O Pr. Gilson Soares dos Santos é casado com a Missionária Selma Rodrigues, tendo três filhos: Micaelle, Álef e Michelle. É servo do Senhor Jesus Cristo, chamado com santa vocação. Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional), Campina Grande/PB; Graduado em Filosofia pela UEPB (Universidade Estadual da Paraíba); Pós-Graduando em Teologia Bíblica pelo CPAJ/Mackenzie (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper). Professor de Filosofia e Teologia Sistemática no STEC. Professor de Teologia Sistemática no STEMES, em Campina Grande - Paraíba. Pastor do Quadro de Ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (AIECB). Pastoreou a Igreja Evangélica Congregacional de Cuité/PB, durante 15 anos (1993-2008). Atualmente é Pastor Titular da Igreja Evangélica Congregacional em Areia - Paraíba.

31 de dezembro de 2016

Fim de Ano: o retorno das boas intenções

FIM DE ANO: O RETORNO DAS BOAS INTENÇÕES

Pr. Gilson Soares dos Santos

Todo fim de ano é a mesma coisa: somos tomados de boas intenções. E tomados por essas boas intenções, desejamos um ano novo cheio de paz e prosperidade, com “muito dinheiro no bolso. Saúde prá dar e vender”.

Sequestrados por boas intenções existem aqueles que não somente desejam um ano cheio de realizações para seus semelhantes, eles decretam que o novo ano venha trazendo sucesso, como se fossem senhores do próprio destino e do destino dos outros.

Isto é bom, entretanto, muitos ficam apenas nas boas intenções. E o senso comum sabe que uma boa intenção sem qualquer ação para realização transforma-se em má intenção. Nunca é demais evocar a sentença moral que afirma: “de boas intenções estão pavimentados os caminhos do inferno”.

Exprimir votos de um ano novo com muitas realizações é uma atitude louvável, pode exteriorizar amor. Todavia, se ficar apenas nas palavras não há utilidade alguma. Não há comprovação de amor.

Vale a pena trazer à lembrança as palavras do apóstolo João, encontradas em sua primeira carta, precisamente no capítulo três, versículo dezoito (I João 3.18), que diz: “Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade.”. E a Banda Catedral reforçava as palavras do apóstolo ao cantar “o mundo da linguagem sem o mundo da prática é um mundo vazio”.

Podemos desejar que o outro tenha um ano novo com mesa farta. Mas vamos também repartir o pão. Vamos separar todo mês uma considerável quantia para abençoar o semelhante.

É louvável desejar que o outro tenha saúde no novo ano. Mas vamos ajudar nosso próximo a comprar seus remédios para a saúde curativa. Vamos ajudar nosso próximo a pagar seu Plano de Saúde para a saúde preventiva. Vamos doar sangue. Vamos servir de acompanhante a alguém que está numa enfermaria de hospital precisando de cuidados.

Intencionar ajudar os outros é preciso. Contudo vamos passar da intenção para a prática. É esse o desafio para o novo ano.

Segundo a boa mão do Senhor nosso Deus, teremos um ano de 2017 abençoado. Contudo, é preciso que a gente passe da boa intenção para a excelente ação. E que essa ação seja tomada por amor. Afinal de contas, “Ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará” (I Coríntios 13.3).

Feliz Ano Novo! E que o ano de 2017 seja “o ano da prática”.

21 de dezembro de 2016

Não sou totalmente contra o natal


NÃO SOU TOTALMENTE CONTRA O NATAL

Augustus Nicodemus Lopes*

Como todos os cristãos em geral, eu sou contra a secularização do Natal, o comércio que se faz em torno da data, as festas e bebedeiras que ocorrem na época. Todos sabemos que Papai Noel, árvores de Natal, guirlandas, bolinhas brilhantes e coloridas, bengalinhas de açúcar e anjinhos pendurados nas árvores, nada disso faz parte do Natal. São acréscimos culturais e pagãos feitos ao longo dos séculos e certamente não pelos verdadeiros cristãos.

Por isto, acho que não deveríamos ter nos cultos de Natal qualquer desses símbolos, desde Papai Noel até a árvore. Há quem pense diferente. Ellen White, profetiza mor do Adventismo, ensinava que se deveria ter uma árvore de Natal no culto e que a mesma poderia ser enfeitada durante a celebração. "Deus muito Se alegraria se no Natal cada igreja tivesse uma árvore de Natal sobre a qual pendurar ofertas, grandes e pequenas, para essas casas de culto”. [2] Sou veementemente contra essa ideia.

Também sou contra fazer de 25 de dezembro uma espécie de dia “santo”. Para nós, há somente um dia “santo”, por assim dizer, que é o dia do Senhor, o domingo. A maioria dos cristãos esclarecidos sabe que a data 25 de dezembro foi escolhida depois do período dos apóstolos, por três razões: para substituir as celebrações pagãs da Saturnália, substituir as celebrações do solstício do inverno, quando era adorado o Sol Invicto e por ser a data de aniversário do imperador Constantino. Todos estão conscientes de que Jesus pode não ter nascido – e provavelmente não nasceu – nessa data. Ela é uma convenção apenas, aceita pela Cristandade desde tempos antigos.

Por causa dos abusos, dos acréscimos pagãos e do desvirtuamento do sentido, muitos têm se posicionado contra as celebrações natalinas no decorrer dos séculos. Posso entender perfeitamente seus argumentos. Um bom número de seitas, por exemplo, insiste que o Natal é uma festa pagã e que todos os verdadeiros cristãos deveriam afastar-se dela. As Testemunhas de Jeová estão entre as que atacam de maneira mais ferrenha as festividades natalinas. Num artigo intitulado Crenças e Costumes que Desagradam a Deus as Testemunhas de Jeová argumentam: "Jesus não nasceu em 25 de dezembro. Ele nasceu por volta de 1° de outubro, época do ano em que os pastores mantinham seus rebanhos ao ar livre, à noite (Lucas 2:8-12). Jesus nunca ordenou que os cristãos celebrassem seu nascimento. Antes, mandou que comemorassem ou recordassem sua morte (Lucas 22.19,20)".[1] Todavia, considerando a rejeição aberta e agressiva que as TJs mantém contra a Encarnação e a divindade de Jesus Cristo, não se poderia esperar outra atitude deles.

Mais recentemente, igrejas e pregadores neopentecostais passaram a atacar duramente os cultos natalinos. Os argumentos são similares aos das seitas contra o Natal, só que com mais ênfase no caráter pagão-satânico do bom velhinho. O ataque é resultado da visão dicotomizada de mundo que costuma caracterizar os pentecostais (não a todos, obviamente) e faz parte das críticas que fazem aos programas de Disney, às cartas de baralho, às mensagens satânicas subliminares em músicas de rock, etc., o que enfraquece bastante a força dos seus ataques ao Natal.

Os abusos e distorções também têm provocado reação contrária de pastores e estudiosos reformados. Os argumentos são basicamente os mesmos empregados pelas seitas e pelos neopentecostais, sem que com isso queiramos comparar ou assemelhar esses grupos: falta de prescrição bíblica, incerteza da data exata do nascimento, origem pagã da festa e introdução de elementos pagãos ao longo do tempo.

Estou de acordo com as críticas feitas aos abusos e distorções. Todavia, acredito que precisamos jogar fora somente a água suja da banheirinha, e não o bebê. Penso que a realização de um culto a Deus em gratidão pelo nascimento de Jesus Cristo nessa época do ano, como parte do calendário de ocasiões especiais da Cristandade, se encaixa no espírito cristão reformado.

Além do que, alguns dos argumentos usados para a cessação total da realização de cultos dessa ordem não me parecem persuasivos.

Por exemplo, o argumento do silêncio da Bíblia, usado quanto às prescrições de comemorar o nascimento de Jesus, para mim não é definitivo. A Bíblia silencia quanto a muita coisa que é praticada nos cultos das seitas, dos neopentecostais e mesmo dos reformados. Se formos interpretar e aplicar o chamado "princípio regulador" de modo estrito, teremos de abolir não somente os cultos natalinos, mas práticas como batizar membros durante o culto (não há um único caso de alguém que foi batizado durante um culto no Novo Testamento), só para dar um exemplo. Eu sei que a celebração dos anjos e pastores na noite do nascimento de Jesus, bem como a atitude dos magos posteriormente, não são argumentos suficientes para estabelecermos cultos natalinos, mas pelo menos mostra que não é errado nos alegrarmos com o nascimento do Salvador.

Os argumentos de que os Reformadores, puritanos e presbiterianos antigos eram contra o Natal também não é final. A começar pela falibilidade das opiniões deles, especialmente em áreas onde as Escrituras não tinham muita coisa a dizer. Há muita manipulação das opiniões desses antigos heróis da fé pelos seus seguidores hoje (entre os quais me incluo, mas não na categoria de seguidor cego). Quando eles concordam, são citados. Quando discordam, são esquecidos. Aliás, não tenho certeza que Calvino era contra cultos em ocasiões especiais do calendário cristão. Ao que parece, ele era favorável. Estou aguardando um post de Solano exclusivamente sobre esse ponto.

A questão toda, ao final, é quanto ao calendário litúrgico, isto é, a validade ou não das igrejas reformadas realizarem cultos temáticos alusivos às datas tradicionais da Cristandade, como o nascimento de Jesus, sua paixão, morte e ressurreição, Pentecostes, etc. Nenhum Reformado realmente coloca 25 de dezembro como um dia santo, em mesmo pé de igualdade com o domingo. Trata-se de uma data do calendário litúrgico cristão, que pode ou não ser usado como uma ocasião propícia. As grandes confissões reformadas consentem com o uso dessas datas. A Confissão de Fé de Westminster diz que "... são partes do ordinário culto de Deus, além dos juramentos religiosos; votos, jejuns solenes e ações de graças em ocasiões especiais, tudo o que, em seus vários tempos e ocasiões próprias, deve ser usado de um modo santo e religioso." [3] A Segunda Confissão Helvética de 1566, produzida sob supervisão de Bullinger, discípulo de Calvino, declara (XXIV): "Ademais, se na liberdade cristã, as igrejas celebram de modo religioso a lembrança do nascimento do Senhor, a circuncisão, a paixão, a ressurreição e Sua ascensão ao céu, bem como o envio do Espírito Santo sobre os discípulos, damos-lhes plena aprovação". A velha Igreja Reformada Holandesa, no famoso Sínodo de Dort (1618-1619), adotou uma ordem para a igreja que incluía a observância de vários dias do calendário cristão, inclusive o nascimento de Jesus (art. 67). Isso mostra que, no mínimo, muitos Reformados eram favoráveis à celebração de datas especiais do calendário litúrgico cristão.

Por fim, creio, também, que a celebração do Natal no calendário cristão encaixa-se perfeitamente com a celebração dos grandes eventos da redenção pela oportunidade de esclarecer a doutrina da Encarnação (João 1.1-4,14). Afinal, o que deve ser celebrado não é simplesmente o nascimento de Jesus, mas a encarnação do Verbo de Deus, a vinda do Emanuel para a libertação do seu povo. Pode-se argumentar que esta doutrina (e outras quaisquer), podem ser ensinadas e celebradas regularmente pelo povo Deus, em qualquer domingo. Mas o argumento contrário também poderia ser usado: deveríamos parar de celebrar qualquer culto que não seja no domingo?

Agradeço a colaboração dos colegas blogueiros Mauro e Solano, bem como de outros colegas, no material desse post.

[2] Review and Herald, 11 de dezembro de 1879. Citado em http://www.cacp.org.br/Natal_e_os_adventistas.htm

[3] Confissão de Fé de Westminster, XXI, 5.

* O Dr. Augustus Nicodemus é atualmente pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia.

FONTE: http://tempora-mores.blogspot.com.br/2006/12/no-sou-totalmente-contra-o-natal.html acesso em 21/12/2016.

19 de dezembro de 2016

Não deixe tua teologia ficar no lugar do teu amor? Como assim?


NÃO DEIXE TUA TEOLOGIA FICAR NO LUGAR DO TEU AMOR? COMO ASSIM?

Josemar Bessa*

Eu ouvi um proeminente pastor evangélico advertir em um sermão, que não devemos deixar que nossa teologia fique no caminho do nosso amor.

Fico sempre chocado ao ouvir pastores advertindo contra a teologia, porque isso equivale a um ato de “auto-sabotagem” – se de fato você é cristão. A teologia é tudo o que temos. Imaginem o Steve Jobes falando contra o uso de smatphones, ou Bill Gates falando sobre não usarmos computadores, ou George Foreman falando contra comer carne e ter um grill... Tire a teologia bíblica da igreja e ela não tem mais nada a não ser puro vapor e ar.

A “teologia” não bíblica pode ficar no caminho do amor (como Deus o define) – na verdade se não é teologia bíblica ficará certamente no caminho do amor. Toda compaixão que leve a uma redefinição do evangelho é falsa e o oposto do amor.

Eu entendo então como a falsa teologia ( humanista ) pode ficar no caminho do amor. Mas a boa teologia é simplesmente a visão de Deus sobre a criação, a humanidade, o pecado, a salvação, o sexo, o casamento, os relacionamentos... em conformidade com tudo o que Deus revelou sobre si mesmo. Na medida em que falamos sobre qualquer um desses assuntos de forma que se alinhe com o que Deus claramente diz em Sua Palavra, temos boa teologia... temos a Verdade de Deus! Este pensamento correto sobre Deus ( Como Ele se revelou ) e Seu mundo deve nos levar a amar a Deus sobre TUDO (Como Ele é ), e apenas como um eco desse amor supremo amar a sua criação – criada para manifestar a glória da Sua pessoa, Seu caráter... Ou seja, nós ainda não entendemos realmente e amamos o que Ele revelou, ou ainda somos seus inimigos.

A Bíblia em nenhum lugar sugere que boa teologia pode dificultar amor. Paulo passa a primeira metade de suas cartas expondo boa teologia. Quando ele faz a transição para aplicação na segunda parte de suas cartas, ele nunca adverte que algumas das coisas boas reveladas por Deus que ele mencionou no início de suas cartas podem agora se tornar um perigo. E nem nós jamais deveríamos, se servimos o mesmo Deus e cremos na mesma Palavra.

O pastor que estava falando sobre não deixarmos nossa doutrina ficar no caminho do amor, estava abordando a questão homossexual. Ele não tinha coragem de dizer que o que a Bíblia diz sobre isto está errado ( pelo menos por enquanto não ) – então ele dizia que a teologia não era de todo ruim. Mas ele queria fazer coro com a torcida progressista da cultura atual – então ele disse que o amor ao invés da doutrina é o mais importante. ( Esse sempre foi o discurso do Liberalismo ).

O que ele esqueceu, ou quer que nós esqueçamos, é que nós nem sabemos o que é o amor além da teologia. João escreveu: “Conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós...” (1 João 3:16).  “Deus é amor” ( 1 João 4.8 ). E disse: “E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e não há nele trevas nenhumas.” ( 1 João 1:5 ). A Bíblia continua dizendo em todo lugar que “Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos” (Isaías 6.3)... 

Essas são afirmações teológicas... precisamos de Toda a Verdade de Deus ou não temos a Verdade de forma alguma: “Portanto, no dia de hoje, vos protesto que estou limpo do sangue de todos. Porque nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus.” (Atos 20:26,27). Como toda boa teologia ( Bíblica ), ela nos leva a amar – com a definição de Deus de amor e não da cultura atual. Só o amor como Deus o revela é amor. Por que Ele – em seu caráter santo e imutável – “é amor!” Nada em desacordo com Ele pode ser assim chamado. Se o amor é deturpado nesse mundo, é exatamente por não expressar a Verdade de Deus. Quando estudamos e meditamos nesse Deus, nós estamos fazendo teologia. Teologia bíblica, portanto, jamais é um obstáculo para o amor ( a menos que você tenha abandonado a definição bíblica e abraçado a definição da mente humana em inimizade contra Deus – “Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser.” Romanos 8:7 ).  

Teologia então jamais é um obstáculo para o amor, mas como João, por exemplo, repetidamente diz, é a ÚNICA maneira que ele pode ser expressado no mundo.

A Bíblia ensina em todo lugar, que cada atributo descritivo de Deus inclui todos os outros. Se pegarmos o atributo do seu amor, por exemplo: O amor de Deus é um amor justo, um amor eterno, um amor soberano, um amor santo, um amor que odeia o pecado... muitos ( liberais, humanistas... ) tentam, além de redefinir o amor conforme a cultura, dar à primazia ao amor porque querem negar a primazia de atributos como onipotência e imutabilidade, para não mencionar justiça e ira. Mas a Bíblia só conhece o amor como Deus o define. E se o amor inclui todos os outros atributos - se o amor de Deus é onipotente e imutável, então não se ganha  nada ao tornar o amor o atributo principal de Deus. A não ser que redefinam Deus, o amor... abandonando a Bíblia e abraçando a mente humana em detrimento dela. Mas para estes Tiago diz: “Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.” -  Tiago 4:4

Como filhos de Deus devemos andar de modo digno dEle. Mas como? Paulo diz que fazemos isso vivendo de modo coerente com o caráter revelado de Deus – Por exemplo, no início de Efésios Paulo fala primeiro sobre a revelação do amor de Deus ( 1.4 ), depois sobre a iluminação do povo de Deus apenas por Graça soberana (1.17); e mostra a revelação da sabedoria de Deus na salvação (3.10). Depois, no restante da carta – por exemplo, no capítulo 5, Paulo retoma esses temas e mostra como a verdadeira vida cristã é sempre coerente com eles. Viver segundo a vontade de Deus é andar em amor, é andar na luz, é andar em sabedoria...

"Sede pois imitadores de Deus, como filhos amados; e
andai em amor, como também Cristo vos amou, e se
entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a
Deus, em cheiro suave.
Mas a prostituição, e toda a impureza ou avareza, nem
ainda se nomeie entre vós, como convém a santos; nem
torpezas, nem parvoíces, nem chocarrices, que não
convém; mas antes ações de graças.
Porque bem sabeis isto: que nenhum fornicário, ou
impuro, ou avarento, o qual é idolatra, tem herança no
reino de Cristo e de Deus. Ninguém vos engane com
palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Déus sobre os filhos da desobediência." -Efésios 5:1-6. 

Andar em amor, andar na luz, a ira de Deus sobre o pecado... são tudo aspectos da mesma coisa.

Martinho Lutero costumava dizer que o problema com o homem é que ele é incurvatus in se - curvado sobre si próprio. Ele torceu os propósitos de Deus para a sua vida vivendo para si mesmo. Mas a graça muda isso, e o faz mudar mais e mais, com vistas a produzir a semelhança de Cristo em nós. Andar segundo a vontade de Deus significa viver como uma oferta a Deus e como um sacrifício vivo (Romanos 12:1-2).

Paulo também expressa negativamente o andar em amor. Isso é impressionante, em nossa moderna atmosfera de opinião, em que se presume tão superficialmente que quem ama nunca deve dizer "Não". Este é um conceito absurdo na Bíblia. Neste capítulo 5 de Efésios por exemplo, Paulo dá uma substancial (ainda que não exaustiva) lista de práticas às quais o amor dirá "Não".

Por que há de ser assim? Porque o amor é o cumprimento da lei Portanto, o amor recua ante a quebra da lei. O amor sabe que há muitas atividades sobre as quais ele escreverá com ponteira de ferro:  "Não-Não" (Romanos 13:8-10).

Ter direção, saber e praticar a vontade de Deus, como podemos ver, é uma questão moral, e não apenas intelectual. Assim também o amor é uma questão moral. Não é mera questão de sentimentos. Envolve decisões do coração. Estar andando segundo a vontade de Deus implica que alguma medida desta qualidade do amor cristão está sendo exibida em nossas vidas. No mínimo, se dizemos que desejamos a vontade de Deus, temos que fazer do amor, como revelado em Deus, nosso objetivo.

E como afirmamos anteriormente, teologia então jamais é um obstáculo para o amor, mas como Deus repetidamente diz em Sua Palavra, é a ÚNICA maneira que ele (o amor ) pode ser expressado no mundo. Ame da única maneira possível. Ame teologicamente!

Fonte: http://www.josemarbessa.com/2016/12/nao-deixe-tua-teologia-ficar-no-caminho.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+blogspot%2FCBGG+%28JOSEMAR+BESSA%29 acesso em 19/12/2016.

* O Pastor Josemar Bessa é pastor da Igreja Evangélica Congregacional em Jardim da Luz, RJ.


10 de dezembro de 2016

Para o Dia da Bíblia: As Línguas Bíblicas


PARA O DIA DA BÍBLIA
AS LÍNGUAS BÍBLICAS

Pr. Gilson Soares dos Santos

Nosso estudo agora concentra-se nas línguas que foram usadas na escrita da Bíblia. O Hebraico e o Aramaico para o Antigo Testamento e o Grego para o Novo Testamento, são as línguas originais da Bíblia.

1_ As línguas originais da Bíblia

1.1 – O Hebraico

"Todo o Antigo Testamento foi escrito em Hebraico, o idioma oficial da nação israelita, exceto algumas passagens de Esdras, Jeremias e Daniel, que foram escritas em Aramaico. A mais extensa é em Daniel, que vai de 2.4 a 7.28”.

“O hebraico faz parte das línguas semíticas, que eram faladas na Ásia (mediterrânea), exceto em bem poucas regiões. As línguas semíticas formavam um ramo dividido em grupos, sendo o hebraico integrante do grupo cananeu. Este compreendia o litoral oriental do Mediterrâneo, incluindo a Síria, a Palestina e o território que constitui hoje a Jordânia.”

“Integrava também o grupo cananeu de línguas, o ugarítico, o fenício e o moabítico. O fenício tem muita semelhança com o hebraico. O primitivo alfabeto hebraico é oriundo do fenício, segundo a opinião dos versados na matéria. Tudo leva a crer que Abraão encontrou este idioma em Canaã, ao chegar ali, em vez de trazê-lo da Caldéia. Em Gênesis 31.47, vê-se que Labão, o sobrinho de Abraão, vivendo em sua terra, a Caldéia, falava aramaico; ao passo que Jacó, recém-chegado de Canaã, falava o hebraico.”

“A língua hebraica é chamada no AT "Língua de Canaã" (Is 19.18) e "língua judaica" ou "judaico" (2 Rs 18.26,28; Is 36.13). Como a maior parte das línguas do ramo semítico, o hebraico lê-se da direita para a esquerda. O alfabeto compõe-se de 22 letras, todas consoantes. Há sinais vocálicos, sim, mas não podemos chamá-los de letras.”

“Sabe-se agora que a forma primitiva dos caracteres hebraicos estava em uso na Palestina 1.800 anos antes de Cristo. Exemplos mais recentes das letras hebraicas há no Calendário de Gézer (950-920 a.C), na Pedra Moabita (850 a.C); na inscrição de Siloé (702 a.C); nas moedas do tempo dos irmãos Macabeus (175-100 a.C), e nalguns fragmentos dos escritos achados junto ao mar Morto, a partir de 1947. Esta forma primitiva do hebraico passou por modificações com o correr do tempo. Após o exílio, teve início a chamada "escrita quadrada", que, por fim, foi pelos massoretas convertida na atual forma do alfabeto hebraico - uma forma quadrada modificada.”

“A escrita hebraica dos tempos antigos só empregava consoantes sem qualquer sinal de vocalização. Os sons vocálicos eram supridos pelo leitor durante a leitura, o que dava origem a constantes enganos, uma vez que havia palavras com as mesmas consoantes, mas com acepções diferentes. Quer dizer, a pronúncia exata dependia da habilidade do leitor, levando em conta o contexto e a tradição. É por causa disso que se perdeu a pronúncia de muitas palavras bíblicas.”

“Após o século VI, os eruditos judeus residentes em Tiberíades, passaram a colocar na escrita sinais vocálicos, perpetuando, assim, a pronúncia tradicional. Esses sinais são pontos colocados em cima, em baixo e dentro das consoantes. Os autores desse sistema de vocalização chamavam-se massoretas - palavra derivada de "massorah", que quer dizer tradição, isto porque os massoretas, por meio desse sistema, fixaram a pronúncia tradicional do hebraico. Qualquer texto bíblico posterior ao século VI é chamado "massorético", porque contém sinais vocálicos. Os mais famosos eruditos massoretas foram os judeus Moses bem Asher; e seus filhos Arão e Naftali, que viveram e trabalharam em Tiberíades, na Galiléia.”

“Além do texto massorético, há outro texto hebraico das Escrituras, o do Pentateuco Samaritano, que emprega, os antigos caracteres hebraicos. É do tempo pré-cristão. São, portanto, dois tipos de textos que temos em hebraico: o Massorético e o Pentateuco Samaritano.”

1.2 – O Aramaico

"O Aramaico é um idioma semítico falado desde 2.000 a.C, em Arã ou Síria, que é a mesma região. {Arã é hebreu; Síria é grego.) Nas Escrituras, o território da Síria não é omesmo de hoje, o que acontece também com outras terras bíblicas. O primitivo território estendia-se das montanhas do Líbano até além do Eufrates, incluindo Babilônia, Mesopotâmia Superior (conhecida na Bíblia por Arã-Naaraim; e Padã-Arã - Gn 25.20), e outros distritos. Era ainda falado numa grande área da Arábia Pétrea.”

“Os trechos escritos em aramaico são:

·         Esdras 4.8 a 6.18; 7.12-26.
·         Daniel 2.4 a 7.28.
·         Jeremias 10.11.”

“A influência do aramaico foi profunda sobre o hebraico, começando no cativeiro do reino de Israel, em 722 a.C. na Assíria, e continuando através do cativeiro do reino de Judá, em 587, em Babilônia. Em 536, quando Israel começou a regressar do exílio, falava o aramaico como língua vernácula. É por essa razão que, no tempo de Esdras, as Escrituras, ao serem lidas em hebraico, em público, era preciso interpretá-las, para compreenderem o seu significado (Ne 8.5,8).”

“No tempo de Cristo, o aramaico tornara-se a língua popular dos judeus e  ações vizinhas; estas foram influenciadas pelo aramaico devido às transações comerciais dos arameus na Ásia Menor e litoral do Mediterrâneo. Em 1.000 a.C, o aramaico já era língua internacional do comércio nas regiões situadas ao longo das rotas comerciais do Oriente. O aramaico é também chamado "siríaco", no Norte (2 Rs 18.26; Ed 4.7; Dn 2.4 ARC), e também "caldaico", no Sul (Dn 1.4). Tinha o mesmo alfabeto que o hebraico, diferia nos sons e na estrutura de certas partes gramaticais. Do mesmo modo que o hebraico, não tinha vogais; a partir de 800 d.C, é que os sinais vocálicos lhe foram introduzidos. É muito parecido com o hebraico.”

“O aramaico foi a língua do Senhor Jesus, seus discípulos e da igreja primitiva, em Jerusalém. Em Mateus 5.18, quando Jesus diz que a menor letra é o jota (aramaico iode), Ele tinha em mente o alfabeto aramaico, pois somente neste é que se verifica isto. (A letra iode originou o nosso i). Nos dias de Jesus, o aramaico já se modificara um pouco na Palestina, resultando no "aramaico palestinense", como o chamam os eruditos. Também em Marcos 14.36, o uso da palavra aramaica "abba", por Jesus, é outra evidência de que Ele falava aquela língua. Que Ele também falava o hebraico é evidente em Lucas 4.16-20,
uma vez que os rolos sagrados eram escritos em hebraico.”

“O hebraico foi de fato absorvido pelo aramaico, mas continuou sendo a língua oficial do culto divino no templo e nas sinagogas, dos rolos sagrados, e dos rabinos e eruditos. Havia escolas de rabinos, inicialmente em Jerusalém, e, depois da queda da cidade, em Tiberíades. Havia escolas semelhantes noutros centros judaicos. As conquistas árabes e a propagação do islamismo em largas áreas da Ásia, África e Europa, reduziu e por fim destruiu a influência do aramaico. Por sua vez, o hebraico, sendo língua morta, começou a ressurgir. Para que se cumprissem as profecias referentes a Israel, era necessário que a língua revivesse e assumisse a posição que hoje desfruta na família das nações modernas.”

“O aramaico ainda sobrevive numa remota e pequena vila da Síria, chamada Malloula, com a população de 4.000 habitantes.”

“Devido aos hebreus terem adotado o aramaico como uma língua, este passou a chamar-se hebraico, conforme se vê em Lucas 23.38; João 5.2; 19.13,17,20; Atos 21.40; 26.14”.

“Apocalipse 9.11. Portanto, quando o NT menciona o hebraico, trata-se, na realidade, do aramaico. Marcos, escrevendo para os romanos, põe em aramaico 5.41 e 15.34 do seu livro; já Mateus, que escreveu para os judeus, escreve a mesma passagem em hebraico (Mt 27.46).”

“O AT contém, além do hebraico e aramaico, algumas palavras persas, como "tirsata" (Ed 2.63 FIG) e "sátrapa" (Dn 3.2).”

1.3 – O grego

"Esta é a língua em que foi originalmente escrito o Novo Testamento. A única dúvida paira sobre o livro de Mateus, que muitos eruditos afirmam ter sido escrito em aramaico. O grego faz parte do grupo das línguas arianas. Vem da fusão dos dialetos dórico e ático. Os dóricos e os áticos foram duas das principais tribos que povoaram a Grécia. É língua de expressão muito precisa, e, das línguas bíblicas, é a que mais se conhece, devido a ser mais próxima da
nossa.”

“O grego do Novo Testamento não é o grego clássico dos filósofos, mas o dialeto popular do homem da rua, dos comerciantes, dos estudantes, que todos podiam entender: era o "Koiné". Este dialeto formou-se a partir das conquistas de Alexandre, em 336 a.C. Nesse ano, Alexandre subiu ao trono e, no curto espaço de 13 anos, alterou o curso da história do mundo. A Grécia tornou-se um império mundial, e toda a terra conhecida recebeu influência da língua grega. Deus preparou, deste modo, um veículo linguístico para disseminar as novas do Evangelho até os confins do mundo, no tempo oportuno.”

“Até no Egito o grego se impôs, pois aí foi a Bíblia traduzida do hebraico para o grego- a chamada Septuaginta, cerca de 285 a.C. Nos dias de Jesus, os judeus entendiam quase tão bem o grego como o aramaico, haja vista que a Septuaginta em grego era popular entre os judeus. Nos primórdios do cristianismo, o Evangelho pregado ou escrito em grego podia ser compreendido pelo mundo todo. Só Deus podia fazer isso! Ele não enviaria o seu Filho ao mundo enquanto este não estivesse preparado, e esse preparo incluía uma língua conhecida por todos. (Ver Marcos 1.15 e Gálatas 4.4.)”

“A língua grega tem 24 letras; a primeira é alfa e a última, ômega. Quando, em Apocalipse 1.8, Jesus diz que é o Alfa e o ômega, está afirmando que é o primeiro e o último. Os gregos receberam seu alfabeto através dos fenícios, conforme mostram estudos a respeito.”

“Ninguém vá supor que por não conhecer essas línguas originais das Escrituras, não compreenderá a revelação divina. Sim, o conhecimento e a compreensão dos originais auxiliará muito, mas não é o essencial. Na Bíblia, como já dissemos, veem-se duas coisas principais: o texto e a mensagem. O principal é a mensagem contida no texto. É especialmente a mensagem que o Espírito Santo vitaliza, revela e maneja como sua espada (Ef 6.17).”

FONTES BIBLIOGRÁFICAS:

GEISLER, Norman. NIX, William. Introdução Bíblica: Como a Bíblia Chegou até Nós. São Paulo: Vida. 1997.

GILBERTO, Antonio. A Bíblia Através dos Séculos. 15Ed. Rio de Janeiro: CPAD. 2004.

PFEIFFER, Charles F. VOS, Howard F. REA, John. Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD. 2007.

TOGNINI, Éneas. BENTES, João Marques. Janelas Para o Novo Testamento.São Paulo: Hagnos. 2009.

5 de dezembro de 2016

Para o Dia da Bíblia: Como a Bíblia Foi Preparada


PARA O DIA DA BÍBLIA
COMO A BÍBLIA FOI PREPARADA

Pr. Gilson Soares dos Santos

Quando estudamos a Bíblia como um LIVRO, precisamos ter informações sobre seu contexto, suas divisões e materiais que foram usados em sua elaboração. Por isso, estudaremos sobre o processo de escrita da Bíblia.

I_ Materiais empregados para preparação da Bíblia

1.1_ Materiais para escrita

"A impossibilidade de recuperar muitos dos antigos manuscritos (um manuscrito é, neste sentido, uma cópia à mão das Escrituras) se deve basicamente aos materiais perecíveis empregados na escrita da Bíblia.”.

a)_ Papiro

“O papiro é uma planta aquática que cresce junto a rios, lagos e banhados, no Oriente Próximo, cuja entrecasca servia para escrever. Essa planta existe ainda hoje no Sudão, na Galiléia Superior e no vale de Sarom. As tiras extraídas do papiro eram coladas umas às outras até formarem um rolo de qualquer extensão. Este material gráfico primitivo é mencionado muitas vezes na Bíblia, exemplos: Êxodo 2.3; Jó 8.11; Isaías 18.2. Em certas versões da Bíblia, o papiro é mencionado como junco; de fato, é um tipo de junco de grandes proporções. De papiro, deriva-se a nossa palavra papel. Seu uso na escrita vem de 3.000 a.C.”.

“Esse junco crescia nos rios e lagos de pouca profundidade, existentes no Egito e na Síria. Grandes carregamentos de papiros eram despachados através do porto sírio de Byblos. Supõe-se que a palavra grega para livro (biblos) tenha origem no nome desse porto. A palavra portuguesa "papel" vem da palavra grega papyros, isto é, papiro.”.

“Na Antiguidade, essa planta crescia principalmente no Egito e nos limites norte do Jordão. [..] Seus longos caules triangulares, medindo de 1 a 3 metros, terminavam em flores com a forma de sino. Essa planta era usada para fazer diversos artigos, inclusive barcos (Ex 2.3, a cesta em que Moises foi colocado para flutuar; Isaias 18.2 faz referencia a grandes barcos usados para o transporte dos enviados a Cuxe). Por causa da escassez de madeira, os egípcios faziam botes ou jangadas de papiro. Eles amarravam os juncos e usavam piche para toma-los impermeáveis. Também eram usados para a caça e a pesca nos pântanos e nas balsas que atravessavam os canais”.

“O papel era feito depois que o cerne da planta era extraído e cortado em tiras finas, colocadas lado a lado. Em seguida, colocavam sobre elas outra serie de tiras formando ângulos retos que eram, então, coladas por meio de um adesivo e alguma forma de pressão. Como as partes laterais tinham tiras horizontais (o recto), geralmente elas eram as primeiras a receber a escrita; o lado avesso, com tiras verticais era o verso da escrita. Essas folhas, coladas uma a uma, formavam rolos de papiro de diferentes comprimentos. O padrão era de 20 folhas. O papiro egípcio “Harris I” (aprox. 1160 a.C.), que esta no Museu Britanico, é o mais longo que se conhece até o momento, com 44 metros de comprimento. A altura variava entre um mínimo de 18 centímetros (ou menos) ate um máximo de 47 centímetros. Geralmente, um rolo de papiro tinha o comprimento suficiente para que uma composição completa, como um livro da Bíblia pudesse ser escrito sobre ele”.

“Os mais antigos manuscritos foram escritos em papiro, e era difícil a preservação de qualquer um desses papiros, exceto em regiões secas, como as áreas desérticas do Egito, ou em cavernas semelhantes às de Qumran, onde foram achados os rolos do mar Morto.”

Segundo Kirsopp Lake, é possível concluir que o fato de não termos os manuscritos originais de papiro deve-se ao fato de que “os escribas geralmente destruíam seus exemplares após copiarem os Livros Sagrados”.

b)_ Pergaminho

“Essa palavra designa „peles preparadas de ovelhas, cabras, antílopes e outros animais‟. Essas peles eram „tosadas e raspadas‟ a fim de se obter um material mais durável para a escrita. „pergaminho' tem origem no nome da cidade de Pérgamo, na Ásia Menor, pois a produção desse material para escrita esteve, numa certa época, especialmente associada ao local".

“O uso de peles curtidas remonta ao terceiro milênio a.C. no Egito. Peles de cabras e ovelhas eram mais resistentes que o papiro, e talvez mais disponíveis para os israelitas. [..] O pergaminho, uma pele de animal melhor preparada e mais lisa, começou a substituir o couro por volta de 200 a.C.”

O papiro e o pergaminho foram os principais materiais usados para a preparação dos manuscritos bíblicos. Porém, outros materiais também são citados na escrita:

1.2_ Outros materiais usados na escrita

a)_ Velino

“Era o nome dado à pele de filhotes de diversos animais. Frequentemente o  Velino era atingido de púrpura. Alguns dos manuscritos que temos hoje em dia são velino cor de púrpura. Geralmente os caracteres escritos sobre o velino purpúreo eram prateados ou dourados.”

b)_ Ôstraco

“Fragmento de cerâmica não-esmaltada, bastante usado entre o povo em geral. Esses fragmentos têm sido encontrados em abundância no Egito e na Palestina (Jó 2:8).”

c)_ Pedras
“Que eram escritas com caneta de ferro”

d)_ Tabletes de Argila

“Inscritos com um instrumento pontiagudo e, então, secados a fim de se ter um registro definitivo (Jeremias 17:13; Ezequiel 4:1). Eram os mais baratos e um dos mais duráveis materiais para escrita.”

e)_ Tabletes de Cera

“Um estilete de metal era usado para escrever num pedaço plano de madeira recoberto com cera.”

1.3_ Instrumentos para a escrita

O Papiro, o Pergaminho, o Velino, o Ôstraco, Pedras, Tabletes de Argila e Tabletes de Cera era materiais que recebiam a escrita. Porém que tipos de instrumentos eram usados para escrever nesses materiais? Vejamos os instrumentos usados para a escrita:

a)_ Cinzel

“Um instrumento de ferro para entalhar as pedras.”

b)_ Estilete de metal

"Usava-se o estilete, um instrumento triangular com uma cabeça plana, para fazer marcas nos tabletes de argila e de cera".

c)_ Pena

“Era feita de "juncos (juncus maritimis). com 15 a 40 centímetros de comprimento, sendo que uma das extremidades era cortada de modo a produzir o formato de cinzel achatado, a fim de que se pudesse fazer traços grossos ou finos com as beiradas largas ou estreitas. A pena de junco esteve em uso na Mesopotâmia desde o início do primeiro milênio (a.C), sendo que é bem possível que tenha sido adotada em outros lugares, enquanto que a ideia de uma pena de ave parece ter vindo dos gregos, no século três a.C." (Jeremias 8:8). A pena era usada para escrever em velino, pergaminho e papiro. A tinta, geralmente era uma mistura de „carvão, cola e água‟.”

1.4_ As formas dos livros antigos

Como eram as formas dos livros antigos. Vejamos:

a)_ Rolos

“Eram folhas de papiro coladas uma ao lado da outra, formando longas tiras, e, então, enroladas num bastão. O tamanho do rolo era limitado por causa da dificuldade de seu uso. Geralmente se escrevia só de um lado. Um rolo escrito dos dois lados tem o nome de "opistógrafo" (Apocalipse 5:1). Conhecem-se alguns rolos com 43 metros de comprimento, mas em geral, os rolos tinham entre seis e dez metros.”

b)_ Códice ou Livro

“A fim de tornar a leitura mais fácil e menos desajeitada, as folhas de papiro foram montadas em forma de livro, sendo escritas em ambos os lados. Greenlee afirma que o cristianismo foi o principal motivo para o desenvolvimento de formato do códice, ou volume manuscrito antigo.”

1.5_ Tipos de escrita

Vejamos os tipos de escrita usadas para gravar nesses materiais:

a)_ Escrita Uncial (Maiúsculas)

“Letras maiúsculas deliberadas e cuidadosamente desenhadas, próprias para livros. Os códices Vaticano e Sinaítico são manuscritos unciais.”

b)_ Escrita Cursiva (Minúsculas)

‟Uma escrita de letras menores, cursivas... criadas com vistas à produção de livros‟. A mudança de unciais para minúsculas teve início no século nove.”

Observações:

·        “Os manuscritos gregos eram escritos sem quaisquer espaços entre as palavras. Até 900 AD. o hebraico era escrito sem vogais, quando os massoretas introduziram a vocalização.”
·        “Os escritos originais, autênticos, saídos da mão de um profeta ou apóstolo, ou de um secretário ou amanuense, sempre sob a direção do homem de Deus, eram chamados autógrafos. Esses não existem mais.”


FONTES BIBLIOGRÁFICAS:

GEISLER, Norman. NIX, William. Introdução Bíblica: Como a Bíblia Chegou até Nós. São Paulo: Vida. 1997.

GILBERTO, Antonio. A Bíblia Através dos Séculos. 15Ed. Rio de Janeiro: CPAD. 2004.

PFEIFFER, Charles F. VOS, Howard F. REA, John. Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD. 2007.

TOGNINI, Éneas. BENTES, João Marques. Janelas Para o Novo Testamento. São Paulo: Hagnos. 2009.
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