O Pr. Gilson Soares dos Santos é casado com a Missionária Selma Rodrigues, tendo três filhos: Micaelle, Álef e Michelle. É servo do Senhor Jesus Cristo, chamado com santa vocação. É Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional), Campina Grande/PB; Graduado em Filosofia pela UEPB (Universidade Estadual da Paraíba); É professor de Filosofia e Teologia Sistemática no STEC. É professor de Teologia Sistemática no STEMES, em Campina Grande - PB. É Pastor do Quadro de Ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (AIECB). Pastoreou a Igreja Evangélica Congregacional de Cuité/PB, durante 15 anos (1993-2008). Atualmente é Pastor Titular da Igreja Evangélica Congregacional em Areia/PB.

21 de setembro de 2016

Por que falar de política para a igreja

I – POR QUE FALAR DE POLÍTICA PARA A IGREJA?
Romanos 13.1-7

Pr. Gilson Soares dos Santos

1 Todo homem esteja sujeito as autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. 2 De modo que aquele que se opõe a autoridade resiste a ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação. 3 Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela, 4 visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal. 5 É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência. 6 Por esse motivo, também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo, constantemente, a este serviço. 7 Pagai a todos o que lhes e devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra.[1]

          Talvez alguém ache estranho o fato de tratarmos sobre política na igreja. É normal que muitos reajam dessa maneira até que tenham um entendimento melhor sobre o assunto. É exatamente sobre isso que trataremos agora.

         Falaremos de política na igreja, pelas seguintes razões:

1.1_ A Bíblia fala de questões políticas

          Nas Sagradas Escrituras não encontramos a palavra “política”, pois esse é um termo que nasceu entre os gregos. Todavia, podemos encontrar assuntos que, certamente, estão relacionados ao que conhecemos hoje como “política”. Vejamos quando a Bíblia fala de assuntos políticos:

          a)_ Quando combate as injustiças sociais

          No texto de Amós 2.6,7a, encontramos o Senhor apresentando sua demanda contra as autoridades. Leiamos o texto:

6 Assim diz o SENHOR: Por três transgressões de Israel e por quatro, não sustarei o castigo, porque os juízes vendem o justo por dinheiro e condenam o necessitado por causa de um par de sandálias. 7 Suspiram pelo pó da terra sobre a cabeça dos pobres e pervertem o caminho dos mansos; um homem e seu pai coabitam com a mesma jovem e, assim, profanam o meu santo nome.[2].

          Comentando sobre isto D. A. Carson escreve:

Amós examina os pecados de Israel de uma perspectiva tanto social (6,7) quanto religiosa (7,8). Sua corrupção em relação aos justos, sua insensibilidade em relação aos mais pobres e sua voracidade em relação aos oprimidos são os fatos primeiramente descritos. 6 O justo, ou seja, alguém inocente perante a lei. Os juízes estavam abertos à corrupção (por dinheiro), veredictos eram vendidos por algo tão insignificante quanto um par de sandálias ou os casos trazidos à justiça eram tratados como se fossem questão tão insignificantes quanto um par de sandálias – tal era a cobiça nessa época.[3]

          No texto bíblico de Amós 8.4-6 é possível encontrarmos uma repetição da demanda de Deus contra Israel concernente às questões sociais, vejamos o texto:

4 Ouvi isto, vós que tendes gana contra o necessitado e destruís os miseráveis da terra, 5 dizendo: Quando passará a Festa da Lua Nova, para vendermos os cereais? E o sábado, para abrirmos os celeiros de trigo, diminuindo o efa, e aumentando o siclo, e procedendo dolosamente com balanças enganadoras, 6 para comprarmos os pobres por dinheiro e os necessitados por um par de sandálias e vendermos o refugo do trigo?[4]

          Sobre isto Champlin escreve:

Além de barganhar com toda a espécie de produtos, eles negociavam com seres humanos, no comércio escravocrata, tanto local quanto internacional. Os seres humanos, nesse comércio, custavam bem pouco: um par de sandálias podia comprar um escravo e até um pouco de trigo relativamente inútil, como aquele varrido do chão (NCV). O sofrimento e os sentimentos humanos nada significavam para aquelas feras humanas.[5].

          b)_ Quando fala do poder das autoridades civis

          O texto que usamos para encabeçar este capítulo, isto é, Romanos 13.1-7 nos mostra, claramente, uma questão política: a autoridade do governo civil
          Comentando sobre isto, Wayne Grudem, em seu livro “Política Segundo a Bíblia”, defende que o texto está tratando de questões políticas:

As autoridades que exercem poder governamental foram ordenadas por Deus (v1,2). [...] O governo tem o papel de promover o bem geral da sociedade. Deve não apenas castigar a má conduta , mas também incentivar e recompensar a boa conduta, que contribui para o bem da sociedade. [...] Os funcionários do governo servem a Deus. Paulo diz que os governantes são servos de Deus “para o teu bem” (v4, cf. v6). [...] Essa passagem é forte corroboração para a ideia de que devemos ver o governo civil como uma dádiva de Deus. [6].

          De igual maneira, encontramos em I Pedro 2.13,14 uma exortação sobre a submissão às autoridades civis. Vejamos o texto:

13 Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor, quer seja ao rei, como soberano, 14 quer às autoridades, como enviadas por ele, tanto para castigo dos malfeitores como para louvor dos que praticam o bem.[7]

          Comentando esse texto, D. A. Carson diz:

O bom comportamento deve ser expresso pela aceitação submissa das exigências de toda instituição humana. É admirável que Pedro, provavelmente escrevendo na época de Nero, ainda veja o Estado como designado por Deus para a manutenção dos valores morais.[8]

          c)_ Quando fala para orarmos pelas autoridades

          Quando abrimos nossas Bíblias em I Timóteo 2.1,2 encontramos um mandamento para que oremos pelos reis e por todas as demais autoridades. Isso quer dizer que precisamos orar pelos políticos, ou seja, por aqueles que exercem autoridade política. Vejamos o texto:

1 Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, 2 em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito.[9].

          Carson faz o seguinte comentário sobre esse texto:

Paulo não somente está desejoso de incluir a todos, mas chama atenção especial aos que exercem autoridade. (2) O que é significativo é que Paulo não faz distinção entre os governantes justos e os que não o são. Ele considera que o cristão tem a responsabilidade de orar por aqueles cujos atos influenciam todos os cidadãos. Mas o propósito da oração é que os cristãos vivam vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito.[10].

          Poderíamos encontrar diversos outros textos nos quais a Bíblia trata sobre questões que, de alguma maneira, estão relacionadas à política. Mas os três pontos acima são suficientes para alicerçarmos, biblicamente, que a igreja precisa estar a par de assuntos políticos.

1.2_ Os reformadores trataram sobre questões políticas

          Nós, os congregacionais, temos raízes teológicas nas Sagradas Escrituras, isto é inegável. Porém, nossas raízes históricas estão na Reforma Protestante do Século 16. Sendo assim, é muito importante que observemos o que os Reformadores pregaram. No tocante às questões políticas, eles não foram omissos, também ensinaram ao povo.

          Franklin Ferreira, apresentando o Livro “Política Segundo a Bíblia”, da autoria de Wayne Grudem, expõe uma lista de Reformadores que escreveram sobre assuntos políticos. Vejamos:

          a)_ Martinho Lutero

          “Foi o primeiro dos reformadores a tratar do assunto, em sua obra Da autoridade secular, até que ponto se lhe deve obediência (1523)”[11].

          Podemos compreender, então, que Lutero não somente confrontou as questões religiosas do seu tempo, enfrentando o poder da Igreja Católica Apostólica Romana, mas também tratou de questões políticas, orientando o povo de Deus sobre até que ponto os crentes deveriam submissão às autoridades civis.

          b)_ João Calvino

          “Abordou a matéria nas Institutas da Religião Cristã (1559), ao tratar ‘da administração política’ (IV. XX)
          O Reformador João Calvino, em seu Livro IV das “Institutas da Religião Cristã”, deixa bem claro que, embora seu propósito maior seja escrever sobre a Doutrina Espiritual da Fé, é impelido pela necessidade a escrever sobre a justiça civil e a justiça exterior dos homens. Calvino foi outro dos Reformadores que buscou ensinar o povo de Deus sobre questões políticas.

          c)_ Martin Bucer

          No ano de 1551, outro Reformador Protestante chamado Martin Bucer, escreveu uma tratando que apresenta uma teologia do Estado, a saber, De Regno Christi (O Reino de Cristo).

          d)_ John Ponet

          John Ponet foi um protestante inglês, ele também escreveu um tratado sobre política: A Short Treatise of Political Power (Um breve tratado do poder político), no ano de 1556.

          e)_ Christopher Goodman

          Goodman escreveu a seguinte obra sobre política: How Superior Powers Ought to Be Obeyed of Their Subjects; and Wherein They May Lawfully by God´s Word Be Disobeyed and Resisted [Como poderes superiores devem ser obedecidos por seus súditos; e em que ponto ele spodem legitimamente, segundo a Palavra de Deus, ser obedecidos e resistidos] (1558).

          f)_ Francois Hotman

          François Hotman, por sua vez, ainda segundo Franklin Ferreira, escreveu: Franco-Gallia, Or, Na Account of the Ancient Free State of France, and Most Other Parts of Europe, Before the Loss of their Liberties [Francogália ou Um relato do antigo Estado livre da França e a maioria das outras partes da Europa, antes da perda da liberdade] (1573).

          g)_ Theodoro de Beza

          O sucessor de Calvino, Teodoro de Beza, escreveu: De Jure Magisterium [Do direito dos magistrados] (1574).

          Outros nomes de Reformadores são citados por Franklin Ferreira na apresentação da obra acima mencionada. Porém, esses já são suficientes para acreditarmos que os Reformadores não foram omissos na orientação à igreja, no tocante às questões políticas.

1.3_ Outros teólogos e escritores cristãos escreveram sobre política

          Além dos Reformadores, muitos outros teólogos e líderes cristãos trataram sobre o tema “política” em seus escritos. Ainda recorrendo a apresentação de Franklin Ferreira, no Livro “Política Segundo a Bíblia”, cujo autor é Wayne Grudem, podemos ter uma lista de homens de Deus que consideraram que a igreja precisa saber sobre questões políticas. Vejamos:

          a)_ Samuel Rutheford e Johannes Althusius

          “No período pós-reforma foram escritas duas obras influentes: Lex Rex [A lei é o rei] (1644), de Samuel Rutheford, e Política (1603), de Johannes Althusius, que tem ‘a distinção de ser uma das contribuições centrais para o pensamento político ocidental’”.[12]

          b)_ Outros nomes

          Muitos outros nomes de homens de Deus podem ser apresentados como orientadores dos crentes sobre política: Abraham Kuyper, Karl Barth, Emil Brunner, Reinhold Nieburh, etc.

1.4_ A política que não deve ter espaço na igreja

          Porém, é preciso que os pastores tenham muito quando no ensino sobre política na igreja. Eis alguns cuidados:

          a)_ Evitar campanha político-partidária

          O Código de Ética do Ministro Congregacional, no item que trata sobre “O Ministro e a Política”, traz a seguinte orientação: “1- O Ministro deve evitar se envolver ativamente em campanha político-partidária. 2 – O Ministro não deve manifestar no púlpito de sua Igreja suas preferências eleitorais.”[13].
          É certo que o pastor vota. Também é certo que, na maioria das vezes, o pastor já tem seu candidato escolhido, porém, não é certo que ele se envolva ativamente em campanha a favor de candidato A, B ou C. Em hipótese alguma deve usar o púlpito com essa finalidade.

          b)_ Não ceder o púlpito para campanha política

          Outro tipo de política não cabível na igreja é aquela que cede o púlpito para que candidatos possam fazer qualquer tipo de saudação, mesmo que seja candidatos evangélicos.
          O Código de Ética do Ministro Congregacional, no mesmo item que trata sobre “O Ministro e a Política”, alerta a respeito disso: “O Ministro não deve ceder o púlpito de sua igreja para a realização de campanha política”.[14].

          c)_ Não ceder o púlpito para líderes de movimentos populares

          Procurando esquivar-se de tratar diretamente de temas políticos na igreja, alguns pastores podem ser tentados a levar para os púlpitos de suas igrejas líderes de movimentos populares, julgando com isso prestar um favor à igreja no que concerne a assuntos políticos. Porém, essa não é a maneira correta de orientar a igreja sobre política. O pastor deve se inteirar sobre as questões sociais e, ele mesmo, tratá-las, à luz das Sagradas Escrituras, no púlpito da Igreja.

          Diante do que expusemos aqui neste capítulo, fica claro que é preciso sim falar sobre política na igreja. O propósito é orientar o povo de Deus sobre a importância da política séria. O que não podemos é fazer política tendenciosa no ambiente cristão, tampouco elevar os debates políticos em detrimento da pregação do Evangelho puro e simples. Também é preciso saber que os pastores não devem ceder os púlpitos das igrejas para que políticos façam suas campanhas, mesmo que a plataforma destes políticos seja interessante.



[1]  SBB. Bíblia Sagrada.  Almeida Revista e Atualizada. Barueri: SBB. Rm 13.1-7.
[2]  Ibidem. Am 2.6,7
[3]  CARSON, D. A. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo: Vida Nova. 2009. p. 1199.
[4]  SBB. Bíblia Sagrada.  Almeida Revista e Atualizada. Barueri: SBB. Amós 8.4-7.
[5]  CHAMPLIN, Russel N. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. Vol. 5.  São Paulo: Hagnos. 2001.  p. 3528.
[6]  GRUDEM, Wayne. Política segundo a Bíblia: princípios que todo cristão deve conhecer. São Paulo: Vida Nova. 2014. PP. 112-113.
[7]  SBB. Bíblia Sagrada.  Almeida Revista e Atualizada. Barueri: SBB. I Pe 2.13,14
[8]  CARSON, D. A. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo: Vida Nova. 2009. p. 2063.
[9]  SBB. Bíblia Sagrada.  Almeida Revista e Atualizada. Barueri: SBB. I Tm 2.1,2.
[10]  CARSON, D. A. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo: Vida Nova. 2009. p. 1947.
[11]  GRUDEM, Wayne. Política segundo a Bíblia: princípios que todo cristão deve conhecer. São Paulo: Vida Nova. 2014. p.9.
[12]  Ibidem. p.10..
[13]  ALIANÇA CONGREGACIONAL. Documentos Oficiais: Constituição, Regimento Interno, Código de Ética, 28 Artigos.  João Pessoa: Aliança Editora. 2012. P.96.
[14]  Ibidem. P.97.

31 de julho de 2016

Um Pouco da História da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil


UM POUCO DA HISTÓRIA DA ALIANÇA DAS IGREJAS EVANGÉLICAS CONGREGACIONAIS DO BRASIL

Pr. Gilson Soares dos Santos

O congregacionalismo no Brasil fará no dia 19 de Agosto, deste ano de 2016, 161 anos de existência. Chegamos aqui em 1855 e, pela graça de Deus, os cristãos congregacionais, herdeiros da Reforma Protestante, têm pregado o Evangelho com seriedade e dedicação em nossa pátria.

Um dos segmentos do congregacionalismo no Brasil é a Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (AIECB), que este ano completa 49 anos de atividades. Estaremos comemorando, em nosso distrito, 2º Distrito da 1ª Região Administrativa, os 161 anos do congregacionalismo e os 49 anos da Aliança, conforme consta no cartaz acima.

Para tanto, estou publicando um pouco da história da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (AIECB), denominação na qual sou pastor desde Julho de 1995. O conteúdo a seguir pode ser encontrado no site da Aliança, conforme consta na fonte, no final da postagem.

Parabéns congregacionais, parabéns Aliança Congregacional, Deus abençoe a todos!

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ALIANÇA DAS IGREJAS EVANGÉLICAS CONGREGACIONAIS DO BRASIL

Em 1959, o ano está no começo. A Igreja Evangélica Congregacional em João Pessoa/PB está em festa, é uma comemoração das senhoras, e o Pr. Dorival Rodrigues Bewke é o preletor do evento. As pregações causam um grande despertar espiritual, muitas decisões acontecem e a experiência do batismo com o Espírito Santo entendida também como um evento após a conversão é vivenciada. A partir daí, uma nova atmosfera espiritual toma conta da igreja.

Com a realização do 1° Encontro Nacional de Renovação Espiritual,em Belo Horizonte/MG, que teve a participação do pastor da igreja, Jônatas Ferreira Catão, a Igreja Congregacional em João Pessoa é destaque no cenário de avivamento espiritual. Pouco depois, se juntam a esta visão a Igreja Congregacional em Campina Grande/PB (Pr. Raul de Souza Costa), 2ª Igreja Congregacional em Campina Grande/PB (Pr. João Barbosa de Lucena), Igreja Congregacional de Patos/PB (Pr. José Quaresma de Mendonça), Igreja Congregacionalem Alagoa Grande/PB (dirigida à época pelo presbítero Dr. Guimarin Toledo Sales), Igreja Congregacional em Totó, Recife/PE (Pr. Isaías Correia dos Santos), Igreja Congregacional em Casa Amarela, Recife/PE (Pr. Roberto Augusto de Souza), igreja Congregacional no Pina, Recife/PE (Pr. Moisés Francisco de Melo) e uma congregação em Caruaru/PE, dirigida à época pelo Pr. Jônatas Catão.

Corre o ano de 1967, uma onda de renovação espiritual se alastra pelas igrejas evangélicas históricas do país. No mês de junho, na cidade de Patos/PB, acontecem os congressos femininos e de mocidade congregacionais, estes eventos foram de muito impacto e tiveram muita repercussão. A liderança da denominação no país (na época o órgão se chamava União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil – UIECB e o seu Presidente era o Reverendo Inácio Cavalcanti Ribeiro, pastor da III Igreja Evangélica Congregacional de Campina Grande), não concordando com os rumos que essas igrejas estavam tomando, convocou um Concílio Geral Extraordinário para os dias 20 e 21 de julho, na Igreja Congregacional em Feira de Santana/BA.

Não sabemos se por engano, mas na emissão dos Ofícios de Convocação do Concílio houve um direcionamento desagradável, todas as igrejas que não aceitavam o Movimento de Renovação Espiritual receberam ofício para um Concílio nos dias 20 e 21 de julho e as igrejas que abraçavam a Renovação Espiritual, receberam ofícios para um Concílio nos dias 21 e 22, no mesmo local e com a mesma destinação. Quando os representantes destas igrejas chegaram ao Concílio ele já estava instalado, em pleno funcionamento, com Comissões instaladas e recebendo documentos e emitindo pareceres. Logo na primeira Assembleia foi lido um desses documentos e com parecer formalizado, recomendando a exclusão de Igrejas (Igreja Evangélica Congregacional em João Pessoa, Igreja Evangélica Congregacional de Campina Grande, II Igreja Evangélica Congregacional de Campina Grande, Igreja Evangélica Congregacional de Patos, Igreja Evangélica Congregacional em Tegipió, Igreja Evangélica Congregacional de Casa Amarela e Igreja Evangélica Congregacional do Pina) e a eliminação dos pastores destas igrejas (Jônatas Ferreira Catão, Raul de Souza Costa, João Barbosa de Lucena, José Quaresma de Mendonça, Isaias Correia dos Santos, Roberto Augusto de Sousa e Moisés Francisco de Melo). O Moderador dos trabalhos, Reverendo Inácio Cavalcanti Ribeiro, numa atitude anticristã e anticongregacional, cassou o direito de defesa das igrejas acusadas de heréticas e os seus pastores de desordeiros e falsos profetas, porque renovados; e, num ambiente de muito tumulto, pôs o assunto em votação sem qualquer discussão.

Assim, de forma abrupta, fomos expulsos naquele Concílio da União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil. Sequer tivemos direito a hospedagem no Concílio e na mesma manhã que ali chegamos tivemos de voltar às nossas igrejas, tristes pelas falta de comunhão com aqueles irmãos, entretanto, fortalecidos pelas promessas de Deus para a continuação do trabalho que estávamos desenvolvendo.

Ainda em Feira de Santana, na saída da cidade, quando paramos para o almoço, o Pr. Jônatas Ferreira Catão sugeriu a possibilidade de reunir os excluídos em um grupo com características denominacionais e, como líder do grupo, dividiu tarefas para contatos com igrejas e pastores visando essa possibilidade. Na viagem de volta, a nossa Caravana (Jônatas Ferreira Catão, José Quaresma de Mendonça, Euclides Cavalcanti Ribeiro, José Severino de Araújo, Eloy Eneas de Souza, Calistrato Hypólito Soares e Osmar de Lima Carneiro) visitou o Pastor Servílio Benício de Sales, na Igreja Evangélica Congregacional em Aracajú/SE, obtendo a sua adesão à criação do novo órgão denominacional.

Igrejas foram visitadas, pastores contatados e convocado um Concílio para a fundação do novo órgão denominacional, com instalação no dia 13/08/1967, no Templo da Igreja Evangélica Congregacional de Campina Grande.

Em todas as negociações prévias, visitas a pastores e sugestões de direção, o trabalho do Pr. Jônatas Ferreira Catão foi de um valor inestimável, ele foi um grande líder.

No dia 13 de agosto de 1967, num domingo, as delegações das igrejas foram recebidas na Igreja Evangélica Congregacional de Campina Grande, muitos líderes acorreram ao evento. E no dia 14/08/1967 foi aberta a primeira reunião administrativa onde foi fundada a ALIANÇA DE IGREJAS EVANGÉLICAS CONGREGACIONAIS DO BRASIL e eleita por aclamação a sua primeira diretoria:

Pres. Raul de Souza Costa
1° Vice-Pres. Jônatas Ferreira Catão
2º Vice-Pres. Geraldo Batista dos Santos
1º Sec. Presb. Euclides Cavalcanti Ribeiro
2º Sec. Presb. Euclides Gomes da Costa
1º Tes. Osmar de Lima Carneiro
2º Tes. Presb. Caitano Antônio da Silva.

Os presentes encerram os trabalhos de mãos dadas felizes e realizados. No dia 19 de agosto de 1967, em grande festa em Caruaru/PE, é instalada a Igreja Evangélica Congregacional naquela cidade, e é empossado como seu pastor visitante Jônatas Ferreira Catão. Essa foi a primeira igreja emancipada da recém-formada ALIANÇA, e daí por diante o evangelho do reino foi sendo espalhado por todo Brasil.

Hoje, temos uma denominação forte e vibrante com 91 igrejas, 26 campos missionários, muitos pastores e milhares de membros com muitas expectativas de crescimento em todas as áreas, sem fugir da ortodoxia evangélica e entrar nos modismos atuais.

Agora, mais do que nunca, as palavras do hino que foi um marco naquela época se fazem valer:

“Obra Santa do Espírito
Esta causa é do Senhor.
Como um vento impetuoso
Como fogo abrasador
Estamos sobre terra santa
Reverente e muito amor
Esta hora é decisiva
Vigilante e de temor.
Ninguém detém! É obra santa”.

*Muitas das informações do texto seguem testemunho do Presb. Osmar de Lima Carneiro, participante ativo dos eventos.

17 de julho de 2016

Princípios da Ética Cristã

IV – PRINCÍPIOS DA ÉTICA CRISTÃ

Pr. Gilson Soares dos Santos

      Antes de prosseguirmos com nosso curso é importante aprendermos alguns princípios da Ética Cristã.

4.1 – O Princípio da fé

     Comecemos com o que o apóstolo Paulo escreveu aos Romanos 14.22,23, conforme encontramos na Bíblia, na versão de Almeida Revista e Atualizada (ARA):

22 A fé que tens, tem-na para ti mesmo perante Deus. Bem-aventurado é aquele que não se condena naquilo que aprova.
23 Mas aquele que tem dúvidas é condenado se comer, porque o que faz não provém de fé; e tudo o que não provém de fé é pecado. (Romanos 14.22,23)

     O texto nos mostra a bem aventurança do crente que não se condena naquilo que aprova, destacando que aquele que tem dúvidas naquilo que aprova, não age com fé, sendo assim, comete pecado.

     Sobre o princípio da fé e sobre esse texto, Renovato comenta o seguinte:

Neste texto, vê-se a ênfase na fé ou na convicção do crente diante de Deus, quanto ao que ele faz ou deixa de fazer. Ele não precisa recorrer a paradigmas humanos ou lógicos para posicionar-se quanto a atos ou palavras. Se tem dúvida, não deve fazer, pois “tudo o que não é de fé é pecado.[1].

     Russel N. Champlin, em sua obra “O Novo testamento Interpretado Versículo por Versículo”,  comentando esse mesmo texto nos diz o seguinte:

O crente que exerce a sua liberdade crista sentir-se-á particularmente feliz se exercê-la de tal modo que não encontre causa de autocondenação, isto é, se a sua própria consciência não julgá-lo devido as suas ações. Mas aquele que prejudica a consciência de um irmão na fé dificilmente tem o direito de reivindicar essa bem aventurança. [...] Temos aqui a ideia da certeza quanto a orientação dada pelo Espírito, isto é, a aplicação prática do conhecimento no que tange a conduta apropriada do crente, sobretudo no que se aplica a liberdade cristã. [...] Isto subentende que o crente sujeita a teste a sua conduta. Aprovamos aquilo que mostra ser vantajoso para a comunidade cristã inteira e não somente para nós mesmos.[2]

     Isso quer dizer que se o nosso coração não tem dúvida, tudo o que fizermos está certo? Posso fazer tudo o que meu coração aprova? Não. Não é isso que o texto quer dizer. Vejamos o comentário de Renovato:

A pergunta a ser feita é: “O que pretendo fazer ou dizer é de fé, com base na Palavra de Deus?”. Se a resposta for positiva, a atitude será lícita. Se não, deve ser descartada, por ferir a ética cristã. Se algo é de fé ou não na ética cristã, não deve ser uma questão pessoal, mas de fé, com base na Bíblia. Essa é a lógica do Novo Testamento.[3].

     A palavra fé está intimamente ligada à “convicção”. Porém “convicção” que tenha base na Palavra e não na nossa intuição sobre as coisas.

4.2 – O princípio da licitude e da conveniência

     Para entendermos este princípio, iniciemos com a leitura do texto bíblico que se encontra em I Coríntios 6.12:

12 Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas. (I Coríntios 6.12)

     O texto acima está ligado à questão da licitude e da conveniência. Sobre isto Renovato comenta:

Esse critério orienta o cristão a que não faça as coisas apenas porque são lícitas, mas porque são lícitas e convêm, à luz do referencial ético que é a Palavra de Deus. Há quem entenda esse princípio, argumentando que se podemos fazer algo, é porque isso é lícito. À luz da ética cristã, não é bem assim que se deve argumentar. Primeiro, diante de uma atitude ou decisão a tomar, é preciso indagar se tal comportamento está de acordo com a Palavra de Deus, se tem apoio nas Escrituras. Segundo, mesmo que seja lícito, se convém. [...] Conforme este princípio, o cristão deve indagar. “O que desejo fazer é lícito? Convém fazer, segundo a Palavra de Deus?”. Se a resposta for positiva, diante da Bíblia, pode ser feito. Se não, deve ser rejeitado. O que é lícito e conveniente não fere outros princípios bíblicos.[4].

     Sobre licitude e conveniência, podemos ainda recorrer ao comentário que Champlin faz sobre esse texto de I Coríntios 6.12. Vejamos o que ele diz:

...Todas as cousas me são lícitas... Podemos supor que o partido dos libertinos, na igreja cristã de Corinto, usava esse slogan, entre outros, provavelmente utilizando-se de expressões paulinas, embora distorcidas. [...] A resposta de Paulo é dupla: 1. Nem todas as coisas me são convenientes, nem pessoal e nem socialmente, sem dúvida. Em outras palavras, devo ter cuidado com as minhas ações, para que não venha a prejudicar a outros. (Com isso se podem comparar os trechos de I Cor. 7:35; 10:23 e 12:7). 2. Todas as coisas são legitimas, isto é, estão em meu poder de serem praticadas, mas ...eu não me deixarei dominar por nenhuma delas.[5]

     Em síntese, o que nos diz o princípio da licitude e da conveniência para seu uso na ética cristã? Mesmo as coisas que são lícitas só podem ser praticadas se se mostrarem convenientes segundo a Palavra de Deus.

4.3 – O princípio da licitude e da edificação

     Esse princípio encontra-se no texto bíblico de I Coríntios 10.23, o qual diz:

23 Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam. (I Coríntios 10.23).

Com base neste texto, não basta que alguma conduta ou proceder seja lícito, mas é preciso que contribua para a edificação do cristão. É um princípio irmão gêmeo do anterior. A ênfase aqui é na edificação espiritual de quem deve posicionar-se ante o fazer ou não fazer algo. [...] A questão a ser posta, segundo esse princípio é: “O que quero fazer é lícito? Se é lícito, tal coisa contribui para minha edificação e dos que estão à minha volta?”. A resposta tem de ser confrontada com o referencial ético, que é a Palavra de Deus. Se for positiva, a ação deve ser realizada. Se não, deve ser deixada de lado.[6]

4.4 – O princípio da glorificação a Deus

     Este princípio pode ser encontrado, claramente, em I Coríntios 10.31:

31 Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus. (I Coríntios 10.31).

     Sobre este princípio, da glorificação a Deus, é válido aqui o comentário de Elinaldo Renovato de Lima. Ele escreve o seguinte, em seu livro sobre Ética Cristâ:

Aqui temos um princípio ético abrangente, que inclui não só o comer e o beber, mas “qualquer coisa”, que demande um posicionamento cristão. No dia a dia, o cristão sempre se depara com situações, às vezes triviais, que exigem uma tomada de posição. [...] Assim, qualquer atitude ou decisão a tomar, em termos morais, financeiros, negócios, transações, etc., tudo pode passar pelo crivo do princípio da glorificação a Deus; e o crente fiel, na direção do Espírito Santo, saberá responder sem maiores dificuldades. [...]  A indagação que o cristão deve fazer, com base nesse princípio, é: “O que desejo fazer ou dizer contribui para a glorificação de Deus?”. Se a resposta for afirmativa, pelo Espírito Santo, a ação ou atitude pode ser executada. Se for negativa, é melhor que seja rejeitada. O que contribui para glória de Deus não fere nenhum princípio bíblico.[7]

     Vale salientar aqui que uma pessoa, morta em seus delitos e pecados, jamais saberá diferenciar o que glorifica e o que não glorifica a Deus. Esse princípio, então, aplica-se ao crente, regenerado, cuja mente consegue perceber quais ações glorificam a Deus.

4.5 – O Princípio da ação em Nome de Jesus

     Esse princípio da Ética Cristã pode ser encontrado na Carta do Apóstolo Paulo aos Colossenses 3.17. Assim está escrito:

17 E tudo quanto fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai. (Colossenses 3.17).
           
            Explicando esse princípio, a partir do texto em questão, Elinaldo Renovato de Lima assim escreveu em sua obra “Ética Cristã”:

A condição do crente para realizar ou deixar de realizar algo, decorre da autoridade que lhe foi conferida pelo nome de Jesus. Assim, quando o cristão se vê na contingência de tomar uma decisão, de ordem espiritual, ou humana, pode muito bem concluir pela ação ou não, se puder realiza-la no nome de Jesus, conforme orienta o apóstolo Paulo aos irmãos colossenses. [...] o teste a ser feito, diante da decisão a tomar, é: “Posso fazer isso em nome do Senhor Jesus?”. Se a resposta, pelo Espírito Santo, for sim, é lícito e convém. Se não, não deve ser feito ou dito, pois não é lícito nem convém. Os princípios éticos cristãos não se excluem, mas se somam para fortalecer a decisão a ser tomada.[8].

     É sabido que muitos usam o nome do Senhor Jesus de maneira vã. Mas lembremos que estamos falando sobre a Ética Cristã que, necessariamente, deve nortear a vida do verdadeiro cristão. E todo cristão verdadeiro sabe agir em nome do Senhor Jesus, o Cristo.

4.6 – O princípio do fazer para o Senhor

            Esse princípio está expresso formalmente em Colossenses 3.23.

“23 E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor e não aos homens.” (Colossenses 3.23).

     Ainda recorrendo ao que escreveu Renovato, podemos encontrar o seguinte comentário para este princípio:

O apóstolo S. Paulo asseverou: “Porque persuado eu agora a homens ou a Deus? Ou procuro agradar a homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo” (G11.10). [...] Essa é a questão: Diante de uma atitude, de uma decisão, devemos indagar: “Estamos agradando a Deus ou aos homens? Estamos fazendo, de todo o coração, ao Senhor?”. A resposta deve ser honesta, consultando não o coração, mas a Palavra de Deus.[9].

     O princípio de fazer para o Senhor é importante para orientar o cristão naquelas ocasiões onde a dúvida sobre qualquer coisa surgir. Pensemos que devemos fazer para o Senhor, sendo assim, nenhum cristão que experimentou o novo nascimento e busca uma vida de acordo com a vontade de Deus faria algo para agradar aos homens, desagradando ao Senhor. Também, o cristão que anda segundo os padrões divinos, ao fazer o bem a alguém pensará em agradar ao seu Senhor.

4.7 – O princípio do respeito ao irmão mais fraco

     Um dos textos que nos lembram o princípio do irmão mais fraco é I Coríntios 8.9-13. Leiamos:

9 Vede, porém, que esta vossa liberdade não venha, de algum modo, a ser tropeço para os fracos.
10 Porque, se alguém te vir a ti, que és dotado de saber, à mesa, em templo de ídolo, não será a consciência do que é fraco induzida a participar de comidas sacrificadas a ídolos?
11 E assim, por causa do teu saber, perece o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu.
12 E deste modo, pecando contra os irmãos, golpeando-lhes a consciência fraca, é contra Cristo que pecais.
13 E, por isso, se a comida serve de escândalo a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que não venha a escandalizá-lo. (I Coríntios 8.9-13).

     A respeito desse princípio Renovato nos diz:

No texto bíblico acima, vemos que o apóstolo ensinava sobre os que comiam coisas sacrificadas aos ídolos. S. Paulo diz que os mesmos tinham “fraca consciência” e que os que têm ciência, sentando-se à mesa no templo dos ídolos, podem induzir o que é fraco a pecar. “E, pela tua ciência, perecerá o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu... ferindo a sua fraca consciência, pecais contra Cristo” (ênfases minhas). Desse texto, podemos tirar várias lições para a vida do cristão em relação aos outros irmãos mais novos na fé, ou mesmo antigos, que têm consciência fraca. O apóstolo chega ao extremo de dizer que se pelo manjar que come, um irmão se escandaliza, nunca mais haveria de comê-lo.[10].

4.8 – O princípio do evitar a aparência do mal

     Comecemos com o texto que ampara esse princípio:

“22 Abstende-vos de toda aparência do mal”. (I Tessalonicenses 5.22).

     Em seu livro “Ética Cristã: Confrontando as Questões Morais do Nosso Tempo”, Elinaldo Renovato apresenta o princípio do desviar-se da aparência do mal da seguinte maneira:

Ser cristão verdadeiro não é nada fácil num mundo em que os valores morais estão relativizados. Não basta evitar o mal, é preciso evitar também a aparência do mal. [...]O que se deve perguntar é: “O que penso em fazer ou dizer pode dar a aparência do mal?”. Se a resposta for positiva, é melhor evitar o que se tem em mente. Se for negativa, pode ser feito, mas levando-se em conta os outros princípios da ética cristã citados.[11].

     Diante dos princípios expostos acima, alguém pode mencionar que para todo e qualquer caso de dúvida devemos seguir nossa consciência. Será que é isso mesmo? Nas palavras de R. C. Sproul, a coisa não é tão simples assim, pois “a função da consciência em tomarmos decisões éticas tende a complicar as coisas para nós.”[12].
     Por que o R. C. Sproul coloca a consulta à consciência como algo que pode complicar as coisas? Ele mesmo explica no contexto:

“Somos tendentes a pensar na consciência como uma coisa celestial, um ponto de contato com Deus, e não um órgão infernal. Pensamos no personagem de desenho animado que está diante de uma decisão ética, enquanto um anjo está sentado num dos ombros, e um demônio, no outro, brincando de cabo de guerra com a cabeça do pobre homem. A consciência pode ser a voz do céu ou do inferno; ela pode mentir, bem como impelir-nos à verdade. Pode filar de ambos os lados de sua boca, tendo a capacidade tanto de acusar como de desculpar.”[13].

     No entanto, o mesmo Sproul vem em defesa da consciência, ao dizer que: “Embora a consciência não seja o tribunal supremo de ética, ê perigoso agir contra ela. [...] A consciência é um instrumento delicado que precisa ser respeitado”.[14]

     A conclusão é que precisamos seguir os princípios da ética cristã, usando nossa consciência, porém esta deve ser guiada pela Palavra de Deus.




[1]  LIMA, Elinaldo Renovato de. Ética Cristã: Confrontando as Questões Morais do Nosso Tempo. Rio de Janeiro: CPAD. 2006. p.16.
[2]  CHAMPLIN, Russel N. O Novo Testamento, Interpretado Versículo por Versículo. Volume III. São Paulo: Candeia. 1988. p.851.
[3]  LIMA, Elinaldo Renovato de. Ética Cristã: Confrontando as Questões Morais do Nosso Tempo. Rio de Janeiro: CPAD. 2006. p.17.
[4]  Idem p.18-19.
[5]  CHAMPLIN, Russel N. O Novo Testamento, Interpretado Versículo por Versículo. Volume III. São Paulo: Candeia. 1988. p.851.
[6]  LIMA, Elinaldo Renovato de. Ética Cristã: Confrontando as Questões Morais do Nosso Tempo. Rio de Janeiro: CPAD. 2006. p.19-20.
[7]  Idem p.21.
[8]  Idem p.22-23.
[9]  Idem p.24.
[10] Idem p.25.
[11] Idem  p.30.
[12]  SPROUL, R. C. Como Devo Viver Neste Mundo? São José dos Campos: FIEL. 2012. p.120.
[13]  Idem.
[14]  Idem p.120-123.