O Pr. Gilson Soares dos Santos é casado com a Missionária Selma Rodrigues, tendo três filhos: Micaelle, Álef e Michelle. É servo do Senhor Jesus Cristo, chamado com santa vocação. Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional), Campina Grande/PB; Graduado em Filosofia pela UEPB (Universidade Estadual da Paraíba); Pós-Graduando em Teologia Bíblica pelo CPAJ/Mackenzie (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper). Professor de Filosofia e Teologia Sistemática no STEC. Professor de Teologia Sistemática no STEMES, em Campina Grande - Paraíba. Pastor do Quadro de Ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (AIECB). Pastoreou a Igreja Evangélica Congregacional de Cuité/PB, durante 15 anos (1993-2008). Atualmente é Pastor Titular da Igreja Evangélica Congregacional em Areia - Paraíba.

4 de agosto de 2012

Êtica a Nicômaco: Resumo Interpretativo dos Livros I e II



ÉTICA A NICÔMACO: RESUMO INTERPRETATIVO DOS LIVROS I E II

Gilson Soares dos Santos

Neste resumo interpretativo abordaremos a ética e a felicidade sob ponto de vista do filósofo Aristóteles, pois para ele a ética tem como objetivo a busca do bem supremo, sendo determinada pelos nossos hábitos e também sendo vista como uma atividade da alma.
Sobre a ética aristotélica, podemos discorrer que está atrelada ao desejo do bem que o homem busca através de suas ações; ações que quando executadas com constância tornam-se hábitos; e qualquer atividade exercida por este homem, deve ter por meta este bem, o sumo bem, este bem é supremo e consiste na felicidade.
Aristóteles recomenda este assunto, especialmente para os homens de vivência, de prática, de experiência sábia, pois estes homens possuem um amadurecimento que os capacitam a refletir acerca das próprias atitudes, em contrapartida, os jovens já não são tão bem sucedidos neste assunto, exatamente por possuírem pouca experiência e por praticarem frequentemente ações que lhes são próprias da juventude e naturalmente carregadas de paixões. Toda ação, toda escolha, toda arte e toda investigação, visam a um bem qualquer; por isso foi dito que o bem é aquilo a que as coisas tendem, o bem deve partir do desejo do homem, sendo objeto principalmente da Ciência Política e tendo como finalidade o bem do ser humano, tomando por inútil o homem que não pensa e não acolhe a sabedoria alheia. O bem em questão é objeto para a Ciência Política tendo por meta o bem da humanidade, isto se partirmos do pressuposto grego de que a cidade deve ser governada pelos mais sábios e dotados de razão.
Cada homem deve ser bom juiz e julgar bem as coisas que conhece sendo para isso, instruído a respeito do assunto em questão por isso a Ciência Política é assunto para os mais velhos e sábios porque os mais jovens se entregam as paixões e desejos, enquanto os sábios agem de acordo com a sabedoria e a razão. A dificuldade não é a questão da idade, não fazendo diferença se é jovem na idade ou no caráter e sim, no modo de viver e de perseguir os objetivos ao sabor da paixão. Qualquer ação que o homem praticar deve ser para o bem, devendo o bem partir do desejo do homem. Os homens de cultura superior dizem que o bem supremo é a felicidade e consideram que o bem viver e o bem agir equivalem a ser feliz, quando olhamos na dimensão circunstancial, a maioria das pessoas diria tratar-se das coisas óbvias como a riqueza, os prazeres e as honras, mas há quem pense que, à parte desses numerosos bens, existe um outro que é bom por si mesmo e que também é a causa da bondade de todos os outros, esse bem é a finalidade em todas as ações e propósitos, pois é por sua causa que os homens realizam tudo o mais. Ótimo é aquele que de si mesmo conhece todas as coisas; Bom, o que escuta os conselhos dos homens judiciosos, mas o que por si não pensa, nem acolhe a sabedoria alheia, esse, é, em verdade, um homem inteiramente inútil. Por isso chamamos de absoluto e incondicional aquilo que é sempre desejável em si mesmo e nunca no interesse de outra coisa, o bem do homem vem a ser a atividade da alma em concordância com a virtude. Segundo Aristóteles, só conhecemos se soubermos das causas, os princípios. As coisas nobres da vida só são conquistadas pelos que agem retamente, contudo, mesmo que a felicidade não seja uma graça concedida pelos deuses, mas nos venha como resultado da virtude e de alguma espécie de aprendizagem ou exercício, ela parece incluir-se entre as coisas mais divinas, pois aquilo que se constitui o prêmio e a finalidade da virtude parece ser o que de melhor existe no mundo, algo de divino e abençoado. O que constitui a felicidade são as atividades virtuosas, e as atividades viciosas nos conduzem à situação oposta.
Por natureza, os seres humanos desejam o bem, a felicidade, porém não poderão alcançá-la senão por meio de uma conduta virtuosa, pois, para Aristóteles “a felicidade é a atividade conforme a virtude”. As virtudes são hábitos, e estes são adquiridos ao logo da vida e têm como seu fundamento a idéia de que o homem deve sempre realizar o melhor de si. A virtude é uma espécie de meio termo, de equilíbrio entre os extremos. O excesso, a falta de moderação, para Aristóteles, é vício.
Existem as virtudes morais e as virtudes intelectuais, que diferem entre si. Como exemplos de virtudes morais podemos destacar a coragem, a generosidade, a amizade e a justiça. Por outro lado, como exemplos de virtudes intelectuais podemos citar a sabedoria, a ciência e a verdade. Uma ação realizada pelo ser humano é considerada justa quando equilibra a virtude moral com a virtude intelectual.
Aristóteles recomenda que os homens desviem-se sempre dos vícios porque eles os colocam em situações de oposição com a felicidade, e para ele, o homem feliz é aquele que vive a virtude em sua totalidade, que a exerce e busca compreender a sua natureza para também compreender a natureza da felicidade, já que estão ambas interligadas. O Filósofo ainda clarifica que, todo aquele que age bem, vive a felicidade por todos os dias de sua vida e nada, nenhum fator externo, o pode abalar porque a sua vida está bem fundamentada em bons hábitos, isso significa que o homem deve compreender que a felicidade é o princípio primeiro e causa dos bens e que por isso ela é a melhor coisa que existe, sendo, portanto, louvável e divina. Essa felicidade que Aristóteles propõe é absoluta e para o homem atingi-la, além de usar sabiamente da razão, tem que estudar a fundo a virtude, pois tal felicidade consiste em uma atividade da alma e a virtude seria também, algo característico do homem que vive em sociedade, sendo preciso aprendê-la para podermos ser mais sábios e somente assim é que a sociedade ensinará aos seus filhos, desde cedo, bons hábitos impedindo a prática dos vícios, porque uma vida pautada na ética (prática dos bons hábitos) fala mais alto do que o vício que apenas destrói o homem e o impede de ser virtuoso e feliz.
Na visão de Aristóteles, é também ensinando a felicidade que faremos com que as pessoas compreendam aquilo que é característico do homem, ou seja, que ele possui uma parte da alma denominada de elemento racional que é próprio dele, e quando ele parte para o exercício ou atividade da alma ou da virtude, é preciso que direcione as suas ações para este caminho, podendo assim contribuir para o surgimento de uma nova cultura que se paute em fundamentos éticos, construindo com esses hábitos, melhores dias e momentos inesquecíveis de felicidade, bastando para isso que sejamos éticos e pratiquemos ações visando à felicidade ou o bem supremo da coletividade.
Constatamos no decorrer da história que muitos homens viciosamente utilizaram o poder político que lhes foi confiado para o bem explorando e extorquindo os menos favorecidos com a finalidade de favorecer o seu próprio prazer; observamos também que as paixões foram mais fortes do que o anseio do bem, e concluímos norteados pelo o que ensina Aristóteles que esses homens não usaram da reflexão para chegar ao bem coletivo e indiscutivelmente, estes vícios continuam se propagando em nossos dias.
Ética é a parte da Filosofia que se ocupa com o valor do comportamento humano, investigando o sentido que o homem imprime à sua conduta para ser verdadeiramente feliz, sendo de suma importância para pautar, nortear e servir de base para os valores pessoais, familiares, profissionais, sociais e outros mais; aplicando-se a todas as áreas e representando o que de melhor pode existir individualmente e coletivamente, como uma totalidade e não somente como o objetivo final. Somos o que fazemos repetidamente, por isso o mérito não está na ação e sim no hábito. 


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Tradução de Pietro Nassetti. São Paulo: Martin Claret, 2007. p. 17-55.