O Pr. Gilson Soares dos Santos é casado com a Missionária Selma Rodrigues, tendo três filhos: Micaelle, Álef e Michelle. É servo do Senhor Jesus Cristo, chamado com santa vocação. Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional), Campina Grande/PB; Graduado em Filosofia pela UEPB (Universidade Estadual da Paraíba); Pós-Graduando em Teologia Bíblica pelo CPAJ/Mackenzie (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper). Professor de Filosofia e Teologia Sistemática no STEC. Professor de Teologia Sistemática no STEMES, em Campina Grande - Paraíba. Pastor do Quadro de Ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (AIECB). Pastoreou a Igreja Evangélica Congregacional de Cuité/PB, durante 15 anos (1993-2008). Atualmente é Pastor Titular da Igreja Evangélica Congregacional em Areia - Paraíba.

22 de setembro de 2013

Fé e Regeneração: Qual vem primeiro?


FÉ E REGENERAÇÃO: QUAL VEM PRIMEIRO?

Pr. Gilson Soares dos Santos

Fé e Regeneração. Regeneração e Fé. É comum encontrarmos estudantes de teologia que ainda não sabem (ou não se posicionaram) sobre a ordem da salvação, a chamada ordo salutis. A fé vem antes da regeneração? A regeneração vem antes da fé? As duas são simultâneas? É claro, a ordo salutis não é formada apenas pela regeneração e a fé. Inclusive já publicamos aqui em nosso blog sobre a ordem da salvação. Mas gostaríamos de tratar apenas sobre estes dois momentos da salvação: a regeneração e a fé, qual vem primeiro?

Se você, estudante de teologia, se declara um reformado, se autodenomina calvinista, precisa saber que, na linha reformada, a regeneração vem antes da fé. Na linha arminiana prevalece o contrário: para os arminianos, a fé vem primeiro que a regeneração.

Segundo Franklin Ferreira e Alan Myatt “Calvino foi o primeiro teólogo a agrupar de forma mais ou menos sistemática os vários elementos da ordem da salvação, ainda que sem a preocupação de discutir o assunto.” (2008, p. 737). Ainda de acordo com Ferreira e Myatt (2008, p. 738), Calvino, em suas Institutas, coloca a fé antes da regeneração. Veja a sequencia de Calvino:

1. União mística
2. Fe
3. Arrependimento
4. Reconciliação
5. Regeneração
6. Justificação & Santificação

Embora essa seja a sequência de Calvino, os teólogos reformados não a seguem. A maioria deles coloca a regeneração precedendo a fé. Vejamos o que diz o teólogo reformado R. C. Sproul:

 “Na regeneração, Deus muda nosso coração. Ele nos dá uma nova disposição, uma nova inclinação. Ele planta um desejo por Cristo em nosso coração. Nunca podemos confiar em Cristo para nossa salvação a menos que primeiro o desejemos. É por isso que dissemos antes que a regeneração precede a fé”. (eleitos de Deus, p. 103).

Outros teólogos reformados, a exemplo de Charles Hodge, A. A. Hodge, A. H. Strong, Herman Bavinck, Louis Berkhof, John Murray, Wayne Grudem, etc, também apresentam a regeneração precedendo a fé. Grudem, em sua Teologia Sistemática, diz o seguinte:

Definimos a regeneração como o ato de Deus de despertar a vida espiritual dentro de nós, trazendo-nos da morte espiritual para a vida espiritual. Sobre essa definição, é natural entender que a regeneração vem antes da fé salvífica. De fato, é essa obra de Deus que nos dá capacidade espiritual para responder a Deus com fé. Entretanto, quando dizemos que ela vem “antes” da fé salvífica, é importante lembrar que elas aparecem tão juntas que geralmente nos parecerá que estão ocorrendo ao mesmo tempo.

O conceito reformado de que a regeneração precede a fé está baseado no primeiro dos cinco pontos do calvinismo, a depravação total. Se o homem é totalmente depravado, está totalmente morto em seus delitos e pecados, este homem jamais poderá ter fé salvadora. Para que ele tenha fé é preciso que Deus o desperte da morte espiritual, acordando-o desse estado de total inércia. Somente assim o homem poderá desejar a salvação. O Espírito Santo concede a graça da regeneração, levando o homem à fé e ao arrependimento.

A modo de conclusão podemos dizer que a maioria dos reformadores crê que a regeneração precede a fé, embora não seja sustentada uma ordem exageradamente cronológica. Para os arminianos a fé precede a regeneração.

Você pode consulta os seguintes livros:

1.     As institutas de Calvino, Vol III.

2.     Eleitos de Deus. R. C Sproul.

3.     Teologia Sistemática, de Franklin Ferreira e Alan Myatt. Vida Nova.

4.     Teologia Sistemática de Wayne Grudem. Vida Nova.

5.     Eleitos, mas livres, de Norman Geisler. Vida.

17 de setembro de 2013

Culto transformado em show

CULTO TRANSFORMADO EM SHOW

Pr. Gilson Soares dos Santos

Sou um dos muitos descontentes com a banalização do culto. Percebo que muitos líderes, de maneira proposital, mudaram o padrão bíblico do culto que satisfaz a santidade de Deus para um modelo que satisfaz aos caprichos do homem, mudando até sua nomenclatura. O culto foi transformado em show.

Quero transcrever, na íntegra, o conteúdo da página 25, da Revista Ultimato, Número 295, Julho-Agosto de 2005, que trata sobre “Culto transformado em show”.

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Culto transformado em show

Os israelitas leram o Livro da Lei do Senhor durante três horas, e passaram outras três horas confessando os seus pecados e adorando o Senhor (Ne 9.3)

Não é apenas a mídia que está usando a palavra show para se referir a alguns cultos. Nós mesmos usamos esse termo em nosso meio. Uma de nossas revistas chama-se Show da Fé. As missas celebradas pelo padre Marcelo Rossi são usualmente denominadas de “showmissas”.

As palavras culto e show não combinam, a não ser que lhes demos significados modernos. O dicionário Aurélio define show como “um espetáculo de teatro, rádio, televisão etc., geralmente de grande montagem, que se destina à diversão, e com a atuação de vários artistas de larga popularidade, ou às vezes de um só”. Ora, nessa definição, nada combina com o significado de culto, que o mesmo dicionarista diz ser “adoração ou homenagem à divindade em qualquer de suas formas, e em qualquer religião”. “A igreja existe, não para oferecer entretenimento, encorajar vulnerabilidade, melhorar autoestima ou facilitar amizades, mas para adorar a Deus. Se falharmos nisso”, conclui Philip Yancey, “a igreja fracassa” (Igreja: Por Que me Importar, p. 25)

Outro dia, Silas Tostes, um dos organizadores do 4º Congresso Brasileiro de Missões, mostrou-se inseguro quanto ao número de participantes, por ser um congresso de missões e não um show de música gospel.

De fato, em muitas igrejas, o tempo destinado à exposição da Palavra é cada vez menor e o tempo reservado aos cânticos é cada vez maior. Em alguns cultos já não há lugar para o antigo sermão, nem para algum substituto dele. Assim como há geleia light, maionese light e pão light, temos o culto light (leve, ligeiro, alegre, jocoso etc.). Embora a música de adoração seja de suma importância e de fundamento bíblico (basta recordar o desempenho dos cantores e instrumentistas levitas), o papel da música religiosa hoje em dia não implica, obrigatoriamente, uma elevação da qualidade dos adoradores e do culto. A decadência do culto transformado em show leva obrigatoriamente a outros absurdos: certo “levita” explicou que o ministro de música (no caso, o tal artista de larga popularidade, da definição do Aurélio) “deve andar de carro novo e vestir-se elegantemente porque, afinal de contas, tem a responsabilidade de conduzir o povo ao trono de Deus em adoração”.

Por ocasião do avivamento acontecido em Jerusalém sob a liderança de Esdras e Neemias, logo após o retorno dos exilados, gastavam-se três horas para a leitura da Lei do Senhor e mais três horas para a confissão de pecados e adoração (Ne 9.1-5).

10 de setembro de 2013

A Graça transformada em libertinagem

A GRAÇA TRANSFORMADA EM LIBERTINAGEM
 
Pr. Gilson Soares dos Santos
 
Somos conscientes que as profecias bíblicas cumprir-se-ão, não da maneira que queremos ou imaginamos, mas do modo como o Senhor descreve em Sua Palavra. O apóstolo Paulo, num tom profético, alerta: “1 Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, 2  pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, 3  desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, 4  traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, 5  tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes.” (II Timóteo 3.1-5). Sentimos que estamos vivendo os “tempos difíceis” citados pelo apóstolo. Presenciamos a graça sendo transformada em libertinagem, e, mesmo sabendo que isso é cumprimento da Palavra, é difícil presenciar tamanho descaso com as coisas de Deus.
 
Quero transcrever, na íntegra, o conteúdo da página 24, da Revista Ultimato, Número 295, Julho-Agosto de 2005, que trata sobre “A graça transformada em libertinagem”.
 
 
 
 
A graça transformada em libertinagem
 
Quem põe a boca no trombone para fazer uma das mais sérias de todas as denúncias é Judas, “servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago” (Jd 1). É o único escritor do Novo Testamento que menciona sua ligação com Jesus Cristo e com mais alguém. Em vez de se apresentar como Judas-não-o-Iscariotes para se diferenciar do outro Judas, aquele que traiu o Senhor (Mt 10.4), o autor do terceiro menor e penúltimo livro da Bíblia prefere citar seu parentesco com Tiago.

A denúncia de Judas não poderia ser mais explícita: “[Certos homens] transformam a graça de nosso Deus em libertinagem e negam Jesus Cristo, nosso único Soberano e Senhor” (Jd 4). Em outras palavras: “Eles torcem a mensagem a respeito da graça do nosso Deus a fim de arranjar uma desculpa para a sua vida imoral” (NTLH). A Comunidade de Taizé prefere afirmar que certas pessoas “abusam da graça do nosso Deus para levar uma vida dissoluta”.

Esse estrago está sendo cometido por alguns intrusos que já se infiltraram sorrateiramente no meio da comunidade e agora participam de suas festas de fraternidade (Jd 12) e usam de desavergonhada bajulação (Jd 16). No decorrer da epístola, Judas chama os prostituidores da maravilhosa graça de “sonhadores” (v. 8), “rochas submersas” (v. 12), “pastores de si mesmos” (v. 12), “nuvens sem água”, “árvores de outono [mas] sem frutos, duas vezes mortas, arrancadas pela raiz” (v. 12), “ondas bravias do mar, espumando seus próprios atos vergonhosos” (v. 13) e “estrelas errantes [a caminho das] mais densas trevas” (v. 13).

O que essas “rochas submersas” estão fazendo é muito grave. Quais icebergs, que escondem 90% do seu volume debaixo do nível do mar, elas realizam um trabalho de corromper a maravilhosa graça, declarando temerariamente que, depois de termos nos tornado cristãos, “podemos andar como quisermos, sem medo da ira divina” (Jd 4, BV)

Ora, a distância entre a graça divina e a libertinagem humana é imensurável. A graça é a manifestação maior do amor, da misericórdia, da compaixão e da paciência de Deus. E a libertinagem é a manifestação maior do pecado, da provocação, da maldade e da baixeza do homem. A graça de Deus parece não ter sinônimo perfeito (nem definição plenamente satisfatória). Mas os sinônimos da libertinagem são licensiosidade, dissolução, devassidão, depravação. Remover a maravilhosa graça do seu pedestal e colocá-la na mesma prateleira da libertinagem é uma violência que precisa ser denunciada em alto e bom som.

Essa fabulosa indústria de transformação, que pretende acalmar a consciência dos vencidos pela carne e enriquecer os intrusos, os advogados do diabo, os profetas da pecaminosidade e a mídia sedenta de ibope e ouro — existe há muito tempo e transforma não apenas graça em libertinagem. As outras transformações aparecem nas demais matérias de capa.


6 de setembro de 2013

Ética e Infinito, em Emmanuel Lévinas


ÉTICA E INFINITO, EM EMMANUEL LÉVINAS
 

Gilson Soares dos Santos e Ana Cláudia Gomes


A filosofia de Emmanuel Lévinas (1905-1995) tem como propósito o discurso sobre a responsabilidade para com o outro ser humano. Ele procura enfatizar a não-indiferença pelo rosto do outro. Sua ética é exposta, de forma clara, em totalidade e infinito e ética infinito, uma das suas principais obras de filosofia, como “a ética da responsabilidade para com os outros”. Sua filosofia traz uma resposta para a crise de ética de sua época. Para ele, o começo da filosofia é a responsabilidade com o outro. O infinito é o outro. O termo “metafísica” encontra em Lévinas significado próprio. A metafísica de Lévinas é a ética. É nosso propósito, neste trabalho, fazermos uma leitura interpretativa da ética levinasiana, buscando entender, acima de tudo, a definição que o filósofo faz sobre o rosto do outro e da nossa responsabilidade para com o outro, que não é apenas exterioridade do rosto, mas o humano que nos torna humano.


Lévinas inicia tratando da natureza histórica da filosofia, que buscou sintetizar universalmente tudo aquilo que é significativo, reduzindo as coisas ao conceito de totalidade. Uma filosofia que exalta o sujeito, colocando-o num pedestal, e, portanto, traindo a ideia de sujeito como estar sujeito a algo ou alguém. Para ele, na história da filosofia foi difícil encontrar uma ruptura entre totalidade e infinito, e foi somente em Franz Rozensweig que Lévinas encontrou, pela primeira vez, uma crítica radical contra a totalidade. Em oposição à totalidade, que foi uma tendência do pensamento filosófico ocidental, a filosofia levinasiana construiu a ideia de infinito. E, embora a idéia de infinito em Lévinas seja construída a partir de Descartes, sua filosofia estabelece diferença da filosofia cartesiana porque para Descartes o infinito é Deus, para Lévinas o infinito é o outro. A possibilidade do Outro, da responsabilidade com o outro. E isso não se trata de pensar conjuntamente o eu e o outro, mas, conforme o filósofo, de estar diante, no "frente a frente" dos humanos.

1 O ROSTO

A partir do rosto do outro, de um olhar para o rosto do outro, Emmanuel Lévinas busca construir uma nova visão de humano. Porém a exterioridade do rosto não permite que se tenha um conhecimento do outro. Não nos limitamos a ver o rosto do outro como nariz, olhos, testa, queixo, etc., Se assim o fizermos, então nos voltamos para o outro como objeto. É nesse ponto que Lévinas mostra que "o que é especificamente rosto é o que não se reduz a ele". Não importa o que possamos ver, há no rosto uma pobreza essencial, e não se pode ter um conhecimento seguro sobre o outro apenas contemplando a exterioridade do rosto, pois simplesmente o rosto pode disfarçar. Porém é o rosto que nos impede de matar. Isso faz sentido se conseguirmos ver o humano no rosto do outro. A primeira relação que temos com o rosto é uma relação de ética. A primeira palavra do rosto é "tu não matarás". De certa forma, quando nos encontramos com o outro podemos todas as coisas, inclusive matar o outro, mas não o fazemos porque o rosto do outro diz "Podes matar", mas o mesmo rosto diz "Não matarás". O rosto me leva à responsabilidade. Porque o rosto do humano corresponde ao humano. Talvez seja possível tirar a vida de um homem, porém seu rosto continuará lá.

Lévinas confirma a indagação de Philippe Nemo admitindo que o discurso humano também é uma maneira de se romper com a totalidade, porém, deixa bem claro que esse discurso começa no rosto do humano. Para Lévinas, o rosto fala. A capacidade de compreender isso é que leva ao discurso. Porque é o rosto que torna possível e começa todo o discurso.

O rosto do outro me dá uma ordem para não matá-lo, diz a ética levinasiana, e essa ordem obedeço porque vejo no rosto do outro "o pobre por quem tudo posso e a quem tudo devo." Embora Lévinas admita que existe o ódio e a violência contra o próximo, defende que isso acontece num segundo momento, por causa da presença do terceiro elemento, isto é, se estou diante do outro devo-lhe tudo, mas há o terceiro, o qual não sei estará de acordo com o outro. Para que as guerras, o ódio, a inveja, as atitudes desumanas não existam, é preciso estabelecer a relação interpessoal com o outro, mas também com todos os homens.

Lévinas sustenta que está construindo a ética do "rosto" que rompe com as filosofias da totalidade. Ele parte da idéia cartesiana do infinito: eu não posso, como ser finito, ter em mim a ideia de um Deus infinito, exceto se esse Deus, que é infinito, inserir tal ideia em mim. Para ele, no acesso ao rosto há, certamente, também a idéia de Deus. O infinito começa a partir do rosto do outro, da responsabilidade com o outro.

 3 A RESPONSABILIDADE POR OUTREM

Lévinas mostra, em sua filosofia, que a responsabilidade deve estar direcionada a outrem. Para ele, essa é a estrutura essencial, estrutura primeira. Essa responsabilidade é considerada na ética como o próprio nó do subjetivo. É romper com o pensamento filosófico egoísta. Somente assim, assumimos responsabilidades com o outro. Segundo o filósofo, "o laço com o outro só se aperta com responsabilidade". Essa responsabilidade nos faz mais humanos, mais servos, mais "livres para servir". É uma diaconia que envolve responsabilidade com o outro sem esperar nada em troca, sem buscar recompensas, sem desejo de reciprocidade. “É uma responsabilidade que vai além do que eu faço”, defende.

Lévinas nos leva à compreensão de que, se olharmos o rosto do outro positivamente, certamente teremos abraçado a ideia da necessidade de uma doação em prol do outro, por quem me torno inteiramente responsável, mesmo sem assumir responsabilidades para com ele.

Na filosofia levinasiana, a responsabilidade com o outro vai a tal ponto que nos tornamos responsáveis quando os outros não fazem o que têm que fazer. Lévinas afirma "eu próprio sou responsável pela responsabilidade de outrem". Jamais alguém deve pensar que "o outro não é nada, ele nada tem a ver comigo". Esse tipo de pensamento é o que gera a guerra, que coloca todos os indivíduos dentro da totalidade, fazendo deles parte de um todo. Ser humano, para a ética levinasiana, "é viver como se não fosse um ser entre os seres".

Diante de nossas reflexões sobre a filosofia de Lévinas, compreendemos que sua ética é contextual, aplica-se perfeitamente à realidade do mundo contemporâneo, que necessita de homens e mulheres que vivam ética e amorosamente esta vida. Se conseguirmos enxergar o humano no rosto do outro, assumiremos responsabilidades para com outrem, e certamente viveremos a ética de Emmanuel Lévinas, que é a ética de todos os humanos.

BIBLIOGRAFIA

LÉVINAS, Emmanuel. Ética e infinito – diálogos com Philippe Nemo. Lisboa: Edições 70, 1982. P.67-93.

 

3 de setembro de 2013

Vamos orar pela paz na Síria


VAMOS ORAR PELA PAZ NA SÍRIA
 
Pr. Gilson Soares dos Santos

Como é do conhecimento de quase todos, a Síria, desde março de 2011, enfrenta uma guerra civil que já ceifou a vida de mais de cem mil pessoas. A infraestrutura do país está totalmente abalada e eles vivem uma crise humanitária regional. Desde o início da guerra mais de dois milhões de Sírios abandonaram o país, indo para outros países.

Quero transcrever aqui uma matéria encontrada no site http://www.portasabertas.org.br sobre visitas feitas por missionários às famílias de Alepo, a maior cidade da Síria.
Leiamos a matéria:
 
Visitar famílias é investigar as faces da guerra

Alepo é a maior cidade da Síria. Antes da guerra civil, lá era o centro econômico do país. Desde que o exército sírio e o exército livre da Síria começaram a combater dentro e ao redor da cidade, milhares de habitantes fugiram. Fábricas e empresas foram destruídas ou fechadas. Nesse meio tempo, outros sírios fugiram do país ou mudaram-se de Homs para Alepo.

Através de seus parceiros e colaboradores, a Portas Abertas está apoiando várias igrejas na Síria. Essas congregações têm ajudado desabrigados que chegaram à cidade e também moradores cristãos que se encontram em necessidades. Por meio dessas igrejas, mais de mil famílias são beneficiadas a cada mês. 

Um dos pastores locais contou à Portas Abertas sobre as visitas que ele e um grupo de voluntários fazem a cristãos desabrigados em Alepo. A maneira que ele relata cada visita é muito sucinta. Não é possível saber muitos detalhes sobre as famílias. Mas o que fica bem claro é: em um dia de visitas, pode-se olhar nos olhos das pessoas que sofrem com essa guerra civil. Eles ouvem histórias sobre pessoas desaparecidas, baleadas ou sequestradas; pessoas que perderam casas e empregos; falam de pobreza, falta de comida ou necessidade de remédios. Algumas vezes, colocando em risco sua própria segurança, a equipe de visitantes da igreja sai para visitar as famílias com uma cesta básica. 

"Primeiro, batemos à porta de uma família que veio de Al Qusayr (próximo à cidade de Homs)”, conta o pastor Samir* sobre um dia em que ele e sua equipe saíram para fazer visitas. Al Qusayr tinha uma grande comunidade cristã, mas milhares deles — há quem diga que foram todos —, deixaram a cidade quando esta foi capturada pelas forças da oposição no início de 2012. “O chefe da família me contou como deixaram seu lar e vieram para Alepo trazendo apenas as coisas que podiam carregar. Eles agora estão em grande pobreza e passando por muitas necessidades”. 

O pastor e os outros membros da equipe sempre tentam confortar as famílias. “Nós lemos Hebreus 2 e compartilhamos as boas-novas, sobre nosso tesouro celestial. Depois disso, oramos”, relatou o pastor.

Ele continuou: “Após essa visita, conhecemos outra família: marido, mulher, duas filhas e seus esposos, três crianças e dois vizinhos de outro vilarejo de Homs. Eles estavam traumatizados pelo que acontecera em seus lares, especialmente com as crianças. A família viu muita coisa, eles perderam a casa e o emprego. Procuramos encorajá-los, lendo o livro de Salmos, conversando bastante sobre o cuidado de nosso Pastor, o Senhor”. 

Tristes e sozinhos

Outra família: marido, mulher, filha e três crianças. “A esposa tinha sido baleada. Ela mostrou as cicatrizes a uma das mulheres da equipe. Seu filho fora baleado nove vezes nas pernas. Ele precisava de cirurgia para tratar seus ferimentos. Mas o chefe da casa também precisava de cirurgia por causa de uma enfermidade. Eles sentiam-se tristes e sozinhos. Disseram-nos que tinham falta de comida e remédios. Lemos Mateus 9 com eles e lhes explicamos essa passagem”.

Uma mulher de Al Hamadia, um bairro de Homs onde os cristãos costumam morar, expressou seus temores porque seu filho tinha fugido para a Turquia, mas havia sete meses que não recebia nenhuma notícia dele, nenhum telefonema ou carta, nada. 

A equipe da Portas Abertas também visitou uma casa em que duas famílias de Al Hamadia estão morando. “Um dos homens fora sequestrado duas vezes, mas sobreviveu. A família teve de deixar tudo para trás, a casa e o trabalho. Eles pediram oração por um amigo que tinha sido sequestrado havia seis meses”.

Em meio à guerra civil, os cristãos têm testemunhado a mão de Deus operando. “Por exemplo, Aboud e sua família vieram de Al Hamadia. Eles nos contaram sobre o grande cuidado do Senhor. Ele salvou Aboud da morte. Criminosos o levaram juntamente com seis de seus colegas e os amarraram na fábrica onde trabalhavam, próximo a Homs. Aboud tinha um ferimento na cabeça e sentia muitas dores. Deus os salvou após terem orado e pedido em nome de Jesus. 

Embora sofram agora, eles sabem que têm um grande lar pronto no céu. O marido foi salvo novamente, mais tarde, quando ladrões tentaram roubar seu carro”.

Pedidos de oração

• Ore para que a equipe da Portas Abertas tenha sabedoria ao visitar as famílias necessitadas, sabendo como responder aos seus questionamentos.

• Peça por paz em Alepo e pela restauração de todas as pessoas traumatizadas.

• Interceda por todos os voluntários envolvidos neste trabalho.

• Apresente ao Senhor todos os cristãos que decidiram permanecer em Alepo para servir a Deus.

• Clame pelos cristãos que foram sequestrados. 


*Nome alterado para a segurança do cristão.