O Pr. Gilson Soares dos Santos é casado com a Missionária Selma Rodrigues, tendo três filhos: Micaelle, Álef e Michelle. É servo do Senhor Jesus Cristo, chamado com santa vocação. Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional), Campina Grande/PB; Graduado em Filosofia pela UEPB (Universidade Estadual da Paraíba); Pós-Graduando em Teologia Bíblica pelo CPAJ/Mackenzie (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper). Professor de Filosofia e Teologia Sistemática no STEC. Professor de Teologia Sistemática no STEMES, em Campina Grande - Paraíba. Pastor do Quadro de Ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (AIECB). Pastoreou a Igreja Evangélica Congregacional de Cuité/PB, durante 15 anos (1993-2008). Atualmente é Pastor Titular da Igreja Evangélica Congregacional em Areia - Paraíba.

12 de janeiro de 2017

13 referências bíblicas para o crente não ter parascavedecatriafobia


13 REFERÊNCIAS BÍBLICAS PARA O CRENTE NÃO TER PARASCAVEDECATRIAFOBIA


Pr. Gilson Soares dos Santos

“12 Uma palavra se me disse em segredo; e os meus ouvidos perceberam um sussurro dela. 13 Entre pensamentos de visões noturnas, quando profundo sono cai sobre os homens, 14 sobrevieram-me o espanto e o tremor, e todos os meus ossos estremeceram. 15 Então, um espírito passou por diante de mim; fez-me arrepiar os cabelos do meu corpo.”

INTRODUÇÃO

1_ A “Sexta-Feira 13”

A_ Quando o dia 13 de qualquer mês cai numa sexta-feira é popularmente considerado um dia de azar.

B_ Existem pessoas que tem um medo mórbido de sexta-feira 13.

C_ “O medo específico da sexta-feira 13 (fobia) é chamado de parascavedecatriafobia ou frigatriscaidecafobia.” (Wikipédia: sexta-feira 13 - https://pt.wikipedia.org/wiki/Sexta-Feira_13 acesso em 12/01/2017).

2_ A origem da superstição sobre a Sexta-Feira 13

A_ O número 13, para muitos, é considerado um número de má sorte.

B_ A sexta-feira é também considerada, por muitos, como um dia de azar.

·         Porque Jesus foi crucificado num sexta-feira.

C_ Quando se une um número de má sorte com um dia de azar, então, para muitos, tem-se um dia que traz muita coisa ruim.

3_ Eventos ligados à sexta-feira 13

A_ Existem muitos eventos históricos e pseudo-históricos que estão ligados à sexta-feira 13.

·         Foi em uma sexta-feira 13 de dezembro de 1968 que o governo militar aprovou o AI-5, o pior dos atos institucionais da ditadura militar brasileira.
·         Foi em uma sexta-feira 13 que foi criado o vírus de computador chamado Jerusalém, que diminuía a velocidade dos computadores em 90%, por isso ele foi chamado posteriormente de vírus sexta-feira 13.
·         O pior incêndio de florestas na história da Austrália ocorreu em uma sexta-feira 13 de 1939, onde aproximadamente 20 mil quilômetros de terra foram queimados e 71 pessoas morreram.
·         A queda do avião que levava a equipe uruguaia de rúgbi nos Andes foi em uma sexta-feira 13 de 1972. Os acontecimentos neste acidente deram origem ao livro Sobreviventes: a Tragédia dos Andes, de Piers Paul Read, e ao filme Alive (Vivos) de 1993 com direção de Frank Marshall (Resgate Abaixo de Zero).
·         Sexta-feira 13 de Novembro de 2015 foi um dia triste para a história da França devido aos 7 ataques terroristas, em Paris, que mataram cerca de 130 pessoas e feriram cerca de 400.

4_ Nosso objetivo

A_ Vamos apresentar 13 referências bíblicas para o crente não ter medo da sexta-feira 13

PROPOSIÇÃO: 13 REFERÊNCIAS BÍBLICAS PARA O CRENTE NÃO TER MEDO DA SEXTA-FEIRA 13

I_ PRIMEIRA REFERÊNCIA: SALMO 91.1-7

“1 O que habita no esconderijo do Altíssimo e descansa à sombra do Onipotente 2 diz ao Senhor: Meu refúgio e meu baluarte, Deus meu, em quem confio. 3 Pois ele te livrará do laço do passarinheiro e da peste perniciosa. 4 Cobrir-te-á com as suas penas, e, sob suas asas, estarás seguro; a sua verdade é pavês e escudo. 5 Não te assombrarás do terror noturno, nem da seta que voa de dia, 6 nem da peste que se propaga nas trevas, nem da mortandade que assola ao meio-dia. 7 Caiam mil ao teu lado, e dez mil, à tua direita; tu não serás atingido”. (Sl 91.1-7)

II_ SEGUNDA REFERÊNCIA: SALMO 121.5-8

‘5 O SENHOR é quem te guarda; o SENHOR é a tua sombra à tua direita. 6 De dia não te molestará o sol, nem de noite, a lua. 7 O SENHOR te guardará de todo mal; guardará a tua alma. 8 O SENHOR guardará a tua saída e a tua entrada, desde agora e para sempre.”

III_ TERCEIRA REFERÊNCIA: JÓ 5.17-22

“17 Bem-aventurado é o homem a quem Deus disciplina; não desprezes, pois, a disciplina do Todo-Poderoso. 18 Porque ele faz a ferida e ele mesmo a ata; ele fere, e as suas mãos curam. 19 De seis angústias te livrará, e na sétima o mal te não tocará. 20 Na fome te livrará da morte; na guerra, do poder da espada. 21 Do açoite da língua estarás abrigado e, quando vier a assolação, não a temerás. 22 Da assolação e da fome te rirás e das feras da terra não terás medo.”.

IV_ QUARTA REFERÊNCIA: SALMO 27.1-3

“1 O SENHOR é a minha luz e a minha salvação; de quem terei medo? O SENHOR é a fortaleza da minha vida; a quem temerei? 2 Quando malfeitores me sobrevêm para me destruir, meus opressores e inimigos, eles é que tropeçam e caem. 3 Ainda que um exército se acampe contra mim, não se atemorizará o meu coração; e, se estourar contra mim a guerra, ainda assim terei confiança.”.

V_ QUINTA REFERÊNCIA: SALMO 46.1,2

‘1 Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações. 2 Portanto, não temeremos ainda que a terra se transtorne e os montes se abalem no seio dos mares;”.

VI_ SEXTA REFERÊNCIA: SALMO 112.1-7

1 Aleluia! Bem-aventurado o homem que teme ao SENHOR e se compraz nos seus mandamentos. 2 A sua descendência será poderosa na terra; será abençoada a geração dos justos. 3 Na sua casa há prosperidade e riqueza, e a sua justiça permanece para sempre. 4 Ao justo, nasce luz nas trevas; ele é benigno, misericordioso e justo. 5 Ditoso o homem que se compadece e empresta; ele defenderá a sua causa em juízo; 6 não será jamais abalado; será tido em memória eterna. 7 Não se atemoriza de más notícias; o seu coração é firme, confiante no SENHOR..

VII_ SÉTIMA REFERÊNCIA: ISAÍAS 43.2

“2 Quando passares pelas águas, eu serei contigo; quando, pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti.”

VIII_ OITAVA REFERÊNCIA: SALMO 34.6-8

“6 Clamou este aflito, e o SENHOR o ouviu e o livrou de todas as suas tribulações. 7 O anjo do SENHOR acampa-se ao redor dos que o temem e os livra. 8 Oh! Provai e vede que o SENHOR é bom; bem-aventurado o homem que nele se refugia.”.

IX_ NONA REFERÊNCIA: PROVÉRBIOS 3.21-26

“21 Filho meu, não se apartem estas coisas dos teus olhos; guarda a verdadeira sabedoria e o bom siso; 22 porque serão vida para a tua alma e adorno ao teu pescoço. 23 Então, andarás seguro no teu caminho, e não tropeçará o teu pé. 24 Quando te deitares, não temerás; deitar-te-ás, e o teu sono será suave. 25 Não temas o pavor repentino, nem a arremetida dos perversos, quando vier. 26 Porque o SENHOR será a tua segurança e guardará os teus pés de serem presos.”

X_ DÉCIMA REFERÊNCIA: I JOÃO 5.18

“18 Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado; antes, Aquele que nasceu de Deus o guarda, e o Maligno não lhe toca.”.

XI_ DÉCIMA PRIMEIRA REFERÊNCIA: HEBREUS 1.13,14

‘13 Ora, a qual dos anjos jamais disse: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por estrado dos teus pés? 14 Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para serviço a favor dos que hão de herdar a salvação?”

XII_ DÉCIMA SEGUNDA REFERÊNCIA: II SAMUEL 2.6-9

“6 O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz subir. 7 O SENHOR empobrece e enriquece; abaixa e também exalta. 8 Levanta o pobre do pó e, desde o monturo, exalta o necessitado, para o fazer assentar entre os príncipes, para o fazer herdar o trono de glória; porque do SENHOR são as colunas da terra, e assentou sobre elas o mundo. 9 Ele guarda os pés dos seus santos, porém os perversos emudecem nas trevas da morte; porque o homem não prevalece pela força”.

XIII_ DÉCIMA TERCEIRA REFERÊNCIA: NÚMEROS 6.24-26

“24 O SENHOR te abençoe e te guarde; 25 o SENHOR faça resplandecer o rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti; 26 o SENHOR sobre ti levante o rosto e te dê a paz.”

CONCLUSÃO

A_ São inúmeras as referências bíblicas que nos apresentam o Deus Todo Poderoso mantendo o controle sobre nossas vidas.

B_ Quando Deus permite, seja para provar a fé de um crente, seja para corrigi-lo, as aflições virão e não escolherão um dia.

C_ Jó foi provado, sofreu todas aquelas lutas e dores e a Bíblia não mostra que houve um dia escolhido para aquilo.

D_ Só precisamos estarmos revestidos de toda armadura de Deus para resistir no dia mau (Efésios 6.13:

“13 Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis.”.

10 de janeiro de 2017

Uma pequena aula sobre a razão


UMA PEQUENA AULA SOBRE A RAZÃO

Gilson Soares dos Santos

     Prá começo de conversa, considere as seguintes frases:

“Eu estou com a razão”;

“Vamos dar razão a quem tem razão”;

“Fulano perdeu a razão”;

“Eles se divorciaram e com razão”

“Me dê uma razão para lhe deixar”

“Qual a razão disso?”

     A palavra “razão”, do latim “ratio”, é um termo muito usado, porém pouco entendido. Pode ser definida como a capacidade que a mente humana tem de chegar a conclusões a partir de suposições ou premissas. Veremos um pouco sobre o que é razão.

1_ Definição do termo e conceituação

     “A palavra razão origina-se de duas fontes: a palavra latina ratio e a palavra grega logos. Essas duas palavras são substantivos derivados de dois verbos que tem um sentido muito parecido em latim e em grego”.[1] (Grifo nosso)

     De maneira mais específica, vejamos o significado do termo razão como ratio e logos:

Por isso, logos, ratio, razão significam pensar e falar ordenadamente, com medida e proporção, com clareza e de modo compreensível para outros. Assim, na origem, razão é a capacidade intelectual para pensar e exprimir-se correta e claramente, para pensar e dizer as coisas tais como são. A razão é uma maneira de organizar a realidade pela qual esta se torna compreensível..[2] (grifo nosso)

     Nicola Abbagnano traz vários significados fundamentais para razão, dentre eles os seguintes:

Referencial de orientação do homem em todos os campos em que seja possível a indagação ou a investigação. Nesse sentido, dizemos que a Razão é uma "faculdade" própria do homem, que o distingue dos animais.[3]
A Razão é a força que liberta dos preconceitos, do mito, das opiniões enraizadas, mas falsas e das aparências, permitindo estabelecer um critério universal ou comum para a conduta do homem em todos os campos.[4].

2_ O que não é razão

     Marilena Chauí apresenta quatro tipos de atitudes mentais que não podem ser consideradas razão:

a)_ O conhecimento ilusório

O conhecimento ilusório, isto é, o conhecimento da mera aparência das coisas que não alcança a realidade ou a verdade delas; para a razão, a ilusão provem de nossos costumes, de nossos preconceitos, da aceitação imediata das coisas tais como aparecem e tais como parecem ser. As ilusões criam as opiniões que variam de pessoa para pessoa e de sociedade para sociedade..[5]

b)_ A passividade emocional

As emoções, sentimentos e paixões, que são cegas, caóticas, desordenadas, contrárias umas às outras, ora dizendo “sim” a alguma coisa, ora dizendo “não” a esta mesma coisa. [...] A razão é vista como atividade ou ação (intelectual e da vontade) oposta à paixão ou à passividade emocional.[6].

c)_ A crença religiosa

Nesta, a verdade nos é dada pela fé numa revelação divina, não dependendo do trabalho de conhecimento realizado pela nossa inteligência ou pelo nosso intelecto. [...] Os filósofos cristãos distinguem a luz natural – a razão – da luz sobrenatural – a revelação.[7].

d)_ O êxtase místico

No qual o espírito mergulha na profundeza do divino e participa dele, sem qualquer intervenção do intelecto ou da inteligência, nem da vontade. Pelo contrário, o êxtase místico exige um estado de abandono, de rompimento com a atividade intelectual e com a vontade, um rompimento com o estado consciente, para entregar-se à fruição do abismo infinito. A razão ou consciência se opõe à inconsciência do êxtase.[8].

3_ Os princípios racionais

     A filosofia nos ensina que a razão opera seguindo certos princípios que ela própria estabelece, estando os mesmos de conformidade com a realidade. Vejamos estes princípios:

a)_ O princípio da identidade

     Foi formulado por Parmênides. Seu enunciado é: “A é A”; “B = B”. Também pode ser enunciado da seguinte maneira: “O que é, é”.

Uma coisa, seja ela qual for (um ser da Natureza, uma figura geométrica, um ser humano, uma obra de arte, uma ação), só pode ser conhecida e pensada se for percebida e conservada com sua identidade.[9].

     Por exemplo, um triângulo é igual a ele mesmo. Nenhuma outra figura, com outro número de lados, pode ser chamada de triângulo. Então, é o princípio da identidade que diferencia pessoas, animais, plantas e outros objetos uns dos outros.

b)_ O princípio da não-contradição

     É atribuído a Aristóteles. O enunciado deste princípio é o seguinte: “A é A. É impossível que A seja ‘A e Não A’ ao mesmo tempo”. Explicando melhor: duas afirmações contraditórias não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo, porque são mutuamente exclusivas.

Assim, é impossível que a árvore que está diante de mim seja e não seja uma mangueira; que o cachorrinho de dona Filomena seja e não seja branco; que o triângulo tenha e não tenha três lados e três ângulos.[10].

c)_ O princípio do terceiro excluído

     Esse princípio pode ser enunciado da seguinte maneira: “Ou A é X ou é Y e não há terceira possibilidade”. Em outras palavras, “ou isto ou aquilo”. Este princípio exclui uma terceira possibilidade. “Ou uma coisa está certa ou está errada”. “ou uma coisa é verdadeira ou é falsa”. Não existe um terceiro elemento.

d)_ O princípio da razão suficiente

     Este princípio pode ser enunciado da seguinte maneira: “Dado A, necessariamente se dará B”; “Dado B, necessariamente houve A”. Este princípio nos diz que “tudo o que existe e tudo o que acontece tem uma razão (causa ou motivo) para existir ou para acontecer que pode ser reconhecida pela nossa razão.” Esse princípio é conhecido também como princípio da causalidade. Então, podemos dizer que o princípio da causalidade nos diz que “para cada efeito existe uma causa”.

     Terminamos esta aula lembrando que tudo o que apresentamos aqui, no propósito de definir (conceituar) razão, é apenas um fragmento diante da complexidade do tema. Mas já pode ser considerado um bom começo. A partir do que aqui foi exposto, qualquer estudante que se interesse pelo assunto tem um ponto de partida confiável.


[1]  CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática. 1995. p.59.
[2]  CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática. 1995. p.59.
[3]  ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. 5 Ed. São Paulo: Martins Fontes. 2007. p.824.
[4]  ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. 5 Ed. São Paulo: Martins Fontes. 2007. p.824.
[5]  CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática. 1995. p.59.
[6]  CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática. 1995. p.59.
[7]  CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática. 1995. p.59-60.
[8]  CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática. 1995. p.60.
[9]  CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática. 1995. p.60.
[10]  CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática. 1995. p.60.

5 de janeiro de 2017

Questões Éticas: O Cristão e a Mentira


QUESTÕES ÉTICAS: O CRISTÃO E A MENTIRA

Pr. Gilson Soares dos Santos

Agora, nos ocuparemos com algumas das questões éticas com as quais o cristão se depara no seu dia a dia. Trabalharemos de maneira sucinta, pois o propósito aqui é apenas iniciar o aluno no assunto.

1 – O CRISTÃO E A MENTIRA

            O Antinomismo diz: “mentir não é nem certo nem errado.”

            O Generalismo profere que: “Mentir é geralmente errado.”.

            O Situacionismo pronuncia que: “Mentir às vezes é certo.”.

            O Absolutismo afirma: “Mentir sempre é errado.”.

            Na Enciclopédia Histórico Teológica da Igreja Cristã, editada por Walter Elwell, encontramos um verbete da autoria de D. W. Gill, que traz o seguinte esclarecimento sobre a mentira:

“Todo falso testemunho e mentira são proibidos ao povo de Deus (Ex 20.16; Pv 12.22; Cl 3.9). A extrema seriedade do delito é indicada nas Escrituras pela morte de Ananias e Safira (At 5.1-11) e pelo lugar dos mentirosos impenitentes no juízo final (Ap 21.8; 22.15). A oposição bíblica a toda mentira tem sua origem no fato de que o povo de Deus deve sua vida e sua lealdade ao “único Deus verdadeiro” (Jo 17.3). Jesus Cristo é “a verdade" (Jo 14.6). O Espírito Santo é “o Espírito da verdade” (Jo 16.13). A Palavra é sempre “a verdade” (Jo 17.17). Por outro lado, Satanás é “mentiroso e pai da mentira” (Jo 8.44). Fundamental no pecado humano e na sua alienação de Deus é a escolha dos homens que “mudaram a verdade de Deus em mentira” (Rm 1.25). Não há meio-termo; 0 povo de Deus é exortado assim: “...deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo” (Ef 4.25). A escolha é entre o caminho de Deus e o caminho de Satanás.”[1].

            D. W. Gill ainda apresenta três razões porque mentir é errado:

            Primeira Razão: “Mentir é errado, porque nos aliena do Deus que é a própria verdade.”[2].

Segunda Razão: “A mentira destrói os relacionamentos comunitários e interpessoais (Pv 25.18; 26.18-19, 28). Isto acontece não somente por causa do dano imediato à vítima da mentira, como também porque fica subvertida a confiança que é essencial ao convívio.”[3].

Terceira Razão: “Ela destrói o próprio mentiroso. A contradição entre o conhecimento que o mentiroso tem da verdade e a participação dele na mentira é uma entrega desumanizadora da inteireza e integridade pessoais.”[4]

1.1 – O que a Bíblia diz sobre a mentira

Transcrevo aqui uma pequena postagem que pode ser encontrada no meu blog, intitulada “verdades sobre a mentira”[5]

·         O mentiroso é filho do diabo

Em João 8.44, Jesus mostra aos escribas e fariseus que o mentiroso é filho do diabo.
     
Jesus é a Verdade, sendo Ele a Verdade, todo aquele que estiver nEle tem que viver de acordo com a Verdade.

·         Os mentirosos serão lançados no inferno

Em Apocalipse 21.8 e Apocalipse 22.15, encontramos o destino de todo aquele que mente ou acha lindo (ama, admira) a mentira.

Eu nem posso mentir, nem posso amar a mentira.

·         É loucura mentir por brincadeira

Em Provérbios 26.19, encontramos que mentir por brincadeira é uma loucura, ou seja, é pecado.

É comum, às vezes, encontrarmos pessoas que inventam uma “mentirinha” e acham que isso não tem problema algum.

·         A mentira faz parte das coisas que Deus odeia (Pv 6.16-19)

16 Seis coisas o SENHOR aborrece, e a sétima a sua alma abomina: 17 olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, 18 coração que trama projetos iníquos, pés que se apressam a correr para o mal, 19 testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos.

·         A mentira é prática do velho homem (velha natureza)

Em colossenses 3.9, a Bíblia nos mostra que a mentira faz parte das práticas do “velho homem”, ou seja, quando ainda nem tínhamos nascido de novo. Aquele que está em Cristo já abandonou a prática do velho homem.

·         O castigo de Deus sobre os mentirosos

Em Atos 5.1-11 encontramos Deus matando Ananias e Safira por praticarem a mentira.

·         Outros textos bíblicos que condenam a mentira

- Sl 40.4: Bem-aventurado o homem que põe no SENHOR a sua confiança e não pende para os arrogantes, nem para os afeiçoados à mentira.
- Ef 4.25: Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros.
  
A mentira é um mal que deve ser banido. A mentira leva a prejuízos, muitas vezes irreparáveis. Por isso precisamos viver sob a verdade, tão somente a verdade.



[1]  ELWELL, Walter A. Enciclopédia Histórico Teológica da Igreja Cristã. São Paulo: Vida Nova. Volume Único. 2009. p.505.
[2]  ELWELL, Walter A. Enciclopédia Histórico Teológica da Igreja Cristã. São Paulo: Vida Nova. Volume Único. 2009. p.505.
[2]  ELWELL, Walter A. Enciclopédia Histórico Teológica da Igreja Cristã. São Paulo: Vida Nova. Volume Único. 2009. p.505.
[3]  ELWELL, Walter A. Enciclopédia Histórico Teológica da Igreja Cristã. São Paulo: Vida Nova. Volume Único. 2009. p.506.
[4]  ELWELL, Walter A. Enciclopédia Histórico Teológica da Igreja Cristã. São Paulo: Vida Nova. Volume Único. 2009. p.506.
[5]  SANTOS, Gilson Soares dos. Verdades sobre a mentira. Encontrado em http://pastorgilsonsoares.blogspot.com.br/2013/04/verdades-sobre-mentira.html, acesso em 01/03/2016.

31 de dezembro de 2016

Fim de Ano: o retorno das boas intenções

FIM DE ANO: O RETORNO DAS BOAS INTENÇÕES

Pr. Gilson Soares dos Santos

Todo fim de ano é a mesma coisa: somos tomados de boas intenções. E tomados por essas boas intenções, desejamos um ano novo cheio de paz e prosperidade, com “muito dinheiro no bolso. Saúde prá dar e vender”.

Sequestrados por boas intenções existem aqueles que não somente desejam um ano cheio de realizações para seus semelhantes, eles decretam que o novo ano venha trazendo sucesso, como se fossem senhores do próprio destino e do destino dos outros.

Isto é bom, entretanto, muitos ficam apenas nas boas intenções. E o senso comum sabe que uma boa intenção sem qualquer ação para realização transforma-se em má intenção. Nunca é demais evocar a sentença moral que afirma: “de boas intenções estão pavimentados os caminhos do inferno”.

Exprimir votos de um ano novo com muitas realizações é uma atitude louvável, pode exteriorizar amor. Todavia, se ficar apenas nas palavras não há utilidade alguma. Não há comprovação de amor.

Vale a pena trazer à lembrança as palavras do apóstolo João, encontradas em sua primeira carta, precisamente no capítulo três, versículo dezoito (I João 3.18), que diz: “Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade.”. E a Banda Catedral reforçava as palavras do apóstolo ao cantar “o mundo da linguagem sem o mundo da prática é um mundo vazio”.

Podemos desejar que o outro tenha um ano novo com mesa farta. Mas vamos também repartir o pão. Vamos separar todo mês uma considerável quantia para abençoar o semelhante.

É louvável desejar que o outro tenha saúde no novo ano. Mas vamos ajudar nosso próximo a comprar seus remédios para a saúde curativa. Vamos ajudar nosso próximo a pagar seu Plano de Saúde para a saúde preventiva. Vamos doar sangue. Vamos servir de acompanhante a alguém que está numa enfermaria de hospital precisando de cuidados.

Intencionar ajudar os outros é preciso. Contudo vamos passar da intenção para a prática. É esse o desafio para o novo ano.

Segundo a boa mão do Senhor nosso Deus, teremos um ano de 2017 abençoado. Contudo, é preciso que a gente passe da boa intenção para a excelente ação. E que essa ação seja tomada por amor. Afinal de contas, “Ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará” (I Coríntios 13.3).

Feliz Ano Novo! E que o ano de 2017 seja “o ano da prática”.

21 de dezembro de 2016

Não sou totalmente contra o natal


NÃO SOU TOTALMENTE CONTRA O NATAL

Augustus Nicodemus Lopes*

Como todos os cristãos em geral, eu sou contra a secularização do Natal, o comércio que se faz em torno da data, as festas e bebedeiras que ocorrem na época. Todos sabemos que Papai Noel, árvores de Natal, guirlandas, bolinhas brilhantes e coloridas, bengalinhas de açúcar e anjinhos pendurados nas árvores, nada disso faz parte do Natal. São acréscimos culturais e pagãos feitos ao longo dos séculos e certamente não pelos verdadeiros cristãos.

Por isto, acho que não deveríamos ter nos cultos de Natal qualquer desses símbolos, desde Papai Noel até a árvore. Há quem pense diferente. Ellen White, profetiza mor do Adventismo, ensinava que se deveria ter uma árvore de Natal no culto e que a mesma poderia ser enfeitada durante a celebração. "Deus muito Se alegraria se no Natal cada igreja tivesse uma árvore de Natal sobre a qual pendurar ofertas, grandes e pequenas, para essas casas de culto”. [2] Sou veementemente contra essa ideia.

Também sou contra fazer de 25 de dezembro uma espécie de dia “santo”. Para nós, há somente um dia “santo”, por assim dizer, que é o dia do Senhor, o domingo. A maioria dos cristãos esclarecidos sabe que a data 25 de dezembro foi escolhida depois do período dos apóstolos, por três razões: para substituir as celebrações pagãs da Saturnália, substituir as celebrações do solstício do inverno, quando era adorado o Sol Invicto e por ser a data de aniversário do imperador Constantino. Todos estão conscientes de que Jesus pode não ter nascido – e provavelmente não nasceu – nessa data. Ela é uma convenção apenas, aceita pela Cristandade desde tempos antigos.

Por causa dos abusos, dos acréscimos pagãos e do desvirtuamento do sentido, muitos têm se posicionado contra as celebrações natalinas no decorrer dos séculos. Posso entender perfeitamente seus argumentos. Um bom número de seitas, por exemplo, insiste que o Natal é uma festa pagã e que todos os verdadeiros cristãos deveriam afastar-se dela. As Testemunhas de Jeová estão entre as que atacam de maneira mais ferrenha as festividades natalinas. Num artigo intitulado Crenças e Costumes que Desagradam a Deus as Testemunhas de Jeová argumentam: "Jesus não nasceu em 25 de dezembro. Ele nasceu por volta de 1° de outubro, época do ano em que os pastores mantinham seus rebanhos ao ar livre, à noite (Lucas 2:8-12). Jesus nunca ordenou que os cristãos celebrassem seu nascimento. Antes, mandou que comemorassem ou recordassem sua morte (Lucas 22.19,20)".[1] Todavia, considerando a rejeição aberta e agressiva que as TJs mantém contra a Encarnação e a divindade de Jesus Cristo, não se poderia esperar outra atitude deles.

Mais recentemente, igrejas e pregadores neopentecostais passaram a atacar duramente os cultos natalinos. Os argumentos são similares aos das seitas contra o Natal, só que com mais ênfase no caráter pagão-satânico do bom velhinho. O ataque é resultado da visão dicotomizada de mundo que costuma caracterizar os pentecostais (não a todos, obviamente) e faz parte das críticas que fazem aos programas de Disney, às cartas de baralho, às mensagens satânicas subliminares em músicas de rock, etc., o que enfraquece bastante a força dos seus ataques ao Natal.

Os abusos e distorções também têm provocado reação contrária de pastores e estudiosos reformados. Os argumentos são basicamente os mesmos empregados pelas seitas e pelos neopentecostais, sem que com isso queiramos comparar ou assemelhar esses grupos: falta de prescrição bíblica, incerteza da data exata do nascimento, origem pagã da festa e introdução de elementos pagãos ao longo do tempo.

Estou de acordo com as críticas feitas aos abusos e distorções. Todavia, acredito que precisamos jogar fora somente a água suja da banheirinha, e não o bebê. Penso que a realização de um culto a Deus em gratidão pelo nascimento de Jesus Cristo nessa época do ano, como parte do calendário de ocasiões especiais da Cristandade, se encaixa no espírito cristão reformado.

Além do que, alguns dos argumentos usados para a cessação total da realização de cultos dessa ordem não me parecem persuasivos.

Por exemplo, o argumento do silêncio da Bíblia, usado quanto às prescrições de comemorar o nascimento de Jesus, para mim não é definitivo. A Bíblia silencia quanto a muita coisa que é praticada nos cultos das seitas, dos neopentecostais e mesmo dos reformados. Se formos interpretar e aplicar o chamado "princípio regulador" de modo estrito, teremos de abolir não somente os cultos natalinos, mas práticas como batizar membros durante o culto (não há um único caso de alguém que foi batizado durante um culto no Novo Testamento), só para dar um exemplo. Eu sei que a celebração dos anjos e pastores na noite do nascimento de Jesus, bem como a atitude dos magos posteriormente, não são argumentos suficientes para estabelecermos cultos natalinos, mas pelo menos mostra que não é errado nos alegrarmos com o nascimento do Salvador.

Os argumentos de que os Reformadores, puritanos e presbiterianos antigos eram contra o Natal também não é final. A começar pela falibilidade das opiniões deles, especialmente em áreas onde as Escrituras não tinham muita coisa a dizer. Há muita manipulação das opiniões desses antigos heróis da fé pelos seus seguidores hoje (entre os quais me incluo, mas não na categoria de seguidor cego). Quando eles concordam, são citados. Quando discordam, são esquecidos. Aliás, não tenho certeza que Calvino era contra cultos em ocasiões especiais do calendário cristão. Ao que parece, ele era favorável. Estou aguardando um post de Solano exclusivamente sobre esse ponto.

A questão toda, ao final, é quanto ao calendário litúrgico, isto é, a validade ou não das igrejas reformadas realizarem cultos temáticos alusivos às datas tradicionais da Cristandade, como o nascimento de Jesus, sua paixão, morte e ressurreição, Pentecostes, etc. Nenhum Reformado realmente coloca 25 de dezembro como um dia santo, em mesmo pé de igualdade com o domingo. Trata-se de uma data do calendário litúrgico cristão, que pode ou não ser usado como uma ocasião propícia. As grandes confissões reformadas consentem com o uso dessas datas. A Confissão de Fé de Westminster diz que "... são partes do ordinário culto de Deus, além dos juramentos religiosos; votos, jejuns solenes e ações de graças em ocasiões especiais, tudo o que, em seus vários tempos e ocasiões próprias, deve ser usado de um modo santo e religioso." [3] A Segunda Confissão Helvética de 1566, produzida sob supervisão de Bullinger, discípulo de Calvino, declara (XXIV): "Ademais, se na liberdade cristã, as igrejas celebram de modo religioso a lembrança do nascimento do Senhor, a circuncisão, a paixão, a ressurreição e Sua ascensão ao céu, bem como o envio do Espírito Santo sobre os discípulos, damos-lhes plena aprovação". A velha Igreja Reformada Holandesa, no famoso Sínodo de Dort (1618-1619), adotou uma ordem para a igreja que incluía a observância de vários dias do calendário cristão, inclusive o nascimento de Jesus (art. 67). Isso mostra que, no mínimo, muitos Reformados eram favoráveis à celebração de datas especiais do calendário litúrgico cristão.

Por fim, creio, também, que a celebração do Natal no calendário cristão encaixa-se perfeitamente com a celebração dos grandes eventos da redenção pela oportunidade de esclarecer a doutrina da Encarnação (João 1.1-4,14). Afinal, o que deve ser celebrado não é simplesmente o nascimento de Jesus, mas a encarnação do Verbo de Deus, a vinda do Emanuel para a libertação do seu povo. Pode-se argumentar que esta doutrina (e outras quaisquer), podem ser ensinadas e celebradas regularmente pelo povo Deus, em qualquer domingo. Mas o argumento contrário também poderia ser usado: deveríamos parar de celebrar qualquer culto que não seja no domingo?

Agradeço a colaboração dos colegas blogueiros Mauro e Solano, bem como de outros colegas, no material desse post.

[2] Review and Herald, 11 de dezembro de 1879. Citado em http://www.cacp.org.br/Natal_e_os_adventistas.htm

[3] Confissão de Fé de Westminster, XXI, 5.

* O Dr. Augustus Nicodemus é atualmente pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia.

FONTE: http://tempora-mores.blogspot.com.br/2006/12/no-sou-totalmente-contra-o-natal.html acesso em 21/12/2016.