O Pr. Gilson Soares dos Santos é casado com a Missionária Selma Santos, tendo três filhos: Micaelle, Álef e Michelle. É servo do Senhor Jesus Cristo, chamado com santa vocação. Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional), Campina Grande/PB; Graduado em Filosofia pela UEPB (Universidade Estadual da Paraíba); Pós-Graduando em Teologia Bíblica pelo CPAJ/Mackenzie (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper). Professor de Filosofia e Teologia Sistemática no STEC. Professor de Teologia Sistemática no STEMES, em Campina Grande - Paraíba. Pastor do Quadro de Ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (AIECB). Pastoreou a Igreja Evangélica Congregacional de Cuité/PB, durante 15 anos (1993-2008). Atualmente é Pastor Titular da Igreja Evangélica Congregacional em Areia - Paraíba.

21 de agosto de 2014

O Cristão e a Cultura


O CRISTÃO E A CULTURA

Franklin Ferreira e Allan Myatt

Em conexão com a pessoa do Espírito Santo, devemos destacar a doutrina da graça comum, obra geral do Espírito em toda a criação. Antes, será proveitoso revisar a relação entre os cristãos e a cultura, e a forma como isto é ilustrado na historia da igreja. Helmuth Richard Niebuhr, juntamente com seu irmão, Reinhold, foram os líderes do equivalente americano para a neo-ortodoxia europeia. Richard Niebuhr foi pastor da Igreja Evangélica Reformada e, a partir de 1931, aceitou um cargo na Faculdade de Teologia de Yale, onde permaneceu até sua morte. Em seu livro Cristo e Cultura, ele oferece uma esquematização clássica das diferentes maneiras como os cristãos, no decorrer dos séculos, se relacionaram com o mundo ao seu redor. Para Niebuhr, existem cinco categorias para classificar a tensa questão de buscar relacionar o cristão e a cultura. Estas categorias tornaram-se ferramentas indispensáveis para descrever a forma como os cristãos encaram questões sociais, éticas, politicas e econômicas.

1 – O Cristão Contra a Cultura

A primeira categoria é aquela que mostra o cristão contra a cultura. Os que seguem esta corrente enfatizam que, diante da natureza caída da criação, é necessário que se criem estruturas alternativas que sigam mais de perto o chamado radical do evangelho. Esta posição foi afirmada no Didaque, na Primeira Epistola de Clemente, e nos escritos de Tertuliano. Este último escreveu:

A filosofia é a matéria básica da sabedoria mundana, intérprete temerária da natureza e da ordem de Deus. De fato, é a filosofia que equipa as heresias... Ó miserável Aristóteles! Que lhes proporcionaste a dialética, esse artífice hábil para construir e destruir, esse versátil camaleão que se disfarçaa nas sentenças, se faz violento nas conjecturas, duro nos argumentos, que fomenta contendas, molesta a si mesmo, sempre recolocando problemas antes mesmo de nada resolver. Por ela, proliferam essas intermináveis fábulas e genealogias, essas questões estéreis, esses discursos que se alastram, qual caranguejos, e contra os quais o Apóstolo nos adverte na sua carta aos Colossenses: “Cuidado que ninguém vos venha a enredar com suas sutilezas vazias, acordadas as tradições humanas, mas contrárias a providência do Espírito Santo”. Este foi o mal de Atenas... Ora que há de comum entre Atenas e Jerusalém, entre a Academia e a Igreja, entre os hereges e os cristãos? Nossa formação nos vem do pórtico de Salomão, ali nos ensinou que o Senhor deve ser buscado na simplicidade do coração. Reflitam, pois, os que andam propalando seu cristianismo estóico ou platônico. Que novidade mais precisamos depois de Cristo?... Que pesquisa necessitamos mais depois do Evangelho? Possuidores da fé, nada mais esperamos de credos ulteriores. Pois a primeira coisa que cremos é que para a fé, não existe objeto ulterior.

Os escritos dos teólogos anabatistas, no século XVI, apresentam o cristianismo como uma forma de viver completamente à parte da cultura. Por exemplo, a Confissao de Fe de Schleichtheim afirma:

Quarto, unimos nossas forças no que diz respeito a separação do mal. Devemos nos afastar do mal e da perversidade que o diabo semeou no mundo, para não termos comunhão com isso e não nos perdermos na confusão dessas abominações. Aliás, todos que não aceitaram a fé e não se uniram a Deus para fazer a sua vontade são uma grande abominação aos olhos de Deus. Deles não poderão acrescentar ou surgir nada mais do que coisas abomináveis. Não existe nada mais no mundo e em toda a criação do que o bem e o mal, crentes e incrédulos, trevas e luz, os que estão no mundo e fora do mundo, os templos de Deus e dos ídolos, Cristo e Belial, e nenhum deles poderá ter comunhão um com o outro. Para nós, pois, é óbvio o imperativo do Senhor, pelo qual nos ordena que nos afastemos e nos mantenhamos longe dos maus. Assim, ele será nosso Deus e nós seremos seus filhos e filhas. Além disso, ele nos exorta a abandonar a Babilônia e o paraíso terreno egípcio, para não passar pelos sofrimentos e dores que o Senhor enviará sobre eles. (...) Devemos nos afastar de tudo isso e não participar com eles. Porque tudo isso não passa de abominações, que nos tornam odiosos diante do nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos libertou da escravidão da nossa natureza pecaminosa e nos tornou aptos para o serviço de Deus, por meio do Espírito que nos outorgou.

2 – O Cristão da Cultura

A segunda categoria mostra o cristão da cultura, onde os ensinos do evangelho têm íntima relação com as estruturas ocidentais, e o cristão se acomoda à cultura. Apesar das objeções que são comumente lançadas a esta solução, ela tem exercido forte influência na história da igreja. Os gnósticos, Abelardo de Paris e os teólogos liberais do seculo XIX e XX esposaram esta posição. A igreja evangélica na Alemanha, por influência deste entendimento, trocou seu nome para Igreja do Reich, e seus pregadores juraram obediência a Hitler. Em alguma medida, o próprio fundamentalismo americano acabou espelhando esta posição, garantindo os valores e pressuposições básicas da cultura americana. Horton escreve:

No evangelicalismo norte-americano, o cristianismo cultural produziu uma confiança inusitada na capacidade do espírito americano de conseguir fazer o que quisesse. (...) É por isso que o arminianismo dá tão certo nos Estados Unidos e o calvinismo é tão desprezado. O calvinismo jamais servirá ao individualista idealista ou otimista que acredita haver algo de especial no caráter nacional que predisponha um pecador a tornar-se um santo através do trabalho duro. Na teologia reformada, é Deus quem julga e justifica; no arminianismo, o homem é quem decide e se ergue.

3 – O Cristão Acima da Cultura

O cristão acima da cultura integra a terceira categoria analisada. Este é o conceito católico, influenciado principalmente por Clemente de Alexandria e Tomás de Aquino. Esta posição busca uma unidade entre o cristão e a cultura, onde toda a sociedade aparece hierarquizada, unida ao Senhor Deus. O problema é a institucionalização da igreja e do evangelho e a absolutização do que é condicionado culturalmente. Quando isso ocorre, volta-se para a segunda categoria, que é o cristão da cultura.

4 – O Cristão e a Cultura Permanecem em Paradoxo

A quarta categoria é a posição comumente associada a Martinho Lutero, em que o cristão e a cultura permanecem em paradoxo. Esta posição mantém firmemente o entendimento bíblico da queda e da miséria do pecado, e o chamado para se lidar com a cultura. A relação do cristão com a cultura é marcada por uma tensão dinâmica entre a ira e a misericórdia. “Lutero enfatizou este tema com sua doutrina dos ‘dois reinos’: a mão esquerda, mundana, segura a espada do poder no mundo, enquanto a mão direita, celeste, segura a espada do Espírito, a Palavra de Deus. Não se pode tentar coagir a fé, nem se pode tentar acomodar a fé aos modos seculares de pensamento”.

5 – O Cristão Como Agente Transformador da Cultura

A quinta categoria mostra o cristão como agente transformador da cultura. Sua compreensão é de que a cultura deve ser levada cativa ao senhorio de Cristo. Sem desconsiderar a queda e o pecado, mas enfatizando que, no princípio, a criação era boa, os que estão nesse grupo de cristãos enfatizam que o objetivo da redenção é transformar a cultura. Por mais iníquas que sejam certas instituições, elas não estão fora do alcance da soberania de Deus. Agostinho, João Calvino, John Wesley, Jonathan Edwards e Abraham Kuyper são alguns dos que entenderam que os cristãos são agentes de transformação da cultura.

LIVRO PARA CONSULTA

FERREIRA, Franklin; MYATT, Alan. Teologia Sistemática: Uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual. São Paulo: Vida Nova, 2008. p. 669-672.

5 de agosto de 2014

Escatologia: O Pre-Milenismo Histórico


ESCATOLOGIA: O PRE-MILENISMO HISTÓRICO

Pr. Gilson Soares dos Santos

1 A concepção pré-milenista histórica

     Vejamos a definição desta corrente escatológica nos dizeres de Charles C. Ryrie (2011, p. 523):

É a visão que afirma que a Segunda Vinda de Cristo ocorrerá antes do milênio. Isso resultará no estabelecimento do reinado de Cristo nesta Terra por um período literal de mil anos. Também entende que haverá muitas ocasiões em que ressurreições e juízos ocorrerão. A eternidade começará após esses mil anos serem concluídos. Dentro do pré-milenismo, existem visões diferentes sobre quando o arrebatamento ocorrerá.
Todas as formas do pré-milenismo entendem que o milênio virá após a segunda vinda de Cristo.

     Na explicação de Erickson (1997, p. 511) o pré-milenismo pode ser entendido da seguinte forma:

O pré-milenismo devota-se ao conceito de um reinado terreno de Jesus Cristo, com duração de cerca de mil anos (ou, pelo menos um período substancial de tempo). [...] entende que Cristo estará fisicamente presente durante esse tempo; crê que Jesus retornará de forma pessoal e física, a fim de iniciar o milênio. Sendo assim, o milênio deve ser considerado ainda futuro.

1.1 Ordem dos eventos no pré-milenismo histórico

     Ferreira e Myatt (2008, p. 1102) descrevem a ordem dos eventos no pré-milenismo da seguinte forma:

Segundo o pré-milenismo histórico, a ordem dos eventos pode ser assim resumida: 1) época presente da igreja, da evangelização e da apostasia do homem; 2) grande tribulação de sete anos, ascensão do anticristo e perseguição da igreja; 3) volta de Cristo, arrebatamento, primeira ressurreição e batalha do Armagedom', 4) inauguração do milênio e prisão de Satanás no abismo; 5) fim do milênio, soltura de Satanás e rebelião das nações; 6) derrota final de Satanás, ressurreição dos ímpios e julgamento final; 7) estado eterno.

1.2 Argumentos oferecidos pelo pré-milenismo histórico

     Vejamos, segundo Norman Geisler (2010, p. 940), os argumentos oferecidos pelo pré-milenismo histórico:

(1) Explica melhor a promessa incondicional de terra feita a Abraão e seus descendentes (Gn 12; 14,15).
(2) Permite um melhor entendimento da aliança incondicional davídica (de que seu descendente iria reinar para sempre — 2 Samuel 7.12ss.).
(3) E necessário para o cumprimento de numerosas previsões do Antigo Testamento sobre uma era messiânica (cf. Is 9; 60; 65).
(4) Explica a promessa de Jesus de que Ele e Seus apóstolos reinarão sobre tronos em Jerusalém (Mt 19.28).
(5) Esta baseado na resposta de Jesus a pergunta dos discípulos a respeito de restaurar o reino de Israel (At 1.5-7).
(6) Confirma a declaração de Paulo, de que Cristo ira reinar ate que a morte seja derrotada (1 Co 15.20-28).
(7) E consistente com a promessa de Romanos 11, de que Israel será restaurado.
(8) Estabelece a interpretação literal de que Cristo e os santos ressuscitados irão reinar durante “mil anos” (Ap 20.1-6).

1.3 Defensores do pré-milenismo histórico

     Veja o que apresenta Ferreira e Myatt (2008, p. 1101):

O chamado pré-milenismo histórico foi a posição dominante dos pais da igreja na teologia, entre os séculos II e IV. Entre esses pais da igreja, podemos mencionar Justino de Roma, Irineu de Lion, Tertuliano e Cipriano, embora existissem outras interpretações sobre o milênio. Papias, que, segundo a tradição, foi discípulo do apostolo João, cria na ideia de um reino literal de mil anos na Terra, depois da segunda vinda de Cristo. Essa é a noção que define o pré-milenismo. Ao defender o milênio, esses pensadores entendiam que estavam defendendo a ortodoxia cristã de três maneiras: 1) apoiando a apostolicidade e canonicidade do Apocalipse contra os que combinaram a negação desse livro com a rejeição ao milenismo; 2) opondo-se aos gnósticos, que espiritualizavam a doutrina cristã, destruindo a esperança do futuro; 3) opondo-se aos cristãos platônicos, como Orígenes, cuja rejeição de um milênio literal era baseada numa hermenêutica alegórica e que revelava um menosprezo idealista para com a criação.
Durante a Reforma protestante, William Tyndale e muitos dos anabatistas defenderam o pré-milenismo.
No século XVII, vários puritanos também afirmaram esta posição, como William Twisse, que presidiu a assembleia que preparou a Confissão de Fé de Westminster, Thomas Goodwin, William Bridge e Jeremiah Burroughs.  Quase todos os puritanos da Nova Inglaterra eram pré-milenistas, entre eles, Cotton Mather. Entre os batistas são contados, Benjamin Keach e John Gill, e entre os pietistas alemães, Phillip Jakob Spener e Johann A. Bengel.
No grande avivamento do século XVIII, Charles Wesley e Augustus Toplady afirmaram o pré-milenismo, assim como os irmãos Andrew e Horatius Bonar e C. H. Spurgeon, no século XIX, na Escócia e na Inglaterra.
Entre os teólogos contemporâneos que afirmam esta posição estão Oscar Cullmann, Russell Shedd, George Eldon Ladd, Wayne Grudem, R. K. McGregor Wright e Millard Erickson.

     Outros nomes a favor do pré-milenismo, são: Clemente de Alexandria (150 – 215), O puritano Cotton Mather (1663-1728), Crififith Thomas (1861-1924), James Montgomery Boice (1938-2000).



BIBLIOGRAFIA PARA CONSULTA


ERICKSON, Millard J. Introdução à Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1997.

FERREIRA, Franklin; MYATT, Alan. Teologia Sistemática: Uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual. São Paulo: Vida Nova, 2008.

GEISLER, Norman. Teologia Sistemática. Vol. 2. Rio de Janeiro: CPAD. 2010.

RYRIE, Charles C. Teologia Básica ao Alcance de Todos. São Paulo: Mundo Cristão, 2011.




30 de julho de 2014

Por que não evangelizamos? Mike McKinley apresenta cinco razões


POR QUE NÃO EVANGELIZAMOS? MIKE MCKINLEY APRESENTA CINCO RAZÕES

Pr. Gilson Soares dos Santos

Certa vez, na minha adolescência, elaborei uma estratégia de evangelização que, posteriormente, fiquei sabendo que chamava-se Axioma de Strachan, do Dr. Kenneth Strachan, e consiste no seguinte: “Todo e qualquer movimento cresce na medida em que mobiliza todos e cada um dos seus componentes na propagação de suas crenças.”. Vejamos um aspecto bem prático da minha estratégia de evangelização (que não é minha):

2014: 1 ganha e instrui outro = 2
2015: 2 ganham e instruem 2 = 4
2016: 4 ganham e instruem 4 = 8
2017: 8 ganham e instruem 8 = 16
2018: 16 ganham e instruem 16 = 32
2019: 32 ganham e instruem 32 = 64
2020: 64 ganham e instruem 64 = 128
2021: 128 ganham e instruem 128 = 256
2022: 256 ganham e instruem 256 = 512
2023: 512 ganham e instruem 512 = 1024

Em dez anos, uma igreja que começou com apenas uma pessoa terá 1024 crentes. Eu ficava pensando: por que não fazemos isto? Por que nós, cristãos autênticos, não fazemos assim? Ainda continuo pensando: por que não evangelizamos?

Quero postar aqui um artigo, de autoria de Mike McKinley, sob o título “Cinco Razões Pelas Quais Não Evangelizamos”, que pode ser encontrado no site do ministério fiel, da conceituada Editora fiel.

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CINCO RAZÕES PELAS QUAIS NÃO EVANGELIZAMOS


O Novo Testamento compele o povo de Deus a levar o evangelho para o mundo. Jesus deu aos seus discípulos uma ordem permanente de ir e fazer discípulos (Mt 28.19). Ele lhes disse que eles se tornariam pescadores de homens (Mt 4.17). Pedro aconselhou as igrejas da Ásia Menor a estarem prontas quando as pessoas fizessem perguntas sobre a sua esperança (1Pe 3.15).

Mas parece que algo saiu dos trilhos. Muitos cristãos não vivem como pescadores de homens. Não são muitas as pessoas que nos perguntam sobre a esperança que temos em Cristo, e quando elas perguntam, nós não estamos prontos para dar uma resposta. As igrejas evangélicas falam muito sobre evangelismo, mas de acordo com pesquisas, a maioria dos membros de igreja não compartilham a fé com muita frequência.

Por que não evangelizamos?

Eu gostaria de sugerir cinco razões pelas quais igrejas e membros de igreja não compartilham o evangelho como parte do curso normal da vida. Outros artigos sugerem maneiras de remediar essa situação, mas por agora, nos atentemos a diagnosticar o problema.

1. As igrejas isolam os cristãos dos incrédulos

Em primeiro lugar, as igrejas isolam os cristãos dos incrédulos. Em outras palavras, muitos cristãos não conhecem nenhum incrédulo. Embora nossas vidas diárias nos coloquem em contato regular com muitas pessoas que não conhecem Jesus, é fácil passar pela vida sem ter relacionamentos próximos com qualquer uma delas.

As igrejas permitem esse isolamento de algumas maneiras. Muitas igrejas organizam uma série de programas nas noites dos dias de semana e, então, definem se um membro de igreja é bom em termos de presença em tais programas. Como resultado, os calendários de muitos cristãos são cheios de atividades na igreja e há pouco tempo para convidar vizinhos e colegas de trabalho até suas casas.

Além disso, algumas congregações cultivam hostilidade para com o mundo. Conforme nossa cultura se torna cada vez mais explicitamente hostil ao cristianismo e à moralidade bíblica, é fácil permitir que se estabeleça uma mentalidade de defesa. Quando isso acontece, o mundo lá fora se torna um bicho papão e a maneira pela qual o povo de Deus continua santo é mantendo a distância dele. Então os cristãos vivem vidas em trilhos paralelos aos do mundo, com suas próprias escolas, negócios, ligas esportivas e programas de escotismo, mas pouquíssimas chances de construir relacionamentos com incrédulos.

2. Nós acreditamos que o evangelismo é extraordinário

Uma segunda razão pela qual os cristãos não evangelizam é por acreditarem que se trata de algo extraordinário. Nós suspeitamos que o evangelismo é apenas para aqueles que possuem o dom do evangelismo, ou para pastores e outros cristãos profissionais. Então simplesmente não se sentem capazes de compartilhar o evangelho. De tempos em tempos as pessoas na minha congregação trazem amigos ou familiares até mim para que eu fale de Jesus para elas, e eu tenho que desafiá-las a tomarem coragem e fazerem elas mesmas! Afinal, em Atos 8.1-4 não são os apóstolos, mas cristãos “normais” que levam a mensagem a respeito de Jesus para fora de Jerusalém e para o resto do mundo.

3. As igrejas não falam sobre o custo de seguir Jesus

Em terceiro lugar, nossas igrejas não falam sobre o custo de seguir Jesus. Contudo, o evangelismo pode ser custoso. Realmente não há como contar às pessoas que você crê que Deus tomou carne humana, sendo nascido de uma virgem e então, após ter morrido em uma cruz, ressuscitou e subiu de volta aos céus, sem ao menos correr o risco de perder o favor delas. Mas tudo bem. O Apóstolo Paulo diz que Deus intencionalmente nos salva de uma maneira que parecerá louca aos “sábios” do nosso mundo (1Co 1.18-29). Nossa mensagem não será bem recebida por aqueles que estão perecendo, mas será como um cheiro fétido em suas narinas (2Co 2.14-16).

Se eu entendi Paulo corretamente, na verdade, é parte do plano de Deus que você sofra um pouco enquanto compartilha o evangelho. Se você não concorda, leia o livro de Atos e tome nota cada vez que uma pessoa compartilha o evangelho e algo ruim acontece com ela.

Mas muitas igrejas nunca confrontam seus membros com a realidade de que seguir Cristo lhes custará algo. Nós lhes ensinamos que Deus só está preocupado com eles e com a sensação de bem-estar deles. Então, quando chega a hora de pagar o preço e compartilhar o evangelho, muitos de nós simplesmente não estamos dispostos a perder as nossas reputações.

4. Nós buscamos resultados imediatos

Quarto lugar, nós buscamos resultados imediatos. É claro que é fácil ficar desencorajado quanto ao nosso evangelismo. Talvez tenhamos lido um livro ou ouvido um sermão e saído para compartilhar a nossa fé, apenas para ficarmos mais desencorajados quando nada acontece visivelmente. Penso que muitos cristãos simplesmente desistiram do evangelismo por terem feito um esforço e não terem visto nenhum resultado.

Mas simplesmente não estamos em uma posição de julgar o que Deus está fazendo em cada situação específica. Pode ser que no plano de Deus nós sejamos a primeira pessoa em uma longa fila de pessoas que evangelizarão alguém antes que ela venha a Cristo. Posso pensar em muitos exemplos de conversas e esforços evangelísticos que pareciam uma perda de tempo. Muito mais tarde, fui descobrir que aquela pessoa havia vindo a Cristo.

O evangelho é o poder de Deus para a salvação (Rm 1.16), e a palavra de Deus é viva e poderosa (Hb 4.12-13). Nós devemos cultivar confiança de que o Senhor, que dá o crescimento, completará a sua redenção. Ele salvará almas. Ele frequentemente não fará isso de acordo com a nossa programação, e ele pode não escolher as pessoas que nós escolheríamos. Mas ele nos usará se formos fiéis.

5. Nós não somos claros na mensagem

Uma razão final pela qual não evangelizamos é que não somos claros na mensagem. Quando alguém pede para se unir à nossa igreja, uma das coisas que eu peço é que a pessoa resuma brevemente a mensagem do evangelho (em aproximadamente 60 segundos). E eu sempre fico surpreso com a quantidade de cristãos que acham difícil fazer isso. Não é que eles não creem no evangelho — eles creem. Não é que eles sejam ignorantes — muitos deles conhecem as suas Bíblias muito bem. E embora eles possam ficar nervosos ou surpresos com a pergunta, ainda é uma tendência preocupante. Não há como compartilhar o evangelho se você não está preparado para compartilhar o evangelho.

Mike McKinley

Tradução: Alan Cristie

Para ler direto do site:

http://www.ministeriofiel.com.br/artigos/detalhes/707/Cinco_Razoes_Pelas_Quais_Nao_Evangelizamos

25 de julho de 2014

O que significa "Seio de Abraão"?


O QUE SIGNIFICA “SEIO DE ABRAÃO”?

Pr. Gilson Soares dos Santos

Na postagem de hoje, estarei respondendo à pergunta acima: o que significa “Seio de Abraão”?, termo citado por Jesus na parábola do Rico e Lázaro. Para isto, formularei um diálogo com o “Dicionário Bíblico Wycliffe”, publicado pela CPAD, conforme você lerá na parte “Fonte Bibliográfica”. Usarei a Abreviatura DBW para Dicionário Bíblico Wycliffe.


PR. GILSON: Na Parábola do Rico e Lázaro, encontramos a expressão “Seio de Abraão”. O que significa?

DBW: Essa frase figurativa reproduz a bem aventurança do crente no paraíso após a morte.

PR. GILSON: Essa expressão encontra-se em outros escritos ou somente no texto bíblico?

DBW: Embora seja usada no judaísmo rabínico, a única ocorrência escrita dessa expressão encontra-se na parábola proferida por Cristo sobre o homem rico e Lázaro (Lc 16.19ss.). Ao morrer o mendigo Lazaro é carregado pelos anjos até o seio de Abraão, enquanto o homem rico, depois de seu enterro, é atormentado no Hades.

PR. GILSON: Era assim que as pessoas criam no Antigo Testamento, ou seja, que os mortos vão morar com Abraão?

DBW: De acordo com o AT, ao morrer as pessoas vão ao encontro de seus pais (Gn 15.15; 47.30; Dt 31,16; Jz 2.10).

PR. GILSON: Por que essa crença?

DBW: Como Abraão era o pai dos judeus (Lc 3.8; Jo 8.39s.), a forma mais concreta dessa expressão era ir ao pai Abraão (IV Mac 13.17). Uma simples variação disto era falar da vida após a morte em termos de “seio de Abraao”.

PR. GILSON: Isto era consenso entre os judeus?

DBW: No judaísmo rabínico a frase tinha dois sentidos distintos, e os intérpretes estão divididos quanto ao significado preciso da frase nessa parábola. Deitar-se ou sentar-se no seio de Abraão pode exprimir, figurativamente, a carinhosa comunhão que existe entre Abraão e seus descendentes crentes no céu, em uma analogia a ternura paternal de um pai para com o seu filho (Jo 1.18). Outros acreditam que a figura está enfocando, principalmente, o banquete celestial onde, de acordo com a maneira romana de festejar, também usada pelos judeus, Lazaro está reclinado sobre uma mesa com a cabeça no seio de Abraão, seu anfitrião (Jo 13.23; 21.20).

PR. GILSON: Qual dos dois sentidos se aplica à parábola?

DBW: Talvez ambos elementos possam ser aplicados a parábola. Como as Escrituras geralmente representam a alegria do céu em termos de um banquete (Mt 8.11; Lc 13.28,29; 14.16ss.), seria natural que isto estivesse implícito na figura do pobre mendigo que antes se alimentava das migalhas da mesa do rico e que agora está gozando da abundância do banquete celestial. Mas a intimidade e a comunhão não estão ausentes desse quadro. O mendigo, solitário e proscrito, está agora gozando das venturas do céu na íntima companhia do pai dos crentes. E como Lazaro está no seio de Abraão, também parece que ele recebeu um lugar de honra nesse banquete. Os interpretes também diferem se o seio de Abraão representa um lugar que pode ser uma divisão ou compartimento do Hades.

PR. GILSON: Por falar em Hades, como os escritos judaicos expõem o lugar dos mortos?

DBW: Nos escritos judaicos, Seol-Hades é, muitas vezes, o lugar dos mortos em geral, incluindo tanto os justos quanto os pecadores. No capitulo 22 da psd. de Enoque existem até quatro divisões para Hades onde os mortos ficam a espera do dia do julgamento.

PR. GILSON: Mas, na parábola parece que não é assim.

DBW: Aqui o seio de Abraão e o Hades são lugares distintos. Jesus fala do homem rico somente no Hades, e lá ele vê Abraão “ao longe”, informado que existia um “grande abismo' entre eles, de modo que qualquer transferência seria impossível. Abraão e Lazaro estão em uma posição abençoada, enquanto no Hades o homem rico sofre tormentos e pede água para refrescar a sua língua. Essas terríveis condições aparecem como as consequências inerentes de estar no Hades, Suas implicações escatológicas são claras, pois a fé de Lázaro o leva à alegria da vida eterna (o seio de Abraão) enquanto a fortuna do descrente homem rico não pode protegê-lo dos tormentos do inferno (Hades), Esse contexto não oferece apoio a opinião de alguns católicos romanos segundo a qual o seio de Abraão está se referindo ao Limbus patrum, um lugar onde os crentes do AT gozam de paz enquanto esperam pela perfeita redenção de Cristo.

FONTE BIBLIOGRÁFICA

PFEIFFER, Charles F. VOS, Howard F. REA, John. Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD. 2010. p.14.

20 de julho de 2014

Congregacional de Areia em Festa: 43 Anos de Organização Eclesiástica

CONGREGACIONAL DE AREIA EM FESTA: 43 ANOS DE ORGANIZAÇÃO ECLESIÁSTICA

Pr. Gilson Soares dos Santos

No próximo dia 24 de Julho, a Igreja Evangélica Congregacional Monte da Bênção, da cidade de Areia – Paraíba, estará completando 43 anos de organização eclesiástica.

A festa começa hoje, dia 20 de Julho. Cultuaremos a Deus pelos 43 anos de organização conforme a programação abaixo:



15 de julho de 2014

Quem são e o que ensinam os falsos mestres


QUEM SÃO E O QUE ENSINAM OS FALSOS MESTRES
I Timóteo 1.3-7; 4.1-16

Pr. Gilson Soares dos Santos

“3 Quando eu estava de viagem, rumo da Macedônia, te roguei permanecesses ainda em Éfeso para admoestares a certas pessoas, a fim de que não ensinem outra doutrina.
4nem se ocupem com fábulas e genealogias sem fim, que, antes, promovem discussões do que o serviço de Deus, na fé.
5 Ora, o intuito da presente admoestação visa ao amor que procede de coração puro, e de consciência boa, e de fé sem hipocrisia.
6 Desviando-se algumas pessoas destas coisas, perderam-se em loquacidades frívolas,
7 pretendendo passar por mestres da lei, não compreendendo, todavia, nem o que dizem, nem os assuntos sobre os quais fazem ousadas asseverações.” (I Tm 1.3-7).

“1 Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios,
2 pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência,
3 que proíbem o casamento e exigem abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos, com ações de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade;
4 pois tudo o que Deus criou é bom, e, recebido com ações de graças, nada é recusável,
5 porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificado.
6 Expondo estas coisas aos irmãos, serás bom ministro de Cristo Jesus, alimentado com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido.
7 Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas caducas. Exercita-te, pessoalmente, na piedade.
8 Pois o exercício físico para pouco é proveitoso, mas a piedade para tudo é proveitosa, porque tem a promessa da vida que agora é e da que há de ser.
9 Fiel é esta palavra e digna de inteira aceitação.
10 Ora, é para esse fim que labutamos e nos esforçamos sobremodo, porquanto temos posto a nossa esperança no Deus vivo, Salvador de todos os homens, especialmente dos fiéis.
11 Ordena e ensina estas coisas.
12 Ninguém despreze a tua mocidade; pelo contrario, torna-te padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza.
13 Até à minha chegada, aplica-te à leitura, à exortação, ao ensino.
14 Não te faças negligente para com o dom que há em ti, o qual te foi concedido mediante profecia, com a imposição de mãos do presbitério.
15 Medita estas coisas e nelas sê diligente, para que o teu progresso a todos seja manifesto.
16 Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes.” (I Timóteo 4).

INTRODUÇÃO

A realidade da igreja brasileira

Não é novidade para ninguém: um verdadeiro vendaval de doutrinas estranhas tem soprado contra a Igreja, principalmente aqui em nosso Brasil.

Esse vendaval de doutrinas falsas tem envolvido muitos crentes. Tem arrastado crentes das igrejas e deixado outros confusos.

Os falsos líderes apresentam suas falsas doutrinas e práticas e tem confundido muita gente.

Na época de Paulo

Na época do apóstolo Paulo, já havia esses falsos mestres e profecias de que nos fins dos tempos se multiplicaria o número deles.

Por isso, o apóstolo dá orientações a Timóteo sobre os falsos mestres.

Nosso objetivo

Queremos, com base nos textos lidos identificarmos:

a)     Quem são e o que ensinam os falsos mestres.
b)    Como combater os falsos ensinos.

I – A AÇÃO DOS FALSOS MESTRES

1.1    – Ensinam outra doutrina (v3)

“3 Quando eu estava de viagem, rumo da Macedônia, te roguei permanecesses ainda em Éfeso para admoestares a certas pessoas, a fim de que não ensinem outra doutrina.”

1.2    – Se ocupam com coisas que não passam de fábulas (v3)

Ainda hoje existem grupos que se dizem cristãos que são fanáticos e envolvidos com coisas que beiram o ridículo, pior que as fábulas.

Desde testemunhos mentirosos à pregações mentirosas e falsas esses pregadores mentem e enganam o povo.

1.3    – Outros só servem para promover discussões teológicos e genealógicas (v4)

Infelizmente, muitos líderes só servem para promover discussões teológicas, nada mais.

São aquelas pessoas que estão preocupadas com uma herança de ensino que em nada contribui para o Reino de Deus.

1.4    – Seus ensinos e práticas não prestam nenhum serviço ao Reino de Deus. (v4)

Muitos líderes vivem ensinando doutrinas e práticas que em nada servem para o crescimento do reino nem em qualidade nem em quantidade.

1.5    – Ensinam coisas que eles mesmos não entendem nada do que ensinam (v7).

Quantos se tornaram verdadeiros “papagaios” apenas repetem aquilo que escutam, mas nem eles mesmos compreendem o que praticam e ensinam.

1.6    – São pessoas que se desviaram da verdade, são apóstatas (I Tm 1.6; 4.1)

Os falsos mestres se desviram da verdade e se envolveram em tagarelice sem importância.

1.7    – A doutrina deles são ensinos de demônios (I Tm 4.1)

Paulo chega a dizer que essas pessoas dão ouvidos a doutrina de demônios, e, certamente ensinam doutrina de demônios.

1.8    – São mentirosos e têm a consciência cauterizada (4.2)

A consciência deles é uma consciência morta.

A consciência não acusa mais sobre nada.

1.9    – Seus ensinos vão contra as coisas que Deus preordenou (4.3-5)

II – COMO COMBATER OS FALSOS ENSINOS

2.1 – Ensinando aos irmãos a se prepararem contra os falsos ensinos (4.6)

2.2 – Ordenando e ensinando a Palavra (4.11).

2.3 – Desenvolvendo o dom que Deus nos deu (4.14).

2.4 – Dedicando-se á leitura da palavra, à exortação e ao ensino (4.13)

2.5 – Tendo cuidado próprio (4.16).

CONCLUSÃO

Tudo quanto está na Palavra de Deus serve de alerta para nós, em nossa época.

É preciso seguir o que diz a Palavra, a fim de estarmos preparados contra os falsos mestres.

10 de julho de 2014

O problema do mal

O PROBLEMA DO MAL

Gilson Soares dos Santos

Apesar de toda cosmovisão ter de lidar com o problema do mal, o problema é mais relevante para o teísmo cristão. O problema do mal é um desafio sério para o cristianismo.

Nessa postagem, estarei trazendo um resumo sobre o problema do mal. É algo bem resumido, é claro, mas que trata um pouco sobre a questão.

1 – Quatro questões básicas para o problema do mal

     Segundo Franklin Ferreira e Alan Myatt (2007, p. 342):

Historicamente, ha quatro respostas básicas para o problema do mal:

A primeira é que Deus não existe e o mal não existe. Quase nenhum pensador mantém esta posição hoje, mas ela foi afirmada por Friedrich Nietzsche entre outros. O problema desta posição é que o ser humano não pode escapar da realidade do mal.

A segunda é que Deus não existe, mas o mal existe. Essa é a posição comum do ateísmo nas suas varias formas, como no humanismo, no positivismo, no marxismo e no existencialismo. O problema é que, assim, todo o mal é apenas uma percepção humana. No fim, o mal se torna algo totalmente relativo. Por exemplo, a partir desta posição, o que era o mal para os nazistas, não era o mal para os judeus e outras minorias que foram perseguidas por eles.

A terceira resposta é que Deus existe, mas o mal não existe. Esta é a resposta do panteísmo em suas diversas formas, como o hinduísmo e o budismo. Em última instância, tudo é Deus. Então, o mal não existe em sua essência. As coisas somente parecem, mas para o entendimento não-iluminado.

E, em quarto lugar, a última posição afirma que Deus existe e o mal também existe. Esta resposta pode incorrer em duas perspectivas deficientes. Uma delas seria o dualismo, que diz que há duas forças iguais e opostas em fluxo contínuo no universo. A outra é o finitismo, que nega um ou mais dos atributos de Deus, como por exemplo, sua onipotência, onisciência, imutabilidade, bondade ou amor. Alguns dizem que Deus é bom, mas não é onipotente, como no judaísmo contemporâneo, representado pelo Rabino Kushner, na teologia do processo, no mormonismo e entre os que ensinam a chamada teologia relacional. Para estes, Deus não controla o universo. Só que, como vimos anteriormente, o problema é que esta representação de Deus é inferior ao Deus revelado nas Escrituras. Outros têm dito que Deus é onipotente, mas não é completamente bom, como insistem alguns dos deístas. Mas isso significaria que Deus, como se revela nas Escrituras, se contradiz. Ele deixaria de ser santíssimo.

“Embora a Bíblia não seja especifica sobre a questão da origem do mal, parece que o mal entrou no universo através do exercício da agência dos seres pessoais, como Satanás e Adão. A capacidade de fazer escolhas que Deus criou era boa em si, refletindo sua própria imagem. “. (Idem, p.342).

2 – O Paradoxo de Epicuro

O Paradoxo de Epicuro é um dilema sobre o problema do mal, atribuído ao filósofo grego Epicuro (341-271 a.C.), que consiste no seguinte:

1 – Deus existe e quer acabar o mal, mas não pode fazê-lo? Então não é onipotente.

2 – Deus existe e pode acabar o mal, mas não quer fazê-lo? Então é malvado.

3 – Deus pode e quer acabar o mal, então por que permite sua existência?

4 – Deus pode e não quer acabar o mal, então por que chamá-lo Deus?

3 – Uma primeira explicação para a presença do mal no mundo

Para muitos, a resposta que deve ser dada ao Paradoxo de Epicuro está nas seguintes premissas:

1 – Deus criou toda substância.
2 – O mal não é uma substância (mas uma privação numa substância).
3 – Logo, Deus não criou o mal.

Vejamos como Norman Geisler (2002, p.535) expõe esse ponto de vista:

O mal não é uma substância, mas a corrupção das substâncias boas que Deus fez. O mal é como a ferrugem no carro ou a podridão na árvore. É a falta de coisas boas, mas não é algo por si só. O mal é como a ferida no braço ou furos de traça na roupa. Só existe em outra coisa, não sozinho.

Esse ponto de vista não nega a realidade do mal, mas descrê que ele (o mal) exista por si mesmo. Para existir, o mal depende de algo que foi criado.

4 – A resposta do Teísmo Cristão ao problema do mal no mundo

Vejamos as seguintes premissas:

1. Deus existe
2. Deus é onipotente
3. Deus é onisciente
4. Deus é onibenevolente
5. Deus criou o mundo e
6. O mundo contém o mal.

Para Epicuro, e muitos dos seus seguidores com o passar dos séculos, as premissas acima se contradizem.
  
Vejamos como Ferreira e Myatt (2007, p.344) explicam estas premissas do teísmo cristão:

A pergunta é uma só: “onde está a contradição aqui?” Como Ronald Nash disse, não há contradição entre qualquer uma dessas premissas, a menos que alguém introduza princípios ou definições dos termos empregados que não são necessários ao teísmo cristão. O cético responde: “Ora, certamente um ser onibenevolente não criaria um mundo onde o mal existe”. O cristão pode responder: “Mas quem foi que disse isso?” Não há nada na teologia cristã que sustente tal ponto. A Bíblia, que é a fonte da fé cristã, ensina exatamente o contrário. Assim, por que um cristão deveria aceitar a noção de que suas crenças são contraditórias, quando para se chegar a tal conclusão é necessário aceitar uma premissa alheia ao sistema cristão? Esta é uma exigência irracional por parte do cético.
[...] A Bíblia indica que há razões porque Deus permite que o mal continue temporariamente. Uma dessas razões é para que Deus possa mostrar misericórdia às pessoas más, dando-lhes uma oportunidade para se arrepender e mudar seus caminhos, antes de julgá-las. Essa última noção deveria fazer o crítico parar para pensar. Quando ele exige que Deus elimine o mal de imediato, ele deveria considerar se há ou não algum mal dentro de si mesmo. Uma exigência para que Deus elimine todo o mal de antemão poderia se tornar uma exigência para que Deus assim elimine o próprio cético também.

A resposta conclusiva para o problema do mal no mundo está nas seguintes premissas:

1 – Deus é absolutamente bom e deseja derrotar o mal.
2 – Deus é onipotente e é capaz de derrotar o mal.
3 – O mal ainda não foi derrotado.
4 – Portanto, um dia o mal será derrotado.

“O poder e perfeição infinitos de Deus garantem a derrota final do mal. O fato de não ter acontecido ainda não diminui de forma alguma a certeza de que o mal será derrotado. [...] O Deus teísta pode derrotar o mal, e fará isso. Sabemos disso porque ele é absolutamente bom e quer derrotar o mal. E, por ser onipotente, ele é capaz de derrotar o mal. Portanto, ele o fará. A garantia de que o mal será derrotado é a natureza do Deus teísta”. (GEISLER, 2002, p.537).



BIBLIOGRAFIA PARA CONSULTA


FERREIRA, Franklin; MYATT, Alan. Teologia sistemática: Uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual. São Paulo: Vida Nova, 2007.

GEISLER, Norman L. Enciclopédia de Apologética. São Paulo: Vida. 2002.

GEISLER, Norman L. FEINBERG, Paul D. Introdução à Filosofia: Uma perspectiva cristã.  Reimpressão. São Paulo: Vida Nova. 1989.

MORELAND, J. P. CRAIG, William Lane. Filosofia e Cosmovisão Cristã. São Paulo: Vida Nova. 2005.