O Pr. Gilson Soares dos Santos é casado com a Missionária Selma Rodrigues, tendo três filhos: Micaelle, Álef e Michelle. É servo do Senhor Jesus Cristo, chamado com santa vocação. Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional), Campina Grande/PB; Graduado em Filosofia pela UEPB (Universidade Estadual da Paraíba); Pós-Graduando em Teologia Bíblica pelo CPAJ/Mackenzie (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper). Professor de Filosofia e Teologia Sistemática no STEC. Professor de Teologia Sistemática no STEMES, em Campina Grande - Paraíba. Pastor do Quadro de Ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (AIECB). Pastoreou a Igreja Evangélica Congregacional de Cuité/PB, durante 15 anos (1993-2008). Atualmente é Pastor Titular da Igreja Evangélica Congregacional em Areia - Paraíba.

22 de fevereiro de 2017

D. A. Carson comenta João 17.17 o Tema do 19º Encontro para a Consciência Cristã


D. A. CARSON COMENTA JOÃO 17.17 O TEMA DO 19º ENCONTRO PARA A CONSCIÊNCIA CRISTÃ

Pr. Gilson Soares dos Santos

Este ano, 2017, nos dias 23 a 28 de Fevereiro, na cidade de Campina Grande – PB, será realizado o 19º Encontro para a Consciência Cristã, realizada pela VINACC (Visão Nacional para a Consciência Cristã). Estará presente ao evento, segundo a vontade de Deus, o teólogo cristão D. A. Carson.

O Tema do Evento tem como base o texto bíblico de João 17.17: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade”.

Atrevi-me a transcrever aqui no blog o comentário de D. A. Carson sobre o texto de João 17.17, conforme pode ser encontrado em sua obra “O Comentário de João”, publicado pela Shedd Publicações.

À leitura:

O grupo de palavras relacionadas a ‘santidade’ do qual deriva santificar é bastante raro no quarto evangelho. O verbo ocorre em 10.36; 17.17,19; o adjetivo ‘santo’ encontra-se na expressão “Espírito Santo” em 1.33; 14.26; 20.22, e de outro modo em 6.69; 17.11. Em sua esfera mais básica de significado, ‘santo’ é quase um adjetivo para Deus: ele é transcendente, ‘outro’, distinto, separado da criação, e assim os anjos clamam incessantemente em sua presença: “Santo! Santo! Santo!” (cf. Is 6.3; Ap 4.8). Derivadamente, portanto, pessoas e coisas que são reservadas para ele também são chamadas de santas - seja um incensário para um altar no templo da antiga aliança, seja um homem reservado para ser sumo sacerdote. O profeta Jeremias, e Arão e seus filhos, foram todos ‘santificados’, isto é, reservados para o ofício sagrado, reservados para Deus (Jr 1.5; Ex 28.41). As implicações morais para as palavras em português ‘santo’ e ‘santificação’ surgem somente nesse ponto: isto é, idealmente, se alguém é reservado para Deus e para os propósitos de Deus apenas, essa pessoa fará somente o que Deus quiser, e odiará tudo o que Deus odeia. Isso é o que quer dizer ser santo assim como Deus o é (Lv 11.44,45; lPe'1.16).

Jesus é aquele a quem o ‘Pai separou [isto é, “santificou”; o verbo é hagiazô\ como seu e enviou ao mundo’ (c f notas sobre 10.36). Isto é, o Pai reservou o Filho para seus próprios propósitos nessa missão ao mundo. Em outras palavras, o Filho se santificou (cf. v. 19, abaixo) - isto é, ele se separou para ser e fazer exatamente o que o Pai lhe atribuiu. Nesse momento ele ora para que Deus santifique (hagiazô) os discípulos. No evangelho de João, essa ‘santificação’ é sempre para a missão. A missão dos discípulos é declarada no versículo seguinte; o presente versículo enfoca o meio da santificação: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade”.

Isso só pode significar que o meio pelo qual Jesus espera que seu Pai santifique os seguidores do Filho seja a verdade. O Pai imergirá os seguidores de Jesus na revelação de si mesmo em seu Filho; ele os santificará enviando o Paracleto para guiá-los a toda verdade (15.13). Os seguidores de Jesus serão ‘separados’ do mundo, reservados para o serviço de Deus, à medida que pensam e vivem em conformidade com a verdade, a ‘palavra’ da revelação (v. 6) supremamente mediada por Cristo (ele próprio a verdade, 14.6, e a Palavra encarnada, 1.1,14) — a revelação nesse momento incorporada nas páginas desse livro. Em termos práticos, ninguém pode ser ‘santificado’ ou separado para o uso do Senhor sem aprender os pensamentos de Deus e pensar em conformidade com ele, sem aprender a viver em conformidade com a palavra que ele graciosamente deu. Em contraste, o coração da ‘mundanidade’, daquilo que faz do mundo o que ele é (1.9), é uma fundamental supressão ou negação da verdade, uma profunda rejeição da ‘palavra’ graciosa de Deus, de sua auto-revelação em Cristo.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

CARSON, D. A. O Comentário de João. São Paulo: Shedd Publicações. 2007. p.566-567.

15 de fevereiro de 2017

Quem disse que Jonathan Edwards lia os seus sermões ao pregá-los para a igreja?

QUEM DISSE QUE JONATHAN EDWARDS LIAS OS SEUS SERMÕES AO PREGÁ-LOS PARA A IGREJA?

Pr. Gilson Soares dos Santos

É comum entre os que se interessam pela vida e obra de Jonathan Edwards (1703-1758), pastor congregacional, teólogo calvinista e um dos maiores filósofos norte-americano, descobrir que ele não pregava livremente seus sermões quando ministrava à igreja, ao contrário, lia-os integralmente. Tornou-se comum acreditar e divulgar que Edwards dependia inteiramente de um manuscrito que ele tinha que erguer ao rosto enquanto pregava. Muitos até acrescentam que esse servo de Deus era demasiadamente tímido, por isso não queria encarar a congregação, refugiando-se por trás dos seus manuscritos.

Alguns pregadores na atualidade fazem uso deste recurso, isto é, quando ministram a Palavra à igreja fazem a leitura do sermão quase integralmente, e alegam que homens de Deus fizeram uso desse expediente no passado, citando Edwards como um deles.

Embora particularmente não faça uso dessa técnica, não sou contra esta maneira de ministrar a Palavra. Porém não encontro respaldo em Edwards para justificar a prática de ler os sermões.

Iain H. Murray nos apresenta uma série de fatos que vão contra essa a suposição de que Jonanthan Edwards dependia insatisfatoriamente de um manuscrito para pregar.

1_ De onde veio a hipótese

A hipótese de que Edwards lia os seus sermões vem de um texto escrito por Samuel Hopkins, que morou um período com o pastor congregacional. No texto ele não diz explicitamente que o ministro lia os sermões, mas deixa subentendido. Veja o que diz o texto:

Ele escreveu os seus sermões e com uma letra tão fina e ilegível que só podiam ser lidos se fossem aproximados dos olhos. (frase Samuel Hopkins, citada por Iain H. Murray.[1].

À partir dessa citação de Hopkins se propagou o rumor de que o pastor Jonathan Edwards pregava os seus sermões, lendo-os para a congregação. A suposição também advém da comprovação de que o pregador de Northampton deixou, de fato, escrito grande parte dos seus sermões.

2_ Fatos que objetam a hipótese

O biógrafo Iain H. Murray, pastor britânico (nascido em 1931), apresenta alguns fatos que põem em dúvida a hipótese de que Edwards lia dependentemente seus sermões. Vejamos cinco fatos apresentados por Iain Hamish Murray, em seu livro “Jonathan Edwards: uma nova biografia”:[2]

a)_ Primeiro Fato

O avô de Jonathan Edwards, Solomon Stoddard, era contra pregadores que liam os sermões. Ele chegou a escrever energicamente contra esses pregadores. Ele odiava pregação enfadonha. Entretanto, Stoddard entregou o púlpito a seu neto, Jonathan Edwards. Será que, depois de escrever contra pregadores leitores, o velho Solomon entregaria o púlpito da igreja a um deles?

b)_ Segundo Fato

O próprio Edwards acreditava que a pregação não é a mesma coisa que ler um livro. Segundo o próprio Jonathan Edwards, a Palavra deveria ser aberta, aplicada e inculcada nas pessoas. Ele defendia a aplicação específica e vivida da Palavra de Deus.

c)_ Terceiro Fato

Os sermões de Edwards, depois de que ele veio a Northampton, eram escritos num livreto de 24 páginas e, de fato, era tão pequeno que podia ser “empalmado”, quase sem ser visto. A única explicação para isso é que ele não queria exibir seu uso de anotações. Essa atitude seria inútil se ele diminuísse o tamanho do livreto e tivesse que ler palavra por palavra do manuscrito.

d)_ Quarto Fato

A partir de 1741 Edwards parou de escrever seus sermões na íntegra. Ele passou a escrever apenas anotações em um esboço. Um terço dos seus manuscritos eram apenas esboços. De 1741 em diante haviam poucos sermões de Jonathan Edwards que pudessem ler lidos palavra por palavra.

e)_ Quinto Fato

Não há narrativas de testemunhas oculares da leitura de um sermão por Edwards. Ao contrário, um ouvinte de seus sermões disse que ele não usava gestos quando pregava mas olhava para a frente.

Então, podemos entender que o escrito de Samuel Hopkins foi a causa que levou muitos à dedução infundada de que o pregador e pastor congregacional Jonathan Edwards precisava ler seus sermões.


[1]  MURRAY, Iain H. Jonathan Edwards: uma nova biografia. São Paulo: PES. 2015. P.220.
[2]  MURRAY, Iain H. Jonathan Edwards: uma nova biografia. São Paulo: PES. 2015. P.220-222.

10 de fevereiro de 2017

A relação entre a 9ª Sinfonia de Beethoven e o Hino 70 dos Salmos e Hinos


A RELAÇÃO ENTRE A 9ª SINFONIA DE BEETHOVEN E O HINO 70 DOS SALMOS E HINOS

Pr. Gilson Soares dos Santos

Muita gente não sabe, mas o hino 70 dos Salmos e Hinos, o Hinário Oficial dos Protestantes Congregacionais, traz o 4º Movimento da 9ª Sinfonia de Beethoven.

O hino de Beethoven tem versões portuguesas em várias igrejas protestantes, por exemplo, no Hinário Luterano, no Cantor Cristão, nos Salmos e Hinos, e em outros.

Veja algumas informações sobre o Hino 70 do “Hinário Salmos e Hinos”, encontradas em “Salmos e Hinos com Músicas Sacras”, compiladas e adaptadas por João Gomes da Rocha:

Tuas Obras Te Coroam
Henry Van Dyke (1907)
Adapt.: Isaac Nicolau Salum, 1940
Arranjo do quarto movimento da Nona Sinfonia (Coral) 1826
De Ludwig Van Beethoven (1770-1827)[1]
(Grifo nosso)

Se você quiser cantar o Hino 70 dos Salmos e Hinos, e tocá-lo em cifras simples, então é só ver o vídeo a seguir. Nele você tem: Letra (legenda), Melodia (voz), Instrumental (violão) e Cifras (bem simples para violão).

Já é um começo. Deus abençoe a todos.




[1]  ROCHA, João Gomes da. Salmos e Hinos com Músicas Sacras. 5 Ed. São Paulo: Candeia. 2003. P.107.

4 de fevereiro de 2017

Porque sou um continuísta


PORQUE SOU UM CONTINUÍSTA

Sam Storms*

Então, por que sou um continuísta? As minhas razões são as seguintes. (Por favor note que eu escrevi vários artigos que fornecem uma evidência mais extensa para os pontos que apresento, mas devido às limitações de espaço, permita-me apenas mencioná-los. Todos esses artigos podem ser encontrados no meu site.)

Deixe-me começar pela presença em todo o Novo Testamento (NT) de uma forma consistente, generalizada e completamente positiva de todos os dons espirituais. Os problemas que surgiram na igreja de Corinto não foram causados por dons espirituais, mas sim por pessoas imaturas. Não foram os dons de Deus, mas sim a distorção infantil, ambiciosa e orgulhosa desses dons por parte de alguns que deram origem aos comentários corretivos de Paulo.Além disso, a partir de Pentecostes e continuando ao longo do livro de Atos, quando o Espírito é derramado sobre os novos crentes estes experimentam os seus dons. Não há nada que indique que estes acontecimentos eram restritos apenas a eles e àquele tempo. Esse fato parece ser do conhecimento geral na igreja do Novo Testamento. Cristãos em Roma (Romanos 12), Corinto (1Coríntios 12-14), Samaria (Atos 8), Cesareia (Atos 10), Antioquia (Atos 13), Éfeso (Atos 19), Tessalônica (1Tessalonicenses 5) e Galácia (Gálatas 3) vivenciaram os dons miraculosos e reveladores. É difícil imaginar como os autores do NT poderiam ter falado mais claramente sobre como a aparência da nova aliança do cristianismo deveria ser. Em outras palavras, o ónus da prova recai sobre o cessacionista. Se alguns dons de uma classe especial cessaram, é da sua responsabilidade prová-lo.

Extensa evidência

Eu gostaria de referir igualmente a extensa evidência no NT dos chamados dons milagrosos entre os cristãos que não são apóstolos. Em outras palavras, muitos homens e mulheres não-apostólicos, jovens e velhos, por toda a extensão do Império Romano consistentemente exerceram esses dons do Espírito (e Estevão e Filipe ministraram no poder de sinais e maravilhas). Outros que não eram apóstolos mas exerceram dons milagrosos incluem (1) os 70 que foram enviados em Lucas 10.9, 19-20; (2) pelo menos 108 pessoas entre os 120 que estavam reunidos no cenáculo no dia de Pentecostes; (3) Estevão (Atos 6-7); (4) Filipe (Atos 8); (5) Ananias (Atos 9); (6) os membros da igreja em Antioquia (Atos 13); (7) convertidos anônimos em Éfeso (Atos 19.6); (8) As mulheres em Cesareia (Atos 21.8-9); (9) os irmãos sem nome de Gálatas 3.5; (10) os crentes em Roma (Romanos 12.6-8); (11) crentes de Corinto (1Coríntios 12-14).; e (12) os cristãos de Tessalônica (1Tessalonicenses 5.19-20).

Devemos também considerar o propósito explícito e muitas vezes repetido dos dons do Espírito, a saber, a edificação do corpo de Cristo (1Coríntos 12.7; 14.3, 26) Nada do que eu li no NT ou observo na condição da igreja em qualquer época, passada ou presente, me leva a crer que já ultrapassamos a necessidade de edificação e, portanto, estarmos libertos da necessária contribuição desses dons. Admito que os dons espirituais foram fundamentais para o nascimento da igreja, mas porque motivo seriam eles menos importantes ou necessários para o seu contínuo crescimento e amadurecimento?

Há também uma continuidade fundamental ou uma relação espiritualmente orgânica entre a igreja em Atos e a Igreja nos séculos posteriores. Ninguém nega que houve uma época ou período na igreja primitiva que poderíamos chamar de “apostólico”. Temos de reconhecer a importância da presença pessoal e física dos apóstolos e o seu papel único no estabelecimento dos fundamentos da igreja primitiva. Mas em nenhum lugar do NT é sugerido que certos dons espirituais estavam única e exclusivamente associados a eles ou que esses dons cessariam ​​com a sua morte. A igreja universal ou corpo de Cristo que foi criada e dotada através do ministério dos apóstolos é a mesma igreja universal e o mesmo corpo de Cristo hoje. Estamos juntos com Paulo, Pedro, Silas, Lídia, Priscila e Lucas, membros do mesmo corpo de Cristo.

Muito relacionado com o ponto anterior é aquilo que Pedro diz em Atos 2 sobre os chamados dons miraculosos, como sendo característicos da nova aliança da igreja. Como D.A. Carson disse: “A vinda do Espírito não está apenas associada ao alvorecer dessa nova era, mas com a sua presença, não apenas com o dia de Pentecostes, mas com todo o período entre Pentecostes e o retorno de Jesus, o Messias” (A Manifestação do Espírito, 155). Ou ainda, os dons de profecia e línguas (Atos 2) não são retratados como meramente inaugurais da era da nova aliança, mas como característicos dela (e não nos esqueçamos de que a presente era da igreja = os “últimos dias”).

Devemos também prestar atenção a 1Coríntios 13.8-12. Aqui, Paulo afirma que os dons espirituais não vão “passar” (v. 8-10), até à chegada do “perfeito”. Se o “perfeito” é de fato a consumação dos propósitos redentores de Deus expressos no novo céu e nova terra após o retorno de Cristo, podemos confiantemente aguardar que ele continue a abençoar e a capacitar a sua igreja com os dons até esse momento chegar.

Uma ideia semelhante é dada em Efésios 4.11-13. Ali Paulo fala de dons espirituais (juntamente com o ofício de apóstolo) e, em especial, os dons de profecia, evangelismo, pastor e professor — como sendo edificantes para a igreja “até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (v. 13). Já que este último estado não foi ainda seguramente atingido pela igreja, podemos confiantemente prever a presença e o poder de tais dons até que esse dia chegue.

Eu também argumentaria, com a ausência de qualquer noção explícita ou implícita, que deveríamos olhar para os dons espirituais de forma diferente do que fazemos com outras práticas e ministérios do NT, retratados como essenciais para a vida e o bem-estar da igreja. Quando lemos o Novo Testamento, parece evidente que a disciplina eclesiástica deve ser praticada nas nossas assembleias de hoje e que devemos celebrar a Ceia e a Água do batismo do Senhor, e que os requisitos para o cargo de ancião conforme estabelecido nas epístolas pastorais ainda determinam como a vida na igreja deve ser conduzida, só para mencionar alguns pontos. Que boas razões exegéticas ou teológicas podem ser dadas para que tratemos a presença e a operação dos dons espirituais de forma diferente?

Testemunho consistente

Ao contrário da crença popular, há um testemunho consistente ao longo da história da Igreja a respeito da operação dos dons miraculosos do Espírito. Não sucedeu simplesmente que os dons tenham cessado ou desaparecido da vida da igreja primitiva após a morte do último apóstolo. O espaço não me permite citar a evidência massiva a este respeito, pelo que lhes recomendo quatro artigos que escrevi com extensa documentação (ver “Spiritual Gifts in Church History” [Dons espirituais ao longo da história da Igreja]).

Os cessacionistas argumentam frequentemente que sinais e maravilhas bem como certos dons espirituais serviram apenas para confirmar ou autenticar o original grupo de apóstolos e que, quando esses apóstolos morreram, logo cessaram também os dons. O fato é que nenhum texto bíblico (nem mesmo Hebreus 2.4 ou 2Coríntios 12.12) alguma vez nos diz que sinais e maravilhas e dons espirituais de um tipo particular serviram para autenticar os apóstolos. Sinais e maravilhas autenticaram Jesus e também a mensagem apostólica sobre ele. Se esses sinais e maravilhas foram concebidos exclusivamente para autenticar apóstolos, então não temos qualquer explicação em relação a que crentes não-apostólicos (como Filipe e Estevão) tenham sido capacitados para os realizar (ver especialmente 1Coríntios 12.8-10, onde o “dom” de “milagres”, entre outros, foi dado a crentes não-apostólicos, normais).

Portanto, essa é uma boa razão para ser um cessacionista mas apenas se você conseguir demonstrar que a autenticação ou atestado da mensagem apostólica era a finalidade única e exclusiva de tais manifestações do poder divino. No entanto, em nenhum lugar do NT o propósito ou a função dos milagres ou dos dons do Espírito são reduzidos a atestados de validade. Os milagres, em qualquer uma das suas formas, serviram finalidades distintas e diversas: doxológicas (glorificar a Deus: João 2.11, 9.03, 11>04, 40; Mateus 15.29-31); evangelísticas (para preparar o caminho para que o evangelho fosse conhecido: veja Atos 9.32-43); pastorais (como uma expressão de compaixão, amor e cuidado com as ovelhas: Mateus 14.14; Marcos 1.40-41); e edificantes (para edificar e fortalecer os crentes: 1Coríntios 12:7 e o “bem comum”, 1Coríntios 14.3-5, 26).

Todos os dons do Espírito, fossem línguas ou ensino, profecia ou misericórdia, cura ou ajuda, foram dados (entre outros motivos) para a edificação, construção, incentivo, instrução, consolo e santificação do corpo de Cristo. Portanto, mesmo se o ministério de autenticar e atestar os dons miraculosos tivesse cessado, um ponto que concedo apenas para prosseguir o raciocínio, tais dons continuariam a funcionar na igreja pelos outros motivos citados.

Ainda final e suficiente

Talvez a objeção ouvida mais frequentemente por parte dos cessacionistas é que reconhecer a validade dos dons de revelação, como a profecia e a palavra do conhecimento/ciência, necessariamente enfraqueceria a finalidade e a suficiência das Sagradas Escrituras. Mas esse argumento é baseado na falsa suposição de que estes dons nos fornecem verdades infalíveis iguais em autoridade ao próprio texto bíblico (ver o meu artigo “Why NT Prophecy Does NOT Result in ‘Scripture-Quality’ Revelatory Words” [Por que a profecia do Novo Testamento não resulta em revelação verbal com a mesma autoridade das Escrituras Sagradas]).

Também ouvimos o apelo cessacionista a Efésios 2.20, como se esse texto descrevesse todos os possíveis ministérios proféticos. O argumento é que dons de revelação como a profecia foram exclusivamente associados aos apóstolos e, portanto, projetados para funcionar apenas durante o chamado período de fundação na igreja primitiva. Dirijo-me de forma profunda a este ponto de vista fundamentalmente equivocado aqui. Um exame atento às evidências bíblicas a respeito tanto à natureza do dom profético quanto à sua distribuição generalizada entre os cristãos, indica que havia algo muito superior nesse dom ao simples capacitar os apóstolos para estabelecer os alicerces da igreja. Portanto, nem a morte dos apóstolos nem o movimento da igreja após os seus anos de fundação tem qualquer influência sobre a validade do dom de profecia hoje. Também se ouve muitas vezes o chamado argumento conjunto, segundo o qual os fenômenos sobrenaturais e miraculosos foram supostamente concentrados ou agrupados em períodos únicos na história da redenção. Eu já abordei esse argumento noutro lugar e demonstrei que é completamente falso.

Finalmente, e embora não seja tecnicamente uma razão ou argumento para ser um continuista, não posso ignorar a minha experiência. O fato é que eu vi todos os dons espirituais em operação, os testei e confirmei, e os vivi em primeira mão em inúmeras ocasiões. Como foi dito, esse é não tanto um motivo para alguém se tornar um continuísta, mas mais uma confirmação (embora não infalível) da validade dessa decisão. A experiência, quando isolada do texto bíblico, pouco prova. Mas a experiência deve ser levada em consideração, especialmente se ela ilustra ou encarna o que vemos na Palavra de Deus.

* Sam Storms é pastor principal para o ministério de pregação e visão na Bridgeway Church em Oklahoma City, Oklahoma.

FONTE: http://voltemosaoevangelho.com/blog/2017/01/por-que-sou-um-continuista/ Acesso em 04/02/2017.

28 de janeiro de 2017

É pecado o homem usar cabelos compridos? Eles respondem

É PECADO O HOMEM USAR CABELOS COMPRIDOS? ELES RESPONDEM

Pr. Gilson Soares dos Santos

Em I Coríntios 11.14 encontramos a seguinte pergunta retórica do apóstolo Paulo:

“Ou não vos ensina a própria natureza ser desonroso para o homem usar cabelo comprido?” (ARA)

“Ou não vos ensina a mesma natureza que é desonra para o varão ter cabelos crescidos?” (ARC)

“A própria natureza das coisas não lhes ensina que é uma desonra para o homem ter cabelo comprido?” (NVI)

“Pois a própria natureza ensina que o cabelo comprido é uma desonra para o homem” (NTLH).

Tal versículo suscita a pergunta: é pecado o homem usar cabelo comprido? Resolvi fazer essa pergunta a diversos teólogos e intérpretes dos textos bíblicos. Não os encontrei pessoalmente, é claro. A pergunta foi feita e as respostas são procedentes das obras publicadas por estes homens. No rodapé coloquei as referências a fim de que você também, querido (a) leitor (a), possa consultar.

Vamos aprender com as respostas deles.

I_ PERGUNTA FEITA A JOHN MACARTHUR JR.

Pr. Gilson Soares: Segundo o texto de I Coríntios 11.14, é pecado o homem usar cabelos compridos? Pois o apóstolo usa o termo “natureza”. O que isto quer dizer?

John MacArthur: O termo pode transmitir a ideia de uma consciência humana básica, isto é, de um senso inato daquilo que é normal e certo. O hormônio masculino, a testosterona, apressa a perda de cabelo nos homens. O estrogênio faz que o cabelo da mulher cresça mais e durante mais tempo. Raramente a mulher é calva, não importa qual seja sua idade. Isto se reflete psicologicamente, na maioria das culturas, no costume de cabelos mais longos para a mulher. Deus deu à mulher o cabelo como um véu para mostrar ternura, delicadeza e beleza.[1]

II_ PERGUNTA FEITA A LEON MORRIS

Pr. Gilson Soares: Segundo o texto de I Coríntios 11.14, é pecado o homem usar cabelos compridos? Pois o apóstolo usa o termo “natureza”. O que isto quer dizer?

Leon Morris: Cabelo comprido, arrazoa o apóstolo, é uma “vergonha” (AV) para o homem (ARA: é desonroso.). Esta situação não fora universal. Alguns entre os antigos gregos, notadamente os espartanos, e alguns filósofos, tinham tido cabelo comprido. Mas, falando em termos gerais, o que Paulo diz valia para a humanidade. As exceções eram locais e temporárias. Certamente se usava na Corinto do primeiro século e nos lugares conhecidos pelos homens que viviam lá, ou senão, Paulo jamais teria firmado desse modo o seu apelo. Em contraste, cabelo comprido é uma glória para a mulher. O comprimento preciso não é especificado, e não é importante. O cabelo da mulher é mais longo do que o do homem, e o é distintamente.[2].

III_ PERGUNTA FEITA A D. A. CARSON (e mais R. T. France, J. a. Motyer, G. J. Wenham)

Pr. Gilson Soares: Segundo o texto de I Coríntios 11.14, é pecado o homem usar cabelos compridos? Pois o apóstolo usa o termo “natureza”. O que isto quer dizer?

D. A. Carson: No século I acreditava-se que a natureza determinava as questões culturais. Sem dúvida Paulo também usa esse argumento no ensino do AT, em que se insistia na polarização dos sexos. Um homem de cabelos compridos era algo vergonhoso. Já se argumentou que há estátuas antigas de homens com cabelos longos, mas essa era a forma como os deuses eram representados, e não os homens.[3].

IV_ PERGUNTA FEITA A JOÃO CALVINO

Pr. Gilson Soares: Segundo o texto de I Coríntios 11.14, é pecado o homem usar cabelos compridos? Pois o apóstolo usa o termo “natureza”. O que isto quer dizer?

João Calvino: No tempo em que Paulo escrevia estas palavras, a pratica de cortar o cabelo não havia ainda sido adotada na Gália ou na Germânia. Sim, e mais que isso, certamente teria sido algo desastroso para os homens - tanto quanto para as mulheres - terem seus cabelos tosquiados ou cortados. Mas, visto que os gregos não consideravam ser muito viril ter cabelos longos, o que caracterizava os que eram tidos na conta de efeminados, ele considera como sendo conforme a natureza um costume que viera para ser confirmado.[4]

V_ PERGUNTA FEITA AOS COMENTADORES DO COMENTÁRIO BÍBLICO BEACON

Pr. Gilson Soares: Segundo o texto de I Coríntios 11.14, é pecado o homem usar cabelos compridos? Pois o apóstolo usa o termo “natureza”. O que isto quer dizer?

Editores do Beacon: Geralmente, ter cabelos longos era considerado inapropriado para um homem, Especialmente com a perversão sexual que havia em Corinto, “o cabelo longo faria um homem se parecer muito com uma mulher e traria, dessa forma, uma correspondente ‘desonra’ sobre ele”. A situação é exatamente oposta em relação à mulher: Ter a mulher cabelo crescido lhe é honroso, porque o cabelo lhe foi dado em lugar de véu. Por natureza, a mulher recebeu uma cobertura que, na verdade, é um véu. Godet comenta que o cabelo longo e farto “é um símbolo natural da reserva e da modéstia, o mais belo ornamento da mulher”.[5].

VI_ PERGUNTA FEITA AOS EDITORES DO COMENTÁRIO BÍBLICO BROADMAN

Pr. Gilson Soares: Segundo o texto de I Coríntios 11.14, é pecado o homem usar cabelos compridos? Pois o apóstolo usa o termo “natureza”. O que isto quer dizer?

Editores do Broadman: Segue-se um apelo à natureza. Porque Paulo acha que a natureza ensina que é degradante para o homem usar cabelo longo não está claro. Nem está claro por que a natureza ensina que cabelo longo é a glória da mulher. Na natureza, a constituição da realidade, diz Paulo, o cabelo longo pertence à mulher, e não ao homem.[6].

VII_ PERGUNTA FEITA A RUSSEL N. CHAMPLIN

Pr. Gilson Soares: Segundo o texto de I Coríntios 11.14, é pecado o homem usar cabelos compridos? Pois o apóstolo usa o termo “natureza”. O que isto quer dizer?

Champlin: Naturalmente, Paulo poderia estar fazendo um apelo à naturezainteiramente à parte dos costumes sociais, o que, para ele, refletia necessariamente a maneira da natureza operar, e a sua afirmação seria então: Cabelos curtos para os homens; cabelos longos para as mulheres. Contudo, os versículos décimo terceiro e décimo quarto formam um par inseparável. O primeiro apela para o senso de propriedade, com base nos costumes sociais, e o segundo apela à natureza, presumivelmente confirmada pelos costumes sociais prevalentes. Seja como for, o argumento de Paulo, tanto no que tange a natureza como no que concerne aos costumes sociais, é sólido, ainda que não seja universalmente confirmado, e ainda que não seja perfeito em qualquer sentido, e nem totalmente convincente.

Pr. Gilson Soares: Explique melhor.

Champlin: Façamos aqui algumas considerações sobre a natureza. A lei e a luz da natureza se manifestam na razão e na intuição humanas, e isso é confirmado pela sociedade em sua conduta diária. Homens de várias nações, nos tempos de Paulo, usavam os cabelos compridos, como, por exemplo, os samaritanos e os lacedemônios (uma das divisões raciais da Grécia), sem falarmos nos outros gregos de épocas mais remotas, conforme a Ilíada de Homero o comprova, visto que ele chama certos homens de gregos de cabelos longos, Aqueanos de cabelos longos. A maioria dos comentadores concorda, entretanto, que ao tempo de Paulo os judeus, exceto aqueles que faziam o voto do nazireado, usavam os cabelos relativamente curtos. [...] Os gregos em geral usavam os cabelos curtos para os homens, e os hebreus seguiam a mesma norma; e isso deve ter sido suficiente para Paulo estabelecer esse ponto, embora não seja provável que ele tenha apelado para a natureza inteira, à parte das evidências dos costumes sociais vigentes. Os cabelos curtos para os homens certamente e um preceito calcado no pensamento de que os cabelos longos formam uma espécie de véu natural (ver o versículo seguinte). Por isso, um homem deve evitar usar cabelos longos, já.que não deve andar velado, pelas razoes dadas na exposição relativa ao quarto versículo deste capitulo.[7].

VIII_ PERGUNTA FEITA A PAUL W. MARSH

Pr. Gilson Soares: Segundo o texto de I Coríntios 11.14, é pecado o homem usar cabelos compridos? Pois o apóstolo usa o termo “natureza”. O que isto quer dizer?

Marsh: Um apelo final fundamentado no sentimento geral de decência da humanidade instilado pela ‘própria natureza, é apropriado'. i.é., adequado, natural, ‘é uma desonra para o homem ter cabelo comprido'. Paulo argumenta dentro dos limites de sua localização e tempo. Culturas diferentes têm conceitos diferentes acerca do que é conveniente, mas como generalização a afirmação ainda é verdadeira. A maioria dos homens, orientais ou ocidentais, usa o cabelo curto em contraste com o das mulheres.[8]

IX_ PERGUNTA FEITA AOS COMENTADORES DO COMENTÁRIO BÍBLICO AFRICANO (Adeyemo – Editor)

Pr. Gilson Soares: Segundo o texto de I Coríntios 11.14, é pecado o homem usar cabelos compridos? Pois o apóstolo usa o termo “natureza”. O que isto quer dizer? E como isto se aplicaria no contexto africano?

Adeyemo: Paulo apela para o julgamento deles sobre que comportamento seria considerado natural dentro do contexto geográfico e histórico em que ele está escrevendo. Os coríntios teriam considerado ofensivo o uso de cabelos compridos para um homem, mas o admirariam numa mulher. Isso ainda é, de modo geral, verdadeiro na cultura africana, e, nesse caso, o argumento tem relevância hoje.

Pr. Gilson Soares: Qual o comportamento da igreja africana sobre a questão de cabelos longos para os homens?

Adeymo: A igreja não deveria rotular tal comportamento como algo que assinale a salvação ou não de alguma pessoa. Os jovens cristãos devem ser encorajados a pensar se esse, assim como todos os outros aspectos de seu comportamento, contribui para a construção ou para a destruição do reino de Deus em seu próprio ambiente ou época. Os jovens não devem adotar costumes simplesmente porque foram expostos a eles, mas devem procurar glorificar a Deus permitindo que ele use seu exemplo para expandir sua lei na vida de outros. Para muitos, isso significa vestir-se de modo que não choque os outros, desviando-os de Cristo.[9]

X_ PERGUNTA FEITA A NORMAN GEISLER

Pr. Gilson Soares: Segundo o texto de I Coríntios 11.14, é pecado o homem usar cabelos compridos? Pois o apóstolo usa o termo “natureza”. O que isto quer dizer?

Norman Geisler: Essa é uma passagem difícil, e os comentaristas não concordam entre si quanto ao seu sentido. Mas há duas maneiras pelas quais podemos entendê-la.[10]

Pr. Gilson Soares: Quais são essas duas maneiras?

Norman Geisler: Entendendo a natureza subjetivamente e entendendo a natureza objetivamente.

·         Entendendo a natureza subjetivamente. Nesse sentido, "natureza" denota sentimentos instintivos ou um sentido intuitivo quanto ao que seja apropriado. Isso certamente pode ser afetado por hábitos e práticas culturais. Se esse é o sentido da passagem, então a afirmativa de Paulo significa mais ou menos o seguinte: "Os vossos próprios costumes não vos ensinam que o cabelo comprido é desonroso para o homem?" Essa interpretação é difícil de se justificar, em termos do significado normal da palavra "natureza" (pliusis), a qual no NT tem um sentido muito mais forte do que "costumes" (cf. Rm 1:16; 2:14).[11]

·         Entendendo a natureza objetivamente. Nesse sentido, "natureza" significa a ordem das leis naturais. Paulo fala do homossexualismo como sendo "contra a natureza" (Rm 1:26), e fala que os gentios têm conhecimento - do que é certo e do que é errado - "pela natureza", isto é, pela "lei escrita em seus corações" (Rm 2:15). Nesse sentido, ele está dizendo algo assim: "Até mesmo os pagãos, que não têm nenhuma revelação especial, ainda assim têm uma inclinação natural para distinguir os sexos por meio do comprimento do cabelo, as mulheres geralmente tendo um cabelo mais cheio e mais comprido".[12]

Pr. Gilson Soares: Continue...

Norman Geisler: Os seres humanos instintivamente distinguem os sexos de diversos modos, dos quais um é o comprimento do cabelo. Há exceções decorrentes da necessidade (saúde, segurança), da perversidade (homossexualismo) ou de uma prática de santidade (o voto de nazireu). Mas essas somente servem para provar a regra geral que se baseia na tendência natural de se diferenciar os sexos com base no comprimento do cabelo. Com certeza, nenhum padrão absoluto do que seja um cabelo "comprido" estaria na mente de Paulo. Isso variaria de acordo com a cultura. O ponto principal era permitir a distinção entre os sexos. Foi por essa razão que o AT também proibiu o homem de vestir-se como a mulher (Dt 22:5), uma prática que daria margem a toda sorte de impropriedades, tanto de ordem social como moral.[13]

Concluindo

Querido (a) leitor (a), ficam as respostas dadas por esses homens de Deus sobre o texto de I Coríntios 11.14. Cabe a você ler, examinar e reter o que é bíblico e coerente com o viver cristão nessa geração.



[1]  MACARTHUR, John. I Coríntios: A solução de Deus para os problemas da igreja. Série Estudos Bíblicos John MacArthur. Trad. Heloísa Cavallari. São  Paulo: Cultura Cristã. 2011. P.57-58.
[2]  MORRIS, Leon. I Coríntios: série introdução e comentário. Trad. Odayr Olivetti. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão. 1986. P.125
[3]  CARSON, D. A. et al. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo: Vida Nova. 2009. P.1772.
[4]  CALVINO, João. I Coríntios. Trad. Valter Graciano Martins. São Bernardo do Campo: Edições Parakletos. 2003. P.339-340.
[5]  GREATHOUSE, William M. et al. Comentário Bíblico Beacon. Rio de Janeiro: CPAD. 2006. P.327
[6]  ELLEN, Clifton J. (Editor). Comentário Bíblico Broadman – Atos a I Coríntios. Vol. 10. Rio de Janeiro: JUERP. 1994. P.414
[7]  CHAMPLIN, Russel N. O Novo Testamento, interpretado versículo por versículo – Vol IV – I Coríntios a Éfeso. São Paulo: CANDEIA. 1995. P.175
[8]  BRUCE, F. F. (org.) Comentário Bíblico NVI – Antigo e Novo Testamentos. São Paulo: Vida. 2009. P.1903.
[9]  ADEYEMMO, Tokunboh (editor). Comentário Bíblico Africano. São Paulo: Mundo Cristão. 2010. P.1426.
[10]  GEISLER, Norman. HOWE, Thomas. Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e “contradições” da Bíblia.  São Paulo: Mundo Cristão. 2009. P.465
[11]  Idem. p.466.
[12]  Idem.
[13]  Idem.

21 de janeiro de 2017

Questões Éticas: O cristão e a responsabilidade social


QUESTÕES ÉTICAS: O CRISTÃO E A RESPONSABILIDADE SOCIAL

Pr. Gilson Soares dos Santos

     Escrevendo sobre a responsabilidade social, Norman Geisler, no seu trabalho sobre Ética Cristã, nos traz os seguintes pontos:

·         As Escrituras deixam claro que o homem é responsável por seu próximo e esta responsabilidade “se estende às responsabilidades sociais bem como às espirituais. [...] é aparente em todas as partes da Escritura que os homens realmente têm uma responsabilidade diante dos outros”[1].
·         Essa responsabilidade envolve o amor. E esse amor se estende à totalidade da pessoa, ou seja, “o homem é mais que uma alma destinada para outro mundo, é também um corpo que vive neste mundo. [...] Logo, a fim de amar ao homem conforme ele é – o homem total – é necessário ter uma solicitude acerca das suas responsabilidades sociais, bem como das suas necessidades espirituais”[2].

     Geisler ainda pontua as responsabilidades específicas dos cristãos da seguinte maneira:

2.1 – A Responsabilidade pelos seus

a)    Prover para si mesmo: “Há um sentido em que o amor-próprio está na própria base da responsabilidade social. O homem deve amar o seu próximo como a si mesmo”.[3]. (Leia Ef 5.29; I Ts 4.11,12; II Ts 3.7,8)

b)    Provendo para sua família (Leia I Tm 5.8,16)

c)    Provendo para seus irmãos crentes (Leia Gl 6.9,10; Rm15:26; 1 Jo 3:17; Tg 2.15,16; I Jo 4.20; Jo 13.35; At 2.44,45; At 4.34,35; At 6.1-4; I Tm 5.9).

2.2 – A responsabilidade social para com todos os homens

     Iremos pontuar aqui o que escreveu Norman Geisler, em seu livro sobre Ética Cristã, naquilo que tange à responsabilidade social para com todos os homens:[4]

a)    A responsabilidade social pelos pobres:Jesus disse: "Os pobres sempre os tendes convosco..." (Mt 26:11). Com isto, descreveu a inevitabilidade da pobreza como um fenômeno social, não sua desejabilidade. De fato, Jesus disse: "Ao dares um banquete, convida os pobres .... e serás bem-aventurado, pelo fato de não terem com que recompensar-te" (Lc 14:13-14). A um homem cujo pecado era o amor ao dinheiro, Jesus disse: "Uma coisa ainda te falta: vende tudo o que tens, dá aos pobres..." (Lc 18:22). Quando Zaqueu se converteu, disse: "Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens." (Lc 19:8). [...] A primeira igreja em Jerusalém pediu a Paulo "que nos lembrássemos dos pobres," disse ele, "o que também me esforcei por fazer" (Gl 2:10). Em cumprimento desta incumbência, Paulo escreveu: "Por que aprouve à Macedônia e a Acaia levantar uma coleta em benefício dos pobres dentre os santos que vivem em Jerusalém" (Rm 15:26). Até antes deste tempo, quando havia fome em Jerusalém, "Os discípulos , cada um conforme as suas posses, resolveram enviar socorro aos irmãos que moravam na Judeia" (At 11:29). Era uma parte tomada por certa da responsabilidade cristã, desde os primórdios, que os que podiam deviam dar aos pobres. Que Deus tem cuidado especial com os pobres é ensinado também no livro de Tiago (cf. 2:5). [...] A lei de Moisés ordenava que os cantos e as respigas dos campos fossem deixados para os pobres e estrangeiros (Lv 19:9). Era ordenado, ainda mais: "Se teu irmão empobrecer, e as suas forças decaírem, então sustentá-lo-ás" (Lv 25:35; cf. Dt 15:15). Uma bênção especial é prometida aos que dão aos pobres: "Quem se compadece do pobre ao SENHOR empresta, e este lhe paga o seu benefício" (Pv 19:17). Outra vez: "Bem-aventurado o selecionados para julgamento específico. O salmista disse: "Sei que o SENHOR manterá a causa do oprimido, e o direito do necessitado" (140:12). Os profetas eram campeões dos pobres. Isaías escreveu: "Ai dos que decretam leis injustas, dos que escrevem leis de opressão, para negarem justiça aos pobres, para arrebatarem o direito aos aflitos do meu povo..." (10:1-2). Amós advertiu: "Ouvi isto, vós que tendes gana contra o necessitado, e destruís os miseráveis da terra ... Jurou o SENHOR pela glória de Jacó: Eu não me esquecerei de todas as suas obras para sempre" (8:4, 7).”[5]

b)    A responsabilidade social às viúvas e aos órfãos: “As Escrituras têm numerosas referências às viúvas e aos órfãos. Deus disse: "A nenhuma viúva nem órfão afligireis. Se de algum modo os afligirdes, e eles clamarem a mim, eu lhes ouvirei o clamor" (Êx 22:22,23). Havia uma proibição contra tomar em penhor a roupa da viúva (Dt 24:17). Quando os campos eram segados, todos os feixes de espigas esquecidos deviam ser deixados para as viúvas e os órfãos (Dt 24:19). Cada terceiro ano o dízimo dos produtos era dado às viúvas, aos órfãos, e aos estrangeiros (Dt 26:12-13). [..] Em síntese, Deus pronunciou uma bênção especial aos necessitados (cf. Sl 146:9), uma maldição sobre os que os exploravam (Dt 27:19), e uma obrigação a todos no sentido de sustentá-los. [...] O Novo Testamento, também, ressalta a obrigação social do cristão aos órfãos e às viúvas. Jesus advertiu, "Guardai-vos dos escribas ... que devoram a casa das viúvas ..." (Marcos 12:40). Jesus selecionou uma viúva para atenção especial por causa da sua oferta sacrificial (Lc 21: 2). A igreja primitiva ministrava às viúvas (At 6:1), e Paulo lembrou a Timóteo: "Honra as viúvas verdadeiramente viúvas" (1 Tm 5: 3). A igreja tinha um rol de assistência social para viúvas que eram velhas demais para trabalhar, ou que não podiam casar-se de novo (1 Tm 5:9-10). Talvez a passagem mais enfática no Novo Testamento sobre este assunto seja a que se acha no livro de Tiago, onde está escrito: "A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações ..." (Tiago 1: 27). O conceito bíblico de "visitar" significava muito mais do que passar por ali; significava ajudar a aliviar sua aflição. A não ser que alguém esteja fazendo isto, diz Tiago, sua religião não é pura.”[6].

2.3 – Outras responsabilidades sociais

     O bom estudante de Ética Cristã deve também pesquisar sobre as seguintes responsabilidades sociais:

a)    A responsabilidade social aos escravos e oprimidos.
b)    A responsabilidade social aos soberanos e governantes.

Encerrando nosso assunto sobre responsabilidade social, orientamos nossos estudantes a fazerem uma pesquisa para uma compreensão mais profunda sobre O PACTO DE LAUSANNE, o qual destaca muito bem a responsabilidade social da igreja.





[1]  GEISLER, Norman L. Ética Cristã: Alternativas e Questões Contemporâneas. São Paulo: Vida Nova. 2001. p.153.
[2]  GEISLER, Norman L. Ética Cristã: Alternativas e Questões Contemporâneas. São Paulo: Vida Nova. 2001. p.154.
[3]  GEISLER, Norman L. Ética Cristã: Alternativas e Questões Contemporâneas. São Paulo: Vida Nova. 2001. p.155.
[4]  GEISLER, Norman L. Ética Cristã: Alternativas e Questões Contemporâneas. São Paulo: Vida Nova. 2001. p.156-157
[5]  GEISLER, Norman L. Ética Cristã: Alternativas e Questões Contemporâneas. São Paulo: Vida Nova. 2001. p.157.
[6]  GEISLER, Norman L. Ética Cristã: Alternativas e Questões Contemporâneas. São Paulo: Vida Nova. 2001. p.157.