O Pr. Gilson Soares dos Santos é casado com a Missionária Selma Santos, tendo três filhos: Micaelle, Álef e Michelle. É servo do Senhor Jesus Cristo, chamado com santa vocação. Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional), Campina Grande/PB; Graduado em Filosofia pela UEPB (Universidade Estadual da Paraíba); Pós-Graduando em Teologia Bíblica pelo CPAJ/Mackenzie (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper). Professor de Filosofia e Teologia Sistemática no STEC. Professor de Teologia Sistemática no STEMES, em Campina Grande - Paraíba. Pastor do Quadro de Ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (AIECB). Pastoreou a Igreja Evangélica Congregacional de Cuité/PB, durante 15 anos (1993-2008). Atualmente é Pastor Titular da Igreja Evangélica Congregacional em Areia - Paraíba.

19 de dezembro de 2016

Não deixe tua teologia ficar no lugar do teu amor? Como assim?


NÃO DEIXE TUA TEOLOGIA FICAR NO LUGAR DO TEU AMOR? COMO ASSIM?

Josemar Bessa*

Eu ouvi um proeminente pastor evangélico advertir em um sermão, que não devemos deixar que nossa teologia fique no caminho do nosso amor.

Fico sempre chocado ao ouvir pastores advertindo contra a teologia, porque isso equivale a um ato de “auto-sabotagem” – se de fato você é cristão. A teologia é tudo o que temos. Imaginem o Steve Jobes falando contra o uso de smatphones, ou Bill Gates falando sobre não usarmos computadores, ou George Foreman falando contra comer carne e ter um grill... Tire a teologia bíblica da igreja e ela não tem mais nada a não ser puro vapor e ar.

A “teologia” não bíblica pode ficar no caminho do amor (como Deus o define) – na verdade se não é teologia bíblica ficará certamente no caminho do amor. Toda compaixão que leve a uma redefinição do evangelho é falsa e o oposto do amor.

Eu entendo então como a falsa teologia ( humanista ) pode ficar no caminho do amor. Mas a boa teologia é simplesmente a visão de Deus sobre a criação, a humanidade, o pecado, a salvação, o sexo, o casamento, os relacionamentos... em conformidade com tudo o que Deus revelou sobre si mesmo. Na medida em que falamos sobre qualquer um desses assuntos de forma que se alinhe com o que Deus claramente diz em Sua Palavra, temos boa teologia... temos a Verdade de Deus! Este pensamento correto sobre Deus ( Como Ele se revelou ) e Seu mundo deve nos levar a amar a Deus sobre TUDO (Como Ele é ), e apenas como um eco desse amor supremo amar a sua criação – criada para manifestar a glória da Sua pessoa, Seu caráter... Ou seja, nós ainda não entendemos realmente e amamos o que Ele revelou, ou ainda somos seus inimigos.

A Bíblia em nenhum lugar sugere que boa teologia pode dificultar amor. Paulo passa a primeira metade de suas cartas expondo boa teologia. Quando ele faz a transição para aplicação na segunda parte de suas cartas, ele nunca adverte que algumas das coisas boas reveladas por Deus que ele mencionou no início de suas cartas podem agora se tornar um perigo. E nem nós jamais deveríamos, se servimos o mesmo Deus e cremos na mesma Palavra.

O pastor que estava falando sobre não deixarmos nossa doutrina ficar no caminho do amor, estava abordando a questão homossexual. Ele não tinha coragem de dizer que o que a Bíblia diz sobre isto está errado ( pelo menos por enquanto não ) – então ele dizia que a teologia não era de todo ruim. Mas ele queria fazer coro com a torcida progressista da cultura atual – então ele disse que o amor ao invés da doutrina é o mais importante. ( Esse sempre foi o discurso do Liberalismo ).

O que ele esqueceu, ou quer que nós esqueçamos, é que nós nem sabemos o que é o amor além da teologia. João escreveu: “Conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós...” (1 João 3:16).  “Deus é amor” ( 1 João 4.8 ). E disse: “E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e não há nele trevas nenhumas.” ( 1 João 1:5 ). A Bíblia continua dizendo em todo lugar que “Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos” (Isaías 6.3)... 

Essas são afirmações teológicas... precisamos de Toda a Verdade de Deus ou não temos a Verdade de forma alguma: “Portanto, no dia de hoje, vos protesto que estou limpo do sangue de todos. Porque nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus.” (Atos 20:26,27). Como toda boa teologia ( Bíblica ), ela nos leva a amar – com a definição de Deus de amor e não da cultura atual. Só o amor como Deus o revela é amor. Por que Ele – em seu caráter santo e imutável – “é amor!” Nada em desacordo com Ele pode ser assim chamado. Se o amor é deturpado nesse mundo, é exatamente por não expressar a Verdade de Deus. Quando estudamos e meditamos nesse Deus, nós estamos fazendo teologia. Teologia bíblica, portanto, jamais é um obstáculo para o amor ( a menos que você tenha abandonado a definição bíblica e abraçado a definição da mente humana em inimizade contra Deus – “Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser.” Romanos 8:7 ).  

Teologia então jamais é um obstáculo para o amor, mas como João, por exemplo, repetidamente diz, é a ÚNICA maneira que ele pode ser expressado no mundo.

A Bíblia ensina em todo lugar, que cada atributo descritivo de Deus inclui todos os outros. Se pegarmos o atributo do seu amor, por exemplo: O amor de Deus é um amor justo, um amor eterno, um amor soberano, um amor santo, um amor que odeia o pecado... muitos ( liberais, humanistas... ) tentam, além de redefinir o amor conforme a cultura, dar à primazia ao amor porque querem negar a primazia de atributos como onipotência e imutabilidade, para não mencionar justiça e ira. Mas a Bíblia só conhece o amor como Deus o define. E se o amor inclui todos os outros atributos - se o amor de Deus é onipotente e imutável, então não se ganha  nada ao tornar o amor o atributo principal de Deus. A não ser que redefinam Deus, o amor... abandonando a Bíblia e abraçando a mente humana em detrimento dela. Mas para estes Tiago diz: “Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.” -  Tiago 4:4

Como filhos de Deus devemos andar de modo digno dEle. Mas como? Paulo diz que fazemos isso vivendo de modo coerente com o caráter revelado de Deus – Por exemplo, no início de Efésios Paulo fala primeiro sobre a revelação do amor de Deus ( 1.4 ), depois sobre a iluminação do povo de Deus apenas por Graça soberana (1.17); e mostra a revelação da sabedoria de Deus na salvação (3.10). Depois, no restante da carta – por exemplo, no capítulo 5, Paulo retoma esses temas e mostra como a verdadeira vida cristã é sempre coerente com eles. Viver segundo a vontade de Deus é andar em amor, é andar na luz, é andar em sabedoria...

"Sede pois imitadores de Deus, como filhos amados; e
andai em amor, como também Cristo vos amou, e se
entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a
Deus, em cheiro suave.
Mas a prostituição, e toda a impureza ou avareza, nem
ainda se nomeie entre vós, como convém a santos; nem
torpezas, nem parvoíces, nem chocarrices, que não
convém; mas antes ações de graças.
Porque bem sabeis isto: que nenhum fornicário, ou
impuro, ou avarento, o qual é idolatra, tem herança no
reino de Cristo e de Deus. Ninguém vos engane com
palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Déus sobre os filhos da desobediência." -Efésios 5:1-6. 

Andar em amor, andar na luz, a ira de Deus sobre o pecado... são tudo aspectos da mesma coisa.

Martinho Lutero costumava dizer que o problema com o homem é que ele é incurvatus in se - curvado sobre si próprio. Ele torceu os propósitos de Deus para a sua vida vivendo para si mesmo. Mas a graça muda isso, e o faz mudar mais e mais, com vistas a produzir a semelhança de Cristo em nós. Andar segundo a vontade de Deus significa viver como uma oferta a Deus e como um sacrifício vivo (Romanos 12:1-2).

Paulo também expressa negativamente o andar em amor. Isso é impressionante, em nossa moderna atmosfera de opinião, em que se presume tão superficialmente que quem ama nunca deve dizer "Não". Este é um conceito absurdo na Bíblia. Neste capítulo 5 de Efésios por exemplo, Paulo dá uma substancial (ainda que não exaustiva) lista de práticas às quais o amor dirá "Não".

Por que há de ser assim? Porque o amor é o cumprimento da lei Portanto, o amor recua ante a quebra da lei. O amor sabe que há muitas atividades sobre as quais ele escreverá com ponteira de ferro:  "Não-Não" (Romanos 13:8-10).

Ter direção, saber e praticar a vontade de Deus, como podemos ver, é uma questão moral, e não apenas intelectual. Assim também o amor é uma questão moral. Não é mera questão de sentimentos. Envolve decisões do coração. Estar andando segundo a vontade de Deus implica que alguma medida desta qualidade do amor cristão está sendo exibida em nossas vidas. No mínimo, se dizemos que desejamos a vontade de Deus, temos que fazer do amor, como revelado em Deus, nosso objetivo.

E como afirmamos anteriormente, teologia então jamais é um obstáculo para o amor, mas como Deus repetidamente diz em Sua Palavra, é a ÚNICA maneira que ele (o amor ) pode ser expressado no mundo. Ame da única maneira possível. Ame teologicamente!

Fonte: http://www.josemarbessa.com/2016/12/nao-deixe-tua-teologia-ficar-no-caminho.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+blogspot%2FCBGG+%28JOSEMAR+BESSA%29 acesso em 19/12/2016.

* O Pastor Josemar Bessa é pastor da Igreja Evangélica Congregacional em Jardim da Luz, RJ.


10 de dezembro de 2016

Para o Dia da Bíblia: As Línguas Bíblicas


PARA O DIA DA BÍBLIA
AS LÍNGUAS BÍBLICAS

Pr. Gilson Soares dos Santos

Nosso estudo agora concentra-se nas línguas que foram usadas na escrita da Bíblia. O Hebraico e o Aramaico para o Antigo Testamento e o Grego para o Novo Testamento, são as línguas originais da Bíblia.

1_ As línguas originais da Bíblia

1.1 – O Hebraico

"Todo o Antigo Testamento foi escrito em Hebraico, o idioma oficial da nação israelita, exceto algumas passagens de Esdras, Jeremias e Daniel, que foram escritas em Aramaico. A mais extensa é em Daniel, que vai de 2.4 a 7.28”.

“O hebraico faz parte das línguas semíticas, que eram faladas na Ásia (mediterrânea), exceto em bem poucas regiões. As línguas semíticas formavam um ramo dividido em grupos, sendo o hebraico integrante do grupo cananeu. Este compreendia o litoral oriental do Mediterrâneo, incluindo a Síria, a Palestina e o território que constitui hoje a Jordânia.”

“Integrava também o grupo cananeu de línguas, o ugarítico, o fenício e o moabítico. O fenício tem muita semelhança com o hebraico. O primitivo alfabeto hebraico é oriundo do fenício, segundo a opinião dos versados na matéria. Tudo leva a crer que Abraão encontrou este idioma em Canaã, ao chegar ali, em vez de trazê-lo da Caldéia. Em Gênesis 31.47, vê-se que Labão, o sobrinho de Abraão, vivendo em sua terra, a Caldéia, falava aramaico; ao passo que Jacó, recém-chegado de Canaã, falava o hebraico.”

“A língua hebraica é chamada no AT "Língua de Canaã" (Is 19.18) e "língua judaica" ou "judaico" (2 Rs 18.26,28; Is 36.13). Como a maior parte das línguas do ramo semítico, o hebraico lê-se da direita para a esquerda. O alfabeto compõe-se de 22 letras, todas consoantes. Há sinais vocálicos, sim, mas não podemos chamá-los de letras.”

“Sabe-se agora que a forma primitiva dos caracteres hebraicos estava em uso na Palestina 1.800 anos antes de Cristo. Exemplos mais recentes das letras hebraicas há no Calendário de Gézer (950-920 a.C), na Pedra Moabita (850 a.C); na inscrição de Siloé (702 a.C); nas moedas do tempo dos irmãos Macabeus (175-100 a.C), e nalguns fragmentos dos escritos achados junto ao mar Morto, a partir de 1947. Esta forma primitiva do hebraico passou por modificações com o correr do tempo. Após o exílio, teve início a chamada "escrita quadrada", que, por fim, foi pelos massoretas convertida na atual forma do alfabeto hebraico - uma forma quadrada modificada.”

“A escrita hebraica dos tempos antigos só empregava consoantes sem qualquer sinal de vocalização. Os sons vocálicos eram supridos pelo leitor durante a leitura, o que dava origem a constantes enganos, uma vez que havia palavras com as mesmas consoantes, mas com acepções diferentes. Quer dizer, a pronúncia exata dependia da habilidade do leitor, levando em conta o contexto e a tradição. É por causa disso que se perdeu a pronúncia de muitas palavras bíblicas.”

“Após o século VI, os eruditos judeus residentes em Tiberíades, passaram a colocar na escrita sinais vocálicos, perpetuando, assim, a pronúncia tradicional. Esses sinais são pontos colocados em cima, em baixo e dentro das consoantes. Os autores desse sistema de vocalização chamavam-se massoretas - palavra derivada de "massorah", que quer dizer tradição, isto porque os massoretas, por meio desse sistema, fixaram a pronúncia tradicional do hebraico. Qualquer texto bíblico posterior ao século VI é chamado "massorético", porque contém sinais vocálicos. Os mais famosos eruditos massoretas foram os judeus Moses bem Asher; e seus filhos Arão e Naftali, que viveram e trabalharam em Tiberíades, na Galiléia.”

“Além do texto massorético, há outro texto hebraico das Escrituras, o do Pentateuco Samaritano, que emprega, os antigos caracteres hebraicos. É do tempo pré-cristão. São, portanto, dois tipos de textos que temos em hebraico: o Massorético e o Pentateuco Samaritano.”

1.2 – O Aramaico

"O Aramaico é um idioma semítico falado desde 2.000 a.C, em Arã ou Síria, que é a mesma região. {Arã é hebreu; Síria é grego.) Nas Escrituras, o território da Síria não é omesmo de hoje, o que acontece também com outras terras bíblicas. O primitivo território estendia-se das montanhas do Líbano até além do Eufrates, incluindo Babilônia, Mesopotâmia Superior (conhecida na Bíblia por Arã-Naaraim; e Padã-Arã - Gn 25.20), e outros distritos. Era ainda falado numa grande área da Arábia Pétrea.”

“Os trechos escritos em aramaico são:

·         Esdras 4.8 a 6.18; 7.12-26.
·         Daniel 2.4 a 7.28.
·         Jeremias 10.11.”

“A influência do aramaico foi profunda sobre o hebraico, começando no cativeiro do reino de Israel, em 722 a.C. na Assíria, e continuando através do cativeiro do reino de Judá, em 587, em Babilônia. Em 536, quando Israel começou a regressar do exílio, falava o aramaico como língua vernácula. É por essa razão que, no tempo de Esdras, as Escrituras, ao serem lidas em hebraico, em público, era preciso interpretá-las, para compreenderem o seu significado (Ne 8.5,8).”

“No tempo de Cristo, o aramaico tornara-se a língua popular dos judeus e  ações vizinhas; estas foram influenciadas pelo aramaico devido às transações comerciais dos arameus na Ásia Menor e litoral do Mediterrâneo. Em 1.000 a.C, o aramaico já era língua internacional do comércio nas regiões situadas ao longo das rotas comerciais do Oriente. O aramaico é também chamado "siríaco", no Norte (2 Rs 18.26; Ed 4.7; Dn 2.4 ARC), e também "caldaico", no Sul (Dn 1.4). Tinha o mesmo alfabeto que o hebraico, diferia nos sons e na estrutura de certas partes gramaticais. Do mesmo modo que o hebraico, não tinha vogais; a partir de 800 d.C, é que os sinais vocálicos lhe foram introduzidos. É muito parecido com o hebraico.”

“O aramaico foi a língua do Senhor Jesus, seus discípulos e da igreja primitiva, em Jerusalém. Em Mateus 5.18, quando Jesus diz que a menor letra é o jota (aramaico iode), Ele tinha em mente o alfabeto aramaico, pois somente neste é que se verifica isto. (A letra iode originou o nosso i). Nos dias de Jesus, o aramaico já se modificara um pouco na Palestina, resultando no "aramaico palestinense", como o chamam os eruditos. Também em Marcos 14.36, o uso da palavra aramaica "abba", por Jesus, é outra evidência de que Ele falava aquela língua. Que Ele também falava o hebraico é evidente em Lucas 4.16-20,
uma vez que os rolos sagrados eram escritos em hebraico.”

“O hebraico foi de fato absorvido pelo aramaico, mas continuou sendo a língua oficial do culto divino no templo e nas sinagogas, dos rolos sagrados, e dos rabinos e eruditos. Havia escolas de rabinos, inicialmente em Jerusalém, e, depois da queda da cidade, em Tiberíades. Havia escolas semelhantes noutros centros judaicos. As conquistas árabes e a propagação do islamismo em largas áreas da Ásia, África e Europa, reduziu e por fim destruiu a influência do aramaico. Por sua vez, o hebraico, sendo língua morta, começou a ressurgir. Para que se cumprissem as profecias referentes a Israel, era necessário que a língua revivesse e assumisse a posição que hoje desfruta na família das nações modernas.”

“O aramaico ainda sobrevive numa remota e pequena vila da Síria, chamada Malloula, com a população de 4.000 habitantes.”

“Devido aos hebreus terem adotado o aramaico como uma língua, este passou a chamar-se hebraico, conforme se vê em Lucas 23.38; João 5.2; 19.13,17,20; Atos 21.40; 26.14”.

“Apocalipse 9.11. Portanto, quando o NT menciona o hebraico, trata-se, na realidade, do aramaico. Marcos, escrevendo para os romanos, põe em aramaico 5.41 e 15.34 do seu livro; já Mateus, que escreveu para os judeus, escreve a mesma passagem em hebraico (Mt 27.46).”

“O AT contém, além do hebraico e aramaico, algumas palavras persas, como "tirsata" (Ed 2.63 FIG) e "sátrapa" (Dn 3.2).”

1.3 – O grego

"Esta é a língua em que foi originalmente escrito o Novo Testamento. A única dúvida paira sobre o livro de Mateus, que muitos eruditos afirmam ter sido escrito em aramaico. O grego faz parte do grupo das línguas arianas. Vem da fusão dos dialetos dórico e ático. Os dóricos e os áticos foram duas das principais tribos que povoaram a Grécia. É língua de expressão muito precisa, e, das línguas bíblicas, é a que mais se conhece, devido a ser mais próxima da
nossa.”

“O grego do Novo Testamento não é o grego clássico dos filósofos, mas o dialeto popular do homem da rua, dos comerciantes, dos estudantes, que todos podiam entender: era o "Koiné". Este dialeto formou-se a partir das conquistas de Alexandre, em 336 a.C. Nesse ano, Alexandre subiu ao trono e, no curto espaço de 13 anos, alterou o curso da história do mundo. A Grécia tornou-se um império mundial, e toda a terra conhecida recebeu influência da língua grega. Deus preparou, deste modo, um veículo linguístico para disseminar as novas do Evangelho até os confins do mundo, no tempo oportuno.”

“Até no Egito o grego se impôs, pois aí foi a Bíblia traduzida do hebraico para o grego- a chamada Septuaginta, cerca de 285 a.C. Nos dias de Jesus, os judeus entendiam quase tão bem o grego como o aramaico, haja vista que a Septuaginta em grego era popular entre os judeus. Nos primórdios do cristianismo, o Evangelho pregado ou escrito em grego podia ser compreendido pelo mundo todo. Só Deus podia fazer isso! Ele não enviaria o seu Filho ao mundo enquanto este não estivesse preparado, e esse preparo incluía uma língua conhecida por todos. (Ver Marcos 1.15 e Gálatas 4.4.)”

“A língua grega tem 24 letras; a primeira é alfa e a última, ômega. Quando, em Apocalipse 1.8, Jesus diz que é o Alfa e o ômega, está afirmando que é o primeiro e o último. Os gregos receberam seu alfabeto através dos fenícios, conforme mostram estudos a respeito.”

“Ninguém vá supor que por não conhecer essas línguas originais das Escrituras, não compreenderá a revelação divina. Sim, o conhecimento e a compreensão dos originais auxiliará muito, mas não é o essencial. Na Bíblia, como já dissemos, veem-se duas coisas principais: o texto e a mensagem. O principal é a mensagem contida no texto. É especialmente a mensagem que o Espírito Santo vitaliza, revela e maneja como sua espada (Ef 6.17).”

FONTES BIBLIOGRÁFICAS:

GEISLER, Norman. NIX, William. Introdução Bíblica: Como a Bíblia Chegou até Nós. São Paulo: Vida. 1997.

GILBERTO, Antonio. A Bíblia Através dos Séculos. 15Ed. Rio de Janeiro: CPAD. 2004.

PFEIFFER, Charles F. VOS, Howard F. REA, John. Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD. 2007.

TOGNINI, Éneas. BENTES, João Marques. Janelas Para o Novo Testamento.São Paulo: Hagnos. 2009.

5 de dezembro de 2016

Para o Dia da Bíblia: Como a Bíblia Foi Preparada


PARA O DIA DA BÍBLIA
COMO A BÍBLIA FOI PREPARADA

Pr. Gilson Soares dos Santos

Quando estudamos a Bíblia como um LIVRO, precisamos ter informações sobre seu contexto, suas divisões e materiais que foram usados em sua elaboração. Por isso, estudaremos sobre o processo de escrita da Bíblia.

I_ Materiais empregados para preparação da Bíblia

1.1_ Materiais para escrita

"A impossibilidade de recuperar muitos dos antigos manuscritos (um manuscrito é, neste sentido, uma cópia à mão das Escrituras) se deve basicamente aos materiais perecíveis empregados na escrita da Bíblia.”.

a)_ Papiro

“O papiro é uma planta aquática que cresce junto a rios, lagos e banhados, no Oriente Próximo, cuja entrecasca servia para escrever. Essa planta existe ainda hoje no Sudão, na Galiléia Superior e no vale de Sarom. As tiras extraídas do papiro eram coladas umas às outras até formarem um rolo de qualquer extensão. Este material gráfico primitivo é mencionado muitas vezes na Bíblia, exemplos: Êxodo 2.3; Jó 8.11; Isaías 18.2. Em certas versões da Bíblia, o papiro é mencionado como junco; de fato, é um tipo de junco de grandes proporções. De papiro, deriva-se a nossa palavra papel. Seu uso na escrita vem de 3.000 a.C.”.

“Esse junco crescia nos rios e lagos de pouca profundidade, existentes no Egito e na Síria. Grandes carregamentos de papiros eram despachados através do porto sírio de Byblos. Supõe-se que a palavra grega para livro (biblos) tenha origem no nome desse porto. A palavra portuguesa "papel" vem da palavra grega papyros, isto é, papiro.”.

“Na Antiguidade, essa planta crescia principalmente no Egito e nos limites norte do Jordão. [..] Seus longos caules triangulares, medindo de 1 a 3 metros, terminavam em flores com a forma de sino. Essa planta era usada para fazer diversos artigos, inclusive barcos (Ex 2.3, a cesta em que Moises foi colocado para flutuar; Isaias 18.2 faz referencia a grandes barcos usados para o transporte dos enviados a Cuxe). Por causa da escassez de madeira, os egípcios faziam botes ou jangadas de papiro. Eles amarravam os juncos e usavam piche para toma-los impermeáveis. Também eram usados para a caça e a pesca nos pântanos e nas balsas que atravessavam os canais”.

“O papel era feito depois que o cerne da planta era extraído e cortado em tiras finas, colocadas lado a lado. Em seguida, colocavam sobre elas outra serie de tiras formando ângulos retos que eram, então, coladas por meio de um adesivo e alguma forma de pressão. Como as partes laterais tinham tiras horizontais (o recto), geralmente elas eram as primeiras a receber a escrita; o lado avesso, com tiras verticais era o verso da escrita. Essas folhas, coladas uma a uma, formavam rolos de papiro de diferentes comprimentos. O padrão era de 20 folhas. O papiro egípcio “Harris I” (aprox. 1160 a.C.), que esta no Museu Britanico, é o mais longo que se conhece até o momento, com 44 metros de comprimento. A altura variava entre um mínimo de 18 centímetros (ou menos) ate um máximo de 47 centímetros. Geralmente, um rolo de papiro tinha o comprimento suficiente para que uma composição completa, como um livro da Bíblia pudesse ser escrito sobre ele”.

“Os mais antigos manuscritos foram escritos em papiro, e era difícil a preservação de qualquer um desses papiros, exceto em regiões secas, como as áreas desérticas do Egito, ou em cavernas semelhantes às de Qumran, onde foram achados os rolos do mar Morto.”

Segundo Kirsopp Lake, é possível concluir que o fato de não termos os manuscritos originais de papiro deve-se ao fato de que “os escribas geralmente destruíam seus exemplares após copiarem os Livros Sagrados”.

b)_ Pergaminho

“Essa palavra designa „peles preparadas de ovelhas, cabras, antílopes e outros animais‟. Essas peles eram „tosadas e raspadas‟ a fim de se obter um material mais durável para a escrita. „pergaminho' tem origem no nome da cidade de Pérgamo, na Ásia Menor, pois a produção desse material para escrita esteve, numa certa época, especialmente associada ao local".

“O uso de peles curtidas remonta ao terceiro milênio a.C. no Egito. Peles de cabras e ovelhas eram mais resistentes que o papiro, e talvez mais disponíveis para os israelitas. [..] O pergaminho, uma pele de animal melhor preparada e mais lisa, começou a substituir o couro por volta de 200 a.C.”

O papiro e o pergaminho foram os principais materiais usados para a preparação dos manuscritos bíblicos. Porém, outros materiais também são citados na escrita:

1.2_ Outros materiais usados na escrita

a)_ Velino

“Era o nome dado à pele de filhotes de diversos animais. Frequentemente o  Velino era atingido de púrpura. Alguns dos manuscritos que temos hoje em dia são velino cor de púrpura. Geralmente os caracteres escritos sobre o velino purpúreo eram prateados ou dourados.”

b)_ Ôstraco

“Fragmento de cerâmica não-esmaltada, bastante usado entre o povo em geral. Esses fragmentos têm sido encontrados em abundância no Egito e na Palestina (Jó 2:8).”

c)_ Pedras
“Que eram escritas com caneta de ferro”

d)_ Tabletes de Argila

“Inscritos com um instrumento pontiagudo e, então, secados a fim de se ter um registro definitivo (Jeremias 17:13; Ezequiel 4:1). Eram os mais baratos e um dos mais duráveis materiais para escrita.”

e)_ Tabletes de Cera

“Um estilete de metal era usado para escrever num pedaço plano de madeira recoberto com cera.”

1.3_ Instrumentos para a escrita

O Papiro, o Pergaminho, o Velino, o Ôstraco, Pedras, Tabletes de Argila e Tabletes de Cera era materiais que recebiam a escrita. Porém que tipos de instrumentos eram usados para escrever nesses materiais? Vejamos os instrumentos usados para a escrita:

a)_ Cinzel

“Um instrumento de ferro para entalhar as pedras.”

b)_ Estilete de metal

"Usava-se o estilete, um instrumento triangular com uma cabeça plana, para fazer marcas nos tabletes de argila e de cera".

c)_ Pena

“Era feita de "juncos (juncus maritimis). com 15 a 40 centímetros de comprimento, sendo que uma das extremidades era cortada de modo a produzir o formato de cinzel achatado, a fim de que se pudesse fazer traços grossos ou finos com as beiradas largas ou estreitas. A pena de junco esteve em uso na Mesopotâmia desde o início do primeiro milênio (a.C), sendo que é bem possível que tenha sido adotada em outros lugares, enquanto que a ideia de uma pena de ave parece ter vindo dos gregos, no século três a.C." (Jeremias 8:8). A pena era usada para escrever em velino, pergaminho e papiro. A tinta, geralmente era uma mistura de „carvão, cola e água‟.”

1.4_ As formas dos livros antigos

Como eram as formas dos livros antigos. Vejamos:

a)_ Rolos

“Eram folhas de papiro coladas uma ao lado da outra, formando longas tiras, e, então, enroladas num bastão. O tamanho do rolo era limitado por causa da dificuldade de seu uso. Geralmente se escrevia só de um lado. Um rolo escrito dos dois lados tem o nome de "opistógrafo" (Apocalipse 5:1). Conhecem-se alguns rolos com 43 metros de comprimento, mas em geral, os rolos tinham entre seis e dez metros.”

b)_ Códice ou Livro

“A fim de tornar a leitura mais fácil e menos desajeitada, as folhas de papiro foram montadas em forma de livro, sendo escritas em ambos os lados. Greenlee afirma que o cristianismo foi o principal motivo para o desenvolvimento de formato do códice, ou volume manuscrito antigo.”

1.5_ Tipos de escrita

Vejamos os tipos de escrita usadas para gravar nesses materiais:

a)_ Escrita Uncial (Maiúsculas)

“Letras maiúsculas deliberadas e cuidadosamente desenhadas, próprias para livros. Os códices Vaticano e Sinaítico são manuscritos unciais.”

b)_ Escrita Cursiva (Minúsculas)

‟Uma escrita de letras menores, cursivas... criadas com vistas à produção de livros‟. A mudança de unciais para minúsculas teve início no século nove.”

Observações:

·        “Os manuscritos gregos eram escritos sem quaisquer espaços entre as palavras. Até 900 AD. o hebraico era escrito sem vogais, quando os massoretas introduziram a vocalização.”
·        “Os escritos originais, autênticos, saídos da mão de um profeta ou apóstolo, ou de um secretário ou amanuense, sempre sob a direção do homem de Deus, eram chamados autógrafos. Esses não existem mais.”


FONTES BIBLIOGRÁFICAS:

GEISLER, Norman. NIX, William. Introdução Bíblica: Como a Bíblia Chegou até Nós. São Paulo: Vida. 1997.

GILBERTO, Antonio. A Bíblia Através dos Séculos. 15Ed. Rio de Janeiro: CPAD. 2004.

PFEIFFER, Charles F. VOS, Howard F. REA, John. Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD. 2007.

TOGNINI, Éneas. BENTES, João Marques. Janelas Para o Novo Testamento. São Paulo: Hagnos. 2009.
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28 de novembro de 2016

Por causa da morte de Russell Shedd, um pequeno estudo sobre a morte


POR CAUSA DA MORTE DE RUSSELL SHEDD, UM PEQUENO ESTUDO SOBRE A MORTE

Pr. Gilson Soares dos Santos

Partiu para estar com o Senhor, nosso amado irmão Russel Shedd, pastor e teólogo, que alcançou muitas vidas para o Reino de Deus, edificando-as por meio da Palavra Fiel e Verdadeira. Ele faleceu no dia 26 de Novembro de 2016.

O espaço aqui poderia ser usado para expor, de maneira fidedigna, a biografia do nosso amado irmão Shedd, no entanto, sei que o (a) leitor (a) poderá encontrar a biografia deste servo de Deus em muitas páginas na internet, inclusive na página da Editora Vida Nova. Sendo assim, quero aproveitar o momento para trazer um pequeno estudo sobre a morte

Boa edificação.

UM PEQUENO ESTUDO SOBRE A MORTE

Pr. Gilson Soares dos Santos

     “Talvez a questão mais preocupante para o homem seja o problema da morte. A realidade da morte é um fato tão desagradável, que todas as culturas têm procurado encontrar recursos, às vezes extremos, para ajudar o ser humano a sobreviver além-túmulo. Com os avanços da medicina moderna, a maioria das pessoas vive como se a morte fosse algo que só acontece com os outros. A verdade, entretanto, é que todos morrerão. No entanto, a grande questão é: o que acontece depois da morte?” (Ferreira e Myatt, 2008, p. 1046).

    As Escrituras Sagradas tratam da morte física, morte espiritual e morte eterna.

1 A Morte Física

     A morte física é a separação entre corpo e alma. Ela acontece quando a alma deixa o corpo, sendo considerado, então, o fim da existência de uma pessoa aqui na terra. A alma é quem dá vida ao corpo, quando a alma deixa o corpo, obviamente, o corpo morre e isto é chamado de morte física.

1.1 – A natureza da morte física

     Berkhof (2001, p. 617) nos traz a seguinte explicação sobre a natureza da morte física:

A Bíblia contém algumas indicações instrutivas quanto à natureza da morte física. Fala desta de várias maneiras. Em Mt 10.28 e Lc 12.4, fala-se dela como a morte do corpo, em distinção da morte da alma (psyche). Ali o corpo é considerado como um organismo vivo, e a psyche é evidentemente o pneuma do homem, o elemento espiritual que constitui o princípio da sua vida natural. Este conceito da morte natural também está subjacente à linguagem de Pedro em 1 Pe 3.14-18. Noutras passagens é descrita como o término da psyche, isto é, da vida animal, ou como a perda desta., Mt 2.20; Mc3.4; Lc 6.9; 14.26; Jo 12.25; 13.37, 38; At 15.26; 20.24, e outras passagens. E, finalmente, também é descrita como separação de corpo e alma, Ec 12.7 (comp. Gn 2.7); Tg 2.26, idéia também básica em passagens como Jo 19.30; At 7.59; Fp 1.23. Cf. também o emprego de êxodos (“partida”) em Lc 9.31; 2 Pe 1.15, 16.

Em vista disso tudo, pode-se dizer que, de acordo com a Escritura, a morte física é o término da vida física pela separação de corpo e alma. [...] a morte é um rompimento das relações naturais da vida.

    Franklin Ferreira e Alan Myatt (2008, p. 1069) assim descrevem a morte física:    

A morte física é a separação entre o corpo e o espírito, ou a separação entre a parte material e a parte imaterial. A morte física é o afastamento de aspecto de nossa humanidade que deveriam ser inseparáveis, o que também indica que a morte não foi o designio original de Deus para o homem, mas o resultado do pecado. 

     A definição de Norman Geisler (2010, p. 683) é semelhante:
   
A Bíblia descreve a morte como o momento em que a alma deixa o corpo. Por exemplo, Genesis 35.18 fala, a respeito de Raquel, que “saiu-se lhe a alma (porque morreu)”. Da mesma maneira, Tiago ensina: “o corpo sem o espirito esta morto” (2.26). Uma vez que a alma é o principio da vida que anima o corpo, resulta que, quando a alma deixa o corpo, o corpo morre.

     Por sua vez, Millard Erickson (1997, p. 484) dá a seguinte explicação sobre o que é a morte física:

Mas que é a morte? Como devemos defini-la? Várias passagens na Escritura falam da morte física, ou seja, do cessar da vida em nosso corpo físico. Em Mateus 10.28, por exemplo, Jesus contrasta a morte do corpo com a morte de ambos, o corpo e a alma: “Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo” Várias outras passagens falam da perda da psique (“vida”). Um exemplo é João 13.37,38: “Replicou Pedro: Senhor, por que não posso seguir-te agora? Por ti darei a própria vida. Respondeu Jesus: Darás a vida por mim?” Finalmente, a morte é mencionada em Eclesiastes 12.7 como uma separação do corpo e da alma (ou espírito): “E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu”. No Novo Testamento, Tiago 2.26 também fala da morte como uma separação entre o corpo e o espírito. Estamos lidando nessas passagens com o cessar da vida em seu estado corpóreo com que estamos familiarizados. Mas esse não é o fim da existência. A vida e a morte, de acordo com a Escritura, não devem ser entendidas como existência e não existência, mas como dois estados diferentes de existência. A morte é simplesmente uma transição para um modo diferente de existência; não é, como costumamos imaginar, extinção.

     A Enciclopédia Temática da Bíblia (2008, p. 240-241) nos traz a lista de textos sobre a morte física (morte natural):

Por meio de Adão (Gn 3.19; I Co 15.21-22).
Consequência do pecado (Gn 2.17; Rm 5.12).
Cabe a todos (Ec 8.8; Hb 9.27).
Ordenada por Deus (Dt 32.39; Jó 14.5).
Encerra os projetos humanos (Ec 9.10)
Despoja dos bens terrenos (Jó 1.21; I Tm 6.7).
Iguala todas as pessoas (Jó 3.17-19)
Derrotada por Cristo (Rm 6.9; Ap 1.18)
Abolida por Cristo (II Tm 1.10)
Será totalmente destruída por Cristo (Os 13.14; I Co 15.26).
Cristo liberta do medo da morte (Hb 2.15)
Está às portas (Jó 14.1,2; Sl 39.4,5; 90.9; I Pe 1.24).
Preparemo-nos para ela (II Rs 20.1)
Oremos para estar preparados para ela (Sl 39.4,13; Sl 90.12).
Sua certeza, motivo de diligência (Ec 9.10; Jo 9.4).
Quando adiada, motivo de mais consagração (Sl 56.12,13; 118.17; Is 38.18,20).
Enoque e Elias foram isentos dela (Gn 5.24 com Hb 11.5; II Rs 2.11).
Todos se levantarão dela (At 24.15).
Ela não existe no céu (Lc 20.36; Ap 21.4).
Ilustra a mudança produzida pela conversão (Rm 6.2; Cl 2.20).

DESCRITA COMO

Um sono (Dt 31.16; Jo 11.11).
A destruição da casa terrena desse tabernáculo (II Co 5.1).
Abandono desse tabernáculo (II Pe 1.14).
Deus exigindo a alma (Lc 12.20).
Ir para o lugar sem volta (Jó 16.22).
Reunir-se ao nosso povo (Gn 49.33)
    
     A morte física, consequência do pecado, atinge a todos. Porém, veja o que o apóstolo Paulo diz em I Coríntios 15.51,52: “Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.”.

2 Morte Espiritual

     Além de tratar da morte física, a Bíblia trata também da morte espiritual. A morte espiritual é a separação entre o homem e Deus. Quando Adão e Eva comeram do fruto proibido, tornaram-se separados de Deus, isto quer dizer que morreram espiritualmente. Um homem, antes de sua regeneração, está morto espiritualmente. A Bíblia chama a isto de “morto em delitos e pecados”. O homem espiritualmente morto é incapaz de reagir a qualquer estímulo espiritual. Adão morreu espiritualmente no dia em que desobedeceu a Deus (Gn 2.17), todo ser humano nasce na mesma condição espiritual (Rm 5.12,14,17,21). Somente pelo novo nascimento é que o homem sai dessa condição de morte espiritual, pois o Espírito Santo levanta o pecador de seu estado de morte espiritual e o vivifica (Jo 5.21; Ef 2.1-5; Cl 2.13).

     Sobre a morte espiritual, vejamos o que afirma Ferreira e Myatt (2008, p. 1069):

Essa é a primeira forma porque foi a primeira a acontecer na história
da redenção e na vida de cada indivíduo. Em Genesis 2.17, Deus disse que “no dia em que dela comeres, certamente morrerás”. Adão se tornou mortal quando comeu daquela árvore, e morreu espiritualmente naquele mesmo dia. [...] O pecado fez uma separação entre Deus e nossos primeiros pais, e esta separação é a essência da morte espiritual. [...] A regeneração é a cura para a morte espiritual.

     Erickson (1997, p. 484) nos diz o seguinte sobre a morte espiritual:

A morte espiritual é a separação entre a pessoa e Deus. [...] A Escritura refere-se claramente a um estado de morte espiritual, que é uma incapacidade de reagir a questões espirituais ou mesmo uma perda total da sensibilidade a tais estímulos. Isso é o que Paulo tem em mente em Efésios 2.1,2: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora”.

     Geisler (2010, p. 105-106) escreve:

A morte espiritual é a separação espiritual de Deus. Isaias declarou: “Mas as vossas iniquidades fazem divisão entre vós e o vosso Deus, e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça” (Is 59.2). No instante em que Adão pecou, ele experimentou o isolamento espiritual de Deus; isto fica evidenciado pela vergonha que ele sentiu a ponto de se esconder do seu Criador. [...] Todo descendente de Adão — toda pessoa nascida de pais naturais desde o tempo da Queda — também está espiritualmente morto. [...] O novo nascimento do que Jesus falava é o ato da regeneração, pelo qual Deus transmite a vida espiritual para a alma do crente (1 Pe 1.23). Sem esta regeneração, todo ser humano está espiritualmente morto nos seus pecados.

     Berkhof (2001, p. 239) escreve o seguinte sobre a morte espiritual:

O pecado separa de Deus o homem, e isso quer dizer morte, pois é só na comunhão com o Deus vivo que o homem pode viver de verdade. No estado de morte, que resultou da entrada do pecado no mundo, levamos o fardo da culpa do pecado, culpa que só pode ser removida pela obra redentora de Jesus Cristo. Portanto, estamos obrigados a padecer os sofrimentos resultantes da transgressão da lei. O homem natural carrega para onde vai o senso da sujeição à punição. A consciência constantemente o faz lembrar-se da sua culpa, e com frequência o temor da punição enche o seu coração. A morte espiritual significa, não somente culpa, mas também corrupção. O pecado é sempre uma influencia corruptora na vida, e isso é parte da nossa morte. Por natureza somos, não somente injustos aos olhos de Deus, mas também impuros. Esta impureza se manifesta em nossos pensamentos, em nossas palavras e em nossas orações. É sempre ativa dentro de nós, agindo como uma fonte envenenada a poluir as correntes da vida. E se não fosse a influencia restringente da graça comum de Deus, tornaria a vida social inteiramente impossível.

     A Enciclopédia Temática da Bíblia (2008, p. 240) nos traz a lista de textos sobre a morte espiritual:

É alienação de Deus (Ef 4.18).
A mente carnal é morte (Rm 8.6).
Viver em erros e pecados é morte (Ef 2.1; Cl 2.13).
Ignorância espiritual é morte (Is 9.2; Mt 4.16; Lc 1.79; Ef 4.18).
Incredulidade é morte (Jo 3.36; I Jo 5.12).
Viver nos prazeres é morte (I Tm 5.6).
Hipocrisia é morte (Ap 3.1-2).
É consequência da queda (Rm 5.15).
É o estado natural de todos os homens (Rm 6.13; 8.6).
Seus frutos são obras mortas (Hb 6.1; 9.14).
Uma chamada para nos levantarmos dela (Ef 5.14).
Escape, só por meio de Cristo (Jo 5.24-25; Ef 2.5; I Jo 5.12).
Os santos são ressuscitados dela (Rm 6.13).
Amor aos irmãos, uma prova dessa ressurreição (I Jo 3.14).
Ilustrada (Ez 37.2-3; Lc 15.24).

     Compreendemos, então, que a morte espiritual é a separação entre a alma e Deus. Faz parte da pena pelo pecado. O ser humano sofreu a morte espiritual ao perder a comunhão com Deus.

3 Morte eterna

     A morte eterna, também chamada na Bíblia de segunda morte, é a separação eterna de Deus. É, na verdade, a condenação eterna. Todo aquele que não nasceu de novo, morrerá eternamente. Todo aquele que nasceu de novo não provará da morte eterna.

     Sobre a morte eterna Ferreira e Myatt (2008, p. 1069) escrevem:

A terceira forma da morte é a morte eterna, ou a segunda morte (Ap 2.11; 20.14), que será experimentada pelos que não creram no evangelho. Podemos, então, dizer que a regeneração é a cura para a morte espiritual, a ressurreição do corpo é a cura para a morte física, mas não haverá cura para a morte eterna.

     A explicação de Berkhof (2001, p. 241) sobre a morte eterna é a seguinte:

Esta pode ser considerada como a culminância e a consumação da morte espiritual. As restrições do presente desaparecem, e a corrupção do pecado tem a sua obra completa. O peso total da ira de Deus desce sobre os condenados, e isto significa morte no sentido mais terrível da palavra. A condenação eterna deles é levada a corresponder ao estado interno das suas ímpias almas. Há angústias de consciência e sofrimentos físicos. E “a fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos” (Ap 14.11).

     Geisler (2010, p. 105), por sua vez, dá a seguinte explicação sobre a morte eterna:

Se Adão não tivesse aceitado a provisão de salvação feita por Deus (Gn 3.15-24), ele teria, em algum momento, experimentado o que a Bíblia chama de “segunda morte,” que é a separação eterna de Deus. João escreveu sobre ela nas seguintes palavras: “E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte. E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo” (Ap 20.14-15). Todos os que nascerem somente uma vez (fisicamente), haverão de morrer duas vezes (física e eternamente). Contudo, todos os que nascem duas vezes (física e espiritualmente) morrerão somente uma vez (fisicamente). Jesus disse: “Todo aquele que vive e crê em mim nunca morrerá” (Jo 11.26).

     Em sua Introdução à Teologia Sistemática, Millard Erickson (1997, p. 484) diz o seguinte sobre a morte eterna:

Quando o livro do Apocalipse refere-se à ”segunda morte” (21.8), tem-se em vista morte eterna. Essa segunda morte é algo separado da morte física normal e subsequente a ela. Sabemos por Apocalipse 20.6 que os crentes não provarão a segunda morte. “Bem aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade; pelo contrário, serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele os mil anos”. A segunda morte é um período infinito punição e separação da presença de Deus, a concretização do estado de perdição do indivíduo que estiver espiritualmente morto no momento da morte física.

     A Enciclopédia Temática da Bíblia (2008, p. 240) nos traz a lista de textos sobre a morte eterna:

Consequência necessária do pecado (Rm 6.16, 21; Rm 8.13; Tg 1.15).
É salário do pecado (Rm 6.23).
É a porção dos ímpios (Mt 25.41,46; Rm 1.32).
Seu caminho, descrito (Sl 9.17; Mt 7.13).
Auto retidão, resulta nela (Pv 14.12).
Só Deus pode aplica-la (Mt 10.28; Tg 4.12)

DESCRITA COMO

Afastamento da presença de Deus (II Ts 1.9).
Sociedade com o diabo, etc. (Mt 25.41).
Um lago de fogo (Ap 19.20; 21.8).
O verme que nunca morre (Mc 9.44).
Escuridão de fora (Mt 25.30).
Névoa de escuridão eterna (II Pe 2.17).
Indignação, ira, etc. (Rm 2.8-9).

É CHAMADA

Destruição (Rm 9.22; II Ts 1.9).
Perecimento (II Pe 2.12).
Ira vindoura (I Ts 1.10).
Segunda morte (Ap 2.11).
Ressurreição para condenação (Jo 5.29).
Ressurreição para vergonha (Dn 12.2).
Condenação do inferno (Mt 23.33).
Castigo eterno (Mt 25.46).
Será infligida por Cristo (Mt 25.31,41; II Ts 1.7-8).
Cristo, o único meio de escaparmos dela (Jo 3.16; 8.51; At 4.12).
Os santos não a provarão (Ap 2.11; 20.6)

     Diante do exposto é possível compreender que todo aquele que partir para a eternidade sem a salvação, morrerá eternamente.


BIBLIOGRAFIA

BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura Cristã. 2001.

Enciclopédia Temática da Bíblia. Trad. Eulália A. P. Kregness. São Paulo: Shedd Publicações. 2008.

ERICKSON, Millard J. Introdução à Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1997.

FERREIRA, Franklin; MYATT, Alan. Teologia Sistemática: Uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual. São Paulo: Vida Nova, 2008.

GEISLER, Norman. Teologia Sistemática. Vol. 2. Rio de Janeiro: CPAD. 2010.