O Pr. Gilson Soares dos Santos é casado com a Missionária Selma Rodrigues, tendo três filhos: Micaelle, Álef e Michelle. É servo do Senhor Jesus Cristo, chamado com santa vocação. Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional), Campina Grande/PB; Graduado em Filosofia pela UEPB (Universidade Estadual da Paraíba); Pós-Graduando em Teologia Bíblica pelo CPAJ/Mackenzie (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper). Professor de Filosofia e Teologia Sistemática no STEC. Professor de Teologia Sistemática no STEMES, em Campina Grande - Paraíba. Pastor do Quadro de Ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (AIECB). Pastoreou a Igreja Evangélica Congregacional de Cuité/PB, durante 15 anos (1993-2008). Atualmente é Pastor Titular da Igreja Evangélica Congregacional em Areia - Paraíba.

24 de agosto de 2013

Não toqueis nos meus ungidos: eles respondem

NÃO TOQUEIS NOS MEUS UNGIDOS: ELES RESPONDEM
 
Pr. Gilson Soares dos Santos
 
Muitos líderes têm usado a expressão “não se pode tocar num ungido do Senhor” como sinônimo de imunidade. Muitos agem de maneira arbitrária, totalmente divorciada do padrão bíblico, no entanto, não querem que ninguém os critique, usando sempre a “fórmula mágica” de que não se deve tocar no ungido do Senhor.
 
É assim que a Bíblia ensina? Quero recorrer a ajuda de dois professores, servos de Deus, um da linha Pentecostal, Dr. Paulo Romeiro, o outro, da linha Reformada, Dr. Augustus Nicodemus, ambos respondem à questão sobre “não tocar no ungido do Senhor”.
 
Vejamos o que diz o Dr. Paulo Romeiro sobre o assunto:
 
Basta alguém questionar a posição doutrinária ou ética de algum líder religioso para que ele ou seus simpatizantes imediatamente lancem mão desta frase para se defenderem. Alguém já disse, com sabedoria, que o poder odeia a crítica, e isto é verdade também no meio evangélico. Ao afirmar isso, não estamos defendendo aqui a crítica barata, vingativa, mas, sim, a construtiva, feita de acordo com a Palavra de Deus.

Esta expressão "não toqueis nos meus ungidos" aparece duas vezes na Bíblia: em 1 Crônicas 16:22 e em Salmos 105:15; ambas as referências são a respeito dos patriarcas, Abraão, Isaque e Jacó. As duas passagens não se referem a um questionamento ético ou doutrinário do líder, mas a algum perigo para a integridade física de um ungido de Deus. Observe o que aconteceu com Abraão em Gênesis 20:1-13. Estando em Gerar, mentiu ao rei Abimeleque, dizendo que Sara não era sua esposa, a fim de se proteger. Impressionado com a beleza de Sara, Abimeleque mandou buscá-la para fazê-la sua esposa. Deus, porém, avisou o rei em sonho durante a noite, dizendo-lhe que seria punido se tomasse Sara como esposa, o que o levou a desistir do seu plano. Embora Abimeleque tivesse sido proibido por Deus de tocar no profeta (v. 7) e ungido do Senhor, isto é, de causar-lhe algum dano físico, ele não hesitou em repreender Abraão por ter-lhe mentido.

Davi também, quando perseguido por Saul e com oportunidade para matá-lo, limitou-se apenas a cortar-lhe a orla do manto, explicando com estas palavras o motivo de seu comportamento: "O SENHOR me guarde de que eu faça tal cousa ao meu senhor, isto é, que eu estenda a mão contra ele, pois é o ungido do SENHOR" (1 Sm 24:6). Vemos novamente que o que estava em questão era a vida de Saul e não sua posição doutrinária.

No Novo Testamento, a unção não é privilégio apenas de alguns, mas de todos os que estão em Cristo. Na sua primeira epistola universal, João mesmo reconheceu isso ao escrever: "E vós possuís unção que vem do Santo, e todos tendes conhecimento" (1 Jo 2:20). João acrescenta ainda: "Quanto a vós outros, a unção que dele recebestes permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina a respeito de todas as cousas, e é verdadeira, e não é falsa, permanecei nele, como também ela vos ensinou" (1 Jo 2:27).

É verdade que Jesus disse no Sermão do Monte: "Não julgueis, para que não sejais julgados" (Mt 7:1). Este é um outro texto muito usado de forma seletiva e fora de seu contexto como um escudo contra qualquer tipo de questionamento. O que Jesus está censurando nesta passagem é o julgamento hipócrita, algo que ele deixa bem claro nos versículos 3 a 5: "Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e então verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão". Pode-se constatar que o apóstolo Paulo tinha o cuidado de obedecer às palavras do Senhor Jesus pela sua exortação aos coríntios: "Mas esmurro o meu corpo, e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado" (1 Co 9:27).

A Bíblia não proíbe o questionamento, pelo contrário, encoraja-o. Quando chegou a Beréia, Paulo teve seus ensinos avaliados à luz das Escrituras pelos bereanos. É interessante que os bereanos não foram censurados nem tidos como carnais porque examinaram os ensinos de Paulo, mas, sim, foram elogiados e considerados mais nobres que os de Tessalônica (At 17:11). Observe a atitude de João. Apesar de ser conhecido como o apóstolo do amor e de usar termos muito amorosos (como "filhinhos", "amados"), ele não deixou de alertar seus leitores quanto aos perigos de ensinos e profetas falsos com essas palavras: "Amados, não deis crédito a qualquer espírito: antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora" (1 Jo 4:1).

 (Romeiro. Paulo, Evangélicos em crise: decadência doutrinária na igreja brasileira. 4ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1999).

 
Agora, vejamos o que diz o Dr. Augustus Nicodemus sobre essa questão:
 
“Não toqueis no ungido do Senhor”

 Há várias passagens na Bíblia onde aparecem expressões iguais ou semelhantes a esta acima.

"A ninguém permitiu que os oprimisse; antes, por amor deles, repreendeu a reis, dizendo: Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas" (1Cr 16:21-22; cf. Sl 105:15).

Todavia, a passagem mais conhecida é aquela em que Davi, sendo pressionado pelos seus homens para aproveitar a oportunidade de matar Saul na caverna, respondeu: "O Senhor me guarde de que eu faça tal coisa ao meu senhor, isto é, que eu estenda a mão contra ele [Saul], pois é o ungido do Senhor" (1Sm 24:6).

Noutra ocasião, Davi impediu com o mesmo argumento que Abisai, seu homem de confiança, matasse Saul, que dormia tranquilamente ao relento: "Não o mates, pois quem haverá que estenda a mão contra o ungido do Senhor e fique inocente?" (1Sm 26:9). Davi de tal forma respeitava Saul, como ungido do Senhor, que não perdoou o homem que o matou: “Como não temeste estender a mão para matares o ungido do Senhor?” (2Sm 1:14).

Esta relutância de Davi em matar Saul por ser ele o ungido do Senhor tem sido interpretado por muitos evangélicos como um princípio bíblico referente aos pastores e líderes a ser observado em nossos dias, nas igrejas cristãs. Para eles, uma vez que os pastores, bispos e apóstolos são os ungidos do Senhor, não se pode levantar a mão contra eles, isto é, não se pode acusa-los, contraditá-los, questioná-los, criticá-los e muito menos mover-se qualquer ação contrária a eles. A unção do Senhor funcionaria como uma espécie de proteção e imunidade dada por Deus aos seus ungidos. Ir contra eles seria ir contra o próprio Deus.

Mas, será que é isto mesmo que a Bíblia ensina?

A expressão “ungido do Senhor” usada na Bíblia em referência aos reis de Israel se deve ao fato de que os mesmos eram oficialmente escolhidos e designados por Deus para ocupar o cargo mediante a unção feita por um juiz ou profeta. Na ocasião, era derramado óleo sobre sua cabeça para separá-lo para o cargo. Foi o que Samuel fez com Saul (1Sam 10:1) e depois com Davi (1Sam 16:13).

A razão pela qual Davi não queria matar Saul era porque reconhecia que ele, mesmo de forma indigna, ocupava um cargo designado por Deus. Davi não queria ser culpado de matar aquele que havia recebido a unção real.

Mas, o que não se pode ignorar é que este respeito pela vida do rei não impediu Davi de confrontar Saul e acusá-lo de injustiça e perversidade em persegui-lo sem causa (1Sam 24:15). Davi não iria matá-lo, mas invocou a Deus como juiz contra Saul, diante de todo o exército de Israel, e pediu abertamente a Deus que castigasse Saul, vingando a ele, Davi (1Sam 24:12). Davi também dizia a seus aliados que a hora de Saul estava por chegar, quando o próprio Deus haveria de matá-lo por seus pecados (1Sam 26:9-10).

O Salmo 18 é atribuído a Davi, que o teria composto “no dia em que o Senhor o livrou de todos os seus inimigos e das mãos de Saul”. Não podemos ter plena certeza da veracidade deste cabeçalho, mas existe a grande possibilidade de que reflita o exato momento histórico em que foi composto. Sendo assim, o que vemos é Davi compondo um salmo de gratidão a Deus por tê-lo livrado do “homem violento” (Sl 18:48), por ter tomado vingança dos que o perseguiam (Sl 18:47).

Em resumo, Davi não queria ser aquele que haveria de matar o ímpio rei Saul pelo fato do mesmo ter sido ungido com óleo pelo profeta Samuel para ser rei de Israel. Isto, todavia, não impediu Davi de enfrentá-lo, confrontá-lo, invocar o juízo e a vingança de Deus contra ele, e entregá-lo nas mãos do Senhor para que ao seu tempo o castigasse devidamente por seus pecados.

O que não entendo é como, então, alguém pode tomar a história de Davi se recusando a matar Saul, por ser o ungido do Senhor, como base para este estranho conceito de que não se pode questionar, confrontar, contraditar, discordar e mesmo enfrentar com firmeza pessoas que ocupam posição de autoridade nas igrejas quando os mesmos se tornam repreensíveis na doutrina e na prática.

Não há dúvida que nossos líderes espirituais merecem todo nosso respeito e confiança, e que devemos acatar a autoridade deles – enquanto, é claro, eles estiverem submissos à Palavra de Deus, pregando a verdade e andando de maneira digna, honesta e verdadeira. Quando se tornam repreensíveis, devem ser corrigidos e admoestados. Paulo orienta Timóteo da seguinte maneira, no caso de presbíteros (bispos/pastores) que errarem:

"Não aceites denúncia contra presbítero, senão exclusivamente sob o depoimento de duas ou três testemunhas. Quanto aos que vivem no pecado, repreende-os na presença de todos, para que também os demais temam" (1Tim 5:19-20).

Os “que vivem no pecado”, pelo contexto, é uma referência aos presbíteros mencionados no versículo anterior. Os mesmos devem ser repreendidos publicamente.

Mas, o que impressiona mesmo é a seguinte constatação. Nunca os apóstolos de Jesus Cristo apelaram para a “imunidade da unção” quando foram acusados, perseguidos e vilipendiados pelos próprios crentes. O melhor exemplo é o do próprio apóstolo Paulo, ungido por Deus para ser apóstolo dos gentios. Quantos sofrimentos ele não passou às mãos dos crentes da igreja de Corinto, seus próprios filhos na fé! Reproduzo apenas uma passagem de sua primeira carta a eles, onde ele revela toda a ironia, veneno, maldade e sarcasmo com que os coríntios o tratavam:

 "Já estais fartos, já estais ricos; chegastes a reinar sem nós; sim, tomara reinásseis para que também nós viéssemos a reinar convosco.”
Porque a mim me parece que Deus nos pôs a nós, os apóstolos, em último lugar, como se fôssemos condenados à morte; porque nos tornamos espetáculo ao mundo, tanto a anjos, como a homens.
Nós somos loucos por causa de Cristo, e vós, sábios em Cristo; nós, fracos, e vós, fortes; vós, nobres, e nós, desprezíveis.

Até à presente hora, sofremos fome, e sede, e nudez; e somos esbofeteados, e não temos morada certa, e nos afadigamos, trabalhando com as nossas próprias mãos. Quando somos injuriados, bendizemos; quando perseguidos, suportamos; quando caluniados, procuramos conciliação; até agora, temos chegado a ser considerados lixo do mundo, escória de todos.

Não vos escrevo estas coisas para vos envergonhar; pelo contrário, para vos admoestar como a filhos meus amados. Porque, ainda que tivésseis milhares de preceptores em Cristo, não teríeis, contudo, muitos pais; pois eu, pelo evangelho, vos gerei em Cristo Jesus. “Admoesto-vos, portanto, a que sejais meus imitadores" (1Cor 4:8-17).

Por que é que eu não encontro nesta queixa de Paulo a repreensão, “como vocês ousam se levantar contra o ungido do Senhor?” Homens de Deus, os verdadeiros ungidos por Ele para o trabalho pastoral, não respondem às discordâncias, críticas e questionamentos calando a boca das ovelhas com “não me toque que sou ungido do Senhor,” mas com trabalho, argumentos, verdade e sinceridade.

“Não toque no ungido do Senhor” é apelação de quem não tem nem argumento e nem exemplo para dar como resposta.

(http://tempora-mores.blogspot.com.br/search?q=n%C3%A3o+toqueis+nos+meus+ungidos - Acesso em 23/08/2013.)

20 de agosto de 2013

Aprendendo sobre a Santa Ceia do Senhor

 
APRENDENDO SOBRE A SANTA CEIA DO SENHOR
 
Pr. Gilson Soares dos Santos
 
INTRODUÇÃO
 
A Ceia do Senhor é uma das duas ordenanças do Senhor Jesus. A primeira é o Batismo, a segunda, a Ceia do Senhor.
 
01 O QUE É A CEIA DO SENHOR?
 
A Ceia do Senhor, junto com o batismo, é uma das duas ordenanças ou sacramentos propostos pelo próprio Senhor. É observado, portanto, por todos os corpos cristãos, exceto por alguns grupos como os Quakers.
 
02 QUANDO FOI INSTITUIDA A CEIA DO SENHOR?
 
A Ceia do Senhor foi instituída pelo próprio Cristo (Mt 26.26-29; Mc 14.23-26). Paulo diz claramente que foi o Senhor Jesus em I Co 11.23.
 
A origem da Ceia do Senhor é relatada nos Evangelhos sinóticos e na II Carta de Paulo aos Coríntios.
 
03 COMO A CEIA DO SENHOR É CHAMADO?
 
Existem vários nomes bíblicos para a Ceia do Senhor:
 
A – A Ceia do Senhor: Nos círculos protestantes, este é o nome mais comum. Subentende-se que na passagem indicada o apostolo quer fazer aguda distinção entre o sacramento e as agapae que os coríntios relacionavam com ele e nas quais cometiam abusos, deste modo tornando ambos incompatíveis. A ênfase especial recai no fato de que a Ceia é do Senhor não é uma ceia para a qual os ricos convidam os pobres e depois os tratam mesquinhamente, mas uma festa na qual o Senhor oferece provisão a todos com abundância.
 
B – A Mesa do Senhor: Nome que se acha em 1 Co 10.21.
 
C – O Partir do Pão: Expressão utilizada em At 2.42; cf. também At 20.7. Embora seja uma expressão que, com toda a probabilidade, não se refere exclusivamente à Ceia do Senhor, mas também às festas do amor, certamente inclui também a Ceia do Senhor.
 
D – Ação de graças: Termos derivados de 1 Co 10.16; 11.24. Em Mt 26.26, 27 lemos que o Senhor tomou um pão e abençoou, e tomou um cálice e deu graças. Com toda a probabilidade, as duas palavras foram usadas uma pela outra e se referiam a uma bênção e a uma ação de graças combinadas. O cálice da ação de graças e da bênção é o cálice sagrado.
 
03 TODOS OS GRUPOS QUE CELEBRAM A CEIA DO SENHOR TÊM O MESMO ENTENDIMENTO?
 
Não. Existem pensamentos diferentes com relação à Ceia do Senhor, vejamos:
 
A – A Doutrina da Transubstanciação
 
Esse ensino é defendido pelos Católicos Romanos.
 
Para a Igreja Católica, o pão, nas mãos do sacerdote, se transforma em corpo e sangue do Senhor Jesus. Quando o católico engole a hóstia, segundo o catolicismo, ele está engolido o corpo de Cristo, uma espécie de “teofagia”.
 
B – A Doutrina da Consubstanciação
 
Foi ensinada por Lutero.
 
Segundo ele, o pão é mesmo pão. O vinho é mesmo vinho. Mas uma vez consagrados, e o fiel os tomando, de alguma maneira eles se transformam em Jesus.
 
Segundo os luteranos, há na Ceia do Senhor uma misteriosa e miraculosa presença real da pessoa completa de Cristo, corpo e sangue, nos elementos, sob eles e junto deles. Para eles, o corpo de Cristo estão “em, com e sob” o pão da Ceia do Senhor.
 
C – A Teoria da Presença Espiritual (reformada)
 
O ensino dos reformadores, atribuído a Calvino, parte do seguinte princípio:
 
C1 – O pão e o vinho simbolizam o corpo e o sangue de Cristo;
 
C2 – O pão e o vinho são um sinal visível e físico da presença invisível e espiritual do Senhor.
 
C3 – Calvino se referia aos elementos (pão e vinho) como símbolos da presença real e espiritual de Cristo.
 
04 QUAL A POSIÇÃO DOS CONGREGACIONAIS SOBRE A CEIA DO SENHOR?
 
Nossa posição é bíblica. Expressamos nosso pensamento sobre a ceia do Senhor na Declaração de Savoy:
 
“Os que comungam com dignidade, participando externamente dos elementos visíveis deste sacramento, também então internamente pela fé, realmente e de fato, se bem que não carnal e fisicamente, mas espiritualmente, recebem e se alimentam do Cristo crucificado e de todos os benefícios de sua morte; então o corpo e o sangue de Cristo não estão, corporal ou carnalmente, nos elementos, pão ou vinho, nem com eles, nem sob eles, mas presentes nessa ordenança espiritualmente à fé dos crentes de modo tão real como os próprios elementos estão presentes aos seus sentidos.” (Declaração de Savoy Cap XXX).
 
Sobre a Doutrina Católica da Transubstanciação, a igreja congregacional expressa também o que está na Declaração de Savoy:
 
“A doutrina que defende uma transformação da substância do pão e do vinho na substância do corpo e do sangue de Cristo (comumente chamada Transubstanciação), por meio da consagração por um sacerdote, ou por algum outro meio, é repugnante não somente à Escritura, mas até mesmo ao senso comum e à razão; destrói a natureza do sacramento, e tem sido a causa de infindáveis superstições, e de idolatrias até grosseiras.”
 
05 QUEM PODE PARTICIPAR DA CEIA DO SENHOR?
 
A – Todos aqueles que são nascidos de novo, batizados, que estão em comunhão com Deus, seguindo os mandamentos e princípios da Palavra de Deus.
 
B – A Declaração de Savoy diz: “Todas as pessoas ignorantes e ímpias, como são incapazes de desfrutar de comunhão com o Senhor, são também indignas de sua mesa, e não podem, sem grave pecado contra Cristo, participar desses santos mistérios nem a eles ser admitidas, enquanto permanecerem nesse estado; outrossim, quem receber indignamente torna-se réu do corpo e do sangue do Senhor, comendo e bebendo para sua própria condenação.”
 
06 O QUE MAIS PODEMOS APRENDER SOBRE A CEIA DO SENHOR?
 
A – Existem igrejas cuja Ceia do Senhor é Restrita: Somente os membros daquela denominação podem participar.
 
B – Existem igrejas onde a Ceia do Senhor é Ultra-Restrita: Somente os membros daquela Igreja Local podem participar. A celebração da Ceia é feita à portas fechadas e num horário especial.
 
C – Existem igrejas onde a Ceia do Senhor é Livre. Crente de qualquer denominação, genuinamente evangélica, que seja batizado, membro de igreja e esteja em plena comunhão com Deus e com sua igreja, pode participar.
 
D - Recorrendo ao Texto de I Co 11.23-34, podemos encontrar o seguinte:
 
D1 – Não devemos participar da Ceia do Senhor indignamente.
 
D2 – Quem participa da Ceia do Senhor indignamente, contrai sobre si juízo e enfermidades.
 
D3 – Participar indignamente significa estar em pecado.
 
D4 – A Ceia lembra a morte do Senhor, até que Ele venha.
 
CONCLUSÃO
 
A Ceia do Senhor deve ser celebrada sempre com muita reverência, seriedade e compromisso no Evangelho do Senhor Jesus.


15 de agosto de 2013

A Trindade no Monarquianismo Dinâmico

A TRINDADE NO MONARQUIANISMO DINÂMICO
 
Pr. Gilson Soares dos Santos
 
A doutrina bíblica da trindade foi, e ainda continua sendo, motivo de controvérsias teológicas. Embora as Sagradas Escrituras a apresente de maneira clara, nem todos têm a mesma compreensão sobre o assunto. No decorrer da história da igreja cristã, teólogos, os mais diversos, apresentaram noções a respeito dessa doutrina bíblica. Apresentaremos aqui o que ensina o Monarquianismo Dinâmico.
 
1 – O Monarquianismo Dinâmico
 
Esse ensino começou com Teodoto, mas encontrou em Paulo de Samósata, Artemon, Socino e os modernos unitários seguidores que tentaram, e ainda tentam, propagar esse ensino.
 
 Vejamos como o Monarquianismo Dinâmico apresenta seu ensino sobre a trindade:
 
A unidade de Deus denota singularidade de natureza quanto singularidade de pessoa. Portanto, o Filho e o Espírito Santo são consubstanciais com a essência divina do Pai, somente como atributos impessoais. A Dynamis divina veio sobre o homem Jesus, mas ele não era Deus no sentido estrito da Palavra.
A noção de um Deus subsistente é uma impossibilidade palpável, uma vez que a sua perfeita unidade é perfeitamente indivisível. A “diversidade” de Deus é aparente, e não real, já que o evento de Cristo e a obra do Espírito Santo somente atestam uma operação dinâmica dentro de Deus, e não uma união hipostática.
 
Para eles, o Pai é o originador do universo. Ele é eterno, auto existente, sem princípio ou fim.
 
O Filho, porém, embora seja um homem virtuoso, em Cuja vida Deus estava dinamicamente presente de maneira singular, era finito. Para esta linha de pensamento, Cristo não era divino, mas sua humanidade foi deificada.
 
Quanto ao Espírito Santo, os monarquianistas dinâmicos afirma que Ele é um atributo impessoal da divindade. Não atribui nenhuma divindade ou eternidade ao Espírito Santo.
 
O Monarquianismo Dinâmico eleva a razão acima do testemunho da revelação bíblica no que concerne à trindade. Segundo essa corrente teológica Cristo não é Deus, o Espírito Santo não é Deus, com isso minam a coluna teológica da doutrina bíblica da salvação.
 
O Monarquianismo Dinâmico é refutado como heresia.
 
2 – Provas Bíblicas da Doutrina da Trindade, segundo Louis Berkhof
 
Em sua Teologia Sistemática, Louis Berkhof apresenta provas bíblicas da doutrina da trindade, refutando assim o Monarquianismo Dinâmico, Vejamos:
 
2. PROVA BÍBLICA DA DOUTRINA DA TRINDADE. A doutrina da Trindade depende decisivamente da revelação. É verdade que a razão humana pode sugerir algumas idéias para consubstanciar a doutrina, e que os homens, fundados em bases puramente filosóficas, por vezes abandonaram a idéia de uma unidade nua e crua em Deus, e apresentaram a idéia do movimento vivo e de auto-distinção. Também é verdade que a experiência cristã parece exigir algo parecido com esta construção da doutrina de Deus. Ao mesmo tempo, é uma doutrina que não teríamos conhecido, nem teríamos sido capazes de sustentar com algum grau de confiança, somente com base na experiência, e que foi trazida ao nosso conhecimento unicamente pela auto-revelação especial de Deus. Portanto, é de máxima importância reunir suas provas escriturísticas.
 
a. Provas do Velho Testamento. Alguns dos primeiros pais da igreja, assim chamados, e mesmo alguns teólogos mais recentes, desconsiderando o caráter progressivo da revelação de Deus, opinaram que a doutrina da Trindade foi revelada completamente no Velho Testamento. Por outro lado, o socinianos e os arminianos eram de opinião que não há nada desta doutrina ali. Tanto aqueles como estes estavam enganados. O Velho Testamento não contém plena revelação da existência trinitária de Deus, mas contém várias indicações dela. É exatamente isto que se poderia esperar. A Bíblia nunca trata da doutrina da Trindade como uma verdade abstrata, mas revela a subsistência trinitária, em suas várias relações, como uma realidade viva, em certa medida em conexão com as obras da criação e da providência, mas particularmente em relação à obra de redenção. Sua revelação mais fundamental é revelação dada com fatos, antes que com palavras. E esta revelação vai tendo maior clareza, na medida em que a obra redentora de Deus é revelada mais claramente, como na encarnação do Filho e no derramamento do Espírito.E quanto mais a gloriosa realidade da Trindade é exposta nos fatos da história, mais claras vão sendo as afirmações da doutrina. Deve-se a mais completa revelação da Trindade no Novo Testamento ao fato de que o Verbo se fez carne, e que o Espírito Santo fez da igreja Sua habitação.
Têm-se visto, por vezes, provas da Trindade na distinção entre Jeová e Elohim, e também no Plural Elohim, mas a primeira não tem nenhum fundamento, e a última é, para dizer o mínimo, duvidosa, embora ainda defendida por Rottenberg, em sua obra sobre De Triniteit in Israels Godsbegrip éÉ muito mais plausível entender que as passagens em que Deus fala de Si mesmo no plural, Gn 1.26; 11.7, contêm uma indicação de distinções pessoais em Deus, conquanto não surgiram uma triplicidade, mas apenas uma pluralidade de pessoas. Indicações mais claras dessas distinções pessoais acham-se nas passagens que se referem ao Anjo de Jeová que, por um lado, é identificado com Jeová e, por outro, distingue-se dele. Ver Gn 16.7-13; 18.1.21; 19.1-28; Ml 3.1. E também nas passagens em que a Palavra e a Sabedoria de Deus são personificadas, Sl 33.4, 6; Pv 8.12-31. Em alguns casos mencionam-se mais de uma pessoa, Sl 33.6; 45.6, 7 (com. Hb 1.8,9), e noutros quem fala é Deus, que menciona o Messias e o Espírito, ou quem fala é o Messias, que menciona Deus e o Espírito, Is 48.16; 61.1; 63. 9,10. Assim, o Velho Testamento contém clara antecipação da revelação mais completa da Trindade no Novo Testamento.
 
b. Provas do Novo Testamento. O Novo Testamento traz consigo uma revelação mais clara das distinções da Divindade. Se no Velho Testamento Jeová é apresentado como o Redentor e Salvador do Seu povo, Jó 19.25; Sl 19.14; 78.35; 106.21; Is 41.14; 43.3, 11, 14; 47.4; 49.7, 26; 60.16; Jr 14.3; 50.14; Os 13.3, no Novo Testamento e o Filho de Deus distingue-se nessa capacidade, Mt 1.21; Lc 1.76-79; 2.17; Jo 4,42; At 5.3; Gl 3.13; 4.5; Fl 3.30; Tt 2.13, 14. E se no Velho Testamento é Jeová que habita em Israel e nos corações dos que O temem, Sl 74.2; 135.21; Is 8.18; 57.15; Ez 43.7-9; Jl 3.17, 21; Zc 2.10, 11, no Novo testamento é o Espírito Santo que habita na igreja, At 2.4; Rm 8.9, 11; 1 Co 3.16; Gl 4.6; Ef 2.22; Tg 4.5 O Novo Testamento oferece clara revelação de Deus enviando Seu filho ao mundo, Jo 3.16; Gl 4.4; Hb 1.6; 1 Jo 4.9; e do pai e Filho enviando o Espírito, Jo 14.26; 15.26; 16.7; Gl 4.6. Vemos o pai dirigindo-se ao Filho, Mc 1.11; Lc 3.22, o Filho comunicando-se com o Pai, Mt 11.25, 26; 26.39; Jo 11.41; 12.27, 28, e o Espírito Santo orando a Deus nos corações dos crentes, Rm 8.26. Assim, as pessoas da Trindade, separadas, são expostas com clareza às nossas mentes. No batismo do Filho, o pai fala, ouvindo-se do céu a Sua voz, e o Espírito Santo desce na forma de pomba, Mt 3.16, 17. Na grande comissão Jesus menciona as três pessoas: “batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”, Mt 28.19. Também são mencionadas juntamente em 1 Co 12. 4-6; 2 Co 13.13; e 1 Pe 1.2. A única passagem que fala de tri-unidade é 1.Jo 5.7, mas sua genuinidade é duvidosa, razão pela qual foi eliminada das mais recentes edições críticas do Novo Testamento.
 
A trindade é uma doutrina baseada na clareza das Sagradas Escrituras.
 
 PARA SABER MAIS – BIBLIOGRAFIA
 
 BERKHOF, Louis. Teologia sistemática. 2. ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2001.
 HOUSE, H. Wayne. Teologia em Quadros. São Paulo: Vida, 2000.

11 de agosto de 2013

Feliz Dia dos Pais!


FELIZ DIA DOS PAIS!
 
 
Pr. Gilson Soares dos Santos
 
A tirinha acima sempre me emociona, porque o melhor presente é o abraço dos filhos, é o carinho.
 
Sou muito feliz porque Deus me dá o privilégio de abraçar e ser abraçado. Abraçar meu pai e ser abraçado pelo meu filho, Álef, pelas minhas duas filhas, Micaelle e Michelle, pela minha esposa, Selma, e por pessoas que dão essa grande demonstração de amor e carinho, o abraço.
 
Feliz Dia dos Pais!
 
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Origem do Dia dos Pais
 
A institucionalização do Dia dos Pais é recente. Foi criado por Sonora Luise em homenagem a seu pai William Jackson Smart, no ano de 1909, nos Estados Unidos, sendo oficializado em 1972 pelo Presidente Nixon.
 
No Brasil, a data foi comemorada pela primeira vez em 1953.

8 de agosto de 2013

O significado e finalidade da filosofia positiva de Augusto Comte


O SIGNIFICADO E FINALIDADE DA FILOSOFIA POSITIVA DE AUGUSTO COMTE
 
Gilson Soares dos Santos

Augusto Comte (1798-1857) é o autor do Curso de Filosofia Positiva (1830-1842), publicado em seis volumes. Diferentemente de Feuerbach e Marx, teólogos convertidos em ateus, Comte é um cientista ou matemático. Em seu Curso de filosofia positiva apresenta a lei dos três estados, a lei fundamental, que consiste em que cada ramo do conhecimento passa, necessária e sucessivamente, por três estados teóricos, a saber, o estado teológico ou fictício, o estado metafísico ou abstrato e o estado científico ou positivo. Podemos dizer que o espírito humano emprega três tipos de filosofias ou três métodos de filosofar. Esta lei é, em síntese, a pedra de sustentação da filosofia de Comte. Em o Curso de filosofia positiva, Augusto Comte visa instituir uma filosofia positiva, através de fatos observáveis na experiência, como única da verdade.

Comte, já em sua primeira lição do Curso, declara como chegou à lei fundamental ou lei dos três estados. Para ele, foi estudando o desenvolvimento da inteligência humana, desde sua primeira manifestação até seus dias que chegou à lei fundamental, que lhe pareceu bem estabelecida, seja na base de provas racionais, seja na base de verificações históricas, por meio dum exame do passado. Ele destaca, então, o valor da lei dos três estados para o desenvolvimento de toda a história da humanidade. No estágio teológico os fenômenos são vistos como “produto da ação direta e contínua de agentes sobrenaturais mais ou menos numerosos”. No estado metafísico, os agentes sobrenaturais são substituídos por forças abstratas. No Estado positivo o espírito humano reconhecendo a impossibilidade de obter conhecimentos absolutos renuncia as inquietações sobre a origem e o destino do universo.

Para Comte, o primeiro é um ponto de partida, o segundo serve unicamente como transição, o terceiro, por sua vez, é o estado físico e definitivo.

No estado teológico, os fenômenos são interpretados como sendo a ação direta de agentes pessoais e sobrenaturais. O mundo torna-se compreensível, para conhecimentos absolutos, somente por meio da ação desses seres sobrenaturais (deuses e espíritos) cuja ação, arbitrária segundo Comte, explica todas as anomalias do universo. Para além desses seres, o homem não coloca nenhum problema, pois sente-se satisfeito com a crença da intervenção do sobrenatural para a compreensão dos fenômenos em sua volta.

No estado metafísico, que para Comte é apenas uma modificação do primeiro, os agentes sobrenaturais são substituídos por forças abstratas, porém o propósito é o mesmo, buscar soluções absolutas para os problemas do homem. Para Comte, no estado metafísico tais forças abstratas seriam capazes de, por elas próprias, produzir todos os fenômenos observados, determinando para cada um uma entidade que lhe correspondesse. O estado metafísico está ligado ao teológico, mas se caracteriza, no entender de Comte, pela dissolução do mesmo.

No estado positivo, o espírito humano, reconhecendo sua impossibilidade de alcançar noções absolutas renuncia as indagações sobre sua origem e o destino do universo e preocupa-se, unicamente, em descobrir suas leis efetivas, suas relações de sucessão e semelhança. A explicação dos fatos se resume na ligação que há entre os diversos fenômenos particulares e alguns fatos gerais.

Para Comte, os estados teológico, metafísico e positivo, aplicam-se ao desenvolvimento de toda a história da humanidade, mas aplica-se também à vida dos indivíduos particularmente, pois na infância temos o estado teológico, na juventude o estado metafísico e na maturidade o estado positivo. No desenrolar da história, para passar da filosofia provisória (teológica) para a filosofia definitiva (positiva), o espírito humano necessita adotar a filosofia transitória (metafísica), porque o caminhar da humanidade não podia passar bruscamente da filosofia teológica para a filosofia positiva. A ação sobrenatural no estudo dos fenômenos foi substituída pela consideração tão somente dos fatos.

Para Comte, entendido isto, é preciso, agora, determinar com precisão a própria natureza da filosofia positiva. Agora que os métodos teológicos e metafísicos não são mais empregados, nem como meios de investigação nem como meios de argumentação, ele prossegue mostrando que o caráter fundamental da filosofia positiva é tomar todos os fenômenos como sujeitos a leis naturais invariáveis. Ele cita, preliminarmente, quatro categorias principais de fenômenos naturais, a saber, astronômicos, físicos, químicos e fisiológicos.

Para Comte, há uma lacuna essencial concernente aos fenômenos sociais deixada pelas categorias de fenômenos naturais (astronômicos, físicos, químicos e fisiológicos), esta lacuna diz respeito aos fenômenos sociais. Para que não sejam utilizados os fenômenos teológicos e metafísicos, nesta ou naquela direção, a maior e mais urgente necessidade é, então, preencher esta lacuna. É preciso fundar a física social, é este o primeiro objetivo do curso de filosofia positiva, sua meta especial. Para a filosofia positiva se consolidar é preciso fundar a física social. Existirão agora cinco categorias. Todos os fenômenos observáveis entrariam numa das cinco grandes categorias: astronômicos, físicos, químicos, fisiológicos e sociais.

Definida a meta especial do curso, a fundação da física social, Comte vai expor que sua pretensão não é aplicar um curso de física social. A partir disto, ele parte para o segundo objetivo, o fim geral.

Comte parte para o segundo objetivo do curso, um resumo do conhecimento das leis principais dos fenômenos anteriores que influenciam de maneira direta os fatos sociais. A fundação da física social completa o sistema das ciências naturais. Agora é preciso reunificar os saberes científicos, apresentando-os como diversos ramos ligados a um único tronco, evitando considerá-los isoladamente. Todos estariam ligados à filosofia positiva.

Augusto Comte apresenta as vantagens da filosofia positiva, dentre elas, a de fornecer o único verdadeiro meio racional de pôr em evidência as leis do espírito humano.

Comte pretendeu em seu Curso de filosofia seguir uma linha de raciocínio que pudesse levar ao entendimento de que somente a filosofia positiva poderia imperar entre os homens desembocando numa sociologia que modificasse os processos de modificação da sociedade, facilitando a reforma das instituições.

BIBLIOGRAFIA

COMTE. Augusto, Curso de Filosofia Positiva. Pag. 4-20. Tradução: José Arthur Giannotti São Paulo: Abril Cultural. 1978.