O Pr. Gilson Soares dos Santos é casado com a Missionária Selma Rodrigues, tendo três filhos: Micaelle, Álef e Michelle. É servo do Senhor Jesus Cristo, chamado com santa vocação. Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional), Campina Grande/PB; Graduado em Filosofia pela UEPB (Universidade Estadual da Paraíba); Pós-Graduando em Teologia Bíblica pelo CPAJ/Mackenzie (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper). Professor de Filosofia e Teologia Sistemática no STEC. Professor de Teologia Sistemática no STEMES, em Campina Grande - Paraíba. Pastor do Quadro de Ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (AIECB). Pastoreou a Igreja Evangélica Congregacional de Cuité/PB, durante 15 anos (1993-2008). Atualmente é Pastor Titular da Igreja Evangélica Congregacional em Areia - Paraíba.

8 de março de 2017

Senhor, transforma-me numa mulher com uma fé que move montanhas


SENHOR, TRANSFORMA-ME NUMA MULHER COM UMA FÉ QUE MOVE MONTANHAS

Pr. Gilson Soares dos Santos

Hoje é Dia Internacional da Mulher, 08 de Março. Para homenageá-las quero transcrever aqui um texto do Livro “O Poder da Mulher que Ora”, de Stormie Omartian, da Editora Mundo Cristão, que fala sobre uma mulher de fé.

Feliz Dia Internacional da Mulher! Aproveitem o texto:

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Senhor, transforma-me numa mulher com uma fé que move montanhas

Em meu aniversário de dez anos ganhei uma corrente de ouro delicada com um pendente que era uma pequena bola de vidro. Dentro da bola havia um minúsculo grão de mostarda. Na época eu pensei: Por que alguém se daria o trabalho de colocar lá dentro uma semente tão pequena que mal se pode enxergar? Obviamente não entendi o espírito da coisa.

Foi só algum tempo depois que aprendi o significado daquele pequeno grão. Jesus disse: "Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível" (Mt 17:20). Desde então pensei muito sobre quanto era pequeno aquele grão. Se a fé necessária para mover montanhas só precisa ser daquele tamanho, então certamente posso conseguir ter fé suficiente para mover os obstáculos de minha vida.

Deus toma o grão minúsculo de fé que temos e o faz crescer, tornando-o grande quando agimos pela fé. A Bíblia diz que Deus repartiu a cada um uma medida da fé (Rm 12:3). Já temos alguma fé para começar. Quando damos um passo por essa fé, Deus aumenta nossa fé. Em outras palavras, agir pela fé gera mais fé.

Quer se dê conta, quer não, você está vivendo pela fé todos os dias. Cada vez que você vai ao médico, confia que ele fará o que é certo. Quando você compra um remédio na farmácia, acredita que ele terá o efeito desejado. Quando você vai a um restaurante, crê que não vão envenená-la. (Alguns restaurantes requerem mais fé do que outros.) Não será mais fácil e mais certo confiar em Deus?

Não fazemos ideia das grandes coisas que Deus quer fazer por nosso intermédio se dermos um passo de fé quando ele nos pede para fazê-lo. E por isso que ele permite que passemos por alguns momentos difíceis. Momentos em que nos sentimos fracas e vulneráveis. Ele permite que certas coisas aconteçam para que nos voltemos para ele com toda a nossa atenção. É nesses momentos, quando somos forçadas a orar com maior fé, que ela se fortalece.

Jesus disse: "Faça-se-vos conforme a vossa fé" (Mt 9:29). Dependendo do tipo de fé que você tem, essa ideia pode ser assustadora. No entanto, há coisas que podemos fazer para aumentar a fé, como ler a Palavra de Deus. A fé vem quando simplesmente ouvimos a Palavra (Rm 10:17). Quando você tomar as promessas e verdades da Palavra de Deus e declará-las em voz alta, sentirá sua fé aumentando.

Orar também aumenta nossa fé, pois pela oração estendemos nossa mão e tocamos Deus. Em certo momento, uma mulher estendeu a mão para o Senhor, crendo que "se apenas lhe [tocasse] a veste" seria curada (Mt 9:20-22). Toda vez que estendemos a mão para Deus em oração, nossa vida é curada de alguma forma e nossa fé é aumentada.

A cada dia, torna-se mais essencial que tenhamos fé. Haverá momentos na vida quando precisaremos do tipo de fé que pode fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso, a vitória e a derrota, a vida e a morte. E por isso que pedir por mais fé deve ser uma oração constante. Não importa quanta fé você tenha, Deus pode aumentá-la.

Mesmo quando sua fé parece pequena, você pode ordenar pela fé que as montanhas em sua vida se movam, e Deus fará o impossível. Você pode orar para que as partes deficientes de sua vida sejam curadas, e Deus vai restaurá-las. Você pode pedir a Deus que aumente sua fé e lhe dê ousadia para agir por essa fé, e ele o fará.

De qual promessa de Deus você gostaria de apropriar para si pela fé neste instante? Que oração você gostaria de fazer com ousadia pela fé e ver respondida? O que você gostaria de ver realizado em sua vida ou na vida de alguém que você conhece e que iria requerer uma oração com grande fé? Peça a Deus para tomar esse grão que você tem e fazê-lo crescer, transformando-o em uma árvore gigante de fé para que você possa ver essas coisas acontecer.

Minha Oração a Deus

Senhor,

Aumenta minha fé. Ensina -me a andar pela fé e não pelo que vejo (2 Co 5:7). Dá-me forças para manter-me firme em tuas promessas e crer em cada uma de tuas palavras. Não quero ser como o povo que ouviu a palavra, mas nada aproveitou dela, pois não foi acompanhada pela fé (Hb 4:2). Sei que "a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo" (Rm 10:17). Faze minha fé crescer cada vez que ouço ou leio tua Palavra. Ajuda-me a crer para que tuas promessas se cumpram em mim. Peço-te que uma vez confirmado o valor de minha fé, "muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra" a ti, Senhor (1 Pe 1:7).

Sei que "a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem" (Hb 11:1). Sei que fui salva pela graça, mediante a fé, e que isto é um dom de ti (Ef 2:8). Aumenta minha fé para que eu possa orar com poder.Dá-me fé para crer na cura toda vez que oro pelos enfermos. Não quero ver uma necessidade e então não ter fé suficiente para orar e crer na mudança daquela situação.

Ajuda-me a tomar sempre o "escudo da fé" para "apagar todos os dardos inflamados do maligno" (Ef 6:16). Ajuda- me a pedir "com fé, em nada duvidando". Pois sei que "o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento". Sei que aquele que duvida tem um ânimo dobre, é inconstante em seus caminhos e não receberá nada de ti (Tg 1:6-8). Sei que "tudo o que não provém de fé é pecado" (Rm 14:23). Confesso qualquer dúvida que tenho como pecado diante de ti e peço-te que me perdoes. Não quero impedir tua obra em mim e por meu intermédio por causa da dúvida. Aumenta minha fé diariamente para que eu possa mover montanhas em teu nome.

1 de março de 2017

Carta de Campina Grande 2017

CARTA DE CAMPINA GRANDE 2017

Pr. Gilson Soares dos Santos

Todos os anos, não me lembro desde quando, vou ao Encontro da Consciência Cristã. Me sinto guiado pelo Senhor a estar ali ouvindo atentamente as Pregações e Cursos ministrados. Sinto-me privilegiado por morar próximo a cidade de Campina Grande – PB e aproveitar o máximo de cada momento do evento. Ali consigo cultuar a Deus e ser impactado com a pregação do Evangelho de Cristo.

Mas existe um momento que fico aguardando com muita expectativa: a leitura da CARTA DE CAMPINA GRANDE, que vem acontecendo nas edições mais recentes.

No encerramento da 19ª Edição da Consciência Cristã, dia 28 de Fevereiro de 2017, o Pr. Renato Vargens leu a CARTA DE CAMPINA GRANDE 2017. Eu estava lá e, como fiz em outros anos, publico agora aqui no Blog.

CARTA DE CAMPINA GRANDE 2017

Há 500 anos, em 31 de outubro de 1517, o monge alemão, Martinho Lutero afixou às portas do castelo de Wittenberg as suas 95 teses denunciando as indulgências e os excessos da Igreja, iniciando com tal ato a Reforma Protestante.

Hoje, quinhentos anos depois, a igreja evangélica brasileira tem enfrentado crises, lutas e desafios, como também o surgimento de heresias e graves desvios teológicos. Como se não bastasse, por fatores diversos, constatamos que uma parcela significativa do evangelicalismo brasileiro tem abandonado o compromisso com o evangelho ensinado por Cristo, proporcionando com isso um claro e real afastamento das doutrinas defendidas pelos reformadores.

Para piorar a situação, os últimos anos têm sido marcados pela ação de lobos ferozes, que mediante ensinos espúrios têm induzido o povo de Deus a erros crassos, comercializando a fé, vendendo o evangelho e negando a Cristo.

Diante disto, nós, membros da igreja de Jesus Cristo, participantes do 19º Encontro para a Consciência Cristã, além de repudiarmos aqueles que tem feito da igreja um negócio, celebramos a comunhão que desfrutamos como povo de Deus, unidos ao redor do evangelho de Cristo, e afirmamos:

1_ Que a Escritura é a inerrante Palavra de Deus, além de única fonte de revelação divina, como também única para constranger a consciência. Afirmamos também que a Bíblia sozinha ensina tudo o que é necessário para nossa salvação do pecado, e que ela é o padrão pelo qual todo comportamento cristão deve ser avaliado. Negamos também que qualquer concílio ou líder religioso possa constranger a consciência de um crente, e que o Espírito Santo fale independentemente de, ou contrariando, o que está exposto na Bíblia, ou que a experiência pessoal possa ser veículo de revelação doutrinária.

2_ Que a salvação do pecador se dá única e exclusivamente pela obra mediatória de Cristo Jesus na cruz. Afirmamos também que Cristo não cometeu pecado e que sua morte, expiação e ressurreição por si só são suficientes para nossa justificação, redenção e reconciliação com Deus. Além disso, negamos que o evangelho possa ser pregado sem a proclamação da obra substitutiva de Cristo, bem como seja possível alguém ser salvo fora de nosso Salvador.

3_ Que ao sermos salvos por Cristo somos resgatados da ira de Deus unicamente por sua graça. A obra sobrenatural do Espírito Santo é que nos leva a Cristo, concedendo-nos fé e arrependimento, libertando-nos de nossa servidão do pecado e erguendo-nos da morte espiritual para a vida espiritual. Negamos também que a salvação seja possível mediante ações ou obras humanas, como também afirmamos que acreditamos que métodos ou estratégias humanas por si só não podem realizar a transformação do pecador.

4_ Que a justificação é somente pela graça, somente por intermédio da fé, somente por causa de Cristo. Afirmamos também que a justificação, a retidão de Cristo, nos é imputada como o único meio possível de satisfazer a perfeita justiça de Deus.

5_ Que como a salvação é de Deus e realizada por Deus, ela ocorre para a glória de Deus e devemos glorificá-lo sempre. Afirmamos também que como cristãos devemos viver perante a face de Deus, sob a autoridade de Deus, e para sua glória somente. Negamos que possamos apropriadamente glorificar a Deus se nosso culto for confundido com entretenimento, se negligenciarmos ou confundirmos a Lei ou o Evangelho em nossa pregação, ou se permitirmos que o afeiçoamento próprio, a autoestima e a auto-realização se tornem opções alternativas ao evangelho.

Assim, confiantes na graça de Deus, assumimos este compromisso diante de Deus e de seu povo de perseverar nessa fé, colocá-la em prática e ensiná-la com todo empenho, para vermos em nossa nação brasileira um poderoso progresso do evangelho de Cristo.

Você pode encontrá-la, na forma como está acima, em: http://conscienciacristanews.com.br/carta-de-campina-grande-e-apresentada-a-uma-multidao-de-mais-de-12-mil-pessoas/ (acesso em 01/03/2017).

22 de fevereiro de 2017

D. A. Carson comenta João 17.17 o Tema do 19º Encontro para a Consciência Cristã


D. A. CARSON COMENTA JOÃO 17.17 O TEMA DO 19º ENCONTRO PARA A CONSCIÊNCIA CRISTÃ

Pr. Gilson Soares dos Santos

Este ano, 2017, nos dias 23 a 28 de Fevereiro, na cidade de Campina Grande – PB, será realizado o 19º Encontro para a Consciência Cristã, realizada pela VINACC (Visão Nacional para a Consciência Cristã). Estará presente ao evento, segundo a vontade de Deus, o teólogo cristão D. A. Carson.

O Tema do Evento tem como base o texto bíblico de João 17.17: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade”.

Atrevi-me a transcrever aqui no blog o comentário de D. A. Carson sobre o texto de João 17.17, conforme pode ser encontrado em sua obra “O Comentário de João”, publicado pela Shedd Publicações.

À leitura:

O grupo de palavras relacionadas a ‘santidade’ do qual deriva santificar é bastante raro no quarto evangelho. O verbo ocorre em 10.36; 17.17,19; o adjetivo ‘santo’ encontra-se na expressão “Espírito Santo” em 1.33; 14.26; 20.22, e de outro modo em 6.69; 17.11. Em sua esfera mais básica de significado, ‘santo’ é quase um adjetivo para Deus: ele é transcendente, ‘outro’, distinto, separado da criação, e assim os anjos clamam incessantemente em sua presença: “Santo! Santo! Santo!” (cf. Is 6.3; Ap 4.8). Derivadamente, portanto, pessoas e coisas que são reservadas para ele também são chamadas de santas - seja um incensário para um altar no templo da antiga aliança, seja um homem reservado para ser sumo sacerdote. O profeta Jeremias, e Arão e seus filhos, foram todos ‘santificados’, isto é, reservados para o ofício sagrado, reservados para Deus (Jr 1.5; Ex 28.41). As implicações morais para as palavras em português ‘santo’ e ‘santificação’ surgem somente nesse ponto: isto é, idealmente, se alguém é reservado para Deus e para os propósitos de Deus apenas, essa pessoa fará somente o que Deus quiser, e odiará tudo o que Deus odeia. Isso é o que quer dizer ser santo assim como Deus o é (Lv 11.44,45; lPe'1.16).

Jesus é aquele a quem o ‘Pai separou [isto é, “santificou”; o verbo é hagiazô\ como seu e enviou ao mundo’ (c f notas sobre 10.36). Isto é, o Pai reservou o Filho para seus próprios propósitos nessa missão ao mundo. Em outras palavras, o Filho se santificou (cf. v. 19, abaixo) - isto é, ele se separou para ser e fazer exatamente o que o Pai lhe atribuiu. Nesse momento ele ora para que Deus santifique (hagiazô) os discípulos. No evangelho de João, essa ‘santificação’ é sempre para a missão. A missão dos discípulos é declarada no versículo seguinte; o presente versículo enfoca o meio da santificação: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade”.

Isso só pode significar que o meio pelo qual Jesus espera que seu Pai santifique os seguidores do Filho seja a verdade. O Pai imergirá os seguidores de Jesus na revelação de si mesmo em seu Filho; ele os santificará enviando o Paracleto para guiá-los a toda verdade (15.13). Os seguidores de Jesus serão ‘separados’ do mundo, reservados para o serviço de Deus, à medida que pensam e vivem em conformidade com a verdade, a ‘palavra’ da revelação (v. 6) supremamente mediada por Cristo (ele próprio a verdade, 14.6, e a Palavra encarnada, 1.1,14) — a revelação nesse momento incorporada nas páginas desse livro. Em termos práticos, ninguém pode ser ‘santificado’ ou separado para o uso do Senhor sem aprender os pensamentos de Deus e pensar em conformidade com ele, sem aprender a viver em conformidade com a palavra que ele graciosamente deu. Em contraste, o coração da ‘mundanidade’, daquilo que faz do mundo o que ele é (1.9), é uma fundamental supressão ou negação da verdade, uma profunda rejeição da ‘palavra’ graciosa de Deus, de sua auto-revelação em Cristo.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

CARSON, D. A. O Comentário de João. São Paulo: Shedd Publicações. 2007. p.566-567.

15 de fevereiro de 2017

Quem disse que Jonathan Edwards lia os seus sermões ao pregá-los para a igreja?

QUEM DISSE QUE JONATHAN EDWARDS LIAS OS SEUS SERMÕES AO PREGÁ-LOS PARA A IGREJA?

Pr. Gilson Soares dos Santos

É comum entre os que se interessam pela vida e obra de Jonathan Edwards (1703-1758), pastor congregacional, teólogo calvinista e um dos maiores filósofos norte-americano, descobrir que ele não pregava livremente seus sermões quando ministrava à igreja, ao contrário, lia-os integralmente. Tornou-se comum acreditar e divulgar que Edwards dependia inteiramente de um manuscrito que ele tinha que erguer ao rosto enquanto pregava. Muitos até acrescentam que esse servo de Deus era demasiadamente tímido, por isso não queria encarar a congregação, refugiando-se por trás dos seus manuscritos.

Alguns pregadores na atualidade fazem uso deste recurso, isto é, quando ministram a Palavra à igreja fazem a leitura do sermão quase integralmente, e alegam que homens de Deus fizeram uso desse expediente no passado, citando Edwards como um deles.

Embora particularmente não faça uso dessa técnica, não sou contra esta maneira de ministrar a Palavra. Porém não encontro respaldo em Edwards para justificar a prática de ler os sermões.

Iain H. Murray nos apresenta uma série de fatos que vão contra essa a suposição de que Jonanthan Edwards dependia insatisfatoriamente de um manuscrito para pregar.

1_ De onde veio a hipótese

A hipótese de que Edwards lia os seus sermões vem de um texto escrito por Samuel Hopkins, que morou um período com o pastor congregacional. No texto ele não diz explicitamente que o ministro lia os sermões, mas deixa subentendido. Veja o que diz o texto:

Ele escreveu os seus sermões e com uma letra tão fina e ilegível que só podiam ser lidos se fossem aproximados dos olhos. (frase Samuel Hopkins, citada por Iain H. Murray.[1].

À partir dessa citação de Hopkins se propagou o rumor de que o pastor Jonathan Edwards pregava os seus sermões, lendo-os para a congregação. A suposição também advém da comprovação de que o pregador de Northampton deixou, de fato, escrito grande parte dos seus sermões.

2_ Fatos que objetam a hipótese

O biógrafo Iain H. Murray, pastor britânico (nascido em 1931), apresenta alguns fatos que põem em dúvida a hipótese de que Edwards lia dependentemente seus sermões. Vejamos cinco fatos apresentados por Iain Hamish Murray, em seu livro “Jonathan Edwards: uma nova biografia”:[2]

a)_ Primeiro Fato

O avô de Jonathan Edwards, Solomon Stoddard, era contra pregadores que liam os sermões. Ele chegou a escrever energicamente contra esses pregadores. Ele odiava pregação enfadonha. Entretanto, Stoddard entregou o púlpito a seu neto, Jonathan Edwards. Será que, depois de escrever contra pregadores leitores, o velho Solomon entregaria o púlpito da igreja a um deles?

b)_ Segundo Fato

O próprio Edwards acreditava que a pregação não é a mesma coisa que ler um livro. Segundo o próprio Jonathan Edwards, a Palavra deveria ser aberta, aplicada e inculcada nas pessoas. Ele defendia a aplicação específica e vivida da Palavra de Deus.

c)_ Terceiro Fato

Os sermões de Edwards, depois de que ele veio a Northampton, eram escritos num livreto de 24 páginas e, de fato, era tão pequeno que podia ser “empalmado”, quase sem ser visto. A única explicação para isso é que ele não queria exibir seu uso de anotações. Essa atitude seria inútil se ele diminuísse o tamanho do livreto e tivesse que ler palavra por palavra do manuscrito.

d)_ Quarto Fato

A partir de 1741 Edwards parou de escrever seus sermões na íntegra. Ele passou a escrever apenas anotações em um esboço. Um terço dos seus manuscritos eram apenas esboços. De 1741 em diante haviam poucos sermões de Jonathan Edwards que pudessem ler lidos palavra por palavra.

e)_ Quinto Fato

Não há narrativas de testemunhas oculares da leitura de um sermão por Edwards. Ao contrário, um ouvinte de seus sermões disse que ele não usava gestos quando pregava mas olhava para a frente.

Então, podemos entender que o escrito de Samuel Hopkins foi a causa que levou muitos à dedução infundada de que o pregador e pastor congregacional Jonathan Edwards precisava ler seus sermões.


[1]  MURRAY, Iain H. Jonathan Edwards: uma nova biografia. São Paulo: PES. 2015. P.220.
[2]  MURRAY, Iain H. Jonathan Edwards: uma nova biografia. São Paulo: PES. 2015. P.220-222.

10 de fevereiro de 2017

A relação entre a 9ª Sinfonia de Beethoven e o Hino 70 dos Salmos e Hinos


A RELAÇÃO ENTRE A 9ª SINFONIA DE BEETHOVEN E O HINO 70 DOS SALMOS E HINOS

Pr. Gilson Soares dos Santos

Muita gente não sabe, mas o hino 70 dos Salmos e Hinos, o Hinário Oficial dos Protestantes Congregacionais, traz o 4º Movimento da 9ª Sinfonia de Beethoven.

O hino de Beethoven tem versões portuguesas em várias igrejas protestantes, por exemplo, no Hinário Luterano, no Cantor Cristão, nos Salmos e Hinos, e em outros.

Veja algumas informações sobre o Hino 70 do “Hinário Salmos e Hinos”, encontradas em “Salmos e Hinos com Músicas Sacras”, compiladas e adaptadas por João Gomes da Rocha:

Tuas Obras Te Coroam
Henry Van Dyke (1907)
Adapt.: Isaac Nicolau Salum, 1940
Arranjo do quarto movimento da Nona Sinfonia (Coral) 1826
De Ludwig Van Beethoven (1770-1827)[1]
(Grifo nosso)

Se você quiser cantar o Hino 70 dos Salmos e Hinos, e tocá-lo em cifras simples, então é só ver o vídeo a seguir. Nele você tem: Letra (legenda), Melodia (voz), Instrumental (violão) e Cifras (bem simples para violão).

Já é um começo. Deus abençoe a todos.





[1]  ROCHA, João Gomes da. Salmos e Hinos com Músicas Sacras. 5 Ed. São Paulo: Candeia. 2003. P.107.

4 de fevereiro de 2017

Porque sou um continuísta


PORQUE SOU UM CONTINUÍSTA

Sam Storms*

Então, por que sou um continuísta? As minhas razões são as seguintes. (Por favor note que eu escrevi vários artigos que fornecem uma evidência mais extensa para os pontos que apresento, mas devido às limitações de espaço, permita-me apenas mencioná-los. Todos esses artigos podem ser encontrados no meu site.)

Deixe-me começar pela presença em todo o Novo Testamento (NT) de uma forma consistente, generalizada e completamente positiva de todos os dons espirituais. Os problemas que surgiram na igreja de Corinto não foram causados por dons espirituais, mas sim por pessoas imaturas. Não foram os dons de Deus, mas sim a distorção infantil, ambiciosa e orgulhosa desses dons por parte de alguns que deram origem aos comentários corretivos de Paulo.Além disso, a partir de Pentecostes e continuando ao longo do livro de Atos, quando o Espírito é derramado sobre os novos crentes estes experimentam os seus dons. Não há nada que indique que estes acontecimentos eram restritos apenas a eles e àquele tempo. Esse fato parece ser do conhecimento geral na igreja do Novo Testamento. Cristãos em Roma (Romanos 12), Corinto (1Coríntios 12-14), Samaria (Atos 8), Cesareia (Atos 10), Antioquia (Atos 13), Éfeso (Atos 19), Tessalônica (1Tessalonicenses 5) e Galácia (Gálatas 3) vivenciaram os dons miraculosos e reveladores. É difícil imaginar como os autores do NT poderiam ter falado mais claramente sobre como a aparência da nova aliança do cristianismo deveria ser. Em outras palavras, o ónus da prova recai sobre o cessacionista. Se alguns dons de uma classe especial cessaram, é da sua responsabilidade prová-lo.

Extensa evidência

Eu gostaria de referir igualmente a extensa evidência no NT dos chamados dons milagrosos entre os cristãos que não são apóstolos. Em outras palavras, muitos homens e mulheres não-apostólicos, jovens e velhos, por toda a extensão do Império Romano consistentemente exerceram esses dons do Espírito (e Estevão e Filipe ministraram no poder de sinais e maravilhas). Outros que não eram apóstolos mas exerceram dons milagrosos incluem (1) os 70 que foram enviados em Lucas 10.9, 19-20; (2) pelo menos 108 pessoas entre os 120 que estavam reunidos no cenáculo no dia de Pentecostes; (3) Estevão (Atos 6-7); (4) Filipe (Atos 8); (5) Ananias (Atos 9); (6) os membros da igreja em Antioquia (Atos 13); (7) convertidos anônimos em Éfeso (Atos 19.6); (8) As mulheres em Cesareia (Atos 21.8-9); (9) os irmãos sem nome de Gálatas 3.5; (10) os crentes em Roma (Romanos 12.6-8); (11) crentes de Corinto (1Coríntios 12-14).; e (12) os cristãos de Tessalônica (1Tessalonicenses 5.19-20).

Devemos também considerar o propósito explícito e muitas vezes repetido dos dons do Espírito, a saber, a edificação do corpo de Cristo (1Coríntos 12.7; 14.3, 26) Nada do que eu li no NT ou observo na condição da igreja em qualquer época, passada ou presente, me leva a crer que já ultrapassamos a necessidade de edificação e, portanto, estarmos libertos da necessária contribuição desses dons. Admito que os dons espirituais foram fundamentais para o nascimento da igreja, mas porque motivo seriam eles menos importantes ou necessários para o seu contínuo crescimento e amadurecimento?

Há também uma continuidade fundamental ou uma relação espiritualmente orgânica entre a igreja em Atos e a Igreja nos séculos posteriores. Ninguém nega que houve uma época ou período na igreja primitiva que poderíamos chamar de “apostólico”. Temos de reconhecer a importância da presença pessoal e física dos apóstolos e o seu papel único no estabelecimento dos fundamentos da igreja primitiva. Mas em nenhum lugar do NT é sugerido que certos dons espirituais estavam única e exclusivamente associados a eles ou que esses dons cessariam ​​com a sua morte. A igreja universal ou corpo de Cristo que foi criada e dotada através do ministério dos apóstolos é a mesma igreja universal e o mesmo corpo de Cristo hoje. Estamos juntos com Paulo, Pedro, Silas, Lídia, Priscila e Lucas, membros do mesmo corpo de Cristo.

Muito relacionado com o ponto anterior é aquilo que Pedro diz em Atos 2 sobre os chamados dons miraculosos, como sendo característicos da nova aliança da igreja. Como D.A. Carson disse: “A vinda do Espírito não está apenas associada ao alvorecer dessa nova era, mas com a sua presença, não apenas com o dia de Pentecostes, mas com todo o período entre Pentecostes e o retorno de Jesus, o Messias” (A Manifestação do Espírito, 155). Ou ainda, os dons de profecia e línguas (Atos 2) não são retratados como meramente inaugurais da era da nova aliança, mas como característicos dela (e não nos esqueçamos de que a presente era da igreja = os “últimos dias”).

Devemos também prestar atenção a 1Coríntios 13.8-12. Aqui, Paulo afirma que os dons espirituais não vão “passar” (v. 8-10), até à chegada do “perfeito”. Se o “perfeito” é de fato a consumação dos propósitos redentores de Deus expressos no novo céu e nova terra após o retorno de Cristo, podemos confiantemente aguardar que ele continue a abençoar e a capacitar a sua igreja com os dons até esse momento chegar.

Uma ideia semelhante é dada em Efésios 4.11-13. Ali Paulo fala de dons espirituais (juntamente com o ofício de apóstolo) e, em especial, os dons de profecia, evangelismo, pastor e professor — como sendo edificantes para a igreja “até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (v. 13). Já que este último estado não foi ainda seguramente atingido pela igreja, podemos confiantemente prever a presença e o poder de tais dons até que esse dia chegue.

Eu também argumentaria, com a ausência de qualquer noção explícita ou implícita, que deveríamos olhar para os dons espirituais de forma diferente do que fazemos com outras práticas e ministérios do NT, retratados como essenciais para a vida e o bem-estar da igreja. Quando lemos o Novo Testamento, parece evidente que a disciplina eclesiástica deve ser praticada nas nossas assembleias de hoje e que devemos celebrar a Ceia e a Água do batismo do Senhor, e que os requisitos para o cargo de ancião conforme estabelecido nas epístolas pastorais ainda determinam como a vida na igreja deve ser conduzida, só para mencionar alguns pontos. Que boas razões exegéticas ou teológicas podem ser dadas para que tratemos a presença e a operação dos dons espirituais de forma diferente?

Testemunho consistente

Ao contrário da crença popular, há um testemunho consistente ao longo da história da Igreja a respeito da operação dos dons miraculosos do Espírito. Não sucedeu simplesmente que os dons tenham cessado ou desaparecido da vida da igreja primitiva após a morte do último apóstolo. O espaço não me permite citar a evidência massiva a este respeito, pelo que lhes recomendo quatro artigos que escrevi com extensa documentação (ver “Spiritual Gifts in Church History” [Dons espirituais ao longo da história da Igreja]).

Os cessacionistas argumentam frequentemente que sinais e maravilhas bem como certos dons espirituais serviram apenas para confirmar ou autenticar o original grupo de apóstolos e que, quando esses apóstolos morreram, logo cessaram também os dons. O fato é que nenhum texto bíblico (nem mesmo Hebreus 2.4 ou 2Coríntios 12.12) alguma vez nos diz que sinais e maravilhas e dons espirituais de um tipo particular serviram para autenticar os apóstolos. Sinais e maravilhas autenticaram Jesus e também a mensagem apostólica sobre ele. Se esses sinais e maravilhas foram concebidos exclusivamente para autenticar apóstolos, então não temos qualquer explicação em relação a que crentes não-apostólicos (como Filipe e Estevão) tenham sido capacitados para os realizar (ver especialmente 1Coríntios 12.8-10, onde o “dom” de “milagres”, entre outros, foi dado a crentes não-apostólicos, normais).

Portanto, essa é uma boa razão para ser um cessacionista mas apenas se você conseguir demonstrar que a autenticação ou atestado da mensagem apostólica era a finalidade única e exclusiva de tais manifestações do poder divino. No entanto, em nenhum lugar do NT o propósito ou a função dos milagres ou dos dons do Espírito são reduzidos a atestados de validade. Os milagres, em qualquer uma das suas formas, serviram finalidades distintas e diversas: doxológicas (glorificar a Deus: João 2.11, 9.03, 11>04, 40; Mateus 15.29-31); evangelísticas (para preparar o caminho para que o evangelho fosse conhecido: veja Atos 9.32-43); pastorais (como uma expressão de compaixão, amor e cuidado com as ovelhas: Mateus 14.14; Marcos 1.40-41); e edificantes (para edificar e fortalecer os crentes: 1Coríntios 12:7 e o “bem comum”, 1Coríntios 14.3-5, 26).

Todos os dons do Espírito, fossem línguas ou ensino, profecia ou misericórdia, cura ou ajuda, foram dados (entre outros motivos) para a edificação, construção, incentivo, instrução, consolo e santificação do corpo de Cristo. Portanto, mesmo se o ministério de autenticar e atestar os dons miraculosos tivesse cessado, um ponto que concedo apenas para prosseguir o raciocínio, tais dons continuariam a funcionar na igreja pelos outros motivos citados.

Ainda final e suficiente

Talvez a objeção ouvida mais frequentemente por parte dos cessacionistas é que reconhecer a validade dos dons de revelação, como a profecia e a palavra do conhecimento/ciência, necessariamente enfraqueceria a finalidade e a suficiência das Sagradas Escrituras. Mas esse argumento é baseado na falsa suposição de que estes dons nos fornecem verdades infalíveis iguais em autoridade ao próprio texto bíblico (ver o meu artigo “Why NT Prophecy Does NOT Result in ‘Scripture-Quality’ Revelatory Words” [Por que a profecia do Novo Testamento não resulta em revelação verbal com a mesma autoridade das Escrituras Sagradas]).

Também ouvimos o apelo cessacionista a Efésios 2.20, como se esse texto descrevesse todos os possíveis ministérios proféticos. O argumento é que dons de revelação como a profecia foram exclusivamente associados aos apóstolos e, portanto, projetados para funcionar apenas durante o chamado período de fundação na igreja primitiva. Dirijo-me de forma profunda a este ponto de vista fundamentalmente equivocado aqui. Um exame atento às evidências bíblicas a respeito tanto à natureza do dom profético quanto à sua distribuição generalizada entre os cristãos, indica que havia algo muito superior nesse dom ao simples capacitar os apóstolos para estabelecer os alicerces da igreja. Portanto, nem a morte dos apóstolos nem o movimento da igreja após os seus anos de fundação tem qualquer influência sobre a validade do dom de profecia hoje. Também se ouve muitas vezes o chamado argumento conjunto, segundo o qual os fenômenos sobrenaturais e miraculosos foram supostamente concentrados ou agrupados em períodos únicos na história da redenção. Eu já abordei esse argumento noutro lugar e demonstrei que é completamente falso.

Finalmente, e embora não seja tecnicamente uma razão ou argumento para ser um continuista, não posso ignorar a minha experiência. O fato é que eu vi todos os dons espirituais em operação, os testei e confirmei, e os vivi em primeira mão em inúmeras ocasiões. Como foi dito, esse é não tanto um motivo para alguém se tornar um continuísta, mas mais uma confirmação (embora não infalível) da validade dessa decisão. A experiência, quando isolada do texto bíblico, pouco prova. Mas a experiência deve ser levada em consideração, especialmente se ela ilustra ou encarna o que vemos na Palavra de Deus.

* Sam Storms é pastor principal para o ministério de pregação e visão na Bridgeway Church em Oklahoma City, Oklahoma.

FONTE: http://voltemosaoevangelho.com/blog/2017/01/por-que-sou-um-continuista/ Acesso em 04/02/2017.

28 de janeiro de 2017

É pecado o homem usar cabelos compridos? Eles respondem

É PECADO O HOMEM USAR CABELOS COMPRIDOS? ELES RESPONDEM

Pr. Gilson Soares dos Santos

Em I Coríntios 11.14 encontramos a seguinte pergunta retórica do apóstolo Paulo:

“Ou não vos ensina a própria natureza ser desonroso para o homem usar cabelo comprido?” (ARA)

“Ou não vos ensina a mesma natureza que é desonra para o varão ter cabelos crescidos?” (ARC)

“A própria natureza das coisas não lhes ensina que é uma desonra para o homem ter cabelo comprido?” (NVI)

“Pois a própria natureza ensina que o cabelo comprido é uma desonra para o homem” (NTLH).

Tal versículo suscita a pergunta: é pecado o homem usar cabelo comprido? Resolvi fazer essa pergunta a diversos teólogos e intérpretes dos textos bíblicos. Não os encontrei pessoalmente, é claro. A pergunta foi feita e as respostas são procedentes das obras publicadas por estes homens. No rodapé coloquei as referências a fim de que você também, querido (a) leitor (a), possa consultar.

Vamos aprender com as respostas deles.

I_ PERGUNTA FEITA A JOHN MACARTHUR JR.

Pr. Gilson Soares: Segundo o texto de I Coríntios 11.14, é pecado o homem usar cabelos compridos? Pois o apóstolo usa o termo “natureza”. O que isto quer dizer?

John MacArthur: O termo pode transmitir a ideia de uma consciência humana básica, isto é, de um senso inato daquilo que é normal e certo. O hormônio masculino, a testosterona, apressa a perda de cabelo nos homens. O estrogênio faz que o cabelo da mulher cresça mais e durante mais tempo. Raramente a mulher é calva, não importa qual seja sua idade. Isto se reflete psicologicamente, na maioria das culturas, no costume de cabelos mais longos para a mulher. Deus deu à mulher o cabelo como um véu para mostrar ternura, delicadeza e beleza.[1]

II_ PERGUNTA FEITA A LEON MORRIS

Pr. Gilson Soares: Segundo o texto de I Coríntios 11.14, é pecado o homem usar cabelos compridos? Pois o apóstolo usa o termo “natureza”. O que isto quer dizer?

Leon Morris: Cabelo comprido, arrazoa o apóstolo, é uma “vergonha” (AV) para o homem (ARA: é desonroso.). Esta situação não fora universal. Alguns entre os antigos gregos, notadamente os espartanos, e alguns filósofos, tinham tido cabelo comprido. Mas, falando em termos gerais, o que Paulo diz valia para a humanidade. As exceções eram locais e temporárias. Certamente se usava na Corinto do primeiro século e nos lugares conhecidos pelos homens que viviam lá, ou senão, Paulo jamais teria firmado desse modo o seu apelo. Em contraste, cabelo comprido é uma glória para a mulher. O comprimento preciso não é especificado, e não é importante. O cabelo da mulher é mais longo do que o do homem, e o é distintamente.[2].

III_ PERGUNTA FEITA A D. A. CARSON (e mais R. T. France, J. a. Motyer, G. J. Wenham)

Pr. Gilson Soares: Segundo o texto de I Coríntios 11.14, é pecado o homem usar cabelos compridos? Pois o apóstolo usa o termo “natureza”. O que isto quer dizer?

D. A. Carson: No século I acreditava-se que a natureza determinava as questões culturais. Sem dúvida Paulo também usa esse argumento no ensino do AT, em que se insistia na polarização dos sexos. Um homem de cabelos compridos era algo vergonhoso. Já se argumentou que há estátuas antigas de homens com cabelos longos, mas essa era a forma como os deuses eram representados, e não os homens.[3].

IV_ PERGUNTA FEITA A JOÃO CALVINO

Pr. Gilson Soares: Segundo o texto de I Coríntios 11.14, é pecado o homem usar cabelos compridos? Pois o apóstolo usa o termo “natureza”. O que isto quer dizer?

João Calvino: No tempo em que Paulo escrevia estas palavras, a pratica de cortar o cabelo não havia ainda sido adotada na Gália ou na Germânia. Sim, e mais que isso, certamente teria sido algo desastroso para os homens - tanto quanto para as mulheres - terem seus cabelos tosquiados ou cortados. Mas, visto que os gregos não consideravam ser muito viril ter cabelos longos, o que caracterizava os que eram tidos na conta de efeminados, ele considera como sendo conforme a natureza um costume que viera para ser confirmado.[4]

V_ PERGUNTA FEITA AOS COMENTADORES DO COMENTÁRIO BÍBLICO BEACON

Pr. Gilson Soares: Segundo o texto de I Coríntios 11.14, é pecado o homem usar cabelos compridos? Pois o apóstolo usa o termo “natureza”. O que isto quer dizer?

Editores do Beacon: Geralmente, ter cabelos longos era considerado inapropriado para um homem, Especialmente com a perversão sexual que havia em Corinto, “o cabelo longo faria um homem se parecer muito com uma mulher e traria, dessa forma, uma correspondente ‘desonra’ sobre ele”. A situação é exatamente oposta em relação à mulher: Ter a mulher cabelo crescido lhe é honroso, porque o cabelo lhe foi dado em lugar de véu. Por natureza, a mulher recebeu uma cobertura que, na verdade, é um véu. Godet comenta que o cabelo longo e farto “é um símbolo natural da reserva e da modéstia, o mais belo ornamento da mulher”.[5].

VI_ PERGUNTA FEITA AOS EDITORES DO COMENTÁRIO BÍBLICO BROADMAN

Pr. Gilson Soares: Segundo o texto de I Coríntios 11.14, é pecado o homem usar cabelos compridos? Pois o apóstolo usa o termo “natureza”. O que isto quer dizer?

Editores do Broadman: Segue-se um apelo à natureza. Porque Paulo acha que a natureza ensina que é degradante para o homem usar cabelo longo não está claro. Nem está claro por que a natureza ensina que cabelo longo é a glória da mulher. Na natureza, a constituição da realidade, diz Paulo, o cabelo longo pertence à mulher, e não ao homem.[6].

VII_ PERGUNTA FEITA A RUSSEL N. CHAMPLIN

Pr. Gilson Soares: Segundo o texto de I Coríntios 11.14, é pecado o homem usar cabelos compridos? Pois o apóstolo usa o termo “natureza”. O que isto quer dizer?

Champlin: Naturalmente, Paulo poderia estar fazendo um apelo à naturezainteiramente à parte dos costumes sociais, o que, para ele, refletia necessariamente a maneira da natureza operar, e a sua afirmação seria então: Cabelos curtos para os homens; cabelos longos para as mulheres. Contudo, os versículos décimo terceiro e décimo quarto formam um par inseparável. O primeiro apela para o senso de propriedade, com base nos costumes sociais, e o segundo apela à natureza, presumivelmente confirmada pelos costumes sociais prevalentes. Seja como for, o argumento de Paulo, tanto no que tange a natureza como no que concerne aos costumes sociais, é sólido, ainda que não seja universalmente confirmado, e ainda que não seja perfeito em qualquer sentido, e nem totalmente convincente.

Pr. Gilson Soares: Explique melhor.

Champlin: Façamos aqui algumas considerações sobre a natureza. A lei e a luz da natureza se manifestam na razão e na intuição humanas, e isso é confirmado pela sociedade em sua conduta diária. Homens de várias nações, nos tempos de Paulo, usavam os cabelos compridos, como, por exemplo, os samaritanos e os lacedemônios (uma das divisões raciais da Grécia), sem falarmos nos outros gregos de épocas mais remotas, conforme a Ilíada de Homero o comprova, visto que ele chama certos homens de gregos de cabelos longos, Aqueanos de cabelos longos. A maioria dos comentadores concorda, entretanto, que ao tempo de Paulo os judeus, exceto aqueles que faziam o voto do nazireado, usavam os cabelos relativamente curtos. [...] Os gregos em geral usavam os cabelos curtos para os homens, e os hebreus seguiam a mesma norma; e isso deve ter sido suficiente para Paulo estabelecer esse ponto, embora não seja provável que ele tenha apelado para a natureza inteira, à parte das evidências dos costumes sociais vigentes. Os cabelos curtos para os homens certamente e um preceito calcado no pensamento de que os cabelos longos formam uma espécie de véu natural (ver o versículo seguinte). Por isso, um homem deve evitar usar cabelos longos, já.que não deve andar velado, pelas razoes dadas na exposição relativa ao quarto versículo deste capitulo.[7].

VIII_ PERGUNTA FEITA A PAUL W. MARSH

Pr. Gilson Soares: Segundo o texto de I Coríntios 11.14, é pecado o homem usar cabelos compridos? Pois o apóstolo usa o termo “natureza”. O que isto quer dizer?

Marsh: Um apelo final fundamentado no sentimento geral de decência da humanidade instilado pela ‘própria natureza, é apropriado'. i.é., adequado, natural, ‘é uma desonra para o homem ter cabelo comprido'. Paulo argumenta dentro dos limites de sua localização e tempo. Culturas diferentes têm conceitos diferentes acerca do que é conveniente, mas como generalização a afirmação ainda é verdadeira. A maioria dos homens, orientais ou ocidentais, usa o cabelo curto em contraste com o das mulheres.[8]

IX_ PERGUNTA FEITA AOS COMENTADORES DO COMENTÁRIO BÍBLICO AFRICANO (Adeyemo – Editor)

Pr. Gilson Soares: Segundo o texto de I Coríntios 11.14, é pecado o homem usar cabelos compridos? Pois o apóstolo usa o termo “natureza”. O que isto quer dizer? E como isto se aplicaria no contexto africano?

Adeyemo: Paulo apela para o julgamento deles sobre que comportamento seria considerado natural dentro do contexto geográfico e histórico em que ele está escrevendo. Os coríntios teriam considerado ofensivo o uso de cabelos compridos para um homem, mas o admirariam numa mulher. Isso ainda é, de modo geral, verdadeiro na cultura africana, e, nesse caso, o argumento tem relevância hoje.

Pr. Gilson Soares: Qual o comportamento da igreja africana sobre a questão de cabelos longos para os homens?

Adeymo: A igreja não deveria rotular tal comportamento como algo que assinale a salvação ou não de alguma pessoa. Os jovens cristãos devem ser encorajados a pensar se esse, assim como todos os outros aspectos de seu comportamento, contribui para a construção ou para a destruição do reino de Deus em seu próprio ambiente ou época. Os jovens não devem adotar costumes simplesmente porque foram expostos a eles, mas devem procurar glorificar a Deus permitindo que ele use seu exemplo para expandir sua lei na vida de outros. Para muitos, isso significa vestir-se de modo que não choque os outros, desviando-os de Cristo.[9]

X_ PERGUNTA FEITA A NORMAN GEISLER

Pr. Gilson Soares: Segundo o texto de I Coríntios 11.14, é pecado o homem usar cabelos compridos? Pois o apóstolo usa o termo “natureza”. O que isto quer dizer?

Norman Geisler: Essa é uma passagem difícil, e os comentaristas não concordam entre si quanto ao seu sentido. Mas há duas maneiras pelas quais podemos entendê-la.[10]

Pr. Gilson Soares: Quais são essas duas maneiras?

Norman Geisler: Entendendo a natureza subjetivamente e entendendo a natureza objetivamente.

·         Entendendo a natureza subjetivamente. Nesse sentido, "natureza" denota sentimentos instintivos ou um sentido intuitivo quanto ao que seja apropriado. Isso certamente pode ser afetado por hábitos e práticas culturais. Se esse é o sentido da passagem, então a afirmativa de Paulo significa mais ou menos o seguinte: "Os vossos próprios costumes não vos ensinam que o cabelo comprido é desonroso para o homem?" Essa interpretação é difícil de se justificar, em termos do significado normal da palavra "natureza" (pliusis), a qual no NT tem um sentido muito mais forte do que "costumes" (cf. Rm 1:16; 2:14).[11]

·         Entendendo a natureza objetivamente. Nesse sentido, "natureza" significa a ordem das leis naturais. Paulo fala do homossexualismo como sendo "contra a natureza" (Rm 1:26), e fala que os gentios têm conhecimento - do que é certo e do que é errado - "pela natureza", isto é, pela "lei escrita em seus corações" (Rm 2:15). Nesse sentido, ele está dizendo algo assim: "Até mesmo os pagãos, que não têm nenhuma revelação especial, ainda assim têm uma inclinação natural para distinguir os sexos por meio do comprimento do cabelo, as mulheres geralmente tendo um cabelo mais cheio e mais comprido".[12]

Pr. Gilson Soares: Continue...

Norman Geisler: Os seres humanos instintivamente distinguem os sexos de diversos modos, dos quais um é o comprimento do cabelo. Há exceções decorrentes da necessidade (saúde, segurança), da perversidade (homossexualismo) ou de uma prática de santidade (o voto de nazireu). Mas essas somente servem para provar a regra geral que se baseia na tendência natural de se diferenciar os sexos com base no comprimento do cabelo. Com certeza, nenhum padrão absoluto do que seja um cabelo "comprido" estaria na mente de Paulo. Isso variaria de acordo com a cultura. O ponto principal era permitir a distinção entre os sexos. Foi por essa razão que o AT também proibiu o homem de vestir-se como a mulher (Dt 22:5), uma prática que daria margem a toda sorte de impropriedades, tanto de ordem social como moral.[13]

Concluindo

Querido (a) leitor (a), ficam as respostas dadas por esses homens de Deus sobre o texto de I Coríntios 11.14. Cabe a você ler, examinar e reter o que é bíblico e coerente com o viver cristão nessa geração.



[1]  MACARTHUR, John. I Coríntios: A solução de Deus para os problemas da igreja. Série Estudos Bíblicos John MacArthur. Trad. Heloísa Cavallari. São  Paulo: Cultura Cristã. 2011. P.57-58.
[2]  MORRIS, Leon. I Coríntios: série introdução e comentário. Trad. Odayr Olivetti. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão. 1986. P.125
[3]  CARSON, D. A. et al. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo: Vida Nova. 2009. P.1772.
[4]  CALVINO, João. I Coríntios. Trad. Valter Graciano Martins. São Bernardo do Campo: Edições Parakletos. 2003. P.339-340.
[5]  GREATHOUSE, William M. et al. Comentário Bíblico Beacon. Rio de Janeiro: CPAD. 2006. P.327
[6]  ELLEN, Clifton J. (Editor). Comentário Bíblico Broadman – Atos a I Coríntios. Vol. 10. Rio de Janeiro: JUERP. 1994. P.414
[7]  CHAMPLIN, Russel N. O Novo Testamento, interpretado versículo por versículo – Vol IV – I Coríntios a Éfeso. São Paulo: CANDEIA. 1995. P.175
[8]  BRUCE, F. F. (org.) Comentário Bíblico NVI – Antigo e Novo Testamentos. São Paulo: Vida. 2009. P.1903.
[9]  ADEYEMMO, Tokunboh (editor). Comentário Bíblico Africano. São Paulo: Mundo Cristão. 2010. P.1426.
[10]  GEISLER, Norman. HOWE, Thomas. Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e “contradições” da Bíblia.  São Paulo: Mundo Cristão. 2009. P.465
[11]  Idem. p.466.
[12]  Idem.
[13]  Idem.