O Pr. Gilson Soares dos Santos é casado com a Missionária Selma Rodrigues, tendo três filhos: Micaelle, Álef e Michelle. É servo do Senhor Jesus Cristo, chamado com santa vocação. Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional), Campina Grande/PB; Graduado em Filosofia pela UEPB (Universidade Estadual da Paraíba); Pós-Graduando em Teologia Bíblica pelo CPAJ/Mackenzie (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper). Professor de Filosofia e Teologia Sistemática no STEC. Professor de Teologia Sistemática no STEMES, em Campina Grande - Paraíba. Pastor do Quadro de Ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (AIECB). Pastoreou a Igreja Evangélica Congregacional de Cuité/PB, durante 15 anos (1993-2008). Atualmente é Pastor Titular da Igreja Evangélica Congregacional em Areia - Paraíba.

5 de junho de 2013

Marx, o Estado e a Política

MARX, O ESTADO E A POLÍTICA
 
Gilson Soares dos Santos
 
 As lutas de classes sempre permearam a história da sociedade, desde tempos remotos até os dias de hoje. A sociedade esteve, em épocas passadas, estruturada em diversas ordens. Porém Marx vê, nessas ordens que suscitam as lutas de classes, opressores e oprimidos. Para ele, a história em sua totalidade desenrola-se com opressores e oprimidos.
 
Com a chegada da burguesia, que surge com a queda do feudalismo, a situação permaneceu igual, ou seja, o antagonismo entre as classes continuou, tendo como diferencial apenas o surgimento de novas classes, trazendo consigo novos modelos de opressão, permanecendo as lutas. O antagonismo entre as classes vai ser simplificado em dois campos inimigos, isto é, em duas classes que se contrapõem: a burguesia e o proletariado. Por burguesia entende-se a classe dos capitalistas modernos, proprietários dos meios de produção e que empregam assalariados. Por proletariado entende-se a classe dos assalariados modernos que, por não possuírem meios de produção próprios, sujeitam-se a vender a força de trabalho para viver.
 
Essa burguesia cada vez mais foi favorecida com as grandes navegações, que lhes abriram os mercados (na Índia, China e América), pois o feudalismo e seu modo de exploração já não atendia às necessidades dos novos mercados. A própria manufatura tornou-se obsoleta, sendo substituída pelo vapor e a maquinaria, que revolucionaram a produção industrial, desembocando na burguesia moderna. Com isso, a burguesia tira de cena todas as classes herdadas da Idade Média, assumindo um papel revolucionário.
 
A burguesia surge como revolucionária na história, destruindo qualquer relação feudal, patriarcal ou idílicas. Desfazendo as “relações familiares” transformando-as em “relações monetárias”. Nessa relação monetária, com a necessidade de conquistar novos e mais extensos mercados para lançar seus produtos, a burguesia projeta-se para todo o globo terrestre.
 
A luta de classes permanece. Nessa luta de classes, como a burguesia é a negação (o antagonismo) do feudalismo, ela também será negada (antagonismo) por outra classe, o proletariado. É interessante notar que a burguesia não subsiste sem o proletariado, pois dele extrai sua força de trabalho, mas, ao mesmo tempo, cresce alimentando em si mesma o proletariado. A luta do proletariado com a burguesia começa com sua própria existência. As armas que serviram à burguesia para derrubar o feudalismo agora são as mesmas que derrubarão a burguesia. E essas armas serão agora empunhadas pelo proletariado, gerado pela própria burguesia.
 
O proletariado, que no princípio lutou isolado, agora se une, sem concorrência entre si, formando uniões organizadas, conscientes, para lutar contra a burguesia, sendo uma classe, de fato, revolucionária.
 
A revolução do proletariado, cuja luta torna-se uma luta nacional, por causa da sua forma, tem como objetivo acabar, antes de mais nada com sua própria burguesia. Isso leva, evidentemente, a uma sociedade sem propriedade privada, sem classes, sem divisão do trabalho, sem alienação e, sobretudo, segundo Marx, sem Estado. A alienação política na qual o Estado se ergue acima e contra os homens não existirá, pois o poder político se reduziria gradualmente, até se extinguir, pois o mesmo somente serve para ser a violência organizada de uma classe para opressão da outra.
 
É claro, Marx não deixa definido como uma nova sociedade surgirá com a queda da burguesia e como ela será exatamente. Ele não é preciso em dizer como isso acontecerá, mas deixa claro que aconteceria tudo por etapas.
 
MARX, Karl; ENGELS, Friedrich, Manifesto do Partido Comunista. Tradução de Marco Aurélio Nogueira e Leandro Konder. Pag. 65-78. Petrópolis: Editora Vozes. 1998.