O Pr. Gilson Soares dos Santos é casado com a Missionária Selma Santos, tendo três filhos: Micaelle, Álef e Michelle. É servo do Senhor Jesus Cristo, chamado com santa vocação. Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional), Campina Grande/PB; Graduado em Filosofia pela UEPB (Universidade Estadual da Paraíba); Pós-Graduando em Teologia Bíblica pelo CPAJ/Mackenzie (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper). Professor de Filosofia e Teologia Sistemática no STEC. Professor de Teologia Sistemática no STEMES, em Campina Grande - Paraíba. Pastor do Quadro de Ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (AIECB). Pastoreou a Igreja Evangélica Congregacional de Cuité/PB, durante 15 anos (1993-2008). Atualmente é Pastor Titular da Igreja Evangélica Congregacional em Areia - Paraíba.

13 de maio de 2015

O que é o "Ouro de Ofir"?

O QUE É O OURO DE OFIR?

Pr. Gilson Soares dos Santos

A gente vê nossos irmãos e irmãs cantando uns para os outros... uns para os outros mesmos... e dizendo “você é precioso, mais raro que o ouro puro de Ofir...”, então você chega e pergunta: irmão o que é o “ouro puro de Ofir”? Qual a resposta que você tem? No mínimo, as respostas serão as seguintes:

- “Sei lá... deve ser alguma coisa boa”;

- “Sabe que eu nunca parei pra pensar nesse ouro de Ofir...”;

- “Ouro de Ofir é o ouro de Ofir”.

- “Ofir era um homem muito rico, cheio de ouro. Tipo... todo “ourinado”.”

- “Ouro de Ofir é uma coisa preciosa... quer dizer, todo ouro é uma coisa preciosa, quem quiser me dar, aceito qualquer tipo de ouro, nem precisa ser de Ofir, kkkkkkk”.

Não estou aqui pra condenar a composição “raridade”, do cantor Anderson Freire, outros pastores já fizeram, até exageraram nos ataques. Tampouco estou aqui para fazer propaganda da canção. Apenas gostaria de falar um pouco sobre o famoso e raro “Ouro de Ofir”.

1 – Versículos sobre o ouro de Ofir

Vamos começar pelos versículos que falam do “Ouro de Ofir”:

I Rs 9.28   “Chegaram a Ofir e tomaram de lá quatrocentos e vinte talentos de ouro, que trouxeram ao rei Salomão.”

I Rs 10.11   “Também as naus de Hirão, que de Ofir transportavam ouro, traziam de lá grande quantidade de madeira de sândalo e pedras preciosas.”

I RS 22.49   “Fez Josafá navios de Társis, para irem a Ofir em busca de ouro; porém não foram, porque os navios se quebraram em Eziom-Geber.”

I Cr 29.4   “três mil talentos de ouro, do ouro de Ofir, e sete mil talentos de prata purificada, para cobrir as paredes das casas;”.

2 Cr 8.18   “Enviou-lhe Hirão, por intermédio de seus servos, navios e marinheiros práticos; foram com os servos de Salomão a Ofir e tomaram de lá quatrocentos e cinqüenta talentos de ouro, que trouxeram ao rei Salomão.

II Cr 9.10   “Os servos de Hirão e os servos de Salomão, que de Ofir tinham trazido ouro, trouxeram também madeira de sândalo e pedras preciosas.”

Jó 22.24 “e deitares ao pó o teu ouro e o ouro de Ofir entre pedras dos ribeiros,”

Jó 28.16 O seu valor não se pode avaliar pelo ouro de Ofir, nem pelo precioso ônix, nem pela safira.”.

Sl 45.9 “Filhas de reis se encontram entre as tuas damas de honra; à tua direita está a rainha adornada de ouro finíssimo de Ofir.”

Sl 13.12   “Farei que os homens sejam mais escassos do que o ouro puro, mais raros do que o ouro de Ofir.”.

Acredito que pela lista de versículos acima já tenhamos uma noção do que é o ouro de Ofir. Porém, muitos dicionários e enciclopédias da Bíblia trazem detalhes sobre o que é Ofir e sobre a raridade e preciosidade do seu ouro.

2 – Identificando o ouro de Ofir na Bíblia

OFIR é o nome de uma localidade, mencionada na Bíblia, onde era possível encontrar uma variedade preciosa de itens, tais como, ouro, madeira, sândalo e outros. Muitos estudiosos acreditam que sua localização é na Arábia do Sul, porém, Jerônimo quando traduziu a vulgata identificou como sendo na Índia. “A palavra Ofir foi usada para descrever ouro de qualidade muito alta. De acordo com 1 Crônicas 29.4, Davi fez uma doação muito grande, o seu tesouro pessoal, que continha 3.000 talentos de ouro (zahab) de Ofir, para ajudar a financiar a construção do templo.”[1]. “A palavra e usada a respeito de um lugar famoso pela alta qualidade de ouro que produzia (ver Jo 28.16). Vários locais entre a África do Sul e a Índia foram sugeridos como o sitio de Ofir, mas o Sul da Arábia parece ser o local mais provável”[2].

3 – Qual o problema de comparar alguém com o ouro de Ofir?

Existem dois caminhos quando comparamos alguém ao Ouro de Ofir, vejamos:

Primeiro: No sentido de preciosidade: Pode-se dizer que a pessoa é tão preciosa ou mais preciosa que o Ouro de Ofir, nesse caso, não se pode usar o texto de Jó 28.12-16, pois naquele texto se fala da sabedoria e não de pessoas. “De acordo com Jo 28.16, a sabedoria não tem preço; seu valor não se compara nem mesmo a jóias ou metais mais preciosos e exóticos, inclusive o ouro (ketem) de Ofir.”[3]

Segundo: No sentido de raridade: Pode-se dizer que a pessoa é tão rara como o Ouro de Ofir. Nesse caso, apenas uma vez a Bíblia usa a raridade do ouro de Ofir para comparação. É o que está em Isaías 13.9-12 que fala do Dia da ira do Senhor, quando Deus castigará o mundo por causa de sua maldade e os perversos por causa de sua iniquidade. Nesse tempo, da ira do Senhor, será mais fácil encontrar o ouro de Ofir do que encontrar um homem, pois Deus abaterá a soberba dos violentos. Preste atenção no verso 12 “farei que os homens sejam [...] mais raros do que o ouro de Ofir”. “Quando Javé vier castigar os arrogantes, cruéis e ímpios do mundo inteiro (não apenas os babilônios; cf. Skinner, 105, 107-8; Wright, 53-54; Watts, 197-200 [contra Kissane, 154]), haverá um massacre tão disseminado que a raça humana será exterminada quase por completo; os seres humanos serão mais raros até do que o ouro (ketem) de Ofir (Is 13.12).”[4]

Pelo menos, agora sabemos alguma coisa sobre o tão famoso “ouro de Ofir”.


[1] VANGEMEREM, Willem A. (org.). Novo Dicionário de Teologia e Exegese do Antigo Testamento. Vol. 2. 2011: Cultura Cristã. p.313.
[2] Idem.
[3] Idem.
[4] Idem.

1 de maio de 2015

Quebrando a dicotomia "sagrado-secular" do trabalho

QUEBRANDO A DICOTOMIA ‘SAGRADO-SECULAR” DO TRABALHO

Pr. Gilson Soares dos Santos

Hoje, dia 01 de maio, é Dia do Trabalho (ou Dia do Trabalhador). Sobre essa questão, quero aproveitar o nosso espaço para retomar a posição Luterana, Calvinista e Puritana que quebra a dicotomia “sagrado-secular” do trabalho.

Martinho Lutero derrubou a ideia de que os pastores, as missionárias ou outros ministros realizam trabalho mais santo do que a dona de casa e o comerciante. Calvino, por sua vez, seguiu a mesma posição de Lutero. William Tyndale, um puritano, disse que “há uma diferença entre lavar a louça e pregar a Palavra de Deus; mas no tocante a agradar a Deus; nenhuma em absoluto...”. Para os verdadeiros puritanos “cada passo e aspecto do seu ofício é santificado.”

Muita gente pensa que o trabalho de um pastor deve exigir mais santidade do que o trabalho de um professor universitário. Muitos acham que o trabalho de um ministro do evangelho deve ser mais santo do que o ofício de um dentista, psicólogo, professor, dona de casa, etc. É engano pensar assim, pois o cristão é santo em qualquer ofício, honesto em qualquer trabalho, verdadeiro em qualquer lugar.

Não importa o trabalho que você exerce, Deus deve ser glorificado nele. Deus deve ser glorificado pela sua maneira de trabalhar. Faça tudo com seriedade e honestidade. Faça tudo para a glória de Deus, pois todo trabalho é santo.

Feliz Dia do Trabalho - Feliz Dia do Trabalhador!

22 de abril de 2015

Um pequeno estudo sobre a origem da alma humana

UM PEQUENO ESTUDO SOBRE A ORIGEM DA ALMA HUMANA

Pr. Gilson Soares dos Santos

     Começo este post com a seguinte pergunta: Nossa alma já existia antes de nascermos aqui no mundo? Deus cria nossa alma no momento da concepção? O corpo do pai e da mãe se unem para formar o corpo da criança, será que a alma do pai se une à alma da mãe para formar a alma da criança?

Com relação à origem da alma no homem, existem três correntes diferentes. Vejamos:

I.                – A Teoria Preexistencialista

“Alguns teólogos especulativos, dentre os quais Orígenes, Scotus Erigena e Júlio Mueller são os mais importantes, defendiam a teoria de que as almas dos homens existiam num estado anterior, e que certas ocorrências naquele primeiro estado explicam a condição em que essas almas se acham agora. Orígenes vê a atual existência material do homem, com todas as suas desigualdades e irregularidades morais e físicas, como um castigo pelos pecados cometidos numa existência anterior. Scotus Erigena também sustenta que o pecado deu entrada no mundo da humanidade no estado pré-temporal, e que, portanto, o homem começa a sua carreira na terra como pecador. E Júlio Mueller recorre a teoria, com o fim de conciliar as doutrinas da universalidade do pecado e da culpa individual. Segundo ele, cada pessoa necessariamente deve ter cometido pecado voluntário naquela existência anterior.”[1].

II.                – A Teoria Traducionista

“De acordo com o traducionismo, as almas dos homens são reproduzidas juntamente com os corpos pela geração natural e, portanto, são transmitidas pelos pais aos filhos. Na Igreja primitiva Tertuliano, Rufino, Apolinário e Gregório de Nissa  eram traducionistas.  Desde os dias de Lutero o  traducionismo  tem  sido  o  conceito  geralmente  aceito pela Igreja Luterana. Entre os reformados (calvinistas), tem o apoio de H.B. Smith e Shedd. A. H. Strong também tem preferência por ele.”[2]

            Vejamos quais são os argumentos dos traducionistas:

“Vários argumentos são aduzidos em favor dessa teoria. (1) Alega-se que é favorecida pela descrição bíblica segundo a qual (a) Deus uma única vez soprou nas narinas no homem o fôlego de vida, e depois deixou que o homem reproduzisse a espécie, Gn 1.28; 2.7; (b) a criação da alma de Eva estava incluída na de Adão, desde que se diz que ela foi feita “do homem” (1 Co 11.8), e nada se diz acerca da criação da sua alma, Gn 2.23; (c) Deus cessou a obra de criação depois de haver feito o homem, Gn 2.2; e (d) afirma-se que os descendentes  estão  nos  lombos* dos  seus  pais,  Gn  46.26;  Hb  7.9,10.  Cf.  também  passagens como Jo 3.6; 1.13; Rm 1.3; At 17.26. (2) tem o apoio da analogia da vida vegetal e animal, em que o aumento numérico é assegurado, não por um número continuadamente crescente de criações imediatas, diretas, mas pela derivação  natural  de  novos  indivíduos  de um tronco paterno.  Cf., porém, Sl 104.30. (3) A teoria procura também apoio na herança de peculiaridades mentais e tipos familiais,  tantas  vezes  tão  notórios e  notáveis  como  semelhanças  físicas,  que  não podem ser explicados pela educação ou pelo exemplo, desde que se evidenciam mesmo quando seus pais não  vivem para criar os seus filhos.  (4) Finalmente, ela parece oferecer a melhor base  para a explicação da herança da depravação moral e espiritual, que é assunto da alma, e não do corpo. É muito comum combinar o traducionismo com a teoria realista para explicar o pecado original.”[3].

III.                – A Teoria Criacionista

“Para este modo de ver, cada alma individual deve ser considerada como uma imediata criação de Deus, devendo a sua origem a um ato criador direto, cuja ocasião não se pode determinar com precisão. A alma é, supostamente, uma criatura pura, mas unida a um corpo depravado. Não significa necessariamente que a alma é criada primeiro. Separadamente do corpo, corrompendo-se depois pelo contato com o corpo, o que pareceria pressupor que o pecado é algo físico. Pode simplesmente significar que a alma, conquanto chamada à existência por um ato  criador  de  Deus,  é,  contudo,  pré-formada  na  vida  física  do  feto,  isto  é,  na  vida  dos  pais  e, assim, adquire a sua vida não acima e fora daquela complexidade de pecado que pesa sobre toda a humanidade, mas debaixo dessa complexidade e nela.”

Vejamos os argumentos usados pela teoria criacionista:

“São as seguintes, as mais importantes considerações em favor dessa teoria: (1) mais coerente com as descrições gerais da Escritura, que o traducionismo. O relato original da criação indica marcante distinção entre a criação do corpo e a da alma. Aquele é tomado da terra, ao passo que esta vem diretamente de Deus. Esta distinção se mantém através de toda a Bíblia, onde o corpo e a alma não somente são apresentados como substâncias diferentes, mas também como tendo origens diferentes, Ec 12.7; Is 42.5; Zc 12.1; Hb 12.9. Cf. Nm 16.22. Da passagem de Hebreus, mesmo Delitzch, apesar de traducionista, diz: “Dificilmente poder haver um texto-prova mais clássico em favor do criacionismo”. (2) claramente mais coerente com a natureza da alma humana, que o traducionismo. A natureza imaterial e espiritual e, portanto indivisível, da alma do homem, geralmente admitida por todos os cristãos, é expressamente reconhecida pelo criacionismo. Por outro lado, o traducionismo defende uma derivação da essência que, como geralmente se admite, necessariamente implica separação ou divisão da essência. (3) Evita os perigos latentes que corre o traducionismo na área da cristologia, e faz maior justiça à descrição escriturística da pessoa de Cristo. Ele foi verdadeiro homem, possuindo verdadeira natureza humana, corpo real e alma racional, nasceu de mulher, fez-se semelhante a nós em todos os pontos – e, todavia, sem pecado. Diversamente de todos os outros homens, Ele não participou da culpa e corrupção da transgressão de Adão. Isso foi possível porque Ele não compartiu a mesma essência numérica que pecou em Adão.”[4].

   É só um começo para que você possa estudar mais sobre o assunto.

     Se quiser uma aula em vídeo sobre o assunto, é só acessar o vídeo abaixo:




[1] BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. Campinas: Luz Para o Caminho. 1990. p.188
[2] BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. Campinas: Luz Para o Caminho. 1990. p.188.
[3] BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. Campinas: Luz Para o Caminho. 1990. p.189.
[4] BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. Campinas: Luz Para o Caminho. 1990. p.190.

15 de abril de 2015

Duas características fortes da pregação puritana


DUAS CARACTERÍSTICAS FORTES DA PREGAÇÃO PURITANA

Pr. Gilson Soares dos Santos

Admito: a pregação puritana mexe muito comigo. É difícil não chorar, porque dá pra sentir Deus mais perto da gente. Quando leio uma pregação de um puritano escuto fortemente Deus falando comigo. Sou pastor e sinto fortemente que Deus fala comigo quando leio “O pastor aprovado” de Richard Baxter, que recebi de presente da minha irmã Kátia Santos no dia da minha ordenação ao sagrado ministério.

De fato, a pregação puritana tem tido um impacto grande em minha vida. O que mais mexe comigo na pregação puritana é sua base nas Escrituras e seu conteúdo doutrinário. Por isso trago uma postagem, extraída do Livro “A Tocha dos Puritanos – Evangelização Bíblica”, de autoria de Joel R. Beeke, da Editora PES. O tema é “Característica da Pregação Puritana – Contraste com a Evangelização Moderna”, onde o autor apresenta duas características fortes da pregação puritana.

Boa leitura.

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CARACTERÍSTICA DA PREGAÇÃO PURITANA – CONTRASTE COM A EVANGELIZAÇÃO MODERNA

 Joel R. Beeke

1 – Sermões extensamente baseados nas Escrituras

Os puritanos, por serem profundamente embasados nas Escrituras Sagradas, apresentavam sermões extensamente baseados nas Escrituras. Para o puritano, o sermão nunca estava só ligado às Escrituras, mas ele saía e crescia de dentro da Palavra de Deus. Para o pregador puritano o texto não estava no sermão, mas o sermão estava no texto. Por isso, um velho membro de uma igreja puritana poderia dizer: "Ouvir um sermão, para mim, é como estar dentro da Bíblia".

Se você abrir um livro de sermões puritanos, encontrará de dez a quinze versículos citados em cada página, além de encontrar dez a doze referências textuais. Os pastores puritanos sabiam como usar suas Bíblias. Eles viviam e respiravam os textos da Palavra de Deus. Eles tinham centenas e até milhares de textos das Escrituras memorizados e sabiam como citá-los para os problemas da alma ou para qualquer outro problema pessoal. Eles usavam as Escrituras de forma sábia, não passando por elas de forma superficial, porém trazendo o texto e fazendo-o permanecer de acordo com a doutrina que estava sendo enfocada. Os sermões evangelísticos de hoje muitas vezes são perturbadores, não porque não citem as Escrituras, mas porque o fazem de modo repetitivo, superficial. Quando alguém saía da igreja, após um sermão puritano, nunca esquecia o texto que fora usado, pois aquele texto lhe fora colocado inteiramente aberto, tendo sido levado até o seu coração.

Hoje, na evangelização moderna, temos toda razão para ficarmos perturbados quando testemunhamos que há uma seleção muito pequena dos textos bíblicos utilizados, além de textos que são tirados do seu contexto bíblico. Nós pregadores sabemos que podemos citar uma porção de textos sem estarmos sendo bíblicos nestas citações. Uma sequência de textos intercalados por anedotas não faz, de maneira alguma, com que um sermão seja bíblico em si.

Os puritanos acreditavam fortemente em Sola Scriptura. Você pode procurar nos seus escritos e sermões, qualquer história ou referência pessoal e não as encontrará. Pelo fato de pensarem que o púlpito era um lugar de grande importância, este não podia ser degenerado com uma pregação egocêntrica. Eles sabiam que só uma coisa pode salvar pecadores: o Espírito Santo ligando-Se à semente incorruptível da Palavra de Deus. Por isso a tarefa deles era exatamente expor a Palavra de Deus incorruptível, orando para que o Espírito a aplicasse aos corações dos ouvintes.

Se estamos convencidos de que conhecemos bem as nossas Bíblias e abrirmos um livro puritano, logo ficaremos muito humilhados. Eles foram gigantes espirituais nas Escrituras e nós somos anões, pigmeus perante eles. Por isso é muito importante lermos os puritanos. Eles são nossos mentores para nos ensinar como usar a Bíblia de uma forma pastoral, evangelística e na nossa pregação. Você sem dúvida seria um evangelista mais sábio e útil se buscasse mais as Escrituras como faziam os puritanos. Ame a Palavra de Deus de maneira mais calorosa. Pesquise a Palavra de Deus em suas devoções pessoais. Busque a bênção de pensar biblicamente, de falar biblicamente, viver biblicamente e perceberá que sua palavra contém uma autoridade divina. Você não precisará persuadir as pessoas pela sua personalidade ou por você mesmo, mas a Palavra de Deus é que vai persuadi-las. A Palavra quando exposta, passo a passo, abre as Escrituras perante nós. Esse é o primeiro ponto da pregação puritana. Eram profundamente bíblicos.

2 – O pregador puritano era doutrinador

A mensagem puritana não pedia desculpas por apresentar doutrina. O puritano não temia pregar todo o conselho de Deus para o povo. Os puritanos achavam que você não podia contar uma história qualquer, sem que esta tivesse doutrina. Doutrina é simplesmente a apresentação das verdades de Deus trazidas das Escrituras numa forma que pode ser entendida e que se relaciona com as nossas vidas. Não diluíam suas mensagens com anedotas, humor, histórias triviais e levianas durante a pregação. Eram profundamente sérios, verdadeiros e austeros no púlpito, pois sabiam que ao chegar ali estariam lidando com verdades eternas e almas eternas. Sentiam a realidade solene do seu chamado divino. Pregavam a verdade de Deus como um homem que está morrendo para homens que estão morrendo.

11 de abril de 2015

Cuidado: gentileza pode produzir gente lesa


GENTILEZA OU GENTE LESA?

Pr. Gilson Soares dos Santos

     De imediato quero chamar a atenção para o trocadilho de palavras. Embora eu saiba que grande parte dos que leem este pequeno artigo tem compreensão dos significados.
     Todos nós sabemos que gentileza é a qualidade ou caráter de gentil. É uma ação nobre, distinta ou amável. Também pode ser entendido como amabilidade e delicadeza. Por outro lado, sabemos que gente lesa são aquelas pessoas idiotas, amalucadas, lesadas, abestalhadas ou, como diz o palhaço, “abestadas”.
     Há muita gente fazendo papel de tolos em nome da gentileza. Tentando agradar a “gregos e troianos”. Vejo isto no meio cristão. Alguns pastores tentando demonstrar gentileza têm abraçado e levado a seus púlpitos todo tipo de pregador. Outros, a fim de se mostrarem gentis com seus auditórios, têm negligenciado a Palavra de Deus.
     Cuidado: gentileza onde não cabe gentileza produz gente lesa.

6 de abril de 2015

É possível ser pastor e não ser nascido de novo?


É POSSÍVEL SER PASTOR E AINDA NÃO SER NASCIDO DE NOVO?

Pr. Gilson Soares dos Santos

     Talvez muitos respondam negativamente a pergunta acima. Entretanto, é preciso entender que, assim como no Antigo Testamento existiam os falsos profetas, nos tempos atuais existem os falsos pastores.
     Estou postando hoje um pequeno trecho do Livro “De Pastor A Pastor”, da autoria do Rev. Hernandes Dias Lopes, da Editora Hagnos. Recomendo este livro e espero que este post contribua para que possamos ter um entendimento de que existem pastores não convertidos no ministério.

                          
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PASTORES NÃO CONVERTIDOS NO MINISTÉRIO

Rev. Hernandes Dias Lopes

     É doloroso que alguns daqueles que se levantam para pregar o evangelho aos outros não tenham sido ainda alcançados por esse mesmo evangelho. Há quem pregue arrependimento sem jamais tê-lo experimentado. Há quem anuncie a graça sem jamais ter sido transformado por ela. Há quem conduza os perdidos à salvação e ainda está perdido.

     Judas Iscariotes foi apóstolo de Jesus. Foi o único no grupo que recebeu um cargo de confiança. Foi nomeado para cuidar da tesouraria do grupo apostólico. Desfrutava de total confiança dos seus condiscípulos. Jamais houve alguma suspeita deles acerca de sua integridade. Mesmo no Cenáculo, quando Jesus o apontou como traidor, os outros discípulos não compreenderam do que se tratava. Judas chegou a liderar os discípulos em um gesto de revolta contra a atitude de Maria, que quebrou um vaso de alabastro, com um caro perfume para ungir Jesus. Ele era um falso filantropo. Ele era ladrão. Seu coração não era reto diante de Deus. Suas intenções estavam em desacordo com os propósitos divinos, Certamente ele pregou aos outros, mas não pregou a si mesmo. Levou outros à salvação, mas ele mesmo não foi alcançado pela salvação. Ele viveu uma mentira. Sua vida foi um engodo. Sua morte foi uma tragédia. Seu destino foi a perdição.

     No século 17, Richard Baxter, puritano de escol na Inglaterra, em seu célebre livro, O pastor aprovado, já alertava para o fato de existirem pastores que precisavam nascer de novo. Jesus falou para o mestre da religião judaica, um dos principais dos judeus, chamado Nicodemos, que, se ele não nascesse de novo, não poderia ver o Reino de Deus e, se ele não nascesse da água e do Espírito, não poderia entrar no Reino de Deus.

     Há alguns anos, depois de pregar em um congresso evangélico, um pastor veio ao meu encontro, com o rosto banhado de lágrimas. Ele me abraçou e disse: “Eu sou pastor há vários anos. Preguei o evangelho para milhares de pessoas. Levei várias pessoas a Cristo, mas somente hoje estou passando pela bendita experiência do novo nascimento. Eu ainda não era um homem convertido e salvo”.

LOPES, Hernandes Dias. De Pastor a Pastor. São Paulo: Hagnos. 2008. p.13,14.

30 de março de 2015

Desmistificando a "Semana Santa"

DESMISTIFICANDO A SEMANA SANTA

Pr. Gilson Soares dos Santos
    
As comemorações em torno da semana chamada “santa”, como de muitos feriados religiosos, estão totalmente divorciadas da Bíblia. Portanto, reservamos esse espaço para trazermos algumas orientações sobre o tema.

Para os verdadeiros cristãos toda semana é santa, todo dia é santo, porque Jesus garantiu “estarei convosco todos os dias até a consumação dos séculos”. E essa promessa é garantia de dias abençoados, de dias santos.

A quarta-feira pode ser de trevas pra muita gente, mas para aqueles que têm Cristo não há dia de trevas, pois ele disse: “eu sou a luz do mundo, quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.”

Para muitos, a sexta-feira pode ser um dia de abstinência de carne, e como alegação podem até citar que comer carne seria um desrespeito, pois é o mesmo que está comendo a carne do Cristo crucificado. Se essa for a alegação, passa distante daquilo que, mesmo figuradamente, o Senhor disse: “Quem não comer da minha carne e não beber do meu sangue não tem parte comigo”.

O jejum desta semana, para muitos, pode até parecer uma forma de piedade, porém não encontra respaldo na Bíblia, principalmente para aqueles que, no dia em que apregoam o jejum, saem de porta em porta pedindo alimentos.

O linchamento do “boneco de Judas”, prática comum nas pequenas cidades, apenas demonstra a violência que existe dentro de cada homem.

O encerramento das festividades no “domingo de páscoa” é outra prática sem base bíblica, pois nossa páscoa é Cristo, nosso rito é a Ceia do Senhor.

Oremos para que o Senhor acorde esse povo para a realidade da vida inteiramente cristã.

21 de março de 2015

Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, uma igreja "pra frente", deixando Jesus pra trás


IGREJA PRESBITERIANA DOS ESTADOS UNIDOS, UMA IGREJA “PRA FRENTE”, DEIXANDO JESUS PARA TRÁS

Pr. Gilson Soares dos Santos

     Recebi com muita tristeza e angústia a notícia de que a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, no propósito de ser uma igreja “pra frente”, deu mais um passo para trás. Primeiro, ela aprovou a ordenação de homossexuais (abertamente gays ou lésbicas) ao ministério. Agora, aprovou o casamento homossexual.
     É exatamente isto que chamo de uma “igreja pra frente” que vai deixando Jesus para trás. É uma igreja que provou ultrapassar a doutrina de Cristo. O apóstolo João já exortava a respeito disto: “Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus.” (II João 1.9).
     Não sei a quem a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos (PCUSA), a maior denominação presbiteriana, uma igreja com quase dois milhões de fiéis, está tentando agradar. A agenda desta igreja é recheada de temas políticos e sociais, tais como, direitos humanos, feminismo, aborto e homossexualismo. Esta igreja vem ouvindo a voz do mundo e, no desejo de ser uma igreja que avança, tem ultrapassado a doutrina de Cristo.
     Vale lembrar que a Igreja Presbiteriana do Brasil veio dessa Igreja Americana, pois o fundador do presbiterianismo no Brasil, o Rev. Ashbel Green Simonton (1833-1867), veio dessa igreja (vide: http://www.mackenzie.br/7102.html. Acesso em 20/03/2015). Porém, é mais importante destacar que há décadas que a IPB (Igreja Presbiteriana do Brasil) se afastou dessa polêmica denominação, conforme afirma o Rev. Augustus Nocodemus Lopes: Como é sabido de todos, a Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) não tem nenhum relacionamento com esta “igreja” americana, da qual se desligou faz décadas por causa das posturas liberais da mesma, muito antes dela aprovar o casamento gay. A PCUSA é uma denominação liberal que já abandonou faz tempo os principais pontos da Reforma, como a autoridade e infalibilidade das Escrituras.”. Diz Nicodemus em seu blog “o tempora, o mores” (http://tempora-mores.blogspot.com.br: Acesso em 20/03/2015.).
     É redundante dizer que isto é cumprimento das Escrituras, pois é dizer o óbvio. Mas o que quero externar é a tristeza que sinto com relação a algumas igrejas históricas que estão degringolando em suas doutrinas e práticas. Sinto tristeza em saber que uma igreja que “gerou” missionários, do quilate do Rev. Simonton, está caindo vertiginosamente em sua ortodoxia (doutrina correta) e ortopraxia (prática correta).
     Ao mesmo tempo, sou levado a orar ao Todo Poderoso suplicando seu favor sobre as igrejas que ainda continuam firmes no Evangelho da Verdade. Meu sentimento de tristeza me leva a suplicar pela igreja brasileira, pelos congregacionais, pelos batistas, pelos presbiterianos, pelos luteranos, pelos metodistas e por outras igrejas de tradição no evangelho.     
    

16 de março de 2015

Vício em games: um estorvo à carreira cristã

VÍCIO EM GAMES: UM ESTORVO À CARREIRA CRISTÃ

Pr. Gilson Soares dos Santos

Na Epístola aos Hebreus 12.1,2a, temos um alerta: “1 Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, 2 olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus...”. (grifo meu).
Sei que o texto acima, quando usado de maneira expositiva, tem uma conotação bem mais ampla do que aquela que usarei nesta reflexão. Por exemplo, o termo “peso” pode estar associado ao sistema levítico com seu legalismo exacerbado que embaraçava os hebreus na carreira piedosa. Porém, farei uso da palavra “peso” para equiparar ao vício dos games que se tornou um seriíssimo embaraço na carreira cristã dos nossos irmãos.
Desregradamente, muitos crentes estão viciados em jogos de games, gastando, em média, cinco horas por dia na obsessão de “zerar” jogos. E sabemos que o vício digital já é considerado por muitos especialistas como um problema de saúde pública. Embora ainda seja subavaliado na psiquiatria, o transtorno por jogos passou a ser tema de discussão entre os psiquiatras. Aquilo que começa como uma brincadeira vira vício e, em muitos casos, precisa de tratamento médico.
Agora, imagine o quanto isto é um embaraço para o cristão que sacrifica suas horas de oração e comunhão com Deus pela mania fixa de “zerar” jogos. Calcule quantas horas perdidas que poderiam ser usadas para o louvor a Deus, para adoração, na evangelização, em orações, no serviço do Mestre. Avalie o quanto seria útil para o crente se usasse essas horas no estudo da Palavra, na meditação devocional. Raciocine, pelos menos, o quanto essas horas teriam maior utilidade se usadas para o diálogo em família, para o carinho com os pais, com a esposa, com os filhos, e até para uma conversa proveitosa com os amigos e irmãos.
Concluo dizendo aos meus irmãos em Cristo, que ainda se deixam dominar pelos jogos de games (no computador, via internet ou em algum dispositivo móvel), que o verdadeiro cristão, depositário de uma carreira proposta pelo Autor e Consumador da nossa fé, precisa se “despir” de todo embaraço antes de entrar na corrida.

10 de março de 2015

Características de Jesus como Mestre


CARACTERÍSTICAS DE JESUS COMO MESTRE

Pr. Gilson Soares dos Santos

Jesus é o nosso modelo por excelência. Quem quiser fazer as coisas da maneira certa, deve recorrer a Cristo como exemplo. A fim de apresentarmos as características de Jesus como mestre, recorrermos à obra “Bases da Educação Cristã” da autoria de Hayward Armstrong (ARMSTRONG, 1994).

a) As características de Jesus como Mestre

Em primeiro lugar, Jesus praticava as artes literárias. Ou seja, ele demonstrou sua habilidade de ler (com autoridade) na sinagoga (Lc 4.16-20); ainda que não tenha escrito livro, nem um folheto, sequer cartas etc, demonstrava sua familiaridade com a arte de escrever (Jo 8.6) (idem, p.26).

Além de suas habilidades literárias, Jesus possuía algumas qualidades especiais que usou em seu ensino. Tinha familiaridade com as tradições e leis orais de seu povo (Mt 5.21,27,31,38,43). Compreendia profundamente a natureza humana, o que lhe permitia discernir os pensamentos e sentimentos Íntimos das pessoas com quem mantinha contato (Mt 9.4; Jo 1,47; 2.25). Jesus ensinava com autoridade (Mt 7.28,29). (idem).

b) Os métodos de Jesus

            Vejamos os métodos usados por Jesus:

Em primeiro lugar, Jesus ensinou o desconhecido a partir do conhecido. Quer dizer, Jesus começava seu ensino do ponto em que se encontravam seus ouvintes e dai os conduzia ao ponto que desejava alcançar. Empregou linguagem que os ouvintes entendiam, para lhes ensinar coisas que não compreendiam. Por exemplo, usou a palavra "água” para lhes ensinar sobre a água viva, isto é, a salvação. Falou-lhes também sobre a lei, conceito bem entendido por todo judeu, para lhes ensinar a nova teologia que ainda não compreendiam. (idem, p.28)

Em segundo lugar, Jesus ensinou conceitos abstratos em termos concretos. Quer dizer, para ensinar conceitos espirituais abstratos, teve que usar exemplos concretos entendidos pelos ouvintes. Um exemplo desta parte de seu estilo pode ser visto no uso da frase “o reino de Deus é semelhante...”. (idem)


c) As técnicas usadas por Jesus

“Seu estilo didático incluía muitas técnicas. Mencionaremos seis delas, que geralmente se recomendam aos professores de nossos dias.” (idem):

Primeiro. Jesus usava o método de fazer perguntas. Nos quatro relatos do Evangelho (Mateus, Marcos, Lucas e João) registramos mais de cem perguntas feitas por Jesus. (idem).

Segundo, Jesus contava histórias da vida cotidiana (parábolas). As parábolas que contou estavam ao nível de compreensão de seus ouvintes, eram concisas, lógicas e despertavam o interesse de todos. (idem).

Jesus usou também o discurso ou conferência. Há pelo menos três discursos de Jesus registrados no Novo Testamento: o que se conhece como Sermão do Monte, o da morada celestial e o do juízo final. (idem).

Em quarto lugar, se usarmos a imaginação, podemos dizer que Jesus usou projetos ou o método de atividades para ensinar. Vários exemplos se encontram no Evangelho de Lucas (5.4; 6.1; 10.1-16; 18.22). (idem).

Quinto, mais uma vez com um pouco de imaginação, podemos ver o uso que Jesus fez de recursos visuais. Usou a figura de uma árvore estéril para ensinar a necessidade, da fé (Ml 21.18-22); uma moeda, para ensinar os deveres para com o governo (Mc 12.13-17); os campos prontos para a ceifa, para ensinar o princípio da urgência (Jo 4.35-39), e outros, não incluindo, evidentemente, os milagres. (idem).

Sexto. Jesus, mais do que qualquer outro mestre na história da humanidade, ensinou pelo método de ser ele mesmo um bom exemplo de tudo aquilo que ensinou. Ele vivia o que ensinava. (idem).

Jesus é nosso professor por excelência. E mirando nele que faremos um trabalho de educação cristã que muito contribuirá para o bem.



BIBLIOGRAFIA

ARMSTRONG, Hayward. Bases da Educação Cristã. Trad. de Merval Rosa. 2Ed. Rio de Janeiro: JUERP. 1994.