os atos do culto prestado a Deus. Para outros, ele “engessa” a adoração da igreja. Enquanto uns veem nele uma maneira de nortear a igreja para o verdadeiro culto, outros o acham excessivamente prescritivo.
     O que é o Princípio Regulador do Culto? Onde se originou? Quando recebeu sua forma clássica e definitiva? Quais os “prós” e os “contras”? Por que gera tanta contestação?
     Nossa lição de hoje buscará respostas para estas, e outras, perguntas sobre o Princípio Regulador do Culto.

I_ O PRINCÍPIO REGULADOR DO CULTO: DEFINIÇÃO

      O que é o Princípio Regulador do Culto?

Vejamos:

     É o princípio que afirma que o culto público deve ser bíblico. O que não for diretamente ensinado nas Escrituras, ou necessariamente inferido do seu ensino, é proibido no culto.
     Em síntese o Princípio Regulador do Culto afirma que só é permitido no culto aquilo que tiver real fundamentação bíblica. Sendo assim, o Princípio condena a imposição de cerimônias, festividades religiosas, gestos e símbolos não fundamentados nas Escrituras.

II_ O PRINCÍPIO REGULADOR DO CULTO: SUAS ORIGENS

     O Princípio Regulador do Culto tem início com os Reformadores Puritanos.

     Vejamos suas origens.

2.1_ Origem em Calvino

     No ano de 1543, Calvino escreveu um tratado chamado de “A necessidade de reformar a igreja”, escrevendo o seguinte:

“A regra que distingue entre o culto puro e o culto corrompido é de aplicação universal, a fim de que não adotemos nenhum artifício que nos pareça apropriado, mas atentemos para as instruções do Único que está autorizado a legislar quanto ao assunto. Portanto, se quisermos que Ele (Deus) aprove o nosso culto, esta regra, que Ele impõe nas Escrituras com o máximo rigor, deve ser cuidadosamente observada.” (João Calvino) (1)

     O que encontramos no tratado de Calvino?

·         A regra que faz distinção entre o culto verdadeiro e o culto falso tem aplicação universal, ou seja, é para todos.
·         Só existe uma pessoa que pode legislar, ou seja, estabelecer normas para o culto, essa pessoa é Deus.
·         E a regra para o culto Deus já impõe nas Escrituras, devendo ser observada com o máximo rigor.

     Calvino afirmou claramente este Princípio Regulador e o aplicou consistentemente na Reforma em Genebra.
     Para Calvino, o Princípio Regulador do Culto pode ser encontrado no segundo mandamento do Decálogo. Sobre isto ele (Calvino) escreve:

“Assim como no primeiro mandamento o Senhor declara que é o único Deus, e que além dEle não se deve adorar ou imaginar outros deuses, do mesmo modo Ele aqui explica mais claramente qual é a Sua natureza e por qual tipo de adoração deve ser honrado, para que não nos atrevamos a imagina-Lo como algo carnal. O teor do mandamento é, portanto, que Ele não permite que o Seu culto legítimo seja profanado com ritos supersticiosos.” (João Calvino) (2).

2.2_ Origem em John Owen (1616-1683)

     John Owen, ministro congregacional puritano, também escreveu sobre o culto:

A invenção arbitrária de qualquer coisa imposta como necessária e indispensável no culto público a Deus, como parte desse culto, e o uso de qualquer coisa inventada e ordenada no culto é ilegal e contrário à regra da Palavra... Portanto, todo o dever da Igreja com relação ao culto a Deus, parece consistir na precisa observação daquilo que é prescrito e ordenado por Ele (Deus). (John Owen) (3)

     O que Owen nos diz?

·         Ninguém pode inventar  coisas arbitrárias no culto público a Deus.
·         Qualquer coisa inventada e ordenada no culto é ilegal e contrário à Bíblia.
·         O dever da igreja, no culto à Deus, é observar o que está prescrito por Ele em Sua Palavra.

2.3_ Origem na Confissão de Fé de Westminster

     “Emana do Capítulo XXI da Confissão de Fé de Westminster, o que convencionou-se chamar de Princípio Regulador do Culto.” (4) (Marcos Granconato).

     O que conhecemos hoje como Princípio Regulador do Culto é encontrado, de maneira sistematizada, no Capítulo XXI da Confissão de Fé de Westminster. É reproduzido em outras Confissões de Fé e, recentemente, na Confissão de Fé da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil, no Capítulo XXIII, que trata Do Culto Religioso e do Dia de Repouso. Vamos reproduzir o texto na íntegra:

I_ Cremos e confessamos que a luz da natureza revela a existência de um Deus que mantém o senhorio e soberania sobre tudo; que é justo é bom e faz o bem a todos; portanto, Ele deve ser temido, amado, louvado, invocado, crido e servido de todo o coração, de toda a alma e todas as forças  (Dt 6.4-9; Rm 1.20; At 14.17; At 17.24-25). Mas a forma aceitável de cultuar o Deus verdadeiro é instituída por Ele mesmo e, portanto, delimitada por sua própria vontade revelada, (Ex 20.4-6; Dt 12.32; Jo 4.20-24). de modo que Ele não pode ser cultuado segundo as imaginações e invenções humanas, (Mt 15.7-9) nem segundo as sugestões de Satanás, sob alguma representação visível, ou por qualquer outra forma não prescrita na Sagrada Escritura. (Ex 20.4-6; Mt 4.10).
II_ O culto religioso deve ser oferecido a Deus o Pai, Filho e Espírito Santo, e a Ele só (Mt 4.10; Jo 5.23; II Co 13.13); não a anjos, nem a santos, nem a qualquer outra criatura (Rm 1.25; Cl 2.18; Ap 19.10); e, desde a queda, não pode ser oferecido sem um mediador, nem pode ser pela mediação de algum outro, senão exclusivamente de Cristo (Jo 14.6; Ef 2.1,18; Cl 3.17; I Tm 2.5).” (5) – (Confissão Congregacional)

     O que nos traz a Confissão?

·         Deus deve ser temido, amado, louvado, invocado, crido e servido de todo coração, de toda a alma e de todas as forças..
·         A forma de cultuar a Deus foi instituída por Ele mesmo, é claro, em Sua palavra.
·         Isso descarta qualquer adoração que venha da imaginação humana, da tentação de Satanás ou de qualquer outra maneira que não esteja na Sagrada Escritura.

III_ O PRINCÍPIO REGULADOR DO CULTO VERSUS O PRINCÍPIO NORMATIVO

     Existem duas linhas de pensamentos a respeito do culto. Elas se opõem. E tem sido o motivo de controvérsias, tanto em tempos antigos como hoje em dia.

3.1_ O Princípio Normativo

     Este Princípio apresentado pelo romanismo e anglicanismo afirmava que “O que não for diretamente proibido nas Escrituras é permitido no culto” (5).
     Esse Princípio defendia a inclusão de qualquer prática, símbolos, cerimônias, que não é ordenada nem proibida nas Escrituras.
     Samuel Parker, defensor desse princípio, escreveu:

“Aquilo que as Escrituras não proíbem, elas permitem; e o que permitem não é ilegal; e o que não é ilegal pode ser feito legalmente.” (Samuel Parker) (6).

a)_ Os exageros do Princípio Normativo

     O Princípio Normativo tem dado margem a invenções humanas no culto. Dentre as invenções, podemos destacar:

·         Músicas antropocêntricas: São músicas que exaltam o homem.
·         Apresentações: Muitos têm introduzido no culto a apresentação de solo de guitarra, bateria, contrabaixo, danças, coreografias, teatros, stand up comedy, apresentação de palhaços, luta livre, etc.
·         Cerimônias: Muitas são as cerimônias introduzidas no culto: Cerimônia do lava pés, batismo representativo (uma pessoa é batizada representando outra), pedobatismo de roupas infantis (se a criança não pode vir ao batismo, batizam as roupas da criança), santa ceia com troca de cálices, etc.
·         Efeitos especiais: Muitas são as igrejas que aderiram aos efeitos especiais nos cultos: luzes coloridas, gelo seco, fumaça, sons especiais, fundo musical na pregação, etc.
·         Ofertório apelativo: Em muitas igrejas, o momento das ofertas é mais duradouro do que a pregação. São ofertas de todo tipo, sempre com o propósito de sair no lucro.
·         Falta de ordem e decência: Em muitas igrejas encontramos rodopios, risos, urros, línguas estranhas coletivas, etc.

     Esses são alguns dos perigos do Princípio Normativo. Por isso existe tamanha aversão a este modelo de culto.

3.2_ O Princípio Regulador

     O Princípio Regulador do Culto faz oposição ao Princípio Normativo, afirmando que: “O culto público deve ser bíblico. [...] Só é permitido no culto aquilo que tiver real fundamentação bíblica.” – Paulo Anglada. (7).

     Para os que defendem este Princípio o culto que é agradável a Deus não pode ter invenções humanas e mundanas. Deve ser pautado totalmente pelas Escrituras.

b)_ Os perigos do mau uso do Princípio Regulador do Culto

     Se por um lado contemplamos os exageros naqueles que adotam o Princípio Normativo, por outro lado, existem aqueles que confundem o que seja o Princípio Regulador do Culto.

     Existem líderes de igrejas que, no intuito de implantar o Princípio Regulador do Culto em suas comunidades, criaram suas próprias regras.

·         Orações previamente escritas: Muitos exigem que as orações sejam escritas num papel e, previamente, apresentadas ao líder para ver se estão de conformidade com as Escrituras.
·         Salmos Metrificados: Há igrejas que proíbem qualquer cântico no culto que vá além dos Salmos Metrificados. Há um controle exacerbado no ritmo do hino para que não seja introduzidos ritmos diversos, considerados mundanos.
·         Mensagens previamente escritas: É possível encontrar igrejas onde o pregador apenas lê para a igreja uma mensagem previamente escrita. Se o pastor da igreja não estiver presente, outro crente será indicado para ler a mensagem previamente escrita, na íntegra, pelo pastor.
·         Ausência de instrumentos musicais. Muitas igrejas tentam abolir o uso de instrumentos musicais. Para elas os instrumentos são elementos estranhos no culto.
·         Abolição do ofertório: Ainda em nome do Princípio Regulador do Culto, existem igrejas que querem acabar com o momento da oferta material.
·         Abolição do louvor solo: Muitas igrejas não permitem que alguém cante um hino solo. Todo o louvor tem que ser congregacional e, tão somente, no Livro dos Salmos.

     Estas são algumas razões porque as pessoas criaram aversão ao Princípio Regulador do Culto.
                                                       
IV_ OS ELEMENTOS DO CULTO PÚBLICO

     Vamos considerar os elementos do culto. A fonte usada aqui consta na Bibliografia do final da lição. (8)

a)_ As Sagradas Escrituras

     A Bíblia é a Palavra de Deus. Ela é o elemento mais importante do culto cristão.
    
     A Bíblia deve aparecer em todas as partes do culto:

·         Na leitura individual, conjunta ou alternada.
·         No canto congregacional, coral, conjuntos e solos.
·         Na pregação e exposição da Palavra.
·         Nas saudações e bênçãos pastorais.

b)_ A oração

     A oração é indispensável ao culto. A Bíblia nos ensina que a oração faz parte do culto particular e público.

     A oração deve ser praticada:

·         Individualmente;
·         Coletivamente.

     As orações nas reuniões da igreja devem ser uma constante hoje como foi no passado (At 1.14; 4.24; 12.5; 21.5; Lc 1.10; Mt 18.19).

c)_ A Música

     A música também se destaca como um elemento indispensável ao culto.
     A igreja sempre usou hinos e cânticos na expressão do seu culto (Rm 15.9; I Co 14.15; Ef 5.19; Cl 3.16; Tg 5.13; Ap 5.9; 14.3; Mt 26.30).

     Alguns detalhes sobre a música na igreja, apresentados pelo professor Bill Ichter, autoridade em música:

·         Quanto a expressão: Deve expressar uma verdade bíblica.
·         Quanto à doutrina: Deve expressar doutrinas bíblicas.
·         Quanto à devoção: Deve ser caracteristicamente devocional.
·         Quanto à forma: Deve possuir boa forma literária.
·         Quanto ao estilo: Deve ter um bom estilo musical.
·         Quanto à ocasião: Deve ser apropriada à ocasião em que estiver sendo usada.
·         Quanto ao uso: Deve ser adaptada ao uso da congregação.
·         Quanto ao alcance: Deve ser apropriada e ao alcance da capacidade dos cantores.

     A música na igreja é para louvor a Deus, ficando descartada qualquer outra intenção.

d)_ As ordenanças (sacramentos)

     Há somente duas ordenanças instituídas por Jesus e que são elementos do culto:

·         O batismo: Que é administrado somente uma vez para a mesma pessoa.
·         A Santa Ceia: Que é administrado semanalmente ou mensalmente.

     Ambos são celebrados publicamente e administrados por pastores ordenados e oficiais.

e)_ Ofertório

     O ato de ofertar ou contribuir (materialmente) faz parte do culto. O ofertar sempre foi um elemento integrante da adoração a Deus e uma expressão de fidelidade (Dt 12.4-7; Ml 3.10; Mc 12.41-44; II Cr 8.12-18; Hb 13.16).

CONCLUSÃO

     Diante do que vimos, algumas coisas têm que ficar claras: a Bíblia deve ser a única fonte de orientação para o culto. Sendo assim, ninguém pode inovar o culto introduzindo elementos estranhos à adoração à Deus. Igualmente, ninguém pode criar normas próprias, dizendo que estão nas Escrituras, quando não há nenhuma sustentação bíblica, pois, de fato, pode “engessar” o culto.
     Nosso culto não pode ser uma reprodução da cultura nem uma tentativa de manipular Deus, mas deve ser inteiramente norteado pelas Sagradas Escrituras que têm autoridade suficiente para normatizar o culto.
     Por fim, precisamos lembrar que a nossa vida já é um culto à Deus. Entretanto, precisamos saber fazer distinção entre o nosso culto pessoal (particular) e o culto público. O que cabe em um pode não caber no outro. Por exemplo, no culto público ministramos a Ceia do Senhor. No culto particular (pessoal) não vou ministrar a Ceia a mim mesmo. No culto público tiramos oferta. No culto particular não cabe tirar oferta. No meu culto pessoal posso saltar de alegria, dar cambalhotas me regozijando diante do Senhor, mas isso não cabe no culto público. Muitos elementos presentes no culto particular devem ficar no culto particular.


BIBLIOGRAFIA

(1)_ CALVINO, João. Apud ANGLADA, Paulo. O Princípio Regulador no Culto. São Paulo: PES. S/D/. P13.

(2)_ CALVINO, João. Apud YOUNG, W. O Princípio Puritano da Adoração. Jornal os Puritanos. Ano VIII, Nº 2, Abril/Maio/Junho 2000. Editora; Puritanos. P4.

(3)_ OWEN, John. Apud ANGLADA, Paulo. O Princípio Regulador no Culto. São Paulo: PES. S/D/. P17.


(5)_ ALIANÇA CONGREGACIONAL, Confissão de Fé Congregacional. Recife: Editora Aliança. 2014. P95.

(6)_ MURRAY, Ian. As Escrituras e As Questões Indiferentes. Jornal os Puritanos. Ano VIII, Nº 2, Abril/Maio/Junho 2000. Editora; Puritanos. P6

(7)_ ANGLADA, Paulo. O Princípio Regulador no Culto. São Paulo: PES. S/D/. P12.

(8)_ CASIMIRO, Arival Dias. Os elementos do culto. Revista Educação Cristã. Vol 01. Lição 04. Santa Barbara d´Oeste: Z3 Editora. 2013. P15.