O Pr. Gilson Soares dos Santos é casado com a Missionária Selma Santos, tendo três filhos: Micaelle, Álef e Michelle. É servo do Senhor Jesus Cristo, chamado com santa vocação. Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional), Campina Grande/PB; Graduado em Filosofia pela UEPB (Universidade Estadual da Paraíba); Pós-Graduando em Teologia Bíblica pelo CPAJ/Mackenzie (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper). Professor de Filosofia e Teologia Sistemática no STEC. Professor de Teologia Sistemática no STEMES, em Campina Grande - Paraíba. Pastor do Quadro de Ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (AIECB). Pastoreou a Igreja Evangélica Congregacional de Cuité/PB, durante 15 anos (1993-2008). Atualmente é Pastor Titular da Igreja Evangélica Congregacional em Areia - Paraíba.

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21 de abril de 2017

O Cristão e o "Jeitinho Brasileiro"


O CRISTÃO E O JEITINHO BRASILEIRO

Pr. Gilson Soares dos Santos

            Para introdução do assunto “o cristão e o jeitinho brasileiro”, lembramos que todo o material usado aqui foi retirado do Livro “Dando um jeito no jeitinho”, da autoria de Lourenço Stélio Rega, publicado pela Editora Mundo Cristão. Então vejamos:

3.1 – Definindo o que é jeitinho brasileiro

“É encontrar uma resposta, uma saída, para uma situação que em geral não se quer ou não se pode enfrentar; é se livrar de uma situação. É fazer com que as coisas andem de acordo com os desejos de alguém; é fechar os olhos para situações que podem prejudicar o indivíduo; é contornar as normas; é tirar vantagem de uma situação; enfim, é abrir caminho para que as coisas aconteçam da maneira como se gostaria”.[1].

            Stelio Rega continua mostrando alguns sinônimos para “jeitinho brasileiro”:

“Por baixo dos panos; apressar as coisas; contornar a situação; achar um “bode expiatório”; encontrar uma “brecha”; uma saída mais fácil, mais barata; acerto por fora; ajeitar, quebrar o galho,  “molhar a mão”, dar um ajuste, dar um empurrão ou impulso na situação; esquecer o assunto; etc.”[2].

            Quando falamos em jeitinho brasileiro, não devemos confundir com criatividade brasileira. O brasileiro é muito criativo. Dá sempre um jeito de “criar” alguma coisa para facilitar o trabalho, o estudo ou qualquer outra coisa. O jeitinho brasileiro que tratamos aqui é a “malandragem” para se dar bem, burlando leis, driblando a ética e fraudando para “facilitar as coisas”.

3.2 – Exemplos de “jeitinho brasileiro”

·         A famosa “gambiarra”, improviso, que motoristas que transportam passageiros fazem em seus carros para não colocar peça nova, colocando a vida de inocentes em risco.
·         Dar um jeitinho para não fazer os testes do DETRAN na hora de tirar a habilitação, “comprando a carteira”.
·         Na hora de vender qualquer coisa, mentir sobre o produto, “passando gato por lebre”.
·         “molhar a mão” do guarda rodoviário para não pagar a multa.
·         A famosa “mentira branca”. Quem perde prova escolar ou se atrasa pela segunda vez tem razão de sobra para “matar a vó”.
·         O jeitinho “com nota ou sem nota”. Que economiza “uma nota”.
·         As notas superfaturadas.
·         Viajar a serviço da empresa e colocar um valor de despesas de almoço e combustível maior do que aquilo que realmente foi gasto.
·         Forjar atestado médico para justificar a ausência no emprego.
·         Conseguir carteira de estudante para pagar meia entrada ou meia passagem, sem estar devidamente matriculado numa escola.

Como diz Lourenço Stélio Rega:

 “O jeito cria hábitos, influencia nossas decisões e acaba como que se tornando uma lei interior dentro de nós que quer governar as nossas escolhas. [...] o jeito é a síntese do caráter brasileiro e tornou-se uma estratégia que se espalhou pela sociedade e se fixou na vida do povo como alternativa ética diante do sistema de normas estabelecidos.”.[3]

3.3 – O jeitinho brasileiro à luz da Bíblia

            O que a Bíblia diz a respeito disso?

a)    A Bíblia condena qualquer tipo de mentira. O jeitinho brasileiro na maioria das vezes envolve mentira e engano. (Cl 3.9).
b)    A Bíblia condena a malícia. O jeitinho brasileiro é um jogo de malícias (At 13.10; Ef 4.22).
c)    A Bíblia condena “defraudar” os outros, que é a mesma coisa que fraudar, lesar dolosamente. (Mc 10.19; Lc 19.8; I Co 6.8; II Co 7.2; Tt 2.10).

3.4 – Dando um jeito no jeitinho

            Para que o cristão se livre do jeitinho brasileiro e sirva a Deus de maneira exemplar, dentro da Ética Cristã, é preciso observar o seguinte:

a)    Observe os princípios da Ética Cristã: Sobre os princípios da Ética Cristã já falamos n. Tais princípios nortearão a conduta do verdadeiro cristão nas mais diversas situações.

b)    Lembre-se que você também foi chamado para anunciar as boas novas do Evangelho: “O cristão brasileiro precisa desenvolver o espírito evangelístico, seja pela própria pregação do Evangelho, seja pela manifestação do seu testemunho pessoal. A ação redentora de Jesus na vida do cristão deve manifestar-se em sua relação aos dilemas éticos do jeito. [...] Os amigos do cristão brasileiro, seus colegas de trabalho e seus vizinhos deverão ver em sua vida prática e em sua maneira de reagir ao jeito e a manifestação da fé e da ação do Evangelho”.[4].

c)    Desenvolver uma cidadania exemplar responsável: “O cristão brasileiro precisa desempenhar o seu papel como cidadão responsável, não apenas obedecendo às autoridades, mas, numa espécie de revolução não-violenta e silenciosa, participando na sociedade de modo que as instituições desempenhem corretamente os seus papéis. [...] Na sociedade brasileira há instrumentos mediante os quais o cidadão pode contribuir para a melhoria das condições de vida. Os jornais e revistas de maior circulação no país, por exemplo, mantêm colunas para que os leitores se manifestem, opinando e reclamando. [...] O cristão brasileiro, como cidadão responsável que é, deve interceder por todos aqueles que estão investidos de autoridade e cooperar com eles no cumprimento da lei justa”.[5]

Concluindo, podemos perceber que o “jeitinho brasileiro” existe porque, para muitos, os interesses pessoais são tidos como mais importantes do que os interesses coletivos. O bem pessoal é considerado mais importante do que o bem da sociedade. Isto gera a falta de ética. Outra razão da existência do “jeitinho” é que muitas das pessoas que se declaram contra essa forma de malandragem, praticam sistematicamente, mantendo o discurso longe da prática. O cristão ético, que tem as Escrituras como a revelação de Deus para determinação dos padrões éticos, deve orar constantemente para viver o que está na Palavra, dando sempre um jeito nesse jeitinho brasileiro.



[1]  REGA, Lourenço Stelio. Dando um jeito no jeitinho: como ser ético sem deixar de ser brasileiro. São Paulo: Mundo Cristão. 2000. p.48.
[2]  Idem.
[3]  Idem. p.56-57.
[4]  Idem. p.173-174.
[5]  Idem. p.174.

21 de janeiro de 2017

Questões Éticas: O cristão e a responsabilidade social


QUESTÕES ÉTICAS: O CRISTÃO E A RESPONSABILIDADE SOCIAL

Pr. Gilson Soares dos Santos

     Escrevendo sobre a responsabilidade social, Norman Geisler, no seu trabalho sobre Ética Cristã, nos traz os seguintes pontos:

·         As Escrituras deixam claro que o homem é responsável por seu próximo e esta responsabilidade “se estende às responsabilidades sociais bem como às espirituais. [...] é aparente em todas as partes da Escritura que os homens realmente têm uma responsabilidade diante dos outros”[1].
·         Essa responsabilidade envolve o amor. E esse amor se estende à totalidade da pessoa, ou seja, “o homem é mais que uma alma destinada para outro mundo, é também um corpo que vive neste mundo. [...] Logo, a fim de amar ao homem conforme ele é – o homem total – é necessário ter uma solicitude acerca das suas responsabilidades sociais, bem como das suas necessidades espirituais”[2].

     Geisler ainda pontua as responsabilidades específicas dos cristãos da seguinte maneira:

2.1 – A Responsabilidade pelos seus

a)    Prover para si mesmo: “Há um sentido em que o amor-próprio está na própria base da responsabilidade social. O homem deve amar o seu próximo como a si mesmo”.[3]. (Leia Ef 5.29; I Ts 4.11,12; II Ts 3.7,8)

b)    Provendo para sua família (Leia I Tm 5.8,16)

c)    Provendo para seus irmãos crentes (Leia Gl 6.9,10; Rm15:26; 1 Jo 3:17; Tg 2.15,16; I Jo 4.20; Jo 13.35; At 2.44,45; At 4.34,35; At 6.1-4; I Tm 5.9).

2.2 – A responsabilidade social para com todos os homens

     Iremos pontuar aqui o que escreveu Norman Geisler, em seu livro sobre Ética Cristã, naquilo que tange à responsabilidade social para com todos os homens:[4]

a)    A responsabilidade social pelos pobres:Jesus disse: "Os pobres sempre os tendes convosco..." (Mt 26:11). Com isto, descreveu a inevitabilidade da pobreza como um fenômeno social, não sua desejabilidade. De fato, Jesus disse: "Ao dares um banquete, convida os pobres .... e serás bem-aventurado, pelo fato de não terem com que recompensar-te" (Lc 14:13-14). A um homem cujo pecado era o amor ao dinheiro, Jesus disse: "Uma coisa ainda te falta: vende tudo o que tens, dá aos pobres..." (Lc 18:22). Quando Zaqueu se converteu, disse: "Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens." (Lc 19:8). [...] A primeira igreja em Jerusalém pediu a Paulo "que nos lembrássemos dos pobres," disse ele, "o que também me esforcei por fazer" (Gl 2:10). Em cumprimento desta incumbência, Paulo escreveu: "Por que aprouve à Macedônia e a Acaia levantar uma coleta em benefício dos pobres dentre os santos que vivem em Jerusalém" (Rm 15:26). Até antes deste tempo, quando havia fome em Jerusalém, "Os discípulos , cada um conforme as suas posses, resolveram enviar socorro aos irmãos que moravam na Judeia" (At 11:29). Era uma parte tomada por certa da responsabilidade cristã, desde os primórdios, que os que podiam deviam dar aos pobres. Que Deus tem cuidado especial com os pobres é ensinado também no livro de Tiago (cf. 2:5). [...] A lei de Moisés ordenava que os cantos e as respigas dos campos fossem deixados para os pobres e estrangeiros (Lv 19:9). Era ordenado, ainda mais: "Se teu irmão empobrecer, e as suas forças decaírem, então sustentá-lo-ás" (Lv 25:35; cf. Dt 15:15). Uma bênção especial é prometida aos que dão aos pobres: "Quem se compadece do pobre ao SENHOR empresta, e este lhe paga o seu benefício" (Pv 19:17). Outra vez: "Bem-aventurado o selecionados para julgamento específico. O salmista disse: "Sei que o SENHOR manterá a causa do oprimido, e o direito do necessitado" (140:12). Os profetas eram campeões dos pobres. Isaías escreveu: "Ai dos que decretam leis injustas, dos que escrevem leis de opressão, para negarem justiça aos pobres, para arrebatarem o direito aos aflitos do meu povo..." (10:1-2). Amós advertiu: "Ouvi isto, vós que tendes gana contra o necessitado, e destruís os miseráveis da terra ... Jurou o SENHOR pela glória de Jacó: Eu não me esquecerei de todas as suas obras para sempre" (8:4, 7).”[5]

b)    A responsabilidade social às viúvas e aos órfãos: “As Escrituras têm numerosas referências às viúvas e aos órfãos. Deus disse: "A nenhuma viúva nem órfão afligireis. Se de algum modo os afligirdes, e eles clamarem a mim, eu lhes ouvirei o clamor" (Êx 22:22,23). Havia uma proibição contra tomar em penhor a roupa da viúva (Dt 24:17). Quando os campos eram segados, todos os feixes de espigas esquecidos deviam ser deixados para as viúvas e os órfãos (Dt 24:19). Cada terceiro ano o dízimo dos produtos era dado às viúvas, aos órfãos, e aos estrangeiros (Dt 26:12-13). [..] Em síntese, Deus pronunciou uma bênção especial aos necessitados (cf. Sl 146:9), uma maldição sobre os que os exploravam (Dt 27:19), e uma obrigação a todos no sentido de sustentá-los. [...] O Novo Testamento, também, ressalta a obrigação social do cristão aos órfãos e às viúvas. Jesus advertiu, "Guardai-vos dos escribas ... que devoram a casa das viúvas ..." (Marcos 12:40). Jesus selecionou uma viúva para atenção especial por causa da sua oferta sacrificial (Lc 21: 2). A igreja primitiva ministrava às viúvas (At 6:1), e Paulo lembrou a Timóteo: "Honra as viúvas verdadeiramente viúvas" (1 Tm 5: 3). A igreja tinha um rol de assistência social para viúvas que eram velhas demais para trabalhar, ou que não podiam casar-se de novo (1 Tm 5:9-10). Talvez a passagem mais enfática no Novo Testamento sobre este assunto seja a que se acha no livro de Tiago, onde está escrito: "A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações ..." (Tiago 1: 27). O conceito bíblico de "visitar" significava muito mais do que passar por ali; significava ajudar a aliviar sua aflição. A não ser que alguém esteja fazendo isto, diz Tiago, sua religião não é pura.”[6].

2.3 – Outras responsabilidades sociais

     O bom estudante de Ética Cristã deve também pesquisar sobre as seguintes responsabilidades sociais:

a)    A responsabilidade social aos escravos e oprimidos.
b)    A responsabilidade social aos soberanos e governantes.

Encerrando nosso assunto sobre responsabilidade social, orientamos nossos estudantes a fazerem uma pesquisa para uma compreensão mais profunda sobre O PACTO DE LAUSANNE, o qual destaca muito bem a responsabilidade social da igreja.





[1]  GEISLER, Norman L. Ética Cristã: Alternativas e Questões Contemporâneas. São Paulo: Vida Nova. 2001. p.153.
[2]  GEISLER, Norman L. Ética Cristã: Alternativas e Questões Contemporâneas. São Paulo: Vida Nova. 2001. p.154.
[3]  GEISLER, Norman L. Ética Cristã: Alternativas e Questões Contemporâneas. São Paulo: Vida Nova. 2001. p.155.
[4]  GEISLER, Norman L. Ética Cristã: Alternativas e Questões Contemporâneas. São Paulo: Vida Nova. 2001. p.156-157
[5]  GEISLER, Norman L. Ética Cristã: Alternativas e Questões Contemporâneas. São Paulo: Vida Nova. 2001. p.157.
[6]  GEISLER, Norman L. Ética Cristã: Alternativas e Questões Contemporâneas. São Paulo: Vida Nova. 2001. p.157.

5 de janeiro de 2017

Questões Éticas: O Cristão e a Mentira


QUESTÕES ÉTICAS: O CRISTÃO E A MENTIRA

Pr. Gilson Soares dos Santos

Agora, nos ocuparemos com algumas das questões éticas com as quais o cristão se depara no seu dia a dia. Trabalharemos de maneira sucinta, pois o propósito aqui é apenas iniciar o aluno no assunto.

1 – O CRISTÃO E A MENTIRA

            O Antinomismo diz: “mentir não é nem certo nem errado.”

            O Generalismo profere que: “Mentir é geralmente errado.”.

            O Situacionismo pronuncia que: “Mentir às vezes é certo.”.

            O Absolutismo afirma: “Mentir sempre é errado.”.

            Na Enciclopédia Histórico Teológica da Igreja Cristã, editada por Walter Elwell, encontramos um verbete da autoria de D. W. Gill, que traz o seguinte esclarecimento sobre a mentira:

“Todo falso testemunho e mentira são proibidos ao povo de Deus (Ex 20.16; Pv 12.22; Cl 3.9). A extrema seriedade do delito é indicada nas Escrituras pela morte de Ananias e Safira (At 5.1-11) e pelo lugar dos mentirosos impenitentes no juízo final (Ap 21.8; 22.15). A oposição bíblica a toda mentira tem sua origem no fato de que o povo de Deus deve sua vida e sua lealdade ao “único Deus verdadeiro” (Jo 17.3). Jesus Cristo é “a verdade" (Jo 14.6). O Espírito Santo é “o Espírito da verdade” (Jo 16.13). A Palavra é sempre “a verdade” (Jo 17.17). Por outro lado, Satanás é “mentiroso e pai da mentira” (Jo 8.44). Fundamental no pecado humano e na sua alienação de Deus é a escolha dos homens que “mudaram a verdade de Deus em mentira” (Rm 1.25). Não há meio-termo; 0 povo de Deus é exortado assim: “...deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo” (Ef 4.25). A escolha é entre o caminho de Deus e o caminho de Satanás.”[1].

            D. W. Gill ainda apresenta três razões porque mentir é errado:

            Primeira Razão: “Mentir é errado, porque nos aliena do Deus que é a própria verdade.”[2].

Segunda Razão: “A mentira destrói os relacionamentos comunitários e interpessoais (Pv 25.18; 26.18-19, 28). Isto acontece não somente por causa do dano imediato à vítima da mentira, como também porque fica subvertida a confiança que é essencial ao convívio.”[3].

Terceira Razão: “Ela destrói o próprio mentiroso. A contradição entre o conhecimento que o mentiroso tem da verdade e a participação dele na mentira é uma entrega desumanizadora da inteireza e integridade pessoais.”[4]

1.1 – O que a Bíblia diz sobre a mentira

Transcrevo aqui uma pequena postagem que pode ser encontrada no meu blog, intitulada “verdades sobre a mentira”[5]

·         O mentiroso é filho do diabo

Em João 8.44, Jesus mostra aos escribas e fariseus que o mentiroso é filho do diabo.
     
Jesus é a Verdade, sendo Ele a Verdade, todo aquele que estiver nEle tem que viver de acordo com a Verdade.

·         Os mentirosos serão lançados no inferno

Em Apocalipse 21.8 e Apocalipse 22.15, encontramos o destino de todo aquele que mente ou acha lindo (ama, admira) a mentira.

Eu nem posso mentir, nem posso amar a mentira.

·         É loucura mentir por brincadeira

Em Provérbios 26.19, encontramos que mentir por brincadeira é uma loucura, ou seja, é pecado.

É comum, às vezes, encontrarmos pessoas que inventam uma “mentirinha” e acham que isso não tem problema algum.

·         A mentira faz parte das coisas que Deus odeia (Pv 6.16-19)

16 Seis coisas o SENHOR aborrece, e a sétima a sua alma abomina: 17 olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, 18 coração que trama projetos iníquos, pés que se apressam a correr para o mal, 19 testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos.

·         A mentira é prática do velho homem (velha natureza)

Em colossenses 3.9, a Bíblia nos mostra que a mentira faz parte das práticas do “velho homem”, ou seja, quando ainda nem tínhamos nascido de novo. Aquele que está em Cristo já abandonou a prática do velho homem.

·         O castigo de Deus sobre os mentirosos

Em Atos 5.1-11 encontramos Deus matando Ananias e Safira por praticarem a mentira.

·         Outros textos bíblicos que condenam a mentira

- Sl 40.4: Bem-aventurado o homem que põe no SENHOR a sua confiança e não pende para os arrogantes, nem para os afeiçoados à mentira.
- Ef 4.25: Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros.
  
A mentira é um mal que deve ser banido. A mentira leva a prejuízos, muitas vezes irreparáveis. Por isso precisamos viver sob a verdade, tão somente a verdade.



[1]  ELWELL, Walter A. Enciclopédia Histórico Teológica da Igreja Cristã. São Paulo: Vida Nova. Volume Único. 2009. p.505.
[2]  ELWELL, Walter A. Enciclopédia Histórico Teológica da Igreja Cristã. São Paulo: Vida Nova. Volume Único. 2009. p.505.
[2]  ELWELL, Walter A. Enciclopédia Histórico Teológica da Igreja Cristã. São Paulo: Vida Nova. Volume Único. 2009. p.505.
[3]  ELWELL, Walter A. Enciclopédia Histórico Teológica da Igreja Cristã. São Paulo: Vida Nova. Volume Único. 2009. p.506.
[4]  ELWELL, Walter A. Enciclopédia Histórico Teológica da Igreja Cristã. São Paulo: Vida Nova. Volume Único. 2009. p.506.
[5]  SANTOS, Gilson Soares dos. Verdades sobre a mentira. Encontrado em http://pastorgilsonsoares.blogspot.com.br/2013/04/verdades-sobre-mentira.html, acesso em 01/03/2016.

25 de novembro de 2016

A Ética Cristã e os Dez Mandamentos

VI – A ÉTICA CRISTÃ E OS DEZ MANDAMENTOS

Pr. Gilson Soares dos Santos

            Qual a relevância dos Dez Mandamentos para a Ética Cristã? Por um lado existem os legalistas que afirmam que é preciso cumprir a lei para salvar-se. No outro extremo existem os antinomistas que afirmam que o evangelho se contrapõe à lei, tornando os Dez Mandamentos desnecessários para o cristão. Na continuidade do nosso curso, veremos agora a importância dos Dez Mandamentos para a Ética Cristã.

“Calvino foi quem iniciou um estilo quase completamente novo do uso sistemático dos dez mandamentos como base ética. Em suas Institutas, Il.vii 8, ele faz uma exposição da lei moral, para o que utiliza, aproximadamente, cinquenta páginas. Sua defesa, numa longa exposição, é de que “os mandamentos e as proibições sempre deixam implícito mais do que as palavras expressam ... Em todos os mandamentos ... expressa-se uma parte e não o todo... A melhor regra, então, é que a exposição seja direcionada ao desígnio do preceito... como o final do quinto mandamento é que honra seja dada a aqueles a quem Deus determina a honra...” (Il.vii.8)”[1].

            Para um comentário sobre os Dez Mandamentos e sua importância na Ética dos Cristãos, evocaremos o conteúdo que encontra-se na “Enciclopédia Histórico Teológica da Igreja Cristã”, editada por Walter Elwell:

1 – A proibição de outros deuses além do Senhor (Ex 20.3; Dt 5.7)

3 Não terás outros deuses diante de mim. (Ex 20.3).

7 Não terás outros deuses diante de mim. (Dt 5.7)

“O primeiro Mandamento está na forma negativa e proíbe expressamente os israelitas de se entregarem à adoração de deidades estranhas. A relevância do mandamento acha-se na natureza da Aliança. A essência da Aliança era um relacionamento, e a essência daquele relacionamento visava a fidelidade. A fidelidade de Deus ao Seu povo já tinha sido demonstrada no Êxodo, conforme é indicada no prefácio aos mandamentos. Por Sua vez, Deus requeria, mais do que qualquer outra coisa, a fidelidade no relacionamento entre Seu povo e Ele. Assim, embora o Mandamento seja declarado de modo negativo, está repleto de implicações positivas. E a sua posição como o primeiro entre os dez é relevante, porque este mandamento estabelece um princípio notavelmente proeminente nos mandamentos sociais. A relevância contemporânea do mandamento pode ser vista, por- tanto, no contexto da fidelidade no relacionamento. No âmago da vida humana, deve haver um relacionamento com Deus. Qualquer coisa na vida que desfaça o relacionamento primário quebra o mandamento. "Deuses" estranhos, portanto, são pessoas, ou até mesmo objetos, que procuram desfazer a primazia do relacionamento com Deus.”[2]
                       
2 – A proibição das imagens (Ex 20.4-6; Dt 5.8-10)

4 Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.
5 Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem
6 e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos. (Ex 20.4-6)

8 Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima no céu, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra;
9 não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu, o SENHOR, teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem,
10 e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos. (Dt 5.8-10)


“A possibilidade de se adorar a deuses diferentes do Senhor já foi eliminada no primeiro mandamento. O segundo mandamento proíbe os israelitas de construírem imagens do Senhor. Fazer uma imagem de Deus, nos contornos ou formas de qualquer coisa neste mundo, é reduzir o Criador a algo menor que Sua criação, e adorar tal imagem seria uma coisa errada. A tentação para Israel adorar a Deus na forma de uma imagem deve ter sido enorme, pois imagens e ídolos ocorriam em todas as religiões do antigo Oriente Próximo. Mas o Deus de Israel era um Ser transcendente e infinito, e não podia ser reduzido às limitações de uma imagem ou forma dentro da criação. Qualquer redução de Deus deste tipo seria um mal entendido tão radical que o "Deus" adorado já não seria o Deus do universo. No mundo moderno, a forma desta tentação se transformou. Poucas pessoas são tentadas a tomar ferramentas e talhar em madeira uma imagem de Deus, mas o mandamento continua sendo aplicável. A pessoa pode construir com palavras uma imagem de Deus. Se usarmos palavras a respeito de Deus e dissermos: "Deus é exatamente assim, nem mais nem menos", e se elaborarmos os pormenores minuciosos do nosso modo de entender Deus, logo correremos o perigo de criar uma imagem de Deus não menos fixa nem rígida do que a imagem de madeira ou de pedra. Logicamente, não somos proibidos de empregar palavras a respeito de Deus; caso contrário, a religião tornar-se-ia impossível. Mas se as palavras se solidificarem como o cimento, e o nosso modo de compreender Deus tornar-se rígido com tais palavras, estaremos construindo uma imagem. Adorar a Deus na forma de uma imagem em palavras é quebrar o mandamento. Deus é transcendente e infinito, e sempre maior do que quaisquer palavras que uma criatura possa empregar a Seu respeito. O segundo mandamento, portanto, mantém a grandeza e mistério ulteriores de Deus.”[3]

3 – A proibição do emprego impróprio do nome de Deus (Ex 20.7; Dt 5.11)

7 Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão, porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão (Ex 20.7)

11 Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão, porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão. (Dt 5.11).

“Há um modo popular de entender que o terceiro mandamento proíbe linguagem profana ou blasfêmia; ele, no entanto, ocupa-se com uma questão mais grave - o uso do nome de Deus. Deus concedera a Israel um privilégio extraordinário; Ele lhe revelara o Seu nome pessoal. O nome é representado em hebraico por quatro letras: yhwh, traduzidas em nossas Bíblias como "Senhor", "Javé", ou "Jeová". O conhecimento do nome divino era um privilégio, porque significava que Israel não adorava uma deidade anônima e distante, mas um Ser cujo nome pessoal era conhecido. Mas o privilégio era acompanhado por um perigo, a saber: que o conhecimento do nome pessoal de Deus podia causar abusos. Nas religiões do antigo Oriente Próximo, a magia era uma prática comum, que envolvia o uso do nome de um deus, e que, segundo se acreditava, controlava o poder do deus, em certos tipos de atividades que visavam aproveitar o poder divino para os propósitos humanos. Assim, o tipo de atividade proibida pelo terceiro mandamento é a magia, a tentativa de se controlar o poder de Deus por meio do Seu nome, visando um propósito pessoal e indigno. Deus pode dar, mas não deve ser manipulado nem controlado. Dentro do cristianismo, o nome de Deus é igualmente importante. Em nome de Deus, por exemplo, é outorgado o privilégio de acesso a Deus em oração. O abuso do privilégio da oração, envolvendo a invocação do nome de Deus visando-se algum propósito egoísta ou indigno, não é melhor do que a magia do mundo antigo. Nos dois casos, abusa-se do nome de Deus, e o terceiro mandamento é quebrado. O terceiro mandamento é uma lembrança positiva do privilégio enorme que nos é dado no conhecimento do nome de Deus; é um privilégio que não deve ser tratado levianamente nem ser causa de abusos.[4]

4 – A observância do sábado (Ex 20.8-11; Dt 5.12-15)

8 Lembra-te do dia de sábado, para o santificar.
9 Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra.
10 Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro;
11 porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o SENHOR abençoou o dia de sábado e o santificou. (Ex 20.8-11)

12 Guarda o dia de sábado, para o santificar, como te ordenou o SENHOR, teu Deus.
13 Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra.
14 Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu boi, nem o teu jumento, nem animal algum teu, nem o estrangeiro das tuas portas para dentro, para que o teu servo e a tua serva descansem como tu;
15 porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito e que o SENHOR, teu Deus, te tirou dali com mão poderosa e braço estendido; pelo que o SENHOR, teu Deus, te ordenou que guardasses o dia de sábado. (Dt 5.12-15).

“Este mandamento não tem nenhum paralelo nas religiões do antigo Oriente Próximo; é, também, o primeiro dos mandamentos a ser expressado numa forma positiva. Embora a maior parte da vida em Israel fosse caracterizada pelo trabalho, o sétimo dia devia ser consagrado. O trabalho devia cessar e o dia devia ser mantido santo. A santidade do dia relaciona-se com a razão do seu estabelecimento; são oferecidas duas razões e, embora pareçam diferentes à primeira vista, há um tema em comum que as vincula. Na primeira versão (Ex 20.11), 0 sábado deve ser observado em comemoração da criação; Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo. Na segunda versão (Dt 5.15), o sábado deve ser observado em comemoração do Êxodo do Egito. O tema que liga as duas versões é a criação; Deus criou não somente o mundo, como também "criou" Seu povo, Israel, ao redimi-lo da escravidão no Egito. Assim, os hebreus deviam refletir sobre a criação; ao assim agirem, estavam refletindo sobre o significado da sua existência. Para a maior parte da cristandade, o conceito do "sábado" [literalmente, "dia do descanso"] foi mudado do sétimo dia da semana para o primeiro, que é o domingo. A mudança relaciona-se com uma alteração no pensamento cristão, identificada na ressurreição de Jesus Cristo, no domingo. A mudança é apropriada, porque os cristãos agora refletem em cada domingo, ou "dia de descanso", num terceiro ato da criação divina, a "nova criação" estabelecida na ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos.”[5]

5 – A honra devida aos pais (Ex 20.12; Dt 5.16)

12 Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá. (Ex 5.12).

16 Honra a teu pai e a tua mãe, como o SENHOR, teu Deus, te ordenou, para que se prolonguem os teus dias e para que te vá bem na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá. (Dt 5.16)

“O quinto mandamento forma uma ponte entre os quatro primeiros, que dizem respeito basicamente a Deus, e os cinco últimos, que se referem principalmente aos relacionamentos entre os seres humanos. Numa primeira leitura, parece ocupar-se exclusivamente com os relacionamentos na família; os filhos devem honrar aos pais. Embora o mandamento estabeleça um princípio de honra ou respeito nos relacionamentos familiares, provavelmente refere-se também, a uma preocupação específica. Era a responsabilidade dos pais instruírem seus filhos na fé da Aliança (Dt 6.7), de modo que a religião pudesse ser passada de uma geração para outra. Mas a instrução na fé exigia uma atitude de honra e respeito daqueles que estavam sendo instruídos. O quinto mandamento, portanto, não se ocupa somente com a harmonia na família, mas também com a transmissão da fé em Deus no decurso das gerações subsequentes. No caso do quinto mandamento, há pouca necessidade de se transformar o seu significado em relevância contemporânea. Porém, num século em que tão grande parte da educação é efetuada além dos limites da unidade familiar, o mandamento serve como lembrete solene, não somente da necessidade de uma vida harmoniosa, mas também das responsabilidades no tocante à educação religiosa que recai tanto sobre os pais quanto sobre os filhos.”[6]

6 – A proibição do assassínio (Ex 20.13; Dt 5.17)

13 Não matarás. (Ex 20.13).

17 Não matarás. (Dt 5.17).

“A redação deste mandamento simplesmente proíbe o "matar"; o significado da palavra subentende a proibição do assassínio. A palavra usada no mandamento não se relaciona basicamente com o matar na guerra ou com a pena capital; estas duas questões são tratadas em outras partes da lei mosaica. A palavra podia ser usada para designar tanto o assassínio quanto o homicídio. Visto que o homicídio não culposo envolve morte por acidente, não pode ser razoavelmente proibido; ele, também, é tratado em outro tipo de legislação (Dt 19.1-13). Sendo assim, o sexto mandamento proíbe o assassinato, tirar a vida de outra pessoa por vantagens pessoais e egoístas. Colocado em termos positivos, este mandamento preserva para cada membro da comunidade da Aliança o direito de viver. No mundo moderno, um estatuto semelhante, que proíbe o assassínio, existe em quase todos os códigos legais; tornou-se parte da lei nacional, mais do que uma lei puramente religiosa ou moral. Jesus, no entanto, indicou o significado mais profundo implícito no mandamento; não é somente o ato, mas também o sentimento que está por trás do ato que é mau (Mt 5.21 -22).”[7].

7 – A proibição do adultério (Ex 20.14; Dt 5.18)

14 Não adulterarás. (Ex 20.14).

18 Não adulterarás. (Dt 5.18)

“O ato de adultério é fundamentalmente um ato de infidelidade. Uma pessoa, ou duas, num ato de adultério, está sendo infiel a outras pessoas. É por esta razão que o adultério é incluído nos Dez Mandamentos, ao passo que outros pecados ou crimes pertencentes ao sexo não o são. De todos os crimes desta natureza, o pior refere-se à infidelidade. Assim, o sétimo mandamento é o paralelo social do primeiro. Assim como o primeiro mandamento requer a fidelidade total no relacionamento com o Deus único, assim também este requer um relacionamento semelhante de fidelidade dentro da aliança do casamento. A relevância é aparente, mas, neste caso também, Jesus indica as implicações do mandamento para a vida mental (Mt 5.27-28).”[8]

8 – A proibição do furto (Ex 20.15; Dt 5.19)

15 Não furtarás.

19 Não furtarás.

“Este mandamento estabelece um princípio dentro da comunidade da aliança no que diz respeito às posses e aos bens; uma pessoa tinha direito a certas coisas, que não podia ser violado por um concidadão para a vantagem pessoal deste. Mas embora o mandamento diga respeito aos bens, sua preocupação mais fundamental é a liberdade humana. A pior forma do furto é o "roubo de homens" (algo equivalente ao sequestro moderno), isto é, tomar uma pessoa (presumivelmente à força) e vendê-la para a escravidão. O crime e a lei com ele relacionados são declarados mais plenamente em Dt 24.7. O mandamento, portanto, não somente se ocupa com a preservação dos bens particulares, mas, de modo mais fundamental, com a preservação da liberdade humana e de coisas tais como a escravidão e o exílio. Proíbe a pessoa de manipular ou explorar a vida de terceiros para seu próprio bem. Assim como o sexto mandamento proíbe o assassínio, assim também o oitavo proíbe aquilo que poderia ser chamado assassínio social, podar a liberdade de vida de um homem ou uma mulher dentro da comunidade do povo de Deus.”[9]

9 – A proibição do falso testemunho (Ex 20.16; Dt 5.20)

16 Não dirás falso testemunho contra o teu próximo. (Ex 20.16)

20 Não dirás falso testemunho contra o teu próximo. (Dt 5.20)

“Este mandamento não é uma proibição geral contra mentiras ou inverdades. A redação do mandamento original coloca־ o firmemente no contexto do sistema legal de Israel. Proíbe o perjúrio, o falso testemunho dentro dos processos do tribunal. Assim, estabelece um principio de veracidade e tem suas implicações no tocante a falsas declarações em qualquer contexto. Dentro de qualquer nação, é essencial que os tribunais de justiça operem com base na verdade das informações; se a lei não for baseada na veracidade e na justiça, ficam subvertidos os próprios alicerces da vida e da liberdade. Se o testemunho em juízo for veraz, não poderá haver perversão da justiça; se for falso, perdem-se as liberdades humanas mais fundamentais. Deste modo, o mandamento procurava preservar a integridade do sistema jurídico de Israel e, ao mesmo tempo, guardava contra a invasão das liberdades pessoais. O princípio é mantido na maioria dos sistemas jurídicos modernos; evidencia-se, por exemplo, no juramento prestado antes de alguém dar testemunho num tribunal. Mas, em última análise, o mandamento indica a natureza essencial da veracidade em todos os relacionamentos entre os seres humanos.”[10]

10 – A proibição da cobiça (Ex 20.17; Dt 5.21)

17 Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo. (Ex 20.17)

21 Não cobiçarás a mulher do teu próximo. Não desejarás a casa do teu próximo, nem o seu campo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo. (Dt 5.21)

“O décimo mandamento é curioso no seu contexto inicial. Proíbe o ato de cobiçar ou desejar pessoas ou coisas que pertençam ao próximo (a outro israelita). É curioso achar semelhante mandamento num código de direito penal. Os nove primeiros mandamentos proibiam atos, e um ato pode ser seguido por processo e condenação nos tribunais (se o ato for detectado). O décimo mandamento, em contraste, proíbe desejos ou sentimentos de cobiça. Segundo a lei humana, não é possível processar alguém com base num desejo (seria impossível provar!) O direito hebraico, no entanto, era mais do que um sistema humano. Havia, sem dúvida alguma, tribunais, policiais, juízes e advogados. Mas também havia um Juiz Supremo, que é Deus. O crime envolvido no décimo mandamento não podia ser levado a julgamento dentro das limitações do sistema hebraico; Deus, porém, conhecia o caso. O gênio do mandamento acha-se na sua natureza terapêutica. Não basta simplesmente lidar com um crime uma vez cometido; a lei deve também procurar atacar as raízes do crime. A raiz de quase todo mal e crime acha-se dentro do eu; acha-se nos desejos do indivíduo. Assim, são proibidos os desejos malignos; se o décimo mandamento for plena e profundamente compreendido, o significado dos nove primeiros será muito melhor entendido. Se desejos cobiçosos forem paulatinamente eliminados, então aquele desejo natural que está arraigado dentro de cada pessoa poderá ser dirigido cada vez mais para Deus.”[11]


No Livro “Ética Cristã Hoje: Vivendo um Cristianismo Coerente em uma Sociedade em Mudança Rápida”, de Alan Pallister, publicado no Brasil pela SHEDD Publicações, o autor considera a relevância da lei de Deus, particularmente dos Dez Mandamentos, para uma ética coerente, buscando fundamentar os princípios éticos nos Dez Mandamentos.




[1]  HENRY, Carl. (org.) Dicionário de Ética Cristã. São Paulo: Cultura Cristã. 2007. p.231.
[2]  ELWELL, Walter A. Enciclopédia Histórico Teológica da Igreja Cristã. São Paulo: Vida Nova. Volume Único. 2009. p.454.
[3]  Ibidem. p.454-455.
[4]  Ibidem. p.455
[5]  Ibidem. p.455
[6]  Ibidem. p.455-456.
[7]  Ibidem p.456.
[8]  Ibidem.
[9]  Ibidem.
[10]   Ibidem.  p.457.
[11]   Ibidem.