O Pr. Gilson Soares dos Santos é casado com a Missionária Selma Rodrigues, tendo três filhos: Micaelle, Álef e Michelle. É servo do Senhor Jesus Cristo, chamado com santa vocação. Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional), Campina Grande/PB; Graduado em Filosofia pela UEPB (Universidade Estadual da Paraíba); Pós-Graduando em Teologia Bíblica pelo CPAJ/Mackenzie (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper). Professor de Filosofia e Teologia Sistemática no STEC. Professor de Teologia Sistemática no STEMES, em Campina Grande - Paraíba. Pastor do Quadro de Ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (AIECB). Pastoreou a Igreja Evangélica Congregacional de Cuité/PB, durante 15 anos (1993-2008). Atualmente é Pastor Titular da Igreja Evangélica Congregacional em Areia - Paraíba.

31 de julho de 2012

Estatísticas Sobre Missões, em Slides

Queridos e queridas, graça e paz!

Hoje estou postando dados estatísticos sobre Missões. Os slides passarão automaticamente. O primeiro e o segundo Slides demoram 03 segundos, porém a partir do terceiro, cada slide dura 30 segundos. Se você achar que tá muito rápido, ou achar que tá ilegível, poderá baixar os slides para o seu computador através do nosso link.

Assista! É uma aula sobre Estatísticas Missionárias:



Para baixar os slides para o seu computador CLIQUE AQUI

29 de julho de 2012

O Cristão e as Eleições


O CRISTÃO E AS ELEIÇÕES
Provérbios 28.12

12 Quando triunfam os justos, há grande festividade; quando, porém, sobem os perversos, os homens se escondem. (Pv 28.12)


Pr. Gilson Soares dos Santos


INTRODUÇÃO

Estamos em um ano de eleições. Infelizmente, muitos crentes não sabem como proceder.
Calvino disse que: “A função da política é fazer que as leis dos homens se aproximem da lei de Deus”.
Quando trata-se do crente e a política, existem alguns extremos:

- Completa alienação: Existem crentes que repugnam política. Não querem saber, não se informam sobre o processo político, não sabe quem são os candidatos. Na verdade, são apolíticos. Porém têm que votar. Acabam votando errado devido essa desinformação.

- Completa adesão: Esse é outro extremo. São aqueles que se envolvem tanto com a política que chegam até a esquecer de Deus. Envolvem-se tanto que maculam o nome de cristão que têm. Contraem intrigas com muitos, difamam o próximo, granjeiam inimizades, etc.

- Completa inadequação: É outra maneira errada de estar na política. Adotam a filosofia do “É dando que se recebe”. É o papel daquele que busca favorecimentos. Não importa de que lado venha.

Estabeleceremos, nesse estudo, algumas diretrizes para que os crentes saibam como proceder nas eleições, sem ferir os princípios bíblicos e éticos.

1 – Entenda a posição da liderança da igreja em não ceder o púlpito para políticos

Infelizmente alguns líderes cedem o púlpito de suas igrejas para discurso de políticos. Isso é biblicamente errado. O púlpito é lugar sagrado. O púlpito existe para que dele seja pronunciada a lei do Senhor. Vejamos o que está em Ne 8.2-4. Onde o texto nos diz que o púlpito foi feito exclusivamente para que a Lei do Senhor fosse proferida nele.

2 Esdras, o sacerdote, trouxe a Lei perante a congregação, tanto de homens como de mulheres e de todos os que eram capazes de entender o que ouviam. Era o primeiro dia do sétimo mês.
3 E leu no livro, diante da praça, que está fronteira à Porta das Águas, desde a alva até ao meio-dia, perante homens e mulheres e os que podiam entender; e todo o povo tinha os ouvidos atentos ao Livro da Lei.

4 Esdras, o escriba, estava num púlpito de madeira, que fizeram para aquele fim; estavam em pé junto a ele, à sua direita, Matitias, Sema, Anaías, Urias, Hilquias e Maaséias; e à sua esquerda, Pedaías, Misael, Malquias, Hasum, Hasbadana, Zacarias e Mesulão. (Ne 8.2-4)


2 – Ore antes de votar, embora você já tenha um candidato

Orar é sempre a melhor solução. Porque:

a) Precisamos que o escolhido seja da vontade de Deus, e não da nossa (Mt 6.10).

10 venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; (Mt 6.10)

b) A Bíblia nos diz que Deus é quem estabelece os governos e também quem os depõe (Dn 2.20,21; Rm 13.1), para isso, no Brasil, ele o faz por meio do nosso voto. Por isso precisamos orar antes de votarmos.

20 Disse Daniel: Seja bendito o nome de Deus, de eternidade a eternidade, porque dele é a sabedoria e o poder;
21  é ele quem muda o tempo e as estações, remove reis e estabelece reis; ele dá sabedoria aos sábios e entendimento aos inteligentes. (Dn 2.20,21)

1 Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. (Rm 13.1).

3 – Jamais venda seu voto

O voto do crente deve ser dado de forma consciente.

a) Devemos pensar no bem-estar da população e não em interesses pessoais (Jr 29.7)

7  Procurai a paz da cidade para onde vos desterrei e orai por ela ao SENHOR; porque na sua paz vós tereis paz. (Jr 29.7)

b) O Senhor Deus condena a compra e a venda de votos (Am 2.6; 8.5,6)

6 Assim diz o SENHOR: Por três transgressões de Israel e por quatro, não sustarei o castigo, porque os juízes vendem o justo por dinheiro e condenam o necessitado por causa de um par de sandálias. (Am 2.6)

5 dizendo: Quando passará a Festa da Lua Nova, para vendermos os cereais? E o sábado, para abrirmos os celeiros de trigo, diminuindo o efa, e aumentando o siclo, e procedendo dolosamente com balanças enganadoras,
6  para comprarmos os pobres por dinheiro e os necessitados por um par de sandálias e vendermos o refugo do trigo? (Am 8.5,6)

4 – Observe o testemunho de vida dos candidatos

A Bíblia nos mostra como fica a nação, o estado, a cidade quando o ímpio governa.

a) Segundo o texto de Jó 34.30, o ímpio ilude o povo.

30  Para que o ímpio não reine, e não haja quem iluda o povo. (Jó 34.30)

b) O salmista pedia para Deus livrá-lo das mãos do ímpio e do poder do homem injusto (Sl 71.4)

4  Livra-me, Deus meu, das mãos do ímpio, das garras do homem injusto e cruel. (Sl 71.4)

c) A Bíblia nos mostra que no governo do ímpio o povo geme (Pv 28.12,15; 29.2)

12 Quando triunfam os justos, há grande festividade; quando, porém, sobem os perversos, os homens se escondem.
15 Como leão que ruge e urso que ataca, assim é o perverso que domina sobre um povo pobre. (PV 28.12,15)

2 Quando se multiplicam os justos, o povo se alegra, quando, porém, domina o perverso, o povo suspira. (PV 29.2)

d) É preciso também saber que nem todo político que surge com nome de crente, é verdadeiramente cristão. Muitos usam esse nome apenas para elegerem-se. Para esses políticos que são lobos vestidos de ovelhas Deus diz o que está no Salmo 50.16-21.

16 Mas ao ímpio diz Deus: De que te serve repetires os meus preceitos e teres nos lábios a minha aliança,
17  uma vez que aborreces a disciplina e rejeitas as minhas palavras?
18  Se vês um ladrão, tu te comprazes nele e aos adúlteros te associas.
19  Soltas a boca para o mal, e a tua língua trama enganos.
20  Sentas-te para falar contra teu irmão e difamas o filho de tua mãe.
21  Tens feito estas coisas, e eu me calei; pensavas que eu era teu igual; mas eu te argüirei e porei tudo à tua vista. (Sl 50.16-21)

É preciso ter a sabedoria de Deus, num ano em que o “pai da mentira” (Jo 8.44) está usando seus filhos. Oremos pelo nosso país.

5 – Entenda que um cristão pode ser candidato a qualquer cargo

Muitas pessoas acreditam que um crente não deve estar envolvido em política nem se candidatar a qualquer cargo eletivo.

Esse pensamento está errado, do ponto de vista bíblico e da história da igreja cristã.

5.1 - Pessoas na Bíblia que exerceram cargos de governo
  • José foi governador do Egito.
  • Os reis de Israel eram governantes, e isso é do campo da política, e eram servos de Deus.
  • Daniel e seus três amigos exerceram cargos no governo da Babilônia.
  • O Etíope era era tesoureiro da rainha de Candace.
  • Etc.

 5.2 - Os puritanos entendiam muito bem a participação na vida política e social
  • Os puritanos não eram obscurantistas.
  • Eles aceitavam a sociedade como algo ordenado por Deus. Que precisa de um governo.
  • Na Inglaterra, os Puritanos tornaram-se fortes o suficiente para exercer a influência dominante no governo.

CONCLUSÃO

     Se realmente o cristão observar esses princípios, entendendo que o púlpito não pode ser lugar de pronunciamento político, predispondo o coração para orar antes de escolher o candidato e antes de votar, mantendo a ética de nunca vender seu voto, buscando observar a vida de cada político e não colocando obstáculo sobre o cristão ser candidato, certamente as coisas acontecerão de maneira acertada.
     Peçamos a Deus muita sabedoria nesse ano de eleições.

27 de julho de 2012

Criatividade Linguística e Relativismo


CRIATIVIDADE LINGUÍSTICA E RELATIVISMO

Gilson Soares dos Santos

Os filósofos, desde Humgoldt, têm se preocupado com a criatividade linguística. A questão que tem sido levantada é: como podemos explicar a capacidade inexaurível de produção lingüística, que falantes competentes parecem ter?

Interpretações têm surgido no propósito de explicar esta produção lingüística. Esta competência linguística tem sido frequentemente descrita como a capacidade de produzir um número infinito de frases gramaticalmente bem formadas e dotadas de sentido. Os estruturalistas e formalistas, por sua vez, recorrem a mecanismos formais para a manipulação de signos. Deste ponto de vista, a produção da fala consiste em processos mecânicos de manipulação de signos, em operações sobre a forma dos signos de acordo com regras da sintaxe. Saussure (1857-1913), concebeu a linguagem como um sistema abstrato impessoal ou  código  (la langue)  do qual emergem as múltiplas variedades de eventos de fala individuais (la parole).

Chomsky apresenta a Teoria da Gramática Gerativa. De acordo com ele, a produção da fala envolve a aplicação de regras gerativas de gramática, que devem estar lá desde o começo e que, portanto, não são aprendidas.

Já Bourdieu (1991) argumenta que o mistério da criatividade lingüística não diz respeito à infinita produtividade, mas ao desempenho apropriado. Bourdieu afirma que a competência, que os falantes reais realmente possuem, não é uma competência gerativa de produtividade infinita, o que não passa de uma abstração, mas uma capacidade de produzir frases à propos. Bourdieu apresenta a Teoria do Habitus, De acordo com a teoria do habitus, de Bourdieu, a recepção e a produtividade habituais de nossa competência linguística são situadas socialmente e historicamente. Esta teoria salienta que nossas capacidades linguísticas são altamente restringidas: nós não somos livres em nossas produções linguísticas; estamos sujeitos a restrições linguísticas que têm uma base política e socioeconômica.  Para Bourdieu, a ideia de que temos liberdade absoluta e autonomia no uso de nossa linguagem é uma ilusão, e não uma ilusão inocente, pois ela tem ramificações políticas e sociais perigosas. Ao ignorar as restrições linguísticas e sua base político-social, as abordagens formal e abstrata da competência linguística estão sendo cúmplices das forças sociais e políticas que domesticam o uso da linguagem, sem darem-se conta dessas forças. De acordo com Bourdieu, a constituição de uma língua é um processo histórico, no qual forças sociopolíticas e econômicas competem para atribuir poder a modos de expressão de certas classes ou grupos sociais e retirar esse poder de outros.

Nietzsche, juntamente com Ricoeur, vai trabalhar a questão das metáforas. Nietzsche (2005), diz que a capacidade de criar metáforas (metaforicidade) é a essência da linguagem. Do ponto de vista dele, falar é jogar com metáforas. Para ele, todas as palavras são metáforas. A razão de não vermos metáforas em todas as palavras é porque esquecemos a origem e natureza metafórica de nossas palavras. Esquecemos que nossas palavras são metáforas porque as tratamos como se fossem verdades objetivas, como se fossem retratos precisos do mundo. Nietzsche vai perguntar se a língua é a expressão adequada de todas as realidades. Para ele, a fala não é uma questão de reprodução fiel, a linguagem envolve Projeção Subjetiva. Como, por exemplo, quando classificamos os gêneros masculino e feminino para os objetos – A cadeira, O vento, A mesa, As pedras, etc. Categorizar em masculino e feminino as coisas é uma atribuição arbitrária. A palavra, para Nietzsche, é uma cópia sonora de um estímulo nervoso. Muitos dos termos básicos de uma língua estão ligados à estímulos subjetivos. A criação de palavras é, então, um processo de metaforização em dois estágios: No primeiro, uma experiência faz surgir uma imagem: Primeira Metáfora. No segundo, a imagem, por sua vez, faz surgir um som: Segunda Metáfora. Nietzsche conclui, todos os significados são metafóricos; todos os domínios semânticos da linguagem são povoados por entidades metafóricas, que são formados por nossas projeções subjetivas.

Para Nietzsche, os conceitos são sempre metafóricos, porque envolvem "a equação de coisas desiguais", todos os termos são conceituais e, portanto, metafóricos, porque eles se aplicam a muitas coisas diferentes ou a muitas apresentações diferentes de alguma coisa, tratando-as como se fossem a mesma. Por exemplo, uma folha nunca é completamente idêntica à outra, mas nós formamos o conceito de uma folha descartando diferenças individuais, "esquecendo os aspectos diferenciadores". Ele vai apresentar dois tipos de metáforas: Metáforas Mortas, que são as verdades. Para Nietzsche, as verdades são metáforas mortas: metáforas que esquecemos que são metáforas, metáforas que se tornaram convenções padrão, aceitas por todos (ou pela maioria). Por outro lado, existem as Metáforas Vivas, as mentiras. As mentiras são metáforas que a sociedade considera inaceitáveis. Portanto são metáforas vivas, pois provocam a reação da sociedade, não sendo convenção padrão. Assim, Nietzsche descreve a obrigação social de dizer a verdade como "a obrigação de mentir de acordo com a convenção fixa, mentir com o rebanho, de um modo com o qual todos estejam de acordo". Para ele: “Então o que é uma verdade? Um conjunto móvel de metáforas, metonímias, e antropomorfismos: resumidamente, uma soma de relações humanas que foram intensificadas poética e retoricamente, transferidas e embelezadas, e que, após um longo uso, parecem a um povo serem fixas, canônicas, e compulsórias.”. “As verdades são ilusões que nós esquecemos que são ilusões; elas são metáforas que se tornaram gastas e tiveram drenadas suas forças sensoriais, moedas que perderam sua estampagem e são agora consideradas como metal e não mais como moedas”.

Ricoeur também trabalha o conceito de metáfora, para ele, metáfora não é uma mera alegoria ou recurso teórico; é mais do que um ornamento decorativo. É processo geral pelo qual apreendemos afinidades. É um processo discursivo que está na fonte de toda a inovação semântica. Elas têm o poder de criar transformações semânticas e reconfigurar a linguagem. Possuem uma dimensão temporal essencial, isto é, elas têm vida. As metáforas: NASCEM, AMADURECEM e eventualmente MORREM. Para Ricoeur, uma metáfora é um fenômeno diacrônico. Ele divide as metáforas em Metáforas Mortas e Metáforas Vivas. As primeiras não são mortas porque caíram em desuso. Continuam sendo usadas, mas quando a usamos, não percebemos mais o seu caráter metafórico. Por exemplo, o pescoço da garrafa, a perna da cadeira. Elas tornam-se gastas e perdem o seu caráter dinâmico: Tornam ossificadas. Metáforas mortas são aquelas que se tornaram triviais. As segundas, são aquelas que ainda são chocantes, ou ao menos, inovadoras, que abrem nossos olhos para coisas novas, para novas similaridades que nós não havíamos reconhecido antes. Metáforas vivas são originais. O processo diacrônico, do qual consiste a vida de uma metáfora, é um movimento que parte de uma metáfora original para uma trivial.

Ricoeur mostra a importância das metáforas para a polissemia. Todas as palavras são intrinsecamente polissêmicas, isto é, têm mais de um significado. A metáfora é um mecanismo central para criação e expansão da polissemia. Por meio da metáfora expandimos a polissemia. Na metáfora, a polissemia é preservada, em vez de ser escondida. Quanto à função das metáforas, possuem: Função Epistêmica: Reorganizar a linguagem, reorganizando nossos conceitos. Função Ontológica: Redescrição da realidade. Têm o poder de redescrever a realidade. Ricoeur conclui que a metáfora é “uma ficção heurística para o propósito de redescrever a realidade”.

Davidson, por sua vez, argumenta que não podemos fazer sentido da ideia de que haja diferenças conceituais radicais entre línguas diferentes. Seu alvo é o relativismo lingüístico, ou seja, o ponto de vista de que diferentes línguas contêm esquemas conceituais incomensuráveis. Ele argumenta a tese da relatividade lingüística, essa tese se encontra em frontal oposição às nossas práticas reais da comunicação intercultural, que não oferecem evidência alguma de que diferenças conceituais, entre falantes de línguas diferentes, são em princípio insuperáveis e incomensuráveis. Ele é, no entnanto, cético a respeito da própria ideia que dá origem ao relativismo linguístico: isto é, a ideia de que há um esquema conceitual inserido em cada língua. O argumento de Davidson contra a possibilidade de diferenças conceituais radicais baseia-se na prática da tradução e se desenvolve em dois estágios. O primeiro estágio diz respeito à possibilidade de uma falha completa na tradução; o segundo estágio, à possibilidade de uma falha parcial.

Outro traço crucial da abordagem de Davidson, que é responsável pela invisibilidade de conceitos estranhos, é o privilégio da postura do observador -que ele herdou de Quine (ver 3.2). De acordo com Davidson, a perspectiva do tradutor ou do interprete é uma perspectiva de terceira pessoa, de um observador descolado, engajado na construção de teorias. Deste ponto de vista, a atitude do intérprete é a atitude de um sujeito que faz teoria sobre seu objeto de investigação.

BIBLIOGRAFIA
MEDINA. José, Linguagem: Conceitos-Chave em Filosofia. Pag. 121-148. São Paulo: Artmed Editora. 2005.

24 de julho de 2012

Índios Evangélicos Aumentam 42% em Dez Anos

A nação evangélica brasileira tem mais um motivo para comemorar: o número de índios evangélicos teve um aumento de 42% em dez anos. Já são mais de 210.000 índios evangélicos no Brasil. Veja a matéria a seguir, do site notícias cristãs, reproduzindo uma manchete do Jornal a Folha de São Paulo:

Índios evangélicos aumentam 42% em 10 anos e já são 210 mil

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O número de índios evangélicos aumentou 42% nos últimos dez anos, conforme dados do Censo 2010. Eles são 210 mil e já correspondem a 25% da população indígena.
O crescimento segue tendência geral da população brasileira --o aumento de evangélicos foi de 61% entre 2000 e 2010, e o grupo corresponde a 22% dos brasileiros. Mas com a peculiar característica de ser impulsionado por organizações que tentam levar a evangelização mesmo a áreas isoladas.
A organização de grupos evangélicos com essa missão tem aumentado, afirma Carlos Travassos, coordenador-geral do setor que monitora tribos isoladas e de recente contato na Funai (Fundação Nacional do Índio). 
O trabalho conta até com apoio logístico de aviões em áreas de difícil acesso, graças à Asas de Socorro, uma das 15 agências missionárias evangélicas filiadas à AMTB (Associação de Missões Transculturais Brasileiras). 
Bancadas por igrejas, empresas e voluntários, são ligadas a várias denominações e fazem ações de ensino, assistência social e treinamento de líderes indígenas. 
O treinamento é a base da ideia da "terceira onda" evangelizadora: depois de missionários brancos estrangeiros e brasileiros, chegou a vez de os próprios índios atuarem. 
A maioria dos índios evangélicos é ligada à Assembleia de Deus, 31% do total ou 64.620 pessoas. Em segundo lugar vêm os batistas, com 17%, ou 35,5 mil pessoas. 
Em Chapada dos Guimarães (MT) funciona a Ami, escola para índios cujo lema é formar "discípulos de Jesus Cristo" e criar uma igreja "genuinamente indígena em cada tribo do Brasil". 
Eles são preparados para repassar os conhecimentos aprendidos a suas comunidades --"da maneira deles", diz o pastor indígena Henrique Terena, presidente do Conplei (Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas), que se define como o maior movimento evangélico indígena do país. 
Na última semana, o Conplei organizou na Ami um congresso que reuniu cerca de 2.500 pessoas, com 81 etnias do Brasil e de outros países, segundo a organização. 
Eles comemoraram o marco simbólico da primeira evangelização indígena, quando missionários escoceses chegaram à aldeia de índios terenas, em 1912, em área hoje de Mato Grosso do Sul. 
Também retrato de tendência nacional, o percentual de católicos indígenas também caiu nos últimos dez anos, de 59% para 50,5% da população indígena. 
A Igreja Católica, com missões iniciadas no século 16, está presente em 185 povos, com missionários ligados ao Cimi (Conselho Indigenista Missionário). A AMTB diz atuar com 182 etnias. 

Atritos
A penetração religiosa já foi foco de atritos com a Funai. Em 2005, a fundação criticou o grupo Jovens com uma Missão, que retirou crianças de uma aldeia no Amazonas para tratamento médico em São Paulo. 
Nos anos 80, integrantes da Missão Novas Tribos foram expulsos da tribo isolada dos Zo'é, no Pará, depois que os índios contraíram doenças. 
A Funai vetou em 1994 a abertura de novas frentes missionárias, a não ser as que fossem convidadas pelas comunidades. O entendimento é que os povos têm autonomia para autorizar a entrada. 
Para Travassos, a relação de missionários com povos isolados é prejudicial, por impor uma nova forma de ver o mundo. Os evangélicos negam qualquer imposição. 

Evangelização
Para a AMTB (Associação de Missões Transculturais Brasileiras), que reúne organizações de missionários evangélicos, as ações em comunidades indígenas respeitam a cultura e o direito de escolha dos índios. 
Em manifesto divulgado em 2009, a AMTB aponta diferença entre o trabalho de evangelização com a "catequese histórica e impositiva". 
"Se as culturas são móveis e mutáveis, por que as mudanças provocadas a partir do conhecimento dos valores cristãos e do evangelho despertam tantas e tão violentas reações quando se trata de culturas indígenas?", diz. 
A associação diz não ter ligação com nenhuma denominação específica. 
A AMTB afirma que as missões executam projetos sociais que ajudam na preservação linguística e cultural desses povos. 
O pastor Henrique Terena, presidente do Conplei (Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas), diz que os trabalhos ensinam técnicas de plantio e atuam no combate ao alcoolismo, por exemplo. 
Ele afirma ainda que, no caso de povos isolados, a atuação ocorre mediante convite das tribos.

Folha

22 de julho de 2012

Na Música: Soli Deo Gloria


NA MÚSICA: SOLI DEO GLORIA

Rev. Gilson Soares dos Santos
    
       
Johann Sebastian Bach era um luterano, com um intenso comprometimento com o evangelho. A maioria de suas obras era assinada com um Soli Deo Gloria (somente a Deus seja a glória). Quando Bach estava compondo a paixão segundo São Mateus, que fala sobre a paixão de Cristo, sua comoção era tanta que o rosto ficou regado por lágrimas.
      
George Frideric Handel, outro luterano, quando compôs o seu famoso Messias teve uma experiência tão grande que soluçava de emoção.
     
Toda música deve ser dirigida para o louvor a Deus. Toda composição somente tem sentido se exaltar a Deus.
     
Porém, para que Deus seja glorificado nas músicas, é preciso que elas tenham base nas Sagradas Escrituras. O que tem acontecido muito pouco nas composições atuais, pois o objetivo não tem sido a edificação, mas as vendas.
    
Amo música, amo cantar, toco instrumentos musicais desde os treze anos de idade. Porém quando pego meu violão para cantar alguma música, fico procurando nas canções atuais e encontro poucas que consigo cantar com segurança. É lamentável que nossos compositores orem pouco antes de uma composição. É triste ver que nossas canções são feitas por pessoas que não entendem nada de Bíblia.
     
Talvez alguém queira alegar que algumas músicas têm conteúdo poético, por isso estão cheias de figuras de linguagem. No entanto, uma música pode ser poética, apresentar figuras de linguagem, sem ir de encontro à teologia bíblica.
     
Creio que nossos compositores precisam estudar mais a Bíblia, freqüentar mais a Escola Dominical, os cultos de doutrina, orar mais antes de qualquer composição.
     
Música para a glória de Deus deve ter base na sua Palavra.

Na música, Soli Deo Gloria!

17 de julho de 2012

A Síndrome das Mãos Levantadas


A principal dificuldade que encontramos para evangelizar é: entender errado o que significa isso. Existem muitos teóricos que discorrem sobre o tema, cada um tem uma opinião diferente. E Jesus, qual a opinião do mestre? Gostaria de falar de um de nossos erros na evangelização, a famosa síndrome da “mão levantada”
Andamos sempre ansiosos para que isso aconteça quando evangelizamos, queremos ver “mãos levantadas”. Estamos errados, primeiro em considerar que quando alguém levanta a mão dizendo querer aceitar a Jesus, nosso trabalho de evangelista está terminado, ao passo que talvez nem tenha começado. Segundo não entendemos o principal ensino de Jesus, “a grande comissão”.
Quando olhamos para ela, Jesus fala aos discípulos de uma maneira abrangente. Durante mais de 40 dias o mestre explica sobre isso e qual seria a missão de seus escolhidos apóstolos. Ide por todo mundo e pregai, Marcos. Fazendo discípulos em todas as nações, Matheus. Para que os pecados sejam perdoados, Lucas. Aqueles que forem perdoados por vocês serão perdoados, os que não, não serão perdoados, João. Jesus está falando de um único assunto, tudo isso está ligado. Porque então separamos evangelizar e discipular?
Quando dividimos evangelização e discipulado, uns evangelizam e outros discipulam, fragmentamos o trabalho, nem todos se envolvem. Outro efeito dessa divisão é que nosso trabalho se dá por finalizado quando alguém “levanta a mão”. Não foi isso que Jesus nos ensinou. A enfase dos evangelistas não estava nessa divisão, mas sobre, o que, como, o propósito e a urgência dessa ação continuada.
Precisamos aprender a evangelizar da maneira que Jesus nos ensinou. A enfase não está na mão levantada, mas em transformação, mudança de mente, postura. Uma nova maneira de viver e olhar o mundo. O processo como um todo é importante, do início ao final da vida estaremos evangelizando e sendo evangelizados, estaremos nos tornando mais conforme o evangelho e menos conforme nós mesmos.
Temos que produzir mais do que mãos levantadas, precisamos levar as pessoas a um verdadeiro relacionamento com Jesus. Elas não sabem que Jesus quer se relacionar com elas, não sabem que podem aprender a conversar, ouvir e falar com Jesus. Precisamos ensiná-las, desde o primeiro contato que tivermos com elas, como podem se comprometer a obedecer o que Jesus está falando. Isso é muito mais do que uma mão levantada. É a resposta a religiosidade aparente de nosso povo, uma verdadeira espiritualidade.
Essa mensagem encontra-se em
http://www.evangelizabrasil.com/2012/06/27/21553/#more-21553
Acesso em 17/07/2012.

16 de julho de 2012

Academia em Debate: Vários Vídeos

Estou postando aqui vários vídeos que fazem parte do "Academia em Debate", do Mackenzie. São excelentes vídeos.

ORIGEM DO UNIVERSO: POR ACASO OU PRÉ-CONCEBIDO?

CORRUPÇÃO NAS IGREJAS EVANGÉLICAS NEOPENTECOSTAIS

TEORIA DA EVOLUÇÃO: O HOMEM TEM A MESMA ORIGEM QUE O MACACO?

LIBERDADE DE CRENÇA

DESIGN INTELIGENTE: RELIGIÃO OU CIÊNCIA?

RELATIVISMO

O CRISTÃO NA ESFERA POLÍTICA

CIRURGIA PLÁSTICA EM DEBATE

CONCURSOS EM DEBATE: TÉCNICAS QUE ACELERAM A APROVAÇÃO


POSITIVISMO JURÍDICO E A TEORIA GERAL DO DIREITO

O CRESCIMENTO DOS EVANGÉLICOS NO BRASIL


ACADEMIA EM DEBATE: HERMENÊUTICA PARTE 1


ACADEMIA EM DEBATE: HERMENÊUTICA PARTE 2

9 de julho de 2012

Fala Que Eu Te Vejo

FALA QUE EU TE VEJO

Gilson Soares dos Santos

Certa vez, Sócrates, o filósofo, encontrou um belo jovem em silêncio, dirigiu-se a ele e disse: “Fala, para que eu possa ver-te”. Com essa indagação ao belo jovem, o filósofo deixou claro que não é pela aparência que conhecemos alguém, mas pelas palavras. Antes que Sócrates tivesse essa concepção e pudesse pedir uma fala para conhecer alguém, o rei Salomão já havia dito que “até o tolo estando calado é tido por sábio” (Pv 17.28).

Isso me faz lembrar a “ditadura da beleza” na qual vivemos, onde os cuidados corporais, médicos, higiênicos e estéticos são predominantes, não que eu seja contrário a essas coisas, sou a favor dos cuidados com o corpo, mas sou contra o "culto ao corpo". A busca do corpo perfeito envolve fábricas, laboratórios farmacêuticos, nutricionistas, cirurgiões plásticos, personal trainers, calçados, roupas, academias de ginásticas, aparelhos, etc. O negócio agora não é mais “fazer a cabeça” de ninguém, mas fazer o corpo.

É aí que lamento: tanta gente fisicamente bonita, porém vazias. São pessoas tão vazias, mas tão vazias, que se gritarmos dentro da boca dessa gente é possível escutarmos o eco em seu interior. Os Reality Shows expõem gente fisicamente bonita, mas nunca se ouviu tanta tolice. Gente que não lê livros, gente que fala errado, gente que só conhece o próprio umbigo. Gente tatuada, mas o cérebro continua uma tábula rasa; gente usando piercings na língua, na orelha, por fora e por dentro do nariz, mas a mente continua sem ornamento algum; gente siliconada, mas sem nenhum miligrama de sabedoria, de estudo, de conhecimento, de filosofia; gente que é melhor ficar calada, porque se abrir a boca...

Em tempos de “ideologia do corpo perfeito” não consigo ver uma pessoa até que ela fale. Somente quando alguém se pronuncia é que consigo vê-lo e saber se o exterior condiz com seu interior. Não me iludo mais, não quero cometer o mesmo erro de Samuel, o profeta bíblico, que olhou para a aparência e teve que ouvir Deus dizer que o homem olha para o exterior, mas Deus vê o interior de cada pessoa, Deus contempla o coração.

Gostaria que fôssemos todos lindos, interiormente e exteriormente, mas somente consigo saber se uma pessoa é realmente linda depois que ela fala. Então “FALA QUE EU TE VEJO”!!! 

7 de julho de 2012

Evangelização no Calvinismo e no Arminianismo



A EVANGELIZAÇÃO NO CALVINISMO E NO ARMINIANISMO

A doutrina da soberania de Deus é um forte incentivo para a evangelização, segundo os calvinistas, porque ela garante que a pregação do evangelho nunca seja em vão. Ela sempre cumprirá o seu alvo. Os grandes evangelistas George Whitefield, Jonathan Edwards e Charles Spurgeon ganharam milhares de almas para Cristo. Eles pregavam e defendiam as doutrinas da graça de Deus e a soberania de Deus na salvação. O fato de que a salvação depende da soberania de Deus, quer dizer que o evangelismo não depende em métodos e técnicas de marketing ou persuasão humana. O evangelista pode pregar em paz, estando descansado pelo fato de que a pregação fiel é a sua responsabilidade, e o resultado é responsabilidade  de Deus.

O arminiano talvez não entenda porque ele deve continuar pregando se, no fim, é Deus que é responsável pela salvação. Se já é assim, então a pregação não tem significado. O arminiano é freqüentemente levado ao fervor elogiável na evangelização, exatamente porque ele leva a sério a responsabilidade humana. Ele acha que o calvinista pode ser tentado a desistir. Por outro lado, o calvinista não entende porque o arminiano continua orando pela salvação dos seus queridos. Se é verdade que Deus nunca interfere com o livre arbítrio do pecador, então pedir que ele mude o coração da pessoa e a salve é fútil. Significaria orar para Deus fazer o que o próprio arminiano não admite que Deus faça. 

calvinista acha que se o arminiano fosse consistente, ele ficaria de joelhos diante do pecador e pedia a ele em vez de pedir a Deus. O calvinista acredita que o arminiano pode enfrentar a tentação de depender de si mesmo e de seus métodos, em vez de Deus. O calvinista continua pregando, pois ele sabe que Deus sempre cumpre seu plano através de meios. E a pregação é um dos meios que Deus usa para salvar os seus eleitos.

A verdade é que o arminiano, se levar a soberania de Deus a sério, nunca deixará de depender do poder de Deus na evangelização. 

Também o calvinista se levar a responsabilidade do homem a sério nunca deixará de empregar todos os meios que são bíblicos para ganhar os perdidos. 

Os dois devem trabalhar juntos em humildade e respeito mútuo, sabendo que o desejo de ambos é a salvação das pessoas para a glória de Deus. A doutrina da soberania de Deus não deve ser ocasião para divisão, mas deve servir para relembrar a ambos os lados que estas doutrinas devem ser equilibradas.

(FERREIRA. Franklin, MYATT. Alan, Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova. 2007. p. 753.).

6 de julho de 2012

Igreja: Simpática, Sim! Apática, Jamais!



SIMPÁTICOS, MAS NÃO APÁTICOS!

Pr. Gilson Soares dos Santos

Certamente, todo crente já leu Atos 2.47, onde a Bíblia Sagrada mostra o nível de aceitação da Igreja dos primeiros tempos: "Louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo...".    

A igreja dos primeiros tempos (que muitos costumam chamar de igreja primitiva) era uma comunidade simpática. Era um grupo diferente dos demais grupos religiosos. Perseverança, comunhão, temor, poder, unanimidade, alegria, singeleza, louvor e crescimento são termos que as Sagradas Escrituras usam para caracterizar a igreja.    

Era tão simpática a igreja, tão acolhedora, tão verdadeira, que o Senhor ia acrescentando-lhe o número dos que iam sendo salvos.

A igreja era simpática, mas nunca apática. Ela não era indiferente aos problemas sociais. Não era insensível à dor das pessoas. Não era impassível diante dos problemas. Era uma comunidade envolvente porque se envolvia. Nela não havia ninguém carente porque tudo era comum. Não havia ninguém isolado porque eram unânimes, solidários, unidos, comunicativos. Nela não havia ninguém desamparado, pois quando isto parecia que ia acontecer foram  consagrados diáconos para amparar os órfãos e as viúvas.   

A igreja pregava o evangelho com seriedade, não ficava indiferente aos pecados, mas buscava apresentar a solução em Cristo.

Oro e creio que nós, igreja hodierna, podemos cada dia mais cair na simpatia do povo, porém sem sermos apáticos.

4 de julho de 2012

Carrossel dos Excluídos Me Fez e Me Faz Chorar



CARROSSEL DOS EXCLUÍDOS: CONFESSO QUE CHOREI, ADMITO QUE AINDA CHORO

Pr. Gilson Soares dos Santos


Depois de muitos meses, venho aqui confessar que chorei quando ouvi pela primeira vez a música “Carrossel dos Excluídos”, do CD/DVD Acústico do cantor Sérgio Lopes.
     
Meu choro não foi pela descrição que o mesmo faz da infância inocente, onde "tudo era tão suave", para a fase indecente, quando o pecado lhe surge, quando descobre a barganha dos homens.
     
Também não chorei por ser lembrado que fugimos de tudo: da dor, do patrão, da polícia, de blitz e até de bala perdida... isso, embora seja chocante, talvez nem me faça mais chorar, pois "todos os adultos são culpados".
     
Eu nem chorei quando o cantor fala da realidade de sua fase de transição, do seu pai sendo excluído do emprego, de sua mãe chorando nervosa, eu nem chorei.
     
Até deu vontade de chorar quando ouvi dos excluídos, desempregados, que o cantor encontra às 5 horas da tarde na Central do Brasil. Me fez lembrar a exclusão includente, onde o poderoso mecanismo de exclusão passa pela inclusão de determinados indivíduos. Aqueles que a Previdência diz que não devem receber benefício porque podem trabalhar e o mercado de trabalho diz que eles são inempregáveis. Gente que foi excluída do emprego que quis. No entanto... eu nem chorei, pois isto é a realidade com a qual convivemos nesse país.
     
Eu chorei mesmo foi quando o cantor começou a falar da Igreja. Ah, a igreja! “Ainda bem que existe a igreja”. "A igreja de Deus nos perdoa". "Setenta vezes sete" ela nos perdoa.
     
Vou deixar que você escute a música, e espero que entenda o que entendi, e se toque com eu me toquei...
     
Ainda bem que existe a igreja...
     
“A igreja não exclui ninguém. Que Alívio!”

Chorei e ainda choro. Veja o vídeo:



3 de julho de 2012

Filosofia da Mente: Identidade Pessoal


Gilson Soares dos Santos

A filosofia da mente está repleta de questões muito interessantes, uma delas é a que diz respeito à identidade pessoal numérica, isto é, a identidade de uma coisa consigo mesma nos estágios sucessivos de sua existência. Em outras palavras, trata-se da “mesmidade” de uma pessoa no tempo. Tratemos a maneira como Cláudio Costa aborda o tema.

Identidade pessoal correlaciona-se a critérios de identidade pessoal, sendo estes os elementos essenciais para determinar se uma pessoa é a mesma nos estágios temporais de sua existência. Tais critérios devem ser distinguidos como critérios primários (constitutivos) e critérios secundários (sintomas).

Sobre os critérios de identidade pessoal existem dois grupos de teorias, as físicas e as psicológicas. As primeiras, conforme a própria palavra denuncia, sugerem que o critério para admitirmos que uma pessoa é a mesma está descrita em termos físicos; as segundas, por sua vez, propõem que os critérios para reconhecermos que uma pessoa é ela mesma devem ser descritos em termos mentais.
            
Pensemos que os critérios para reconhecermos uma pessoa nos diversos estágios de sua existência sejam por meio de sua aparência física. O que dizer sobre alguém que morreu? Dizemos que ele foi, nunca que ele é. Isso apenas prova que a aparência física torna provável a identidade pessoal, porém não a garante.
            
Seguindo ainda a teoria da aparência física, diríamos que o cérebro de uma pessoa é critério para identidade pessoal. Porém se fosse possível transportar o cérebro de um personagem A para a calota craniana vazia de um personagem B, qual seria a conclusão? A conclusão é que a permanência do cérebro é um sintoma que, embora tenha prioridade sobre o resto do corpo, não garante a identidade pessoal. Isso fica comprovado se colocarmos um cérebro humano de uma pessoa C preservado em formol, jamais diríamos do cérebro que é a pessoa C.
            
O comportamento externo não pode ser garantia de identidade pessoal, pois se fosse possível teletransportarmos alguém para um outro planeta, a continuidade física não garantiria a identidade pessoal verdadeira. Alguém dirá que para uma pessoa ser teletransportada (se isso fosse possível) é preciso deixar de existir, sendo sua nova materialização em ouro planeta considerada uma nova existência. Havendo então uma falha nos diferentes estágios temporais de uma pessoa o critério físico de identidade pessoal não se sustentaria.
            
Tratemos agora dos critérios psicológicos de identidade pessoal, que são os critérios mentais. O mais famoso é o da memória pessoal, atribuída a John Locke, que afirma o seguinte: a identidade de uma pessoa vai até à extensão de sua consciência, percorrendo a sequencia de suas memórias de experiências passadas. Isto quer dizer que sei que sou a mesma pessoa de foi a um circo aos quatro anos de idade, porque consigo lembra-me disso. Mas a permanência da memória não pode ser condição necessária para a identidade pessoal, pois uma pessoa que sofra um acidente e tenha perda de memória não deixará de ser ela mesma, embora não tenha uma sequencia de memórias de experiências passadas. Assim como uma falsa lembrança ou a recordação de eventos que nunca presenciamos não nos torna a pessoa da recordação.
           
Se a memória pessoa fosse perdida, mas outros traços psicológicos fossem mantidos, certamente a identidade pessoal seria preservada. Mas podemos afirmar que a memória pessoal também é indispensável, pois em alguns momentos precisaremos recorrer à ela.
            
É preciso admitir, então, que critérios psicológicos, por si só, não são capazes de identificação pessoal, da mesma forma que os critérios físicos sozinhos não são suficientes para determinar a identidade pessoal. É sugerido um critério misto de identidade pessoal, que usaria tanto as teorias físicas quanto as mentais. Os critérios físicos envolveriam continuidade substantiva e conexão física causal; os critérios mentais compreenderiam a persistência da personalidade e caráter e a persistência da memória proposicional e de habilidades. Se pelo menos um elemento de cada grupo (físico ou mental) estiver sendo suficientemente satisfeito teríamos a regra criterial para identificação pessoal.

Consideramos então que uma pessoa é a mesma quando são satisfeitos critérios de identidade pessoal, entendendo que a presença isolada de um único critério será sempre insuficiente.


BIBLIOGRAFIA

COSTA. Cláudio, Filosofia da Mente. Pag. 38-50. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. 2005.