O Pr. Gilson Soares dos Santos é casado com a Missionária Selma Rodrigues, tendo três filhos: Micaelle, Álef e Michelle. É servo do Senhor Jesus Cristo, chamado com santa vocação. Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional), Campina Grande/PB; Graduado em Filosofia pela UEPB (Universidade Estadual da Paraíba); Pós-Graduando em Teologia Bíblica pelo CPAJ/Mackenzie (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper). Professor de Filosofia e Teologia Sistemática no STEC. Professor de Teologia Sistemática no STEMES, em Campina Grande - Paraíba. Pastor do Quadro de Ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (AIECB). Pastoreou a Igreja Evangélica Congregacional de Cuité/PB, durante 15 anos (1993-2008). Atualmente é Pastor Titular da Igreja Evangélica Congregacional em Areia - Paraíba.

28 de abril de 2017

18ª Torre de Oração: porque os celeiros de Deus estão abertos

18ª TORRE DE ORAÇÃO: PORQUE OS CELEIROS DE DEUS ESTÃO ABERTOS

Pr. Gilson Soares dos Santos

A Igreja Evangélica Congregacional de Areia – PB, realizará a 18ª Jornada de Oração Ininterrupta, que denominamos de Torre de Oração. São 24 horas, ininterruptas, de oração e adoração ao Senhor dos senhores.

A igreja se propõe a realizar esta atividade de oração, pelos menos, duas vezes por ano. Já estamos na 18ª Edição, que acontecerá neste sábado e domingo, 29 e 30 de Abril de 2017.

Para tanto, estou postando aqui algumas frases sobre oração, as quais nos levam a refletir sobre a necessidade e o valor da oração. As frases podem ser encontradas no Livro PÉROLAS PARA A VIDA, de John Blanchard, da Editora Vida.

FRASES SOBRE ORAÇÃO

“Nada está fora do alcance da oração, a não ser aquilo que está fora da vontade de Deus.” (J. Blanchard).

“Quando Deus pretende dispensar grandes misericórdias a seu povo, a primeira coisa que faz é inspirá-lo a orar.” (Matthew Henry).

“O verdadeiro segredo da oração é a oração em segredo.” (J. Blanchard).

“Deus ainda está no trono, nós ainda estamos a seus pés, e entre nós há apenas a distância de um joelho.” (Jim Elliot).

“A Bíblia é uma carta que Deus nos enviou; a oração é uma carta que enviamos a ele.” (Matthew Henry)

“Dizemos que o céu está muito longe. Mas ele está ao alcance da voz dos que lhe pertencem.” (D. L. Moody)

“Orações frias sempre se congelam antes de alcançar o céu.” (Thomas Brooks)

“Assim como o negócio dos alfaiates é fazer roupas, e o dos sapateiros é remendar sapatos, o negócio dos cristãos é orar.” (Martinho Lutero)

“Minha verdadeira estatura é a que possuo quando estou de joelhos.” (Stephen Olford).

“Nenhum homem é maior do que sua vida de oração.” (Leonard Ravenhill).

“As reuniões de oração são o marcapasso da igreja.” (C. H. Spurgeon)

“Em geral, jamais veremos muita melhoria em nossas igrejas, enquanto a reunião de oração não ocupar o lugar mais elevado na estima dos crentes.” (C. H. Spurgeon)


21 de abril de 2017

O Cristão e o "Jeitinho Brasileiro"


O CRISTÃO E O JEITINHO BRASILEIRO

Pr. Gilson Soares dos Santos

            Para introdução do assunto “o cristão e o jeitinho brasileiro”, lembramos que todo o material usado aqui foi retirado do Livro “Dando um jeito no jeitinho”, da autoria de Lourenço Stélio Rega, publicado pela Editora Mundo Cristão. Então vejamos:

3.1 – Definindo o que é jeitinho brasileiro

“É encontrar uma resposta, uma saída, para uma situação que em geral não se quer ou não se pode enfrentar; é se livrar de uma situação. É fazer com que as coisas andem de acordo com os desejos de alguém; é fechar os olhos para situações que podem prejudicar o indivíduo; é contornar as normas; é tirar vantagem de uma situação; enfim, é abrir caminho para que as coisas aconteçam da maneira como se gostaria”.[1].

            Stelio Rega continua mostrando alguns sinônimos para “jeitinho brasileiro”:

“Por baixo dos panos; apressar as coisas; contornar a situação; achar um “bode expiatório”; encontrar uma “brecha”; uma saída mais fácil, mais barata; acerto por fora; ajeitar, quebrar o galho,  “molhar a mão”, dar um ajuste, dar um empurrão ou impulso na situação; esquecer o assunto; etc.”[2].

            Quando falamos em jeitinho brasileiro, não devemos confundir com criatividade brasileira. O brasileiro é muito criativo. Dá sempre um jeito de “criar” alguma coisa para facilitar o trabalho, o estudo ou qualquer outra coisa. O jeitinho brasileiro que tratamos aqui é a “malandragem” para se dar bem, burlando leis, driblando a ética e fraudando para “facilitar as coisas”.

3.2 – Exemplos de “jeitinho brasileiro”

·         A famosa “gambiarra”, improviso, que motoristas que transportam passageiros fazem em seus carros para não colocar peça nova, colocando a vida de inocentes em risco.
·         Dar um jeitinho para não fazer os testes do DETRAN na hora de tirar a habilitação, “comprando a carteira”.
·         Na hora de vender qualquer coisa, mentir sobre o produto, “passando gato por lebre”.
·         “molhar a mão” do guarda rodoviário para não pagar a multa.
·         A famosa “mentira branca”. Quem perde prova escolar ou se atrasa pela segunda vez tem razão de sobra para “matar a vó”.
·         O jeitinho “com nota ou sem nota”. Que economiza “uma nota”.
·         As notas superfaturadas.
·         Viajar a serviço da empresa e colocar um valor de despesas de almoço e combustível maior do que aquilo que realmente foi gasto.
·         Forjar atestado médico para justificar a ausência no emprego.
·         Conseguir carteira de estudante para pagar meia entrada ou meia passagem, sem estar devidamente matriculado numa escola.

Como diz Lourenço Stélio Rega:

 “O jeito cria hábitos, influencia nossas decisões e acaba como que se tornando uma lei interior dentro de nós que quer governar as nossas escolhas. [...] o jeito é a síntese do caráter brasileiro e tornou-se uma estratégia que se espalhou pela sociedade e se fixou na vida do povo como alternativa ética diante do sistema de normas estabelecidos.”.[3]

3.3 – O jeitinho brasileiro à luz da Bíblia

            O que a Bíblia diz a respeito disso?

a)    A Bíblia condena qualquer tipo de mentira. O jeitinho brasileiro na maioria das vezes envolve mentira e engano. (Cl 3.9).
b)    A Bíblia condena a malícia. O jeitinho brasileiro é um jogo de malícias (At 13.10; Ef 4.22).
c)    A Bíblia condena “defraudar” os outros, que é a mesma coisa que fraudar, lesar dolosamente. (Mc 10.19; Lc 19.8; I Co 6.8; II Co 7.2; Tt 2.10).

3.4 – Dando um jeito no jeitinho

            Para que o cristão se livre do jeitinho brasileiro e sirva a Deus de maneira exemplar, dentro da Ética Cristã, é preciso observar o seguinte:

a)    Observe os princípios da Ética Cristã: Sobre os princípios da Ética Cristã já falamos n. Tais princípios nortearão a conduta do verdadeiro cristão nas mais diversas situações.

b)    Lembre-se que você também foi chamado para anunciar as boas novas do Evangelho: “O cristão brasileiro precisa desenvolver o espírito evangelístico, seja pela própria pregação do Evangelho, seja pela manifestação do seu testemunho pessoal. A ação redentora de Jesus na vida do cristão deve manifestar-se em sua relação aos dilemas éticos do jeito. [...] Os amigos do cristão brasileiro, seus colegas de trabalho e seus vizinhos deverão ver em sua vida prática e em sua maneira de reagir ao jeito e a manifestação da fé e da ação do Evangelho”.[4].

c)    Desenvolver uma cidadania exemplar responsável: “O cristão brasileiro precisa desempenhar o seu papel como cidadão responsável, não apenas obedecendo às autoridades, mas, numa espécie de revolução não-violenta e silenciosa, participando na sociedade de modo que as instituições desempenhem corretamente os seus papéis. [...] Na sociedade brasileira há instrumentos mediante os quais o cidadão pode contribuir para a melhoria das condições de vida. Os jornais e revistas de maior circulação no país, por exemplo, mantêm colunas para que os leitores se manifestem, opinando e reclamando. [...] O cristão brasileiro, como cidadão responsável que é, deve interceder por todos aqueles que estão investidos de autoridade e cooperar com eles no cumprimento da lei justa”.[5]

Concluindo, podemos perceber que o “jeitinho brasileiro” existe porque, para muitos, os interesses pessoais são tidos como mais importantes do que os interesses coletivos. O bem pessoal é considerado mais importante do que o bem da sociedade. Isto gera a falta de ética. Outra razão da existência do “jeitinho” é que muitas das pessoas que se declaram contra essa forma de malandragem, praticam sistematicamente, mantendo o discurso longe da prática. O cristão ético, que tem as Escrituras como a revelação de Deus para determinação dos padrões éticos, deve orar constantemente para viver o que está na Palavra, dando sempre um jeito nesse jeitinho brasileiro.



[1]  REGA, Lourenço Stelio. Dando um jeito no jeitinho: como ser ético sem deixar de ser brasileiro. São Paulo: Mundo Cristão. 2000. p.48.
[2]  Idem.
[3]  Idem. p.56-57.
[4]  Idem. p.173-174.
[5]  Idem. p.174.

28 de março de 2017

Teologia da Glória e Teologia da Cruz

TEOLOGIA DA GLÓRIA E TEOLOGIA DA CRUZ

Pr. Gilson Soares dos Santos

     É de suma importância que estudemos este tema, Teologia da Glória e Teologia da Cruz, a fim de termos uma compreensão sobre algumas “teologias”. A seguir fiz uma compilação de textos que tratam da Teologia da Glória e da Teologia da Cruz.

     “No começo de 1518, na obra Controversia de Heidelberg, Lutero apresentou o que se tornou um programa inteiro para uma abordagem da teologia. Ele propôs esse programa colocando em oposição dois tipos de teologia: uma “teologia da glória” e uma “teologia da cruz”. Esses dois diferem em seu tema, pois um está preocupado primariamente com Deus em gloria, enquanto que o outro vê Deus como oculto em sofrimento.”[1]
     “Em abril de 1518, Martinho Lutero (1483-1546), em Heidelberg, contrapôs seus “Paradoxos” teológicos como “teologia da cruz” (theologia crucis) à “teologia da glória” (theologia gloriae), isto é, à teologia eclesial dominante. [...] No “Debate de Heidelberg”, travou-se a discussão da indulgência. Lutero contrastou a teologia da cruz com a teologia oficial, diante de uma igreja que se tornara segura e saciada. Como exemplo dessa realidade, para financiar o seu projeto mais extravagante, a basílica de São Pedro em Roma (incluindo a Capela Sistina), Leão X (1475-1521), eleito papa em 1513, resgatou a prática de cobrar indulgências, o que, de alguma maneira, precipitou a Reforma Protestante. Em Heidelberg, distinguindo entre o cristianismo evangélico bíblico e as corrupções medievais, Lutero entendeu que a igreja medieval seguia o caminho da glória ao invés do caminho da cruz. Para Lutero a cruz é a marca de toda a teologia. “No Cristo crucificado é que estão a verdadeira teologia e o verdadeiro conhecimento de Deus.” Conhecer a Deus pela cruz é conhecer o nosso pecado e o amor redentor de Deus. Deus, na cruz, destrói todas as nossas idéias preconcebidas da glória divina. O perigo em potencial que a teologia da cruz vê na sua antítese é que a teologia da glória levará o homem a alguma forma de justiça pelas obras, à tendência de se fazer uma barganha com Deus com base em realizações pessoais. Por outro lado, a teologia da cruz repudia firmemente as realizações do próprio homem e deixa Deus fazer tudo para efetivar e preservar a sua salvação..”[2]

3.1_ A Teologia da Glória

     “Uma das muitas percepções teológicas de Martinho Lutero, a teologia da glória é a antítese da teologia da cruz. Lutero sentia tão forte convicção a respeito da distinção entre essas teologias que declarou de modo inequívoco que somente aqueles que sustentam e ensinam a teologia da cruz merecem ser chamados teólogos.”[3]
     “A teologia da glória chega ao conhecimento de Deus através das Suas obras. A teologia natural e a metafísica especulativa encaixam-se nessa categoria, bem como o conceito triunfalista expressado por alguns carismáticos dos nossos dias que entendem que Deus Se revela em intervenções dramáticas (visões, milagres, curas, etc.), e que a vida cristã é vivida numa constante “alta” espiritual. Os proponentes da teologia da cruz discordam ruidosamente desse ponto de vista. Deus quer ser conhecido e reverenciado com base em outro princípio. A teologia da glória entende que se conhece a Deus imediatamente por Suas expressões de poder, sabedoria e glória divinos; ao passo que a teologia da cruz O reconhece no próprio lugar onde Ele Se ocultou — na cruz, com os seus sofrimentos, todos eles considerados fraqueza e estultícia pela teologia da glória.”[4]
     “O perigo em potencial que a teologia da cruz vê na sua antítese é que a teologia da glória levará a alguma forma de justiça pelas obras moralistas, à propensão de se fazer uma barganha com Deus com base em realizações pessoais. A teologia da cruz repudia as realizações do próprio homem e deixa Deus fazer tudo para efetivar e preservar a Sua salvação. Essa teologia redirige a atenção do ativismo moralista para a receptividade genuína.”[5].

3.2_ Teologia da Cruz

     “A contribuição mais profunda de Martinho Lutero ao pensamento teológico. Cinco meses depois de ter pregado as noventa e cinco teses na porta da Igreja do Castelo de Wittemberg, Lutero formulou a theologia crucis. Essa teologia da cruz contrasta com a teologia da glória e é mais bem entendida em harmonia com o Deus Absconditus (“o Deus oculto") e o Deus Revelatus (“o Deus revelado”).[6]
     “Antes da queda (lapsus) o homem era capaz de conhecer a Deus de modo direto ou imediato. Era o Deus Revelatus que comungava com o homem no frescor do jardim do Éden. A consequência da queda do homem no pecado incluiu muito mais do que a morte pessoal e a deterioração moral; alterou, também, a capacidade de o homem conhecer o Criador e ter comunhão com Ele. O Deus revelado tornou-se o Deus oculto (Deus Absconditus). A única maneira pela qual a comunhão destruída podia ser restaurada era por meio da redenção. Em todo o período do AT, a despeito das intervenções milagrosas, das conquistas militares, dos templos magníficos e dos palácios primorosos, o único lugar onde Deus Se encontrava com o Seu povo era no propiciatório (“Ali virei a ti,” Ex 25.22), no lugar do sacrifício e da redenção. O lugar de encontro derradeiro de Deus foi desvendado na cruz de Cristo. Deus é conhecido e compreendido, não na força, mas na fraqueza, não numa demonstração impressionante de majestade e poder, mas na exibição de um amor que se dispõe a sofrer a fim de ganhar o homem de volta para si.”[7]
     “Infelizmente, o homem moderno resolveu conhecer Deus como o Revelado. O pagão vê o poder de Deus no cosmos criado, mas é levado de um grau de idolatria para outro. O fanático civilizado pensa que descobre Deus nas demonstrações de pompa e cerimônia e nas expressões de realização moral pessoal. Todos estão tragicamente enganados. Deus sempre é conhecido pelo homem através da cruz, e somente ali. Com profunda percepção, Lutero protestava: Solus praedica Sapientum crucis. “Prega esta única coisa, a sabedoria da cruz.”[8].

3.3_ Contrastando a Teologia da Glória e a Teologia da Cruz

     “A teologia da glória, portanto, é a teologia centralizada no homem e induz à superestimação do poder e capacidade naturais do homem. A teologia da cruz revela a verdadeira condição dos seres humanos, como pecadores desamparados, alienados de Deus, na mente e no coração, necessitando desesperadamente do plano de salvação criado por Deus: a cruz de Cristo. A teologia da glória sugere que os seres humanos podem se elevar a Deus por seus próprios esforços e conduz a projetos humanos de salvação própria e de especulação teológica. A teologia da cruz proclama que os seres humanos são totalmente dependentes e incapazes de descobrir qualquer coisa a respeito de Deus sem a ajuda da auto revelação do próprio Deus, e conduz ao discipulado marcado pelo sofrimento em nome de Deus e do próximo.”[9]
     “Quando Lutero olhava para a Igreja de Roma, via a manifestação concreta da teologia da glória. Queria rejeitar tudo isso sem destruir a cristandade. Podia aceitar o papa que liderasse a igreja com o servo sofredor, mas não o papa que era rico, poderoso e majestoso e reinava sobre todos.”[10].
     “Lutero também considerava exemplo da teologia da glória a crença no livre arbítrio humano no tocante à salvação. [...] Sua teologia da cruz também o levou à defesa fervorosa da doutrina da salvação — o monergismo da salvação. Embora Lutero tivesse muitos motivos para crer na predestinação, na verdade, sua crença nela se baseava na cruz e, só podia ser explicada por meio da cruz, e não pela argumentação teológica ou filosófica racional”.[11].
     “Em seu próprio tempo, Lutero via apenas duas opções para a teologia cristã: a versão da teologia da glória ou da teologia da cruz. Pelos seus cálculos, todos os seus oponentes — inclusive a Igreja de Roma e os humanistas, bem com o os “fanáticos” entre os protestantes — eram culpados de adotar a teologia da glória. Somente ele conseguia ver a centralidade da cruz e o paradoxo do poder e sofrimento de Deus no âmago do evangelho, conforme o entendia. Tudo na contribuição teológica de Lutero flui e reflui daí continuamente.”[12].
     “Uma teologia da glória denomina o mal, bem e o bem, mal. Uma teologia da cruz denomina a coisa como ela é efetivamente. Isso está claro: Aquele que não conhece a Cristo, não conhece o Deus oculto em sofrimento. Portanto, ele prefere obras ao invés de sofrimento, glória a cruz, força a fraqueza, sabedoria a tolice e, em geral, bem ao mal. Essas são as pessoas a quem o apóstolo chama de “inimigos da cruz de Cristo” (Fp 3.18), pois eles odeiam a cruz e o sofrimento, e amam as obras e a sua glória. Assim, eles chamam o bem da cruz, mal e o mal de uma ação, bem. Deus pode ser encontrado apenas no sofrimento e na cruz, como já foi dito. Portanto, os amigos da cruz dizem que a cruz é boa e as obras são más, pois por meio da cruz as obras são destronadas e o velho Adão, que é especialmente edificado por obras, é crucificado. É impossível para uma pessoa não se vangloriar por suas boas obras a não ser que ela seja primeiro esvaziada e destruída por sofrimento e mal, até ela saber que é sem valor e que suas obras não são suas, mas de Deus.”[13].


[1]  GONZALEZ, Justo L. Uma História do Pensamento Cristão. Da Reforma Protestante ao Século 20. Vol. 3. São Paulo: Cultura Cristã. 2004. P. 38.
[2]  SANTOS, Gilson. Matinho Lutero: A Teologia da Cruz em Contraste com a Teologia da Glória. In: http://www.ministeriofiel.com.br/artigos/detalhes/172/Martinho_Lutero_A_Teologia_da_Cruz_em_Contraste_com_a_Teologia_da_Gloria. Acesso em 27/03/2017.
[3]  ELWELL, Walter A. Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. Vida Nova: São Paulo. 2009. P.477
[4]  ELWELL, Walter A. Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. Vida Nova: São Paulo. 2009. P.477
[5]  Ibidem.
[6]  Ibidem.  P.471
[7]  Ibidem.
[8]  Ibidem.
[9]  OLSON, Roger. História da Teologia Cristã. São Paulo: Editora vida. 2001. P.392.
[10]  Ibidem.
[11]  Ibidem. P.393.
[12]  Ibidem.
[13]  GONZALEZ, Justo L. Uma História do Pensamento Cristão. Da Reforma Protestante ao Século 20. Vol. 3. São Paulo: Cultura Cristã. 2004. PP. 40-41.

8 de março de 2017

Senhor, transforma-me numa mulher com uma fé que move montanhas


SENHOR, TRANSFORMA-ME NUMA MULHER COM UMA FÉ QUE MOVE MONTANHAS

Pr. Gilson Soares dos Santos

Hoje é Dia Internacional da Mulher, 08 de Março. Para homenageá-las quero transcrever aqui um texto do Livro “O Poder da Mulher que Ora”, de Stormie Omartian, da Editora Mundo Cristão, que fala sobre uma mulher de fé.

Feliz Dia Internacional da Mulher! Aproveitem o texto:

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Senhor, transforma-me numa mulher com uma fé que move montanhas

Em meu aniversário de dez anos ganhei uma corrente de ouro delicada com um pendente que era uma pequena bola de vidro. Dentro da bola havia um minúsculo grão de mostarda. Na época eu pensei: Por que alguém se daria o trabalho de colocar lá dentro uma semente tão pequena que mal se pode enxergar? Obviamente não entendi o espírito da coisa.

Foi só algum tempo depois que aprendi o significado daquele pequeno grão. Jesus disse: "Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível" (Mt 17:20). Desde então pensei muito sobre quanto era pequeno aquele grão. Se a fé necessária para mover montanhas só precisa ser daquele tamanho, então certamente posso conseguir ter fé suficiente para mover os obstáculos de minha vida.

Deus toma o grão minúsculo de fé que temos e o faz crescer, tornando-o grande quando agimos pela fé. A Bíblia diz que Deus repartiu a cada um uma medida da fé (Rm 12:3). Já temos alguma fé para começar. Quando damos um passo por essa fé, Deus aumenta nossa fé. Em outras palavras, agir pela fé gera mais fé.

Quer se dê conta, quer não, você está vivendo pela fé todos os dias. Cada vez que você vai ao médico, confia que ele fará o que é certo. Quando você compra um remédio na farmácia, acredita que ele terá o efeito desejado. Quando você vai a um restaurante, crê que não vão envenená-la. (Alguns restaurantes requerem mais fé do que outros.) Não será mais fácil e mais certo confiar em Deus?

Não fazemos ideia das grandes coisas que Deus quer fazer por nosso intermédio se dermos um passo de fé quando ele nos pede para fazê-lo. E por isso que ele permite que passemos por alguns momentos difíceis. Momentos em que nos sentimos fracas e vulneráveis. Ele permite que certas coisas aconteçam para que nos voltemos para ele com toda a nossa atenção. É nesses momentos, quando somos forçadas a orar com maior fé, que ela se fortalece.

Jesus disse: "Faça-se-vos conforme a vossa fé" (Mt 9:29). Dependendo do tipo de fé que você tem, essa ideia pode ser assustadora. No entanto, há coisas que podemos fazer para aumentar a fé, como ler a Palavra de Deus. A fé vem quando simplesmente ouvimos a Palavra (Rm 10:17). Quando você tomar as promessas e verdades da Palavra de Deus e declará-las em voz alta, sentirá sua fé aumentando.

Orar também aumenta nossa fé, pois pela oração estendemos nossa mão e tocamos Deus. Em certo momento, uma mulher estendeu a mão para o Senhor, crendo que "se apenas lhe [tocasse] a veste" seria curada (Mt 9:20-22). Toda vez que estendemos a mão para Deus em oração, nossa vida é curada de alguma forma e nossa fé é aumentada.

A cada dia, torna-se mais essencial que tenhamos fé. Haverá momentos na vida quando precisaremos do tipo de fé que pode fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso, a vitória e a derrota, a vida e a morte. E por isso que pedir por mais fé deve ser uma oração constante. Não importa quanta fé você tenha, Deus pode aumentá-la.

Mesmo quando sua fé parece pequena, você pode ordenar pela fé que as montanhas em sua vida se movam, e Deus fará o impossível. Você pode orar para que as partes deficientes de sua vida sejam curadas, e Deus vai restaurá-las. Você pode pedir a Deus que aumente sua fé e lhe dê ousadia para agir por essa fé, e ele o fará.

De qual promessa de Deus você gostaria de apropriar para si pela fé neste instante? Que oração você gostaria de fazer com ousadia pela fé e ver respondida? O que você gostaria de ver realizado em sua vida ou na vida de alguém que você conhece e que iria requerer uma oração com grande fé? Peça a Deus para tomar esse grão que você tem e fazê-lo crescer, transformando-o em uma árvore gigante de fé para que você possa ver essas coisas acontecer.

Minha Oração a Deus

Senhor,

Aumenta minha fé. Ensina -me a andar pela fé e não pelo que vejo (2 Co 5:7). Dá-me forças para manter-me firme em tuas promessas e crer em cada uma de tuas palavras. Não quero ser como o povo que ouviu a palavra, mas nada aproveitou dela, pois não foi acompanhada pela fé (Hb 4:2). Sei que "a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo" (Rm 10:17). Faze minha fé crescer cada vez que ouço ou leio tua Palavra. Ajuda-me a crer para que tuas promessas se cumpram em mim. Peço-te que uma vez confirmado o valor de minha fé, "muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra" a ti, Senhor (1 Pe 1:7).

Sei que "a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem" (Hb 11:1). Sei que fui salva pela graça, mediante a fé, e que isto é um dom de ti (Ef 2:8). Aumenta minha fé para que eu possa orar com poder.Dá-me fé para crer na cura toda vez que oro pelos enfermos. Não quero ver uma necessidade e então não ter fé suficiente para orar e crer na mudança daquela situação.

Ajuda-me a tomar sempre o "escudo da fé" para "apagar todos os dardos inflamados do maligno" (Ef 6:16). Ajuda- me a pedir "com fé, em nada duvidando". Pois sei que "o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento". Sei que aquele que duvida tem um ânimo dobre, é inconstante em seus caminhos e não receberá nada de ti (Tg 1:6-8). Sei que "tudo o que não provém de fé é pecado" (Rm 14:23). Confesso qualquer dúvida que tenho como pecado diante de ti e peço-te que me perdoes. Não quero impedir tua obra em mim e por meu intermédio por causa da dúvida. Aumenta minha fé diariamente para que eu possa mover montanhas em teu nome.

1 de março de 2017

Carta de Campina Grande 2017

CARTA DE CAMPINA GRANDE 2017

Pr. Gilson Soares dos Santos

Todos os anos, não me lembro desde quando, vou ao Encontro da Consciência Cristã. Me sinto guiado pelo Senhor a estar ali ouvindo atentamente as Pregações e Cursos ministrados. Sinto-me privilegiado por morar próximo a cidade de Campina Grande – PB e aproveitar o máximo de cada momento do evento. Ali consigo cultuar a Deus e ser impactado com a pregação do Evangelho de Cristo.

Mas existe um momento que fico aguardando com muita expectativa: a leitura da CARTA DE CAMPINA GRANDE, que vem acontecendo nas edições mais recentes.

No encerramento da 19ª Edição da Consciência Cristã, dia 28 de Fevereiro de 2017, o Pr. Renato Vargens leu a CARTA DE CAMPINA GRANDE 2017. Eu estava lá e, como fiz em outros anos, publico agora aqui no Blog.

CARTA DE CAMPINA GRANDE 2017

Há 500 anos, em 31 de outubro de 1517, o monge alemão, Martinho Lutero afixou às portas do castelo de Wittenberg as suas 95 teses denunciando as indulgências e os excessos da Igreja, iniciando com tal ato a Reforma Protestante.

Hoje, quinhentos anos depois, a igreja evangélica brasileira tem enfrentado crises, lutas e desafios, como também o surgimento de heresias e graves desvios teológicos. Como se não bastasse, por fatores diversos, constatamos que uma parcela significativa do evangelicalismo brasileiro tem abandonado o compromisso com o evangelho ensinado por Cristo, proporcionando com isso um claro e real afastamento das doutrinas defendidas pelos reformadores.

Para piorar a situação, os últimos anos têm sido marcados pela ação de lobos ferozes, que mediante ensinos espúrios têm induzido o povo de Deus a erros crassos, comercializando a fé, vendendo o evangelho e negando a Cristo.

Diante disto, nós, membros da igreja de Jesus Cristo, participantes do 19º Encontro para a Consciência Cristã, além de repudiarmos aqueles que tem feito da igreja um negócio, celebramos a comunhão que desfrutamos como povo de Deus, unidos ao redor do evangelho de Cristo, e afirmamos:

1_ Que a Escritura é a inerrante Palavra de Deus, além de única fonte de revelação divina, como também única para constranger a consciência. Afirmamos também que a Bíblia sozinha ensina tudo o que é necessário para nossa salvação do pecado, e que ela é o padrão pelo qual todo comportamento cristão deve ser avaliado. Negamos também que qualquer concílio ou líder religioso possa constranger a consciência de um crente, e que o Espírito Santo fale independentemente de, ou contrariando, o que está exposto na Bíblia, ou que a experiência pessoal possa ser veículo de revelação doutrinária.

2_ Que a salvação do pecador se dá única e exclusivamente pela obra mediatória de Cristo Jesus na cruz. Afirmamos também que Cristo não cometeu pecado e que sua morte, expiação e ressurreição por si só são suficientes para nossa justificação, redenção e reconciliação com Deus. Além disso, negamos que o evangelho possa ser pregado sem a proclamação da obra substitutiva de Cristo, bem como seja possível alguém ser salvo fora de nosso Salvador.

3_ Que ao sermos salvos por Cristo somos resgatados da ira de Deus unicamente por sua graça. A obra sobrenatural do Espírito Santo é que nos leva a Cristo, concedendo-nos fé e arrependimento, libertando-nos de nossa servidão do pecado e erguendo-nos da morte espiritual para a vida espiritual. Negamos também que a salvação seja possível mediante ações ou obras humanas, como também afirmamos que acreditamos que métodos ou estratégias humanas por si só não podem realizar a transformação do pecador.

4_ Que a justificação é somente pela graça, somente por intermédio da fé, somente por causa de Cristo. Afirmamos também que a justificação, a retidão de Cristo, nos é imputada como o único meio possível de satisfazer a perfeita justiça de Deus.

5_ Que como a salvação é de Deus e realizada por Deus, ela ocorre para a glória de Deus e devemos glorificá-lo sempre. Afirmamos também que como cristãos devemos viver perante a face de Deus, sob a autoridade de Deus, e para sua glória somente. Negamos que possamos apropriadamente glorificar a Deus se nosso culto for confundido com entretenimento, se negligenciarmos ou confundirmos a Lei ou o Evangelho em nossa pregação, ou se permitirmos que o afeiçoamento próprio, a autoestima e a auto-realização se tornem opções alternativas ao evangelho.

Assim, confiantes na graça de Deus, assumimos este compromisso diante de Deus e de seu povo de perseverar nessa fé, colocá-la em prática e ensiná-la com todo empenho, para vermos em nossa nação brasileira um poderoso progresso do evangelho de Cristo.

Você pode encontrá-la, na forma como está acima, em: http://conscienciacristanews.com.br/carta-de-campina-grande-e-apresentada-a-uma-multidao-de-mais-de-12-mil-pessoas/ (acesso em 01/03/2017).

22 de fevereiro de 2017

D. A. Carson comenta João 17.17 o Tema do 19º Encontro para a Consciência Cristã


D. A. CARSON COMENTA JOÃO 17.17 O TEMA DO 19º ENCONTRO PARA A CONSCIÊNCIA CRISTÃ

Pr. Gilson Soares dos Santos

Este ano, 2017, nos dias 23 a 28 de Fevereiro, na cidade de Campina Grande – PB, será realizado o 19º Encontro para a Consciência Cristã, realizada pela VINACC (Visão Nacional para a Consciência Cristã). Estará presente ao evento, segundo a vontade de Deus, o teólogo cristão D. A. Carson.

O Tema do Evento tem como base o texto bíblico de João 17.17: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade”.

Atrevi-me a transcrever aqui no blog o comentário de D. A. Carson sobre o texto de João 17.17, conforme pode ser encontrado em sua obra “O Comentário de João”, publicado pela Shedd Publicações.

À leitura:

O grupo de palavras relacionadas a ‘santidade’ do qual deriva santificar é bastante raro no quarto evangelho. O verbo ocorre em 10.36; 17.17,19; o adjetivo ‘santo’ encontra-se na expressão “Espírito Santo” em 1.33; 14.26; 20.22, e de outro modo em 6.69; 17.11. Em sua esfera mais básica de significado, ‘santo’ é quase um adjetivo para Deus: ele é transcendente, ‘outro’, distinto, separado da criação, e assim os anjos clamam incessantemente em sua presença: “Santo! Santo! Santo!” (cf. Is 6.3; Ap 4.8). Derivadamente, portanto, pessoas e coisas que são reservadas para ele também são chamadas de santas - seja um incensário para um altar no templo da antiga aliança, seja um homem reservado para ser sumo sacerdote. O profeta Jeremias, e Arão e seus filhos, foram todos ‘santificados’, isto é, reservados para o ofício sagrado, reservados para Deus (Jr 1.5; Ex 28.41). As implicações morais para as palavras em português ‘santo’ e ‘santificação’ surgem somente nesse ponto: isto é, idealmente, se alguém é reservado para Deus e para os propósitos de Deus apenas, essa pessoa fará somente o que Deus quiser, e odiará tudo o que Deus odeia. Isso é o que quer dizer ser santo assim como Deus o é (Lv 11.44,45; lPe'1.16).

Jesus é aquele a quem o ‘Pai separou [isto é, “santificou”; o verbo é hagiazô\ como seu e enviou ao mundo’ (c f notas sobre 10.36). Isto é, o Pai reservou o Filho para seus próprios propósitos nessa missão ao mundo. Em outras palavras, o Filho se santificou (cf. v. 19, abaixo) - isto é, ele se separou para ser e fazer exatamente o que o Pai lhe atribuiu. Nesse momento ele ora para que Deus santifique (hagiazô) os discípulos. No evangelho de João, essa ‘santificação’ é sempre para a missão. A missão dos discípulos é declarada no versículo seguinte; o presente versículo enfoca o meio da santificação: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade”.

Isso só pode significar que o meio pelo qual Jesus espera que seu Pai santifique os seguidores do Filho seja a verdade. O Pai imergirá os seguidores de Jesus na revelação de si mesmo em seu Filho; ele os santificará enviando o Paracleto para guiá-los a toda verdade (15.13). Os seguidores de Jesus serão ‘separados’ do mundo, reservados para o serviço de Deus, à medida que pensam e vivem em conformidade com a verdade, a ‘palavra’ da revelação (v. 6) supremamente mediada por Cristo (ele próprio a verdade, 14.6, e a Palavra encarnada, 1.1,14) — a revelação nesse momento incorporada nas páginas desse livro. Em termos práticos, ninguém pode ser ‘santificado’ ou separado para o uso do Senhor sem aprender os pensamentos de Deus e pensar em conformidade com ele, sem aprender a viver em conformidade com a palavra que ele graciosamente deu. Em contraste, o coração da ‘mundanidade’, daquilo que faz do mundo o que ele é (1.9), é uma fundamental supressão ou negação da verdade, uma profunda rejeição da ‘palavra’ graciosa de Deus, de sua auto-revelação em Cristo.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

CARSON, D. A. O Comentário de João. São Paulo: Shedd Publicações. 2007. p.566-567.

15 de fevereiro de 2017

Quem disse que Jonathan Edwards lia os seus sermões ao pregá-los para a igreja?

QUEM DISSE QUE JONATHAN EDWARDS LIAS OS SEUS SERMÕES AO PREGÁ-LOS PARA A IGREJA?

Pr. Gilson Soares dos Santos

É comum entre os que se interessam pela vida e obra de Jonathan Edwards (1703-1758), pastor congregacional, teólogo calvinista e um dos maiores filósofos norte-americano, descobrir que ele não pregava livremente seus sermões quando ministrava à igreja, ao contrário, lia-os integralmente. Tornou-se comum acreditar e divulgar que Edwards dependia inteiramente de um manuscrito que ele tinha que erguer ao rosto enquanto pregava. Muitos até acrescentam que esse servo de Deus era demasiadamente tímido, por isso não queria encarar a congregação, refugiando-se por trás dos seus manuscritos.

Alguns pregadores na atualidade fazem uso deste recurso, isto é, quando ministram a Palavra à igreja fazem a leitura do sermão quase integralmente, e alegam que homens de Deus fizeram uso desse expediente no passado, citando Edwards como um deles.

Embora particularmente não faça uso dessa técnica, não sou contra esta maneira de ministrar a Palavra. Porém não encontro respaldo em Edwards para justificar a prática de ler os sermões.

Iain H. Murray nos apresenta uma série de fatos que vão contra essa a suposição de que Jonanthan Edwards dependia insatisfatoriamente de um manuscrito para pregar.

1_ De onde veio a hipótese

A hipótese de que Edwards lia os seus sermões vem de um texto escrito por Samuel Hopkins, que morou um período com o pastor congregacional. No texto ele não diz explicitamente que o ministro lia os sermões, mas deixa subentendido. Veja o que diz o texto:

Ele escreveu os seus sermões e com uma letra tão fina e ilegível que só podiam ser lidos se fossem aproximados dos olhos. (frase Samuel Hopkins, citada por Iain H. Murray.[1].

À partir dessa citação de Hopkins se propagou o rumor de que o pastor Jonathan Edwards pregava os seus sermões, lendo-os para a congregação. A suposição também advém da comprovação de que o pregador de Northampton deixou, de fato, escrito grande parte dos seus sermões.

2_ Fatos que objetam a hipótese

O biógrafo Iain H. Murray, pastor britânico (nascido em 1931), apresenta alguns fatos que põem em dúvida a hipótese de que Edwards lia dependentemente seus sermões. Vejamos cinco fatos apresentados por Iain Hamish Murray, em seu livro “Jonathan Edwards: uma nova biografia”:[2]

a)_ Primeiro Fato

O avô de Jonathan Edwards, Solomon Stoddard, era contra pregadores que liam os sermões. Ele chegou a escrever energicamente contra esses pregadores. Ele odiava pregação enfadonha. Entretanto, Stoddard entregou o púlpito a seu neto, Jonathan Edwards. Será que, depois de escrever contra pregadores leitores, o velho Solomon entregaria o púlpito da igreja a um deles?

b)_ Segundo Fato

O próprio Edwards acreditava que a pregação não é a mesma coisa que ler um livro. Segundo o próprio Jonathan Edwards, a Palavra deveria ser aberta, aplicada e inculcada nas pessoas. Ele defendia a aplicação específica e vivida da Palavra de Deus.

c)_ Terceiro Fato

Os sermões de Edwards, depois de que ele veio a Northampton, eram escritos num livreto de 24 páginas e, de fato, era tão pequeno que podia ser “empalmado”, quase sem ser visto. A única explicação para isso é que ele não queria exibir seu uso de anotações. Essa atitude seria inútil se ele diminuísse o tamanho do livreto e tivesse que ler palavra por palavra do manuscrito.

d)_ Quarto Fato

A partir de 1741 Edwards parou de escrever seus sermões na íntegra. Ele passou a escrever apenas anotações em um esboço. Um terço dos seus manuscritos eram apenas esboços. De 1741 em diante haviam poucos sermões de Jonathan Edwards que pudessem ler lidos palavra por palavra.

e)_ Quinto Fato

Não há narrativas de testemunhas oculares da leitura de um sermão por Edwards. Ao contrário, um ouvinte de seus sermões disse que ele não usava gestos quando pregava mas olhava para a frente.

Então, podemos entender que o escrito de Samuel Hopkins foi a causa que levou muitos à dedução infundada de que o pregador e pastor congregacional Jonathan Edwards precisava ler seus sermões.


[1]  MURRAY, Iain H. Jonathan Edwards: uma nova biografia. São Paulo: PES. 2015. P.220.
[2]  MURRAY, Iain H. Jonathan Edwards: uma nova biografia. São Paulo: PES. 2015. P.220-222.